Cita√ß√Ķes sobre Gatos

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Frases sobre gatos, poemas sobre gatos e outras cita√ß√Ķes sobre gatos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Aonde fica a sa√≠da, Perguntou Alice ao gato que ria. Depende, respondeu o gato. De qu√™, replicou Alice; Depende de para onde voc√™ quer ir…

De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.

Uma Toupeira na Calçada

Vi uma toupeira na calçada.

As toupeiras não se dão bem em calçadas
‚Äď elas que t√™m no solo ar√°vel o seu habitat ‚Äď
mas aquelas estava ali inexplicavelmente.

Uma aventura que acabou mal,
pensei para comigo.

A toupeira extraviada na calçada
esbracejava (se assim se pode dizer)
como um náufrago que não tem bóia nem tábua.

Tentava refugiar-se na terra
a que pertencia. Mas, desfavor√°vel,
a pedra n√£o se deixava fender das suas unhas,
tal como a √°gua se n√£o deixa nadar
do desespero do n√°ufrago
que não tem tábua nem bóia.

Estava-se mesmo a ver como a coisa ia acabar.

Enquanto tivesse forças, a toupeira,
embora perplexa daquele lugar hostil,
continuaria sempre a esbracejar,
arranhando em vão a pedra da calçada.
Depois, algum gato havia de passar por ali
(h√° sempre um gato que passa ‚Äėpor ali‚Äô)
e daria o remate apropriado
a esta história sem história.
No fim de contas, uma toupeira é um rato,
não é verdade? (Pergunta o gato.)

Meditando na sorte da toupeira,

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O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos    quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

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O Desporto √© a Intelig√™ncia In√ļtil

O sport √© a intelig√™ncia in√ļtil manifestada nos movimentos do corpo. O que o paradoxo alegra no cont√°gio das almas, o sport aligeira na demonstra√ß√£o dos bonecos delas. A beleza existe, verdadeiramente, s√≥ nos altos pensamentos, nas grandes emo√ß√Ķes, nas vontades conseguidas. No sport – ludo, jogo, brincadeira – o que existe √© sup√©rfluo, como o que o gato faz antes de comer o rato que lhe h√°-de escapar. Ningu√©m pensa a s√©rio no resultado, e, enquanto dura o que desaparece, existe o que n√£o dura. H√° uma certa beleza nisso, como no domin√≥, e, quando o acaso proporciona o jogo acertado, a maravilha entesoura o corpo encostado do vencedor. Fica, no fim, e sempre virado para o in√ļtil, o inconseguido do jogo. Pueri ludunt, como no prim√°rio do latim…

Ao sol brilham, no seu breve movimento de gl√≥ria esp√ļria, os corpos juvenis que envelhecer√£o, os trajectos que, com o existirem, deixaram j√° de existir. Entardece no que vemos, como no que vimos. A Gr√©cia antiga n√£o nos afaga sen√£o intelectualmente. Ditosos os que naufragam no sacrif√≠cio da posse. S√£o comuns e verdadeiros. O sol das arenas faz suar os gestos dos outros. Os poetas cantam-nos antes que des√ßa todo o sol.

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Preciso de Ti

O amor é bem capaz de ser a melhor maneira de nos encontrarmos connosco.
Preciso de ti para saber de mim.
Sei-o sempre que por minutos parece que vou perder-te, numa discussão das que vamos tendo. Discutir é abrir a válvula do amor, deixá-lo respirar, sangrá-lo para poder regressar à estrada. Nenhum amor aguenta sem sangrar.
Preciso de ti para pensar em mim.
Sei-o porque quando parece que vais eu vou também, deixo de saber quem sou, como sou. Para onde vou.
Preciso de ti para precisar de mim.
E os que não me entendem que vão para o raio que os parta. Os que dizem que isto não é nada recomendável, que isto não devia ser assim, que eu devia ser capaz de ser o que sou sem precisar de ti. Infelizes.
Preciso de ti para cuidar de mim.
O amor é bem capaz de ser precisar do outro para cuidarmos de nós.
E eu cuido-me. Quero estar viva para te poder amar. Conheces melhor motivo do que esse? √Č claro que amo os meus pais, a minha fam√≠lia toda, os meus gatos, aquilo que a vida me tem dado.

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A falta de respeito √© o problema do mundo. Respeito por mim, por ti, pelo cego que canta e pede esmola, pelo gato vadio que se atravessa numa estrada. J√° n√£o h√° respeito. J√° n√£o h√° respeito porque tudo deixou de nos dizer respeito. √Č tudo distante, √© tudo l√° ‚Äď e nunca c√°.

Magnificat

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
N√£o sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens l√° no fundo?
√Č esse! √Č esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E ent√£o ser√° dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, ser√° dia !

O homem gostaria de ser peixe ou p√°ssaro, a serpente gostaria de ter asas, o c√£o √© um le√£o confuso… Mas o gato quer ser somente gato, e todo gato √© um puro gato desde o bigode ao rabo

Dos T√≥rrido Sert√Ķes, Pejados De Oiro

Dos t√≥rridos sert√Ķes, pejados de oiro,
Saiu um sabich√£o de escassa fama,
Que os livros preza, os cartap√°cios ama,
Que das línguas repartem o tesoiro.

Arranha o persiano, arranha o moiro,
Sabe que Deus em turco Allah se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer toiro.

Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que n√£o goza;
√Č mono, e prega unhadas como gato.

√Č nada em verso, quase nada em prosa:
N√£o conheces, leitor, neste retrato
O guapo charlatão Tomé Barbosa?

Gato. Um aut√īmato flex√≠vel e indestrut√≠vel, fornecido pela natureza para ser chutado quando as coisas v√£o mal no c√≠rculo dom√©stico.

A raz√£o por que os democratas n√£o gostam dos gatos, √© f√°cil adivinh√°-la. O gato √© belo; revela id√©ias de luxo, de asseio, de vol√ļpia, etc.

Uma das notáveis diferenças entre o gato e a mentira é ter o gato apenas nove vidas.

Quer Ver Uma Perdiz Chocar Um Rato

Quer ver uma perdiz chocar um rato,
Quer ensinar a um burro anatomia,
Exterminar de Goa a senhoria,
Ouvir miar um c√£o, ladrar um gato;

Quer ir pescar um tubar√£o no mato,
Namorar nos serralhos da Turquia,
Escaldar uma perna em √°gua fria,
Ver um cobra casti√ßar co’um pato;

Quer ir num dia de Surrate a Roma,
Lograr sa√ļde sem comer dois anos,
Salvar-se por milagre de Mafoma;

Quer despir a bazófia aos Castelhanos,
Das penas infernais fazer a soma,
Quem procura amizade em vis gafanos.

A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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