Passagens de Graham Greene

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Buller estava lambendo as chamadas partes íntimas com o mesmo prazer de um conselheiro municipal a tomar sopa.

Nossas vozes iam ficando cada vez mais altas na escurid√£o sob a est√°tua. Como todas as brigas desse tipo, n√£o levou a nada, apenas a uma ferida que sara com facilidade. H√° lugar para tantas feridas diferentes antes de percebermos que estamos arrancando uma velha crosta.

Ao contrário de Wormold, que não acreditava em nada, Milly era católica: ele tivera de prometer à sua mãe, antes do casamento, que assim seria. Agora a mãe, pensava ele, não tinha fé alguma, mas deixara-lhe uma católica nas mãos.

O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de um tempo em que possamos lamentar as nossas falhas nos nossos relacionamentos humanos: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Nenhum de nós jamais morreria por amor. Iríamos sofrer e nos separar e encontrar outra pessoa. Pertencíamos ao mundo da comédia, não ao da tragédia.

A transitoriedade era a minha pigmentação; minhas raízes jamais penetrariam tão profundamente em qualquer lugar a ponto de me proporcionar um lar ou me fazer sentir seguro como o amor.

A política, a guerra, o casamento, o crime, o adultério. Tudo o que existe no mundo tem algo a ver com dinheiro.

O comiss√°rio de bordo apanhou o √ļltimo cart√£o de desembarque e ficou a observar os passageiros que atravessavam o cais cinzento e molhado, sobre uma vastid√£o de trilhos e sinais, desaparecendo atr√°s de caminh√Ķes abandonados.

Contra o que √© habitual crer, a verdade √© quase sempre divertida. A √ļnica coisa que as pessoas se d√£o ao trabalho de inventar s√£o trag√©dias.