Cita√ß√Ķes sobre Com√©dia

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Frases sobre com√©dia, poemas sobre com√©dia e outras cita√ß√Ķes sobre com√©dia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Manh√£ de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detr√°s das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fant√°stica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, l√°grimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras √ļmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o ch√£o recebe o pranto da vi√ļva.

Gelo n√£o cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
V√£o subindo as que encheram todo o vale;
J√° se v√£o descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;

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Aquele que à inatividade se entregar deixará de si sobre a terra memória igual ao traço que o fumo risca no ar e a espuma traça na onda. (A Divina Comédia)

A alma nasce velha, e vai rejuvenescendo. √Č a com√©dia da vida. E o corpo nasce jovem, mas envelhece; √© a trag√©dia da vida.

A Comédia do Ambicioso

Um homem que aspira a coisas grandes considera todo aquele que encontra no seu caminho, ou como meio, ou como retardamento e impedimento, – ou como um leito de repouso passageiro. A sua “bondade” para com os outros, que o caracteriza e que √© superior, s√≥ √© poss√≠vel quando ele atinge o seu m√°ximo e domina. A impaci√™ncia e a sua consci√™ncia de, at√© aqui, estar sempre condenado √† com√©dia ‚Äď pois mesmo a guerra √© uma com√©dia e encobre, como qualquer meio encobre o fim -, estraga-lhe todo o conv√≠vio: esta esp√©cie de homem conhece a solid√£o e o que ela tem de mais venenoso.

Nenhum de nós jamais morreria por amor. Iríamos sofrer e nos separar e encontrar outra pessoa. Pertencíamos ao mundo da comédia, não ao da tragédia.

Picadeiro

Estava sossegado l√° no fundo
Do meu eu e de mim sem muita pressa
Nesses momentos calmos que circundo
Roteiro e enredo em ato que começa

Minha descida ao palco do meu mundo
Que venho e represento a farsa dessa
Comédia que é de arte em que aprofundo
A pena desgarrada em v√£ promessa

De bem cantar somente o mais fecundo
Sonho sonhado sem a dor expressa
Que a vida vai me dando num segundo

O desempenho em títere da peça
Neste papel de doce vagabundo
Que me faz rir da dor doída à beça.

O Homem n√£o Deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no conv√≠vio inter-humano n√£o √© afinal a paz, a conc√≥rdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente √© a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infort√ļnio. Ele n√£o foi feito para a conquista de seja o que for, mas s√≥ para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra √© um bem (Hegel, por exemplo), mas √© isso que no fundo desejam. A guerra √© o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquieta√ß√£o em ac√ß√£o. Da paz se diz que √© ¬ępodre¬Ľ, porque √© o estarmos reca√≠dos sobre n√≥s, a inactividade, a derrota que sobrev√©m n√£o apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado √© o mais feliz pela necessidade inilud√≠vel de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu n√£o tem paz sen√£o por algum tempo no seu cora√ß√£o alvoro√ßado. A guerra √© o estado natural do bicho humano, ele n√£o pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de futebol, qualquer vit√≥ria alcan√ßada √© o est√≠mulo insuport√°vel para vencer outra vez.

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Chaplin é um homem cujos talentos são tão grandes que você tem que apostar. Em primeiro lugar a comédia é o seu quintal. Ele é um gênio, um gênio cinematográfico. Um comediante de talento sem igual.

Literatura Eterna ou Temporal

Penso eu que a literatura pode responder a interroga√ß√Ķes, pode tentar responder-lhes, pode simplesmente p√ī-las e pode nem sequer p√ī-las. H√° a contar com a variedade dos temperamentos liter√°rios. Coisa dif√≠cil, sei-o por experi√™ncia pr√≥pria, embora deva estar na base de qualquer atitude cr√≠tica. Aceitemos, por√©m, que toda a grande literatura p√Ķe interroga√ß√Ķes, e lhes procura resposta. Pergunto: N√£o poder√° admitir-se que seja antes √†s interroga√ß√Ķes eternas do homem eterno que a literatura procura responder? N√£o envelhecer√° uma obra de arte precisamente na medida em que s√≥ responde √†s inquieta√ß√Ķes de uma √©poca? E n√£o perdurar√° na medida em que, atrav√©s, ou n√£o, de respostas provis√≥rias a interroga√ß√Ķes provis√≥rias, sugere uma resposta eterna a interroga√ß√Ķes eternas, exprime inquieta√ß√Ķes eternas embora de forma pessoal?
Entendamo-nos: H√° quem, no homem, antes considere o homem eterno, e quem antes considere o homem temporal. O leitor compreende que chamo homem eterno ao que, no homem, permanece atrav√©s da diversidade das √©pocas, dos meios, das circunst√Ęncias hist√≥ricas, das modalidades individuais; e que chamo homem temporal ao que nele depende destas coisas. Evidentemente, o homem que atrav√©s da literatura se nos revela √©, ao mesmo tempo, um e outro: o temporal e o eterno. Mas a quest√£o √© esta: Ser√° antes pelo que nos revela do homem temporal que uma obra dura por humana –

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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A Tragédia e Comédia da Vida

A vida √© um mar repleto de rochedos e turbilh√Ķes, que o homem evita com a m√°xima precau√ß√£o e cautela, embora saiba que, quando consegue insinuar-se por eles como todo o esfor√ßo e arte, justamente por isso acaba por se aproximar e at√© mesmo se dirigir para o seu naufr√°gio maior, total, inevit√°vel e irremedi√°vel, a morte: esta √© o objectivo final da penosa viagem e, para ele, o pior de todos os rochedos dos quais se desviou.
A vida de todo o ser humano flui inteiramene entre o querer e o conseguir. O desejo, conforme a sua natureza, é dor: alcançá-lo significa gerar rapidamente a saciedade. O objectivo era apenas aparente; a posse tira o encanto; o desejo e a necessidade reapresentam-se com um novo aspecto. Quando isso não ocorre, seguem-se a solidão, o vazio e o tédio, contra os quais a luta atormenta tanto quanto contra a miséria.

Quando se observa a vida de cada indivíduo de modo geral, destacando apenas os seus traços mais significativos, percebe-se que ela não passa de uma tragédia; porém, se examinada nos seus detalhes, tem o carácter da comédia.

A comédia faz com que a subversão do estado das coisas existentes seja possível.

A maioria dos dramas está nas ideias que formamos das coisas. Os acontecimentos que nos parecem dramáticos são apenas assuntos que a nossa alma converte em tragédia ou em comédia, à mercê do nosso carácter.

O Ridículo do Adulador e do seu Alvo

Um lisonjeador que n√£o se procura esconder, s√≥ engana os tolos. √Č preciso que se desconfie dos que, mais espertos, se escondem aos olhares para mais secretamente se insinuarem no vosso esp√≠rito. Nem sempre √© f√°cil reconhec√™-lo; pois muitas vezes ele contradiz-se para melhor aprovar, e para mais seguramente lisonje√°-la ele combate a vossa opini√£o, at√© por fim entregar as armas e confessar-se vencido, deixando ao antagonista a honra de um v√£o triunfo. Que mais vergonhoso existe que o ser assim enganado? Guardemo-nos de que digam de n√≥s como no ¬ęEpicleros¬Ľ: ¬ęHoje ludibriastes brilhantemente todos esses velhotes idiotas de com√©dia¬Ľ. Pois, at√© nas pe√ßas de teatro, os velhotes cr√©dulos e imprevidentes fazem sempre um papel muito rid√≠culo.

Os Sentimentos n√£o Evoluem

Sei que tenho conhecimentos que os antigos n√£o possu√≠am. Somos melhores fil√≥sofos sob muitos aspectos; mas no que diz respeito aos sentimentos, confesso que n√£o conhe√ßo nenhum povo antigo que nos seja inferior. √Č desse lado, creio, que se pode mesmo dizer que √© dif√≠cil para os homens elevarem-se acima do instinto da natureza. Ela fez as nossas almas t√£o grandes quanto elas se podem tornar, e a eleva√ß√£o que elas encontram na reflex√£o √© em geral tanto mais falsa quanto mais guindada. Tudo aquilo que s√≥ depende da alma n√£o recebe nenhum acr√©scimo pelas luzes do esp√≠rito e, porque o gosto se prende a ela, vejo que em v√£o se aperfei√ßoam os nossos conhecimentos: instrui-se o nosso ju√≠zo, n√£o se eleva o nosso gosto.
Represente-se Pourceaugnac no Teatro da Com√©dia, ou outra farsa com alguma comicidade, ela n√£o atrair√° p√ļblico menor do que Andr√≥maca: as gargalhadas da plat√©ia encantada ser√£o ouvidas at√© na rua. Apresentem-se pantominas suport√°veis na Feira, elas deixar√£o deserto o Teatro de Com√©dia; vi os nossos almofadinhas e os nossos fil√≥sofos subirem nos bancos para verem espancar dois garotos. N√£o se perde um gesto de Arlequim, e Pierrot faz rir este s√©culo s√°bio que se pavaneia de tanta polidez.

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