Passagens sobre Longe

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Frases sobre longe, poemas sobre longe e outras passagens sobre longe para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Palavra

Eleva-se entre a espuma, verde e cristalina
e a alegria aviva-se em redonda resson√Ęncia.
O seu olhar é um sonho porque é um sopro indivisível
que reconhece e inventa a pluralidade delicada.
Ao longe e ao perto o horizonte treme entre os seus cílios.

Ela encanta-se. Adere, coincide com o ser mesmo
da coisa nomeada. O rosto da terra se renova.
Ela aflui em círculos desagregando, construindo.
Um ouvido desperta no ouvido, uma língua na língua.
Sobre si enrola o anel nupcial do universo.

O gérmen amadurece no seu corpo nascente.
Nas palavras que diz pulsa o desejo do mundo.
Move-se aqui e agora entre contornos vivos.
Ignora, esquece, sabe, vive ao nível do universo.
Na sua simplicidade terrestre h√° um ardor soberano.

Sou o fantasma de um rei

Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um pal√°cio abandonado…
Minha hist√≥ria n√£o sei…
Longe em mim, fumo de eu pens√°-la, morre
A ideia de que tive algum passado…

Eu n√£o sei o que sou.
N√£o sei se sou o sonho
Que algu√©m do outro mundo esteja tendo…
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa hist√≥ria que um deus est√° relendo…

O Amor Exige a Verdade

A maioria das pessoas hoje em dia n√£o considera o amor como relacionado de alguma forma com a verdade. O amor √© visto como uma experi√™ncia associada com o mundo das emo√ß√Ķes fugazes, e n√£o com a verdade. Mas √© esta uma descri√ß√£o adequada do amor? O amor n√£o pode ser reduzido a uma emo√ß√£o ef√©mera. √Č verdade que estimula a nossa afectividade, mas, a fim de o abrir para o amado e, assim, abrir o caminho que conduz longe do egocentrismo e em dire√ß√£o √† outra pessoa, a fim de construir um relacionamento duradouro, o amor visa a uni√£o com o amado. Aqui come√ßamos a ver como o amor exige a verdade. S√≥ na medida em que o amor √© fundamentado na verdade pode ser suportado ao longo do tempo, pode transcender o momento passageiro e ser suficientemente s√≥lido para sustentar uma viagem compartilhada. Se o amor n√£o est√° vinculado √† verdade, √© uma presa emo√ß√Ķes inconstantes e n√£o pode resistir ao teste do tempo. Amor verdadeiro, por outro lado, unifica todos os elementos da nossa pessoa e torna-se uma nova luz que aponta o caminho para uma vida grande e realizada. Sem a verdade, o amor √© incapaz de estabelecer um v√≠nculo firme;

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As Saudades que Sinto de Ti

Meu Bebé, meu Bebezinho querido:

Sem saber quando te entregarei esta carta, estou escrevendo em casa, hoje, domingo, depois de acabar de arrumar as coisas para a mudan√ßa de amanh√£ de manh√£. Estou outra vez mal da garganta; est√° um dia de chuva; estou longe de ti ‚ÄĒ e √© isto tudo o que tenho para me entreter hoje, com a perspectiva da ma√ßada da mudan√ßa amanh√£, com chuva talvez e comigo doente, para uma casa onde n√£o est√° absolutamente ningu√©m. Naturalmente (a n√£o ser que esteja j√° inteiramente bom e arranje as coisas de qualquer modo, o que fa√ßo √© ir pedir guarida c√° na Baixa ao Marianno Sant‚ÄôAnna, que, al√©m de ma dar de bom grado, me trata da garganta com compet√™ncia, como fez no dia 19 deste m√™s quando eu tive a outra angina.

N√£o imaginas as saudades de ti que sinto nestas ocasi√Ķes de doen√ßa, de abatimento e de tristeza. O outro dia, quando falei contigo a prop√≥sito de eu estar doente, pareceu-me (e creio que com raz√£o) que o assunto te aborrecia, que pouco te importavas com isso. Eu compreendo bem que, estando tu de sa√ļde, pouco te rales com o que os outros sofrem,

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Rimance

Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta t√£o mal?
quem foi que me deixou ferida
de ferimento t√£o mortal?

Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na m√£o.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar à minha canção.

Nunca existiu sonho t√£o puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho t√£o puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.

Estou caída num vale aberto,
entre serras que não têm fim.
Estou caída num vale aberto:
nunca ninguém passará perto,
nem terá notícias de mim.

Eu sinto que n√£o tarda a morte,
e só há por mim esta flor;
eu sinto que n√£o tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solid√£o sem pavor.

E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo ch√£o,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murm√ļrio
morrer√° com o meu cora√ß√£o…

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No Mundo Poucos Anos, E Cansados

No mundo poucos anos, e cansados,
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me t√£o cedo a luz do dia escura,
que n√£o vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, n√£o quer ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
p√°tria minha Alenquer; mas ar corruto
que neste meu terreno vaso tinha,

me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Ab√°ssia fera e avara,
t√£o longe da ditosa p√°tria minha!

Considera√ß√Ķes Sobre a Amizade

√Č a insufici√™ncia do nosso ser que faz nascer a amizade, e √© a insufici√™ncia da pr√≥pria amizade que a faz perecer. Est√°-se sozinho, sente-se a pr√≥pria mis√©ria, sente-se necessidade de apoio, procura-se quem lhe favore√ßa os gostos, um companheiro nos prazeres e nos pesares; quer-se um homem de quem se possa possuir o cora√ß√£o e o pensamento. Ent√£o a amizade parece ser o que de mais doce h√° no mundo; tem-se o que se desejou, logo se muda de ideia. Quando se v√™ de longe algum bem, ele fixa de in√≠cio os nossos desejos, e quando se chega a ele, sente-se o seu nada. A nossa alma, de que ele prendia a vista na dist√Ęncia, n√£o pode repousar-se nele quando v√™ mais adiante: assim a amizade, que de longe limitava todas as nossas pretens√Ķes, cessa de limit√°-las de perto; n√£o preenche o vazio que prometera preencher; deixa-nos necessidades que nos distraem e nos levam a outros bens.
Ent√£o a gente torna-se negligente, dif√≠cil, exige-se logo como um tributo as complac√™ncias que de in√≠cio eram recebidas como um dom. √Č do car√°cter dos homens apropriar-se a pouco e pouco at√© das gra√ßas de que beneficiam; uma longa posse acostuma-os naturalmente a olhar as coisas que possuem como sendo deles;

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Escrevias pela Noite Fora

Escrevias pela noite fora. Olhava-te, olhava
o que ia ficando nas pausas entre cada
sorriso. Por ti mudei a raz√£o das coisas,
faz de conta que n√£o sei as coisas que n√£o queres
que saiba, acabei por te pensar com crianças
à volta. Agora há prédios onde havia
laranjeiras e rom√£s no ch√£o e as palavras
nem o sabem dizer, apenas apontam a rua
que foi comum, o quarto estreito. Um livro
é suficiente neste passeio. Quando não escreves
estás a ler e ao lado das árvores o silêncio
é maior. Decerto te digo o que penso
baixando a cabeça e tu respondes sempre
com a cabeça inclinada e o fumo suspenso
no ar. As verdades nunca se disseram. Queria
prender-te, tornar a perder-te, achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio
da semana. Mantêm-se as causas iguais
das pequenas alegrias, longe da alegria, a rotina
dos sorrisos vem de nenhum vício. Este abandono
custa. Porque estou contigo e me deixas
a tua imagem passa pelas noites sem sono,
est√° aqui a cadeira em que te sentaste
a escrever lendo.

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Canção da Minha Tristeza

Meu coração não está nas largas avenidas
nem repousa à tarde, para lá do rio.
Nada acontece. Nada. Nem, ao menos, tu
vir√°s despentear os meus cabelos.

Nem, ao menos, tu, neste tempo de ang√ļstia
vens dizer o meu nome ou cobrir-me de beijos.
Ah, meu coração não está nas largas avenidas
nem repousa à tarde, para lá do rio.

A cidade enlouquece os meus olhos de p√°ssaro.
Eu recuso as palavras. Sei o nome da chuva.
Quero amar-te, sim. Mas tu hoje n√£o voltas.
Tu não virás, nunca mais, ó minha amiga.

Nada acontece. Nada. E eu procuro-te
por dentro da noite, com m√£os de surpresa.
Meu coração não está nas largas avenidas
nem repousa à tarde, para lá do rio.

E tu, longe, longe. Onde est√°s meu amor,
que n√£o vens despentear os meus cabelos?
Eu quero amar-te. Mas tu hoje n√£o voltas.
Tu não virás, nunca mais, ó minha amiga.

XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente…

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente…

Porque teu nome é para mim o nome
De uma p√°tria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

No Claustro De Celas

Eis quanto resta do idílio acabado,
– Primavera que durou um momento…
Como v√£o longe as manh√£s do convento!
– Do alegre conventinho abandonado…

Tudo acabou… An√™monas, hidr√Ęngeas,
Silindras, – flores t√£o nossas amigas!
No claustro agora viçam as ortigas,
Rojam-se cobras pelas velhas l√°jeas.

Sobre a inscrição do teu nome delido!
– Que os meus olhos mal podem soletrar,
Cansados… E o aroma fenecido

Que se evola do teu nome vulgar!
Enobreceu-o a quietação do olvido,
√ď doce, ing√™nua, inscri√ß√£o tumular.

As Pessoas Riam-se de Mim

A minha susceptibilidade a certo tipo de sustos (medo) era grande. Na rua, um homem caminhando na minha direcção, isto é, na direcção contrária, tirou da algibeira um lenço à minha frente; comecei de imediato a pensar, inconscientemente, acho, que estava a tirar uma arma ou um revólver.
A minha vista curta ‚ÄĒ nem sempre, mas excessivamente no que respeita aos tra√ßos das pessoas, aos gestos ‚ÄĒ afectava o meu c√©rebro desequilibrado. A minha imagina√ß√£o interpretava mal o car√°cter dos seus olhares. Distorcia, n√£o sabia explicar porqu√™, a inten√ß√£o e o significado dos seus gestos. O meu pr√≥prio sentido de audi√ß√£o era d√©bil; aplicava a mim pr√≥prio, retorcendo-as, as palavras que captava. Via em cada palavra um termo destinado a ofender-me, em cada frase, mal apanhada, a sombra e o vislumbre de um insulto.
As pessoas na rua riam-se: riam-se de mim. A minha vista d√©bil n√£o me deixava destruir esta ilus√£o. N√£o me atrevia a p√īr os √≥culos que tinha no bolso, pois temia que as minhas desconfian√ßas se revelassem fundadas.
Ansiava por ter uma grande auto-estima, para que a minha pessoa me fizesse esquecer de mim pr√≥prio. Desejava, oh, como desejava! ‚ÄĒ o impulso de me dedicar aos outros para que eles me fizessem esquecer de mim.

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No Amor, Mil Almas, Mil Maneiras Diferentes

Nem todas as mulheres experimentam os mesmos sentimentos. Encontrareis mil almas com mil maneiras diferentes. Para as conquistar, empregai mil maneiras. A mesma terra n√£o produz todas as coisas: tal conv√©m √† vinha, tal √† oliveira; aqui despontar√£o cereais em abund√Ęncia. H√° nos cora√ß√Ķes tantos caracteres diferentes, quantos rostos h√° no mundo. O homem prudente acomodar-se-√° a estes inumer√°veis caracteres; novo Proteu, t√£o depressa se diluir√° em ondas fluidas para logo ser um le√£o, uma √°rvore, um javali de eri√ßadas cerdas. Os peixes apanham-se aqui com o arp√£o, ali com o anzol, acol√° com as redes puxadas pela corda estendida. E o mesmo m√©todo n√£o convir√° a todas as idades: uma cor√ßa velha descobrir√° a armadilha de mais longe; se te mostrares experiente junto de uma novi√ßa, demasiado petulante junto de uma recatada, ela desconfiar√° que a vais tornar infeliz. Assim √© que a mulher que √†s vezes teme entregar-se a um homem honesto, caiu vergonhosamente nos bra√ßos de algu√©m que a n√£o merece.

A Memória é o Maior Tormento do Homem

Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que é ontem e o que é hoje; ele saltita de lá para cá, come, descansa, digere, saltita de novo; e assim de manhã até a noite, dia após dia; ligado de maneira fugaz por isto, nem melancólico nem enfadado. Ver isto desgosta duramente o homem porque ele vangloria-se da sua humanidade frente ao animal, embora olhe invejoso para a sua felicidade Рpois o homem quer apenas isso, viver como animal, sem melancolia, sem dor; e o que quer entretanto em vão, porque não quer como o animal. O homem pergunta mesmo um dia ao animal: por que não falas sobre a tua felicidade e apenas me observas?
O animal quer tamb√©m responder e falar, isso deve-se ao facto de que sempre se esquece do que queria dizer, mas tamb√©m j√° esqueceu esta resposta e silencia: de tal modo que o homem se admira disso. Todavia, o homem tamb√©m se admira de si mesmo por n√£o poder aprender a esquecer e por sempre se ver novamente preso ao que passou: por mais longe e r√°pido que ele corra, a corrente corre junto. √Č um milagre: o instante em um √°timo est√° a√≠,

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Nada √© Imposs√≠vel nas Rela√ß√Ķes Humanas

Observando o decorrer do tempo, nada, afinal, se considera imposs√≠vel no que concerne √†s rela√ß√Ķes humanas: nenhuma transforma√ß√£o, nenhum retrocesso, nenhuma contradi√ß√£o em si mesma. O que mant√©m tudo junto, o estado humano normal, que em tudo se pode encontrar, √© de longe aquilo que √© mais forte.

Estou Cheia de Ti esta Noite

Estou cheia de ti esta noite, Henry, e triste porque preferiria muito mais ir embora contigo. Percebi hoje, quando falaste no meu enxoval, que, relativamente a tudo o que compro, fico a pensar se tu gostarias. Não me pergunto se o meu pai gostaria. Estou terrivelmente longe do meu passado e terrivelmente perto de ti. Tocou-me que tenhas achado o café duplamente bom. Tudo será duplamente bom nas nossas férias.

Estou realmente esfomeada pelas nossas f√©rias. Teria sido demasiado feminino da minha parte querer ver-te todos os dias, porque senti que o teu estado de esp√≠rito estava acinzentado, e eu queria que flutuasses outra vez. N√£o te quero torturado… nem por uma constipa√ß√£o!
No s√°bado vamos sair e escolhemos discos juntos, okay?
Envia-me a minha carta “Auto-Retrato” que eu deixei.

Lembra-te das √ļltimas palavras de Lawrence no Apocalypse… Algo sobre estar de bem com o Sol. Que bem trar√° o Sol para mim? O Sol est√° bem para o homem, o criador, o macho c√≥smico, etc. A mulher √© t√£o terrivelmente pessoal que at√© o Sol deve encarnar num homem. No Henry, para mim.

A Filosofia é Essencial para Compreender a Vida

Bem longe de se assustar ou mesmo de enrubescer com o nome de fil√≥sofo, n√£o existe ningu√©m no mundo que n√£o devesse possuir fortes laivos de filosofia. Ela conv√©m a todos; a sua pr√°tica √© √ļtil em todas as idades, para todos os sexos e para todas as condi√ß√Ķes: ela consola-nos da felicidade do outro, das prefer√™ncias indignas, dos fracassos, do decl√≠nio das nossas for√ßas ou da nossa beleza; arma-nos contra a pobreza, a velhice, a doen√ßa e a morte, contra os tolos e os maus zombeteiros; faz-nos viver sem uma mulher ou faz-nos suportar aquela com quem vivemos!