Cita√ß√Ķes sobre Mantas

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Frases sobre mantas, poemas sobre mantas e outras cita√ß√Ķes sobre mantas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As can√ß√Ķes e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que n√£o falem dos ser√Ķes a ver televis√£o no sof√°? N√£o h√° explica√ß√£o. O amor tamb√©m √© estar no sof√°, tapados pela mesma manta, a ver s√©ries m√°s ou filmes maus. Talvez chova l√° fora, talvez fa√ßa frio, n√£o importa. O sof√° √© quentinho e fica mesmo √† frente de um aparelho onde passam as s√©ries e os filmes mais parvos que j√° se fizeram. Daqui a pouco come√ßam as televendas, tamb√©m servem.

Não Tenho Ninguém em Quem Confiar

Estou cansado de confiar em mim pr√≥prio, de me lamentar a mim mesmo, de me apiedar, com l√°grimas, sobre o meu pr√≥prio eu. Acabo de ter uma esp√©cie de cena com a tia Rita acerca de F. Coelho. No fim dela senti de novo um desses sintomas que cada vez se tornam mais claros e sempre mais horr√≠veis em mim: uma vertigem moral. Na vertigem f√≠sica h√° um rodopiar do mundo externo em rela√ß√£o a n√≥s: na vertigem moral, um rodopiar do mundo interior. Parece-me perder, por momentos, o sentido da verdadeira rela√ß√£o das coisas, perder a compreens√£o, cair num abismo de suspens√£o mental. √Č uma pavorosa sensa√ß√£o esta de uma pessoa se sentir abalada por um medo desordenado.
Estes sentimentos v√£o-se tornando comuns, parecem abrir-me o caminho para uma nova vida mental, que acabar√° na loucura. Na minha fam√≠lia n√£o h√° compreens√£o do meu estado mental ‚ÄĒ n√£o, nenhuma. Riem-se de mim, escarnecem-me, n√£o me acreditam. Dizem que o que eu pretendo √© mostrar-me uma pessoa extraordin√°ria. Nada fazem para analisar o desejo que leva uma pessoa a querer ser extraordin√°ria. N√£o podem compreender que entre ser-se e desejar-se ser extraordin√°rio n√£o h√° sen√£o a diferen√ßa da consci√™ncia que √© acrescentada ao facto de se querer ser extraordin√°rio.

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A Vida n√£o Cabe numa Teoria

A vida… e a gente p√Ķe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os fil√≥sofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os te√≥logos n√£o entenderam na solid√£o das celas. Nisto, ou ent√£o na conta do sapateiro, na degrada√ß√£o moral do s√©culo, ou na triste pequenez de tudo, a come√ßar por n√≥s.
Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.
A vida √© o que eu estou a ver: uma manh√£ majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crian√ßas ‚ÄĒ um rapaz e uma rapariga ‚ÄĒ silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar.

No meu Prato que Mistura de Natureza!

No meu prato que mistura de Natureza!
As minhas irm√£s as plantas,
As companheiras das fontes, as santas
A quem ningu√©m reza…
E cortam-as e vêm à nossa mesa
E nos hotéis os hóspedes ruidosos,
Que chegam com correias tendo mantas
Pedem “Salada”, descuidosos…,
Sem pensar que exigem à Terra-Mãe
A sua frescura e os seus filhos primeiros,
As primeiras verdes palavras que ela tem,
As primeiras cousas vivas e irisantes
Que Noé viu
Quando as √°guas desceram e o cimo dos montes
Verde e alagado surgiu
E no ar por onde a pomba apareceu
O arco-√≠ris se esbateu…

Que por Ti Perdi

O mar dentro da √°rvore, as nuvens
dentro da terra sem fim,
a luz. A luz dentro doutra luz
que limitava as m√£os e as abria
para outras m√£os dentro de um olhar.

Batem na fornalha os ventos.
Um c√°lice de vidro grosso com o licor
de fermentação caseira. Um prato
com avel√£s e nozes e folhas de medronho.
Nas margens as portadas corridas
ganham um halo de candeeiros de rua
que se difunde na fluorescência do televisor,
na palidez rubra das pequenas luzes do r√°dio.

A √ļltima claridade do dia mistura-se
à primeira da noite.
Este vento na auto-estrada onde rebenta a chuva
não me vai forçar o coração; nem estas sebes
ladeadas de cimento suspender√£o o voo
do que sou até ao que não és. Mas será
a carícia que no cinto treme, o calor do pescoço
descoberto, os vimes da cadeira donde te levantas
quando estou quase para me sentar.

Entre veios de relva desigual,
valados por cuidar abrigam
máquinas de desolação.
Forma√ß√Ķes de patos atravessam
o vidro polido do postigo.

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Nada Pode Haver de mais Belo

Amigo Bernardo, dos desertos do Ronc√£o d‚Äôel-Rei, na mais bela po√©tica noite de luar que ver se possa, te escreve este teu amigo. Nada pode haver de mais belo; os rouxin√≥is cantam √† desgarrada, o ar rescende dos milhares de loendros (laurier-rose) que cobrem as encostas alcantiladas do Guadiana. Que maravilha, que encanto, que tristeza (tu, com certeza, aqui choravas)! Neste momento, houve-se o sinistro roncar da coruja e o long√≠nquo uivar dos lobos, misturado com o forte ladrar dos rafeiros e os nossos cavalos relincham inquietos nas quadras… √Č √† luz dum prosaico casti√ßal (uma garrafa com uma vela) que te escrevo estas sentidas regras, que espraio sobre este branco papel as ondas da minha melancolia. E como n√£o estar melanc√≥lico se acabamos de fazer dezasseis l√©guas a cavalo em oito horas e n√£o descans√°mos e n√£o dormimos a noite passada sen√£o uma m√≠sera hora e vemos apenas diante de n√≥s umas velhas esteiras, as nossas mantas, e os aparelhos dos nossos cavalos como travesseiros, para passarmos umas noites.

Com a Fortuna n√£o Perde o Ser de Besta

Na carreira veloz, a deusa cega
Lança às vezes a mão a um feio mono
E o sobe, num instante, a um coche, a um trono,
Onde a Virtude com trabalho chega.

Porém se, louca, num jumento pega,
Por mais que o erga n√£o lhe d√° abono:
Bem se vê que foi sonho de seu sono,
Quando a vara ou bast√£o ela lhe entrega.

Pouco importa adornar asno casmurro
Com jaezes reais, mantas de festa,
Se a conhecer se d√° no rouco zurro.

Quem, no berço, por vil se manifesta,
Quem nele baixo foi, quem nace burro,
Co’a Fortuna n√£o perde o ser de besta.

Assim a Casa Seja

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que n√£o escurece nada

Voltaste, j√° voltaste
J√° entras como sempre
Abrandas os teus passos
E paras no tapete

Ent√£o que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa.

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que n√£o escurece nada
Voltaste, j√° voltei
Também cheia de pressa
De dar-te, na parede
O beijo que me peças

Ent√£o que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Unidos pela graça.

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que n√£o escurece nada

Amor, o que ser√°
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro

J√° fuma o nosso fumo
J√° sobra a nossa manta
J√° veio o nosso sono
Fechar-nos a garganta.

Então que os cílios olhem
E assim a casa seja
A √°rvore do Outono
Coberta de cereja.

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