Citações de Mário Cláudio

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Sabe que a partir de uma certa idade começamos a duvidar. Será que isto tem mesmo qualidade? Será que não tem qualidade e julgo que tem?

A consciência da infância só existe na velhice, e é uma consciência de revisitação, de mitificação, não da factualidade. Todas aquelas histórias são mitificadas.

Na infância, a factualidade não existe. Existe a imaginação, a mitificação. É um universo que se dilata e domina a vida inteira.

Os velhos de um modo geral dão-se muito bem com as crianças, porque há ali grandes afinidades. Lidam mal é com a maturidade, que é autocrática, disciplinadora, e tem uma vocação didáctica que o velho não suporta.

Alguém disse que um ficcionista a partir de dado momento só devia ler biografias, e eu concordo. As histórias estão todas inventadas, as vidas estão todas inventadas, e uma biografia é tão inventada como um livro de memórias ou uma autobiografia.

Nunca releio os meus livros. Acho sempre uma experiência dececionante a releitura porque acabo por encontrar coisas que preferia que não estivessem lá, ou por considerar que poderia ter feito melhor em determinadas fases da escrita. Portanto, sustenho-me de os ler.

A infância é sempre grande. Quando vemos os escritores que a frequentaram, como o Proust ou o Nobre, pensamos em termos de grandes infâncias, no mundo da infância. Mas ninguém fala de grandes velhices, a velhice encolhe.

Uma das grandes vantagens da idade é perder-se a vergonha: deixa-se de ter preocupações sobre o que os outros vão pensar disto ou daquilo, do que somos ou não somos, das nossas opções de vida. Tudo isso se torna secundário, inexistente.

Se me perguntarem se acredito na literatura como missĂŁo, direi redondamente que nĂŁo, mas nesse plano acho que tenho o dever, como escritor, de tentar preservar todas as teclas da lĂ­ngua portuguesa. Se existem, Ă© para serem usadas, nĂŁo podem Ă© ser usadas a torto e a direito.

À medida que o tempo vai passando vamos ganhando outras perspetivas perante a vida, inclusivamente os nossos padrões estéticos vão evoluindo, o estilo vai-se transformando.

O que me interessa no convívio com os outros é aquilo a que poderia chamar a alma dos outros. E essa alma tem de ser escavada, ou ficamo-nos pela superficialidade, e eu faço isso através da escrita.