Cita√ß√Ķes sobre Conv√≠vio

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A Comédia do Ambicioso

Um homem que aspira a coisas grandes considera todo aquele que encontra no seu caminho, ou como meio, ou como retardamento e impedimento, – ou como um leito de repouso passageiro. A sua “bondade” para com os outros, que o caracteriza e que √© superior, s√≥ √© poss√≠vel quando ele atinge o seu m√°ximo e domina. A impaci√™ncia e a sua consci√™ncia de, at√© aqui, estar sempre condenado √† com√©dia ‚Äď pois mesmo a guerra √© uma com√©dia e encobre, como qualquer meio encobre o fim -, estraga-lhe todo o conv√≠vio: esta esp√©cie de homem conhece a solid√£o e o que ela tem de mais venenoso.

A Doutrina da Humanidade

Ter suficiente domínio sobre si mesmo para julgar os outros em comparação consigo e agir em relação a eles como nós quereríamos que eles agissem para connosco é o que se pode chamar a doutrina da humanidade; nada há mais para além disso.
Se não se tem um coração misericordioso e compassivo, não se é um homem; se não se têm os sentimentos da vergonha e da aversão, não se é um homem; se não se têm os sentimentos da abnegação e da cortesia, não se é um homem; se não se tem o sentimento da verdade e do falso ou do justo e do injusto, não se é um homem. Um coração misericordioso e compassivo é o princípio da humanidade; o sentimento da vergonha e da aversão é o princípio da equidade e da justiça; o sentimento da abnegação e da cortesia é o princípio do convívio social; o sentimento do verdadeiro e do falso ou do justo e injusto é o princípio da sabedoria. Os homens têm estes quatro princípios, do mesmo modo que têm quatro membros.

No convívio com sábios e artistas facilmente nos enganamos no sentido oposto: não é raro encontrarmos por detrás dum sábio notável um homem medíocre, e muitas vezes por detrás de um artista medíocre Рum homem muito notável.

N√£o Consigo Viver em Literatura

Por mais que o deseje, n√£o consigo viver em literatura. Felizes os que o conseguem. Viver em literatura √© suprimir toda a interfer√™ncia do que lhe √© exterior – desde o peso das pedradas ao das flores da ova√ß√£o. Suprimir mesmo ou sobretudo a conversa sobre ela, desde a dos jornais √† dos amigos. Fazer da literatura um meio enclausurado em que a respiremos at√© √† intoxica√ß√£o e nada dele transpire para a exterioridade. Viver a arte como uma m√≠stica, um transporte de inebriamento, uma ilumina√ß√£o da gra√ßa, uma inteira absor√ß√£o como de um v√≠cio inconfess√°vel. Viv√™-la na intimidade de uma absoluta solid√£o em que toda a amea√ßa de p√ļblico esteja ausente como numa ilha que a impossibilidade de comunica√ß√£o tornasse de facto deserta. Os rec√©m-casados isolam-se para defenderem dos outros a m√≠nima parcela da paix√£o. A vida em arte devia ser uma viagem de n√ļpcias sem retorno. S√≥ ent√£o se conheceria tudo o que a arte √© para n√≥s e a inteira verdade com que n√≥s somos para ela. Mas n√£o. H√° que viver uma vida d√ļplice entre o estar a s√≥s com ela e o permanente conv√≠vio, nem que sejam uns breves instantes √† porta com os indiferentes e os maledicentes e os curiosos e mesmo os admiradores de que se necessita na nossa inferioridade moral para nos confirmarem no bom resultado da aposta.

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O Homem n√£o Deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no conv√≠vio inter-humano n√£o √© afinal a paz, a conc√≥rdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente √© a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infort√ļnio. Ele n√£o foi feito para a conquista de seja o que for, mas s√≥ para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra √© um bem (Hegel, por exemplo), mas √© isso que no fundo desejam. A guerra √© o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquieta√ß√£o em ac√ß√£o. Da paz se diz que √© ¬ępodre¬Ľ, porque √© o estarmos reca√≠dos sobre n√≥s, a inactividade, a derrota que sobrev√©m n√£o apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado √© o mais feliz pela necessidade inilud√≠vel de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu n√£o tem paz sen√£o por algum tempo no seu cora√ß√£o alvoro√ßado. A guerra √© o estado natural do bicho humano, ele n√£o pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de futebol, qualquer vit√≥ria alcan√ßada √© o est√≠mulo insuport√°vel para vencer outra vez.

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A Construção da Personalidade Criadora

A harmonia do comportamento social requer, todos o sabemos, tanto o isolamento como o convívio. Excessiva comunicação, debates exagerados de assuntos que requerem meditação e peso moral, avesso muitas vezes à cordialidade natural das afinidades electivas, não enriquecem o património de uma sociedade. Antes embotam e alteram o terreno imparcial da sabedoria.
A solidão favorece a intensidade do pensamento; por outro lado, torna de certo modo celerado o homem que lida com a força material, com a técnica, com os outros homens. O impulso é a força que actualiza estas duas atitudes. Os ricos de impulso que se prontificam a uma reacção agressiva ou escandalosa, esses são associais especialmente difíceis. Todo o revolucionário é associal, se o impulso for nele um desvio da vida instintiva, e não uma atitude de homem capaz de obedecer e mandar a si próprio.
¬ęA felicidade m√°xima do filho da terra h√°-de ser a personalidade¬Ľ – disse Goethe. Personalidade criadora, obtida √† custa do ajustamento das nossas pr√≥prias leis interiores, que n√£o ser√£o mais, no futuro, for√ßas repelidas ou encobertas, mas sim valiosas contribui√ß√Ķes para o tempo do homem. Quando tudo for analisado e conhecido, s√≥ o justo h√°-de prevalecer.

A Fronteira Entre a Amizade e o Amor

Há na pura amizade um prazer a que não podem atingir os que nasceram medíocres. A amizade pode subsistir entre pessoas do mesmo sexo a diferentes, isenta mesmo de toda a materialidade. Uma mulher, entretanto, olha sempre um homem como um homem; e reciprocamente, um homem olha uma mulher como uma mulher; essa ligação não é paixão nem pura amizade: constitui uma classe aparte.
O amor nasce bruscamente, sem outra reflexão, por temperamento, ou por fraqueza: um detalhe de beleza nos fixa, nos determina. A amizade, pelo contrário, forma-se pouco a pouco, com o tempo, pela prática, por um longo convívio. Quanta inteligência, bondade, dedicação, serviços e obséquios, nos amigos, para fazer, em anos, muito menos do que faz, às vezes, num minuto, um rosto bonito e uma bela mão!
O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor. Enquanto o amor dura, subsiste por si, e √†s vezes pelo que parece dever extingui-lo: caprichos, rigores, aus√™ncia, ci√ļme; a amizade, pelo contr√°rio, precisa de alento: morre por falta de cuidados, de confian√ßa, de aten√ß√£o. √Č mais comum ver um amor extremo que uma amizade perfeita.
O amor e a amizade excluem-se um ao outro. Aquele que teve a experiência de um grande amor descuida a amizade;

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Quem não quiser sofrer que se isole. Feche as portas da sua alma quanto possível à luz do convívio.

Veio Tudo de Longe

Veio tudo de longe para ser
uma só coisa, nupcial e magnífica.
Caminho e tenda. O mar. Livros. A indizível
matéria da dor. Ternura
cercada e repartida, pouco
a pouco, à mesa rápida
dos l√°bios, clandestina voz baixa
das m√£os juntas. Sobreviventes
de invernos, d√ļvidas, den√ļncias.
E o teu sorriso honrado. A oferta
duplicada e vulc√Ęnica
dos seios. Esta noite que nos p√īs
à prova. Sobre o vento e o repouso
do vento. E a m√ļsica ainda cheia
de muitos outros quartos. Sim, a import√Ęncia
do teu rosto: alvo claro deste mês
desmedido que nós somos.

Veio tudo de longe para ser
uma só coisa, sagrada e partilhável.

O banho comum gradual e abundante
dos sentidos. As faces que só tenho
entre o convívio doce dos teus dedos
sempre em férias. E a chave
do desejo. Erecta dureza doadora
do óleo e da viagem
aos lugares da origem
e do êxtase. Resposta
da terra contra a terra.

E a surpresa ensina e desvenda
as partes mais antigas da alegria
dupla,

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O homem ou é um indivíduo, ou não é nada. Tudo, menos perder a confiança que é preciso ter no semelhante, base de todo o convívio e de toda a colaboração.

O lar √© a verdadeira academia para adestrar o ser humano. √Ä medida que a pessoa vai se diplomando no conv√≠vio matrimonial, no conv√≠vio com os sogros (com a nora ou com o genro), no conv√≠vio com os pais (com os filhos), controlando habilmente os problemas de rela√ß√Ķes conjugais, sua vida vai manifestando uma beleza complexa e esmerada. Mesmo que a pessoa tenha uma vida individual satisfat√≥ria, se ela n√£o participar da vida em sociedade como integrante de um todo, n√£o poder√° diplomar-se na escola desta vida.

Educação Permanente

A educa√ß√£o prolonga-se por toda a vida. Defino-a da seguinte maneira: a matura√ß√£o da nossa alma e do nosso esp√≠rito gra√ßas aos nossos cuidados e √†s circunst√Ęncias exteriores. Do conv√≠vio com pessoas m√°s ou com pessoas respeit√°veis √© que resulta a m√° ou boa educa√ß√£o de toda a vida. O esp√≠rito fortifica-se no conv√≠vio com os esp√≠ritos rectos; sucede o mesmo com a alma. Endurece-se no conv√≠vio com pessoas duras e frias.

A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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3 AM

M√£e
N√£o consigo adormecer
Já experimentei tudo. Até contar carneirinhos
N√£o consigo adormecer
Nem chorar
(Que maior tragédia poderá acontecer a um homem do que a de já não ser
capaz de chorar?)

M√£e
Sabias que o cord√£o umbilical pode funcionar
como uma corda num enforcamento?
‚ÄĒ tenho aprendido coisas bem singulares neste
conv√≠vio com os deuses ‚ÄĒ
Um dia destes regressarei a Tebas para ser coroado
Reservei hoje mesmo um lugar num avião das Linhas Aéreas Gregas
Gostaria de brindar contigo com uma taça de orvalho
antes de partir

M√£e
Detesto coberturas de a√ß√ļcar mesmo que levem lim√£o
Isto é tão certo como o é tu não me compreenderes
Estava a sonhar que estava a sonhar e assim por aí adiante até ao infinito. Depois
acordei. E fui descendo vertiginosamente de sonho para sonho
Ainda n√£o parei de acordar. E de sonhar

M√£e
Tenho uma surpresa para ti
um caramanch√£o para que te possas sentar todas as tardes a catar estrelas
na minha cabeça

M√£e
Abriu um concurso para preencher uma vaga de
ascensorista no Paraíso e eu concorri
Achas que tenho alguma hipótese de ser admitido?

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Orientar Filosoficamente a Vida

A √Ęnsia de uma orienta√ß√£o filos√≥fica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em car√™ncia de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, s√ļbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituivel de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio.
Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia.

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A Ocupação Militar

N√£o h√° ocupa√ß√£o t√£o agrad√°vel como a militar; ocupa√ß√£o tanto nobre na execu√ß√£o (pois a mais forte, generosa e magn√≠fica de todas as virtudes √© a valentia) quanto nobre na sua causa: n√£o h√° utilidade mais leg√≠tima nem mais geral do que a protec√ß√£o da tranquilidade e da grandeza do seu pa√≠s. Agrada-vos a companhia de tantos homens, nobres, jovens, activos, a vis√£o frequente de tantos espect√°culos tr√°gicos, a liberdade desse conv√≠vio sem artif√≠cios e uma forma de vida viril e sem cerim√≥nia, a variedade de mil actividades diversas, essa fogosa harmonia da m√ļsica guerreira que vos alimenta e aquece os ouvidos e a alma, a honra desse exerc√≠cio, mesmo a sua rudeza e dificuldade, que Plat√£o considera t√£o pouca que na sua rep√ļblica a reparte com as mulheres e as crian√ßas.
Oferecei-vos para os pap√©is e os riscos pessoais de acordo com o que julgais sobre o seu brilho e a sua import√Ęncia, soldado volunt√°rio, e vedes quando mesmo a vida √© justificadamente empregue neles, penso que √© belo morrer combatendo (Virg√≠lio). Temer os perigos gerais que envolvem uma multid√£o em que tantas pessoas incorrem, n√£o ousar o que tantas esp√©cies de indiv√≠duos ousam √© pr√≥prio de um √Ęnimo desmedidamente frouxo e inferior.

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A Solid√£o do Artista

Diz-se √†s vezes de certas pessoas, e para isso se reprovar, que t√™m dupla personalidade. Mas dupla ou m√ļltipla t√™m-na normalmente os artistas. Ela √© pelo menos a do conv√≠vio exterior e a do seu intimismo. Se trazem esta para a rua, s√£o quase sempre insuport√°veis. S√≥ se suporta o que √© de um profundo interesse, quando isso √© rent√°vel. Imagino que o capitalista tenha na sua vida √≠ntima um mundo de cifr√Ķes. Se o cifr√£o vier √† rua, tem ainda cota√ß√£o. Mas o artista? Mesmo a coisa min√ļscula da sua pequena vaidade √© irritante. Um pol√≠tico pode blasonar pimponice, que tem adeptos a aplaudir. O artista √© um condenado, com o ferrete da ignom√≠nia. O seu dever social √© ocultar a degrada√ß√£o ou ent√£o marginalizar-se. Para efeitos c√≠vicos ou mundanos, s√≥ depois de bem morto. A solid√£o √© assim o seu destino. A√≠ sofre ou tem alegrias, a√≠ obedece a um estranho mandato que lhe passaram na eternidade. Discreto, envergonhado, todo o seu esfor√ßo, no dom√≠nio das rela√ß√Ķes, √© esconder a sua mancha. Nenhum povo existe sen√£o pelo seu esp√≠rito. Somos o que somos pelo que foi excep√ß√£o dos que nos precederam. Mas o dia a dia n√£o √© espiritual,

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Toda a família realmente viva segrega um certo ritual sem o qual se arrisca a longo prazo a perder o seu convívio secreto.

A Repulsa do Poder pelo Homem de Letras

A repulsa dos poderes constitu√≠dos pelo homem de letras e pelo homem de pensamento (pois tanto a express√£o racionalista do fil√≥sofo e do soci√≥logo como a apreens√£o intuitiva do real a que procede o ficcionista surgem como amea√ßa aos sistemas de imposi√ß√£o de ideias ou de coerciva persuas√£o), esse afastamento do intelectual inconformista, transformado assim, com raras excep√ß√Ķes (que nalguns casos j√° beiram o limite da assimila√ß√£o) em outsider, representa uma destrui√ß√£o de valores culturais, que se traduz n√£o poucas vezes em atraso de gera√ß√Ķes.

Evidentemente, tal relegamento do escritor para zonas de sombra acicata-o por vezes, levando-o a produ√ß√Ķes vertebradas, que s√£o aut√™nticos gritos da intelig√™ncia rebelde e onde n√£o raro se derrama o melhor da capacidade imaginativa, tensa e exasperada, de per√≠odos em que se obscurece a comunica√ß√£o normal entre os homens e em que a ac√ß√£o do livro, reduzida embora em extens√£o, ganha uma acutilante qualidade cr√≠tica e concentra a dignidade de minorias advertidas culturalmente e firmes no seu esp√≠rito de resist√™ncia. Mas o saldo n√£o deixa de ser negativo quando se considera n√£o j√° tudo aquilo que o escritor suporta e sofre, mas – e sobretudo – o muito que a camada dos leitores perde pela falta de conv√≠vio efectivo com aqueles que s√£o n√£o,

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