Passagens sobre Portugueses

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O grande defeito dos intelectuais portugueses tem sido sempre o só lidarem com intelectuais. Vão para o povo. Vejam o povo. Vejam como eles reflectem, como ele entende a vida, como eles gostariam que a vida fosse para eles.

Nossa Língua

para o poeta Antoniel Campos*

O doce som de mel que sai da boca
na l√≠ngua da saudade e do crep√ļsculo
vem adoçando o mar de conchas ocas
em mansa voz domando tons mai√ļsculos.

√Č bela fiandeira em sua roca
tecendo a fala forte com seu m√ļsculo
na hora que é preciso sai da toca
como fera que sabe o tomo e o op√ļsculo.

Dizer e maldizer do mel ao fel
é fado de cantigas tão antigas
desde Cam√Ķes, Bandeira a Antoniel,
este jovem poeta que se abriga

na língua portuguesa em verso e fala
nau de calado ao mar que n√£o se cala.

* “filiu brasilis, mater portucale,
Que em outra l√≠ngua a minha l√≠ngua cale.”

√ą preciso confiar no povo portugu√™s. Eu confio no povo portugu√™s e no g√©nio do povo portugu√™s. E um povo que tem a hist√≥ria que tem Portugal e fez aquilo que fez, incluindo a revolu√ß√£o de sucesso que foi a revolu√ß√£o do 25 de Abril, que realizou todos os seus objectivos, um Pa√≠s que consegue ter a melhores rela√ß√Ķes com √Āfrica e com as antigas col√≥nias portuguesas como n√£o t√™m nem os franceses nem os ingleses.

Arte Com ou Sem Nacionalidade

O que se deve entender por arte portuguesa? Concorda com este termo? H√° arte verdadeiramente portuguesa?
‚ÄĒ Por arte portuguesa deve entender-se uma arte de Portugal que nada tenha de portugu√™s, por nem sequer imitar o estrangeiro. Ser portugu√™s no sentido decente da palavra, √© ser europeu sem a m√°-cria√ß√£o de nacionalidade. Arte portuguesa ser√° aquela em que a Europa ‚ÄĒ entendendo por Europa principalmente a Gr√©cia antiga e o universo inteiro ‚ÄĒ se mire e se reconhe√ßa sem se lembrar do espelho. S√≥ duas na√ß√Ķes ‚ÄĒ a Gr√©cia passada e Portugal futuro ‚ÄĒ receberam dos deuses a concess√£o de serem n√£o s√≥ elas mas tamb√©m todas as outras. Chamo a sua aten√ß√£o para o facto, mais importante que geogr√°fico, de que Lisboa e Atenas est√£o quase na mesma latitude.

Se Portugal teve valor na história do mundo, não foi no esforço da uniformização, igual a tantos outros. Não foi na imposição de uma língua, de uma religião, de uma raça. A glória do império português não foi o facto de ter sido português contra as nacionalidades que subjugou. Foi ter sido capaz de ser português sem deixar de ser outras coisas. No máximo, foi ter sido português por ter sido tudo menos português. Ou quase tudo.

A criança portuguesa é excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nós outros, os Portugueses, só começamos a ser idiotas Рquando chegamos à idade da razão. Em pequenos temos todos uma pontinha de génio.

Mais vale nunca do que tarde. O santo português, como diz o ditado, é S. Nunca. Façamos a festa do seu dia Р29 de Fevereiro em ano não bissexto.

O Provincianismo Liter√°rio

O provincianismo do querer fazer ¬ęcomo l√° fora¬Ľ n√£o √© pecha s√≥ portuguesa. A maior parte dos pa√≠ses s√£o importadores de cultura. No entanto, redimem-se no desafogo de casos geniais, como um Lorca em Espanha e como um Ghelderode na B√©lgica. Cito estes dois exemplos porque eles acusam o verdadeiro alcance que pode ter o universal quando mergulha nos mais √≠ntimos recessos do popular. Quer Lorca, quer o autor de Mademoiselle Jair, apreenderam na psique espanhola e flamenga algo que encerra o universal em bruto na sua forma mais primitiva e, por isso mesmo, de toda a gente. Entre n√≥s pratica-se o inverso. Tem-se horror do popular pelo grande embasbacamento em que se est√° perante uma cultura que n√£o sendo vivificada pela experi√™ncia, redunda em erudi√ß√£o.

Uma flor de verde pinho

Eu podia chamar-te p√°tria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas n√£o h√° forma n√£o h√° verso n√£o h√° leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
n√£o h√° guitarra nem cantar de amigo
n√£o h√° flor n√£o h√° flor de verde pinho.

N√£o h√° barco nem trigo n√£o h√° trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Português Vulgar

O meu gato deixa-se ficar
em casa, arejando o prato
e o caixote das areias. J√° n√£o vai
de cauda erguida contestar o domínio
dos pedantes de raça, pelos
quintais que restam. O meu gato
é um português vulgar, um tigre
doméstico dos que sabem caçar ratos e
arreganhar dentes a ordens despóticas. Mas
desistiu de tudo, desde os comícios nocturnos
das traseiras até ao soberano desprezo
pela ração enlatada, pelo mercantilismo
veterinário ou pela subserviência dos cães
vizinhos. J√° falei deste gato
noutro poema e da sua genealogia
marinheira, embarcada nas antigas
naus. Se o quiserem descobrir, leiam
esse poema, num livro certamente difícil
de encontrar. E quem procura hoje
livros de poemas? Eu ainda procuro,
nos olhos do meu gato, os
dias maiores de Abril.

Existem romances imperdo√°veis, quase todos os romances contempor√Ęneos s√£o imperdo√°veis. Como √© imperdo√°vel a maioria dos poemas portugueses deste s√©culo. A bem dizer n√£o h√° nada.

Nós (portugueses) temos a nossa desunião, a nossa inveja, a nossa presunção, o nosso descuido e a nossa perpétua atenção ao particular.

O meu trabalho integra-se na literatura portuguesa contempor√Ęnea, tenho consci√™ncia dela. Mas acho que quem escreve tem de manter distanciamento desse meio, envolver-se √© criar uma teia de rela√ß√Ķes que n√£o ajuda a algo fundamental: a independ√™ncia e isen√ß√£o. O grande compromisso tem que ser com a literatura. N√£o com o meio liter√°rio.

Em Portugal, Ter Amor às Nossas Coisas Implica Dizer Mal Delas

Em Portugal, ter amor às nossas coisas implica dizer mal delas, já que a maior parte delas não anda bem. Nem uma coisa nem outra constitui novidade. Nem dizer mal delas, nem o facto de elas não andarem bem. Será que se diz mal na esperança de que elas se ponham boas? Também não. As nossas causas são quase sempre perdidas. Porquê então?

Porque o nosso maior bem, como António Vieira contradizia, é nunca estarmos satisfeitos. Nas nossas cabeças perversas e almas amarguradas, onde se acham todas as coisas portuguesas tal e qual achamos que deviam ser, Portugal é o país mais perfeito do mundo. Já isso é uma espécie de país, melhor do que os países reais onde as pessoas estão realmente convencidas que as coisas correm muito bem. Aprendemos a viver com esse país. E alguns conseguiram mesmo viver nele.

Desdenhar o que se tem e elogiar o que têm os outros, mas sem querer trocar, é a principal característica do aristocrático feitio do povo português. Às vezes penso que dizemos tanto mal de Portugal e dos portugueses para que não sejam os estrangeiros a fazê-lo. Monopolizamos a maledicência para nos defendermos; para evitar a concorrência.

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O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como ¬ęengraxan√ßo¬Ľ. Os chefes de reparti√ß√£o engraxavam os chefes de servi√ßo, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os m√©dicos da caixa, etc… Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se por√©m, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.

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Uma Revolução Mental e Moral nos Portugueses

As ideias que, no modo de ver do Governo, devem constituir as bases do futuro estatuto constitucional n√£o s√£o s√≥ para ser aceites pela nossa intelig√™ncia, mas para ser sentidas, vividas, executadas. Passadas para uma Constitui√ß√£o, n√£o vamos julgar ter encontrado o rem√©dio de todos os males pol√≠ticos. Mortas, enterradas em textos de lei, podem ser inofensivas ‚ÄĒ o que √© j√° uma vantagem, porque outras o n√£o s√£o ‚ÄĒ mas n√£o ser√£o eficazes. As leis, verdadeiramente, fazem-nas os homens que as executam, e acabam por ser na pr√°tica, por debaixo do v√©u da sua pureza abstracta, o espelho dos nossos defeitos de entendimento e dos nossos desvios de vontade.
√Č este o motivo por que, sempre que olho para o futuro, para a consolida√ß√£o e prosseguimento do que se h√° feito em favor da ordem, da disciplina, da economia e do progresso do Pa√≠s, eu vejo nitidamente n√£o se estar construindo nada de s√≥lido fora de uma revolu√ß√£o mental e moral nos portugueses de hoje, e de uma cuidadosa prepara√ß√£o das gera√ß√Ķes de amanh√£. Eu pergunto se na alma dos que dizem acompanhar-nos h√° o amor da P√°tria at√© ao sacrif√≠cio, o desejo de bem servir, a vontade de obedecer ‚ÄĒ √ļnica escola para aprender a mandar ‚ÄĒ,

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O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa-fé.