Cita√ß√Ķes sobre Ortografia

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Frases sobre ortografia, poemas sobre ortografia e outras cita√ß√Ķes sobre ortografia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Moda

As varia√ß√Ķes da sensibilidade sob a influ√™ncia das modifica√ß√Ķes do meio, das necessidades, das preocupa√ß√Ķes, etc., criam um esp√≠rito p√ļblico que varia de uma gera√ß√£o para outra e mesmo muitas vezes no espa√ßo de uma gera√ß√£o. Esse esp√≠rito publico, rapidamente dilatado por contacto mental, determina o que se chama a moda. Ela √© um possante factor de propaga√ß√£o da maior parte dos elementos da vida social, das nossas opini√Ķes e das nossas cren√ßas.
Não é só o vestuário que se submete às suas vontades. O teatro, a literatura, a política, a arte, as próprias idéias científicas lhe obedecem, e é por isso que certas obras apresentam um fundo de semelhança que permite falar do estilo de uma época.
Em virtude da sua acção inconsciente, submetemo-nos à moda sem que o percebamos. Os espíritos mais independentes a ela não se podem subtrair. São muito raros os artistas, os escritores que ousam produzir uma obra muito diferente das ideias do dia.
A influência da moda é tão pujante que ela obriga-nos, por vezes, a admirar coisas sem interesse e que parecerão mesmo de uma fealdade extrema, alguns anos mais tarde. O que nos impressiona numa obra de arte é muito raramente a obra em si mesma,

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Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

A Morte Est√° atr√°s do Teu Beijo

A morte est√° atr√°s do teu beijo,
e n√£o me interessa nada que n√£o me possa matar.

N√£o quero trajectos sem calhaus, pessoas sem problemas, muito menos gl√≥rias sem l√°grimas. N√£o quero o t√©dio de s√≥ continuar, a obriga√ß√£o de suportar, andar na rotina s√≥ por andar. N√£o quero o vai-se andando, o √© a vida, o tem de ser, nada que n√£o me ponha a gemer. N√£o quero o prato sempre saud√°vel, a saladinha impoluta, a cama casta, o sexo virgem. N√£o quero o sol o dia todo, a recta sem a m√≠nima curva, n√£o quero o preto liso nem o branco imaculado, n√£o quero o poema perfeito nem a ortografia ilesa. N√£o quero aprender apenas com o professor, a palmadinha nas costas, o v√° l√° que isso passa, a microssatisfa√ß√£o, a min√ļscula euforia. N√£o quero os l√°bios sem l√≠ngua, a l√≠ngua sem prazer, fugir do que mete medo, e at√© acomodar-me ao que me faz doer. Quero o que n√£o cabe no regular, o que n√£o se entende nos manuais, o que n√£o acontece nos gui√Ķes. Quero a ruga esquisita, a m√£o descuidada, a estrada arriscada, a chuva, o vento, as unhas cravadas, o animal do instante.

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O Vício de Ler

O v√≠cio de ler tudo o que me ca√≠sse nas m√£os ocupava o meu tempo livre e quase todo o das aulas. Podia recitar poemas completos do repert√≥rio popular que nessa altura eram de uso corrente na Col√īmbia, e os mais belos do S√©culo de Ouro e do romantismo espanh√≥is, muitos deles aprendidos nos pr√≥prios textos do col√©gio. Estes conhecimentos extempor√Ęneos na minha idade exasperavam os professores, pois cada vez que me faziam na aula qualquer pergunta dif√≠cil, respondia-lhes com uma cita√ß√£o liter√°ria ou com alguma ideia livresca que eles n√£o estavam em condi√ß√Ķes de avaliar. O padre Mejia disse: ¬ę√Č um garoto afectado¬Ľ, para n√£o dizer insuport√°vel. Nunca tive que for√ßar a mem√≥ria, pois os poemas e alguns trechos de boa prosa cl√°ssica ficavam-me gravados em tr√™s ou quatro releituras. Ganhei do padre prefeito a primeira caneta de tinta permanente que tive porque lhe recitei sem erros as cinquenta e sete d√©cimas de ¬ęA vertigem¬Ľ, de Gaspar N√ļnez de Arce.

Lia nas aulas, com o livro aberto em cima dos joelhos e com tal descaramento que a minha impunidade s√≥ parecia poss√≠vel devido √† cumplicidade dos professores. A √ļnica coisa que n√£o consegui com as minhas ast√ļcias bem rimadas foi que me perdoassem a missa di√°ria √†s sete da manh√£.

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Os trabalhos de estudante são provas para o carácter e não para a inteligência. Seja ortografia, versão ou cálculo, trata-se de aprender a querer.

Aborrecido de Estudar

Enfastiavam-me as aulas, salvo as de literatura ‚ÄĒ que aprendia de cor ‚ÄĒ e tinha nelas um protagonismo √ļnico. Aborrecido de estudar, deixava tudo √† merc√™ da boa sorte. Tinha um instinto pr√≥prio para pressentir os pontos √°lgidos de cada mat√©ria e quase adivinhar os que mais interessavam aos professores para n√£o estudar o resto. A realidade √© que n√£o entendia por que devia sacrificar engenho e tempo em mat√©rias que n√£o me interessavam e, pela mesma raz√£o, n√£o me iam servir para nada numa vida que n√£o era minha.

Atrevi-me a pensar que a maioria dos meus professores me classificava mais pela minha maneira de ser do que pelos meus exames. Salvavam-me as minhas respostas imprevistas, as minh√£s ideias dementes, as minhas inven√ß√Ķes irracionais. No entanto, quando acabei o quinto ano, com sobressaltos acad√©micos que n√£o me sentia capaz de superar, tomei consci√™ncia dos meus limites. O bacharelato tinha sido at√© ent√£o um caminho empedrado de milagres, mas avisava-me o cora√ß√£o que no final do quinto me esperava uma muralha intranspon√≠vel. A verdade sem adornos era que me faltava j√° a vontade, a voca√ß√£o, a ordem, o dinheiro e a ortografia para embarcar numa carreira acad√©mica. Melhor dizendo: os anos voavam e n√£o fazia a m√≠nima ideia do que ia fazer da minha vida,

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Os trabalhos escolares são provas para o carácter, não para a inteligência. Quer se trate de ortografia, de poesia ou de cálculo, está sempre em causa aprender a querer.

A gramática é mais perfeita que a vida. A ortografia é mais importante que a política. A pontuação dispensa a humanidade.

A ortografia não é uma pele artificial da expressão verbal, é uma estrutura profunda que se revela na imagem grafada.