Cita√ß√Ķes sobre Realismo

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O Cinema não é senão o aspecto mais evolutivo do realismo plástico que começa com o Renascimento.

O Mundo Nunca Se Vê de Modo Objectivo

O que a arte nos ensina n√£o √© puro discernimento, √© a rela√ß√£o mais profunda de n√≥s pr√≥prios com o mundo, √© verdadeiramente o ¬ęver¬Ľ. Se dizemos que um E√ßa nos reinventou tal mundo, dizemos que outros artistas eram antes dele respons√°veis pelo modo como o v√≠amos. E h√° sempre um modo de ver, que √© sempre um mundo est√©tico. Porque o mundo se n√£o v√™ numa estrita e imposs√≠vel dimens√£o ¬ęobjectiva¬Ľ: um objecto n√£o nos √© nunca neutro, puramente indiferente. O ¬ęnovo realismo¬Ľ franc√™s (de um Butor, Robbe-Grillet, de outros) por mais que se pretenda confinado ao ¬ęobjecto¬Ľ (como em Robbe-Grillet) n√£o anula a presen√ßa do ¬ęsujeito¬Ľ. Uma vis√£o estritamente ¬ęobjectiva¬Ľ seria ainda sentida como tal… Mas acontece que uma forma ¬ęnova¬Ľ de ver acaba por assimilar-se √†quilo mesmo que somos, tendendo a identificar-se com o que julgamos a nossa ¬ęnatureza¬Ľ.
A presen√ßa do artista esquece-se, como se o artista f√īssemos n√≥s – e um artista inconsciente. E √© s√≥ ao choque de uma vis√£o original que n√≥s despertamos para uma vis√£o diferente e sentimos que √© diferente essa vis√£o: consubstanciada connosco, ela ser√° de novo nossa.
A mesma recuperação de uma visão original se opera na própria recuperação de uma obra de arte: a visão do mundo realizada pode passar-nos despercebida.

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A Cultura Portuguesa e o Provincianismo

A cultura portuguesa tem um amor fatal pelo provincianismo. O provincianismo √© a forma mais ¬ęengag√©e¬Ľ de existir socialmente e literariamente. Da√≠ a impossibilidade, ou melhor, o medo de se realizar sequer um realismo a s√©rio, porquanto este exige uma descida ao inferno e n√£o vejo por a√≠ quem se atreva al√©m do purgat√≥rio. Fica-se assim na meia tinta do naturalismo, retratando quadros convencionais de uma sociedade provinciana onde, al√©m da j√° muito conhecida injusti√ßa social (repar√°vel pela economia e n√£o pela literatura), nada se capta que possa sugerir a simples viol√™ncia de se estar no mundo. Provincianismo chama-se ainda √†quela nossa atitude que toma muito a s√©rio ou, ainda, solenemente, tudo o que faz, tornando invi√°vel uma literatura que desmonte eficazmente a engrenagem humana e social pela incomplacente investida de um humor cruel. Houve recentes tentativas queirozianas para denunciar as fraquezas do meio. Conseguiu-se fazer realismo desta vez? Tamb√©m n√£o, porque se fez realismo de empr√©stimo, de segunda m√£o, colhido no ¬ędiz-se diz-se¬Ľ das esquinas. Escreveu-se razoavelmente m√°-l√≠ngua, mas n√£o se agitaram as pessoas e as institui√ß√Ķes de forma a tornar vis√≠vel o lodo depositado no fundo. Isto quanto aos que fazem profiss√£o de f√© de realismo social ou burgu√™s.

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