Cita√ß√Ķes de Saul Bellow

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Saul Bellow para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Fui for√ßado a me perguntar se eu algum dia verteria uma l√°grima diante dos t√ļmulos dos meus pais, supondo-se que ainda estivesse vivo quando de sua mortes.

Às vezes desperdiçamo-nos: o nosso verdadeiro desejo é deixar de viver exclusivamente para nós próprios.

O t√©dio √© a convic√ß√£o de que n√£o podes mudar… o grito das capacidades n√£o utilizadas.

Quando estava na faculdade, li todos aqueles livros cl√≠nicos sobre o sexo: Havelock Ellis, Freud, Krafft-Ebing. N√£o √© novidade para mim que os homens que se casam com mulheres bonitas s√£o com freq√ľ√™ncia alvo da suspeita do homossexualismo. Eles contam com suas mulheres para atrair admiradores.

A Libertação para a Individualidade

Esta liberta√ß√£o para a individualidade n√£o foi um grande sucesso. Para um historiador, tem todo o interesse. Mas para algu√©m consciente do sofrimento, √© pavoroso. Cora√ß√Ķes que n√£o encontram verdadeira gratifica√ß√£o, almas sem alimento. Falsidades, ilimitadas. Desejos, ilimitados. Possibilidades, ilimitadas. Exig√™ncias imposs√≠veis feitas a realidades complexas, ilimitadas. Regresso a formas de religiosidade grosseira e infantil, a mist√©rios, totalmente inconscientes, claro ‚ÄĒ espantoso. Orfismo, mitra√≠smo, manique√≠smo, gnosticismo.

. Sammler (discurso da personagem Sr. Sammler)’

Estar preparado para responder a todas as perguntas é o sinal infalível da estupidez.

No ano passado, quando estava atravessando por uma crise, meu tio Benn (B. Crader, o famoso bot√Ęnico) mostrou-me um desenho humor√≠stico de Charles Addams.

Freud ensinou que o amor era a supervalorização. Ou seja, se você visse o objeto amado como realmente é, não seria capaz de amá-lo.

Apaixonar-se, apesar de tudo, é uma prova de sanidade mental, pois no amor descobrimos uma generosidade ilimitada.

Essa é a luta da humanidade, recrutar outras pessoas para a sua versão do que é real.

Ter Raz√£o √© uma Quest√£o de Explica√ß√Ķes

Havia que ser um fan√°tico para querer ter sempre raz√£o. Ter raz√£o era sobretudo uma quest√£o de explica√ß√Ķes. O homem intelectual tornara-se uma criatura explicativa. Toda a gente explicava, os pais aos filhos, os maridos √†s mulheres, os conferencistas ao seu p√ļblico, os especialistas aos leigos, os colegas aos colegas, os m√©dicos aos pacientes, o homem √† sua alma. A g√©nese disto, a causa daquilo, as origens dos acontecimentos, a hist√≥ria, a estrutura, as raz√Ķes pelas quais. Na maior parte dos casos, a explica√ß√£o entrava por um ouvido e sa√≠a pelo outro. A alma desejava o que desejava. Tinha o seu pr√≥prio saber natural. A infeliz poisava, pobre avezinha, sobre superstruturas de explica√ß√£o, sem saber para onde levantar voo.

(…) Era um af√£ holand√™s, pensou Sammler, sempre a dar √† bomba para manter enxutos alguns hectares de terra. O mar invasor era uma met√°fora da multiplica√ß√£o dos factos e das sensa√ß√Ķes; quanto √† terra, era uma terra de ideias.

. Sammler’

Tens que lutar pela tua vida. Essa é a condição principal para que a possas segurar.

N√≥s temos medo de nos governarmos, √© claro. √Č t√£o dif√≠cil. Queremos logo desistir da nossa liberdade. N√£o √© sequer liberdade verdadeira, porque n√£o √© acompanhada de compreens√£o. √Č apenas uma condi√ß√£o preliminar de liberdade. Mas odiamo-la. E em breve fugimos, escolhemos um senhor, rolamos no ch√£o e pedimos o chicote. (…) N√£o √© o amor que nos d√° o cansa√ßo da vida. √Č a nossa incapacidade de sermos livres.

Eu quero dizer-te, não te cases com o sofrimento. Algumas pessoas fazem-no. Casam-se com ele, dormem e comem juntos, como marido e mulher. Se se deixam levar pela alegria acham que é adultério.

Tu pode desperdiçar toda a segunda metade da tua vida a recuperar dos erros da primeira.

A Nossa Avidez Infinita

Todos n√≥s sofremos de uma avidez infinita. As nossas vidas s√£o-nos preciosas, estamos sempre alerta contra os desperd√≠cios. Ou talvez fosse melhor chamar a isso Sentido de Destino Pessoal. Sim. Creio que √© melhor do que avidez. Dever√° a minha vida perder um mil√©simo de polegada da sua plenitude? √Č uma coisa diferente avaliar-se a si pr√≥prio ou vangloriar-se loucamente. E h√° ent√£o os nossos planos, os nossos ideais. Tamb√©m eles s√£o perigosos. Podem consumir-nos como parasitas, comer-nos, sorver-nos e deixar-nos exangues e prostrados. E no entanto estamos constantemente a convidar os parasitas, como se estiv√©ssemos ansiosos por sermos sorvidos e comidos. Isto porque nos ensinaram que n√£o h√° limites para o que um homem pode ser.

Há seiscentos anos um homem era o que o seu nascimento demarcava para ele. Satanás e a Igreja, representante de Deus, lutavam por ele. Ele, pela sua escolha, decidia em parte qual seria o resultado. Mas quer fosse, depois da morte, para o céu ou para o inferno, o seu lugar entre os vivos estava marcado. Não podia ser contestado. Desde então o palco foi novamente arranjado e os seres humanos apenas passeiam nele e, sob este novo ponto de vista,

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