Cita√ß√Ķes sobre V√≠boras

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Frases sobre v√≠boras, poemas sobre v√≠boras e outras cita√ß√Ķes sobre v√≠boras para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Uma v√≠bora envenena um homem, mas um homem sozinho arrasa uma capital. Os grandes monstros n√£o chegam verdadeiramente na √©poca secund√°ria; aparecem na √ļltima, com o homem. Ao p√© de um Napole√£o, um megalossauro √© uma formiga.

Víbora

Como a víbora gerado,
No coração se formou
Este amor amaldiçoado
Que à nascença o espedaçou.

Para ele nascer morri;
E em meu cad√°ver nutrido,
Foi a vida que eu perdi
A vida que tem vivido.

A Negra F√ļria Ci√ļme

Morre a luz, abafa os ares
Horrendo, espesso negrume,
Apenas surge do Averno
A negra f√ļria Ci√ļme.

Sobre um sólio cor da noite
Jaz dos Infernos o Nurne,
E a seus pés tragando brasas
A negra f√ļria Ci√ļme.

Crespas víboras penteia,
Dos olhos dardeja lume,
Respira veneno e peste
A negra f√ļria Ci√ļme.

Arrancando à Morte a fouce
De buído, ervado gume,
Vem retalhar cora√ß√Ķes
A negra f√ļria Ci√ļme.

Ao cruel sócio de Amor
Escapar ninguém presume,
Porque a tudo as garras lança
A negra f√ļria Ci√ļme.

Todos os males do Inferno
Em si guarda, em si resume
O mais horrível dos monstros,
A negra f√ļria Ci√ļme.

Amor inda é mais suave,
Que das rosas o perfume,
Mas envenena-lhe as graças
A negra f√ļria Ci√ļme.

Nas asas de Amor voamos
Do prazer ao √°ureo cume,
Porém de lá nos arroja
A negra f√ļria Ci√ļme.

Do férreo cálix da Morte
Prova o funesto azedume
Aquele a quem ferve n’alma
A negra f√ļria Ci√ļme.

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Os inimigos que mais temo a Portugal são soberba e ingratidão, vícios tão naturais da próspera fortuna que, como filhos da víbora, juntamente nascem dela e a corrompem.

A Carne é Crápula

A carne é crápula
sob o olho cego
do desejo.

A carne √© tr√īpega
se fala sob o pêlo
de outro desejo alheio.

A carne é trêmula
e fracta.
Crina de nervos,
veneno de víbora,
a carne é égua
sob o cabresto
de seus incestos
sem freios.

F√°lica e c√īncava,
intrépida e férvida,
a carne é estrábica
nos entreveros
do sexo
com seus desacertos
conexos.

Sob o olho
sem m√°cula e cego,
a carne é crápula
nos arpejos
indefesos
de seus perversos
desejos.

O Homem Congrega Todas as Espécies de Animais

H√° t√£o diversas esp√©cies de homens como h√° diversas esp√©cies de animais, e os homens s√£o, em rela√ß√£o aos outros homens, o que as diferentes esp√©cies de animais s√£o entre si e em rela√ß√£o umas √†s outras. Quantos homens n√£o vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre ferozes e sempre cru√©is, outros como le√Ķes, mantendo alguma apar√™ncia de generosidade, outros como ursos grosseiros e √°vidos, outros como lobos arrebatadores e impiedosos, outros ainda como raposas, que vivem de habilidades e cujo of√≠cio √© enganar!
Quantos homens n√£o se parecem com os c√£es! Destroem a sua esp√©cie; ca√ßam para o prazer de quem os alimenta; uns andam sempre atr√°s do dono; outros guardam-lhes a casa. H√° lebr√©us de trela que vivem do seu m√©rito, que se destinam √† guerra e possuem uma coragem cheia de nobreza, mas h√° tamb√©m dogues irasc√≠veis, cuja √ļnica qualidade √© a f√ļria; h√° c√£es mais ou menos in√ļteis, que ladram frequentemente e por vezes mordem, e h√° at√© c√£es de jardineiro. H√° macacos e macacas que agradam pelas suas maneiras, que t√™m esp√≠rito e que fazem sempre mal. H√° pav√Ķes que s√≥ t√™m beleza, que desagradam pelo seu canto e que destroem os lugares que habitam.

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Adeus!

Adeus! para sempre adeus!
Vai-te, oh! vai-te, que nesta hora
Sinto a justiça dos céus
Esmagar-me a alma que chora.
Choro porque n√£o te amei,
Choro o amor que me tiveste;
O que eu perco, bem no sei,
Mas tu… tu nada perdeste;
Que este mau coração meu
Nos secretos escaninhos
Tem venenos t√£o daninhos
Que o seu poder só sei eu.

Oh! vai… para sempre adeus!
Vai, que há justiça nos céus.
Sinto gerar na peçonha
Do ulcerado coração
Essa víbora medonha
Que por seu fatal cond√£o
H√°-de rasg√°-lo ao nascer:
H√°-de sim, ser√°s vingada,
E o meu castigo h√°-de ser
Ci√ļme de ver-te amada,
Remorso de te perder.

Vai-te, oh! vai-te, longe, embora,
Que sou eu capaz agora
De te amar – Ai! se eu te amasse!
Vê se no árido pragal
Deste peito se ateasse
De amor o incêndio fatal!
Mais negro e feio no inferno
N√£o chameia o fogo eterno.
Que sim? Que antes isso? – Ai, triste!
N√£o sabes o que pediste.

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A Vida é Líquida

√Č crua a vida. Al√ßa de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
√Č crua e dura a vida. Como um naco de v√≠bora.
Como-a no livro da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha p√ļmblea, me casaco rosso
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é liquída.

Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu h√°lito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
√Č um rei que nos visita e nos cobre de mirra.

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Olhar e Chorar

Not√°vel criatura s√£o os olhos! Admir√°vel instrumento da natureza; prodigioso artif√≠cio da Provid√™ncia! Eles s√£o a primeira origem da culpa; eles a primeira fonte da Gra√ßa. S√£o os olhos duas v√≠boras, metidas em duas covas, e que a tenta√ß√£o p√īs o veneno, e a contri√ß√£o a triaga. S√£o duas setas com que o Dem√≥nio se arma para nos ferir e perder; e s√£o dois escudos com que Deus depois de feridos nos repara para nos salvar. Todos os sentidos do homem t√™m um s√≥ of√≠cio; s√≥ os olhos t√™m dois. O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto cheira, o Tacto apalpa, s√≥ os olhos t√™m dois of√≠cios: Ver e Chorar. Estes ser√£o os dois p√≥los do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu a mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma,

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Comparo a mulher com a pantera, porque se lhe assemelha em tudo. Nas aves, a sua análoga é a perdiz, e nos répteis a víbora.

O Meu Amor

[Cita√ß√Ķes da entrevista do jornal P√ļblico a Miguel Esteves Cardoso (MEC) e Maria Jo√£o Pinheiro (MJ), no dia 21 de Abril de 2013]

MEC РEla é sempre maravilhosa. Vivia muito desconfiado nos, sei lá, nos primeiros meses e anos. Desconfiava de que ela tivesse uma Maria João verdadeira que não fosse assim mágica. Que fosse prática e muito diferente. Que houvesse Рhá sempre Рuma pessoa escondida dentro dela. Mas não. Não há.
(…)
MJ РO Miguel é uma pessoa. Uma pessoa maravilhosa. Um tesouro.
(…)
MJ – Foi conhecer a pessoa mais generosa, perfeita, bondosa. A alma mais pura.
MEC РDevíamos dar mais entrevistas. Eu nunca ouço isto. Estou inchado. Se achavas isso antes, por que é que não disseste?
(…)
MEC – Sim. E fiquei como nunca fiquei antes. Fiquei assim toinggg. Parecia extremamente feliz. E eu: ¬ęAh!!¬Ľ E luminosa. Risonha. Como se fosse um pr√©mio. Sabe?, um pr√©mio. ¬ęAqui est√° a tua sorte.¬Ľ Senti uma aus√™ncia de d√ļvida. Eh p√°. S√≥ queria que fosse minha.
(…)
MEC – √Č a mulher mais bonita que alguma vez vi. Era linda de morrer e podia ser uma v√≠bora.

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XLIII

Quem és tu? (ai de mim!) eu reclinado
No seio de uma víbora! Ah tirana!
Como entre as garras de uma tigre hircana
Me encontro de repente sufocado!

N√£o era essa, que eu tinha posta ao lado,
Da minha Nise a imagem soberana?
N√£o era… mas que digo! ela me engana:
Sim, que eu a vejo ainda no mesmo estado:

Pois como no letargo a fantasia
T√£o cruel ma pintou, t√£o inconstante,
Que a vi… ? mas nada vi; que eu nada cria.

Foi sonho; foi quimera; a um peito amante
Amor não deu favores um só dia,
Que a sombra de um tormento os n√£o quebrante.