Cita√ß√Ķes sobre Aborto

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Dem√īnios

A l√≠ngua vil, ign√≠voma, purp√ļrea
Dos pecados mortais bava e braveja,
Com os seres impoluídos mercadeja,
Mordendo-os fundo inj√ļria por inj√ļria.

√Č um grito infernal de atroz lux√ļria,
Dor de danados, dor do Caos que almeja
A toda alma serena que viceja,
S√≥ f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria!

S√£o pecados mortais feitos hirsutos
Dem√īnios maus que os venenosos frutos
Morderam com vol√ļpia de quem ama…

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,
An√Ķes da Dor torcida e cancerosa,
Abortos de almas a sangrar na lama!

Revelação

II

Treva e fulgura√ß√£o; s√Ęnie e perfume;
Massa palpável e éter; desconforto
E ataraxia feto vivo e aborto. ..
– Tudo a unidade do meu ser resume!

Sou eu que, ateando da alma o occíduo lume,
Apreendo, em cisma abismadora absorto,
A potencialidade do que é morto
E a eficácia prolífica do estrume!

Ah! Sou eu que, transpondo a escarpa
Dos limites org√Ęnicos estreitos,
Dentro nos quais recalco em v√£o minha √Ęnsia,

Sinto bater na putrescível crusta
Do tegumento que me cobre os peitos
Toda a imortalidade da Subst√Ęncia!

Matar n√£o √© t√£o grave como impedir que algu√©m nas√ßa, tirar a sua √ļnica oportunidade de ser. O aborto √© o mais horrendo e abjeto dos crimes. Nada mais terr√≠vel do que n√£o ter nascido!

O direito √† vida √© fundamental. Isto n√£o quer dizer que seja contra a despenaliza√ß√£o do aborto ‚Äď eu sou pela despenaliza√ß√£o. Mas sendo o aborto um problema da consci√™ncia de cada um, que a sociedade n√£o deve penalizar, a sociedade n√£o pode deixar de dizer que reprova a sua pr√°tica, social e moralmente.

Palavras d’um Certo Morto

H√° mil anos, e mais, que aqui estou morto,
Posto sobre um rochedo, à chuva e ao vento:
N√£o h√° como eu espectro macilento,
Nem mais disforme que eu nenhum aborto…

Só o espírito vive: vela absorto
N’um fixo, inexor√°vel pensamento:
¬ęMorto, enterrado em vida!¬Ľ o meu tormento
√Č isto s√≥… do resto n√£o me importo…

Que vivi sei-o eu bem… mas foi um dia,
Um dia s√≥ ‚ÄĒ no outro, a Idolatria
Deu-me um altar e um culto… ai! adoraram-me.

Como se eu fosse alguém! como se a Vida
Podesse ser algu√©m! ‚ÄĒ logo em seguida
Disseram que era um Deus… e amortalharam-me!

No Amor Começa-se Sempre a Zero

Fazer um registo de propriedade √© chato e dif√≠cil mas fazer uma declara√ß√£o de amor ainda √© pior. Ningu√©m sabe como. N√£o h√° minuta. N√£o h√° sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declara√ß√Ķes de amor t√™m de ser feitas pelo pr√≥prio. A experi√™ncia n√£o serve de nada ‚ÄĒ por muitas declara√ß√Ķes que j√° se tenham feito, cada uma √© completamente diferente das anteriores. No amor, ali√°s, a experi√™ncia s√≥ demonstra uma coisa: que n√£o tem nada que estar a demonstrar cois√≠ssima nenhuma. √Č verdade ‚ÄĒ come√ßa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa √† suprema inoc√™ncia, in√©pcia e barb√°rie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das cal√ßas nas pernas e quando damos por n√≥s estamos de cal√ß√Ķes. A experi√™ncia n√£o serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um inc√™ndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: ¬ęOuve l√°, tu que tens experi√™ncia de queimaduras do primeiro grau…¬Ľ

Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos,

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O Futuro da Espécie Humana

N√£o sei se as popula√ß√Ķes est√£o a aumentar ou a diminuir. √Č claro que, com o aborto, com a p√≠lula, com as “camisas de V√©nus”, com a soma dessas coisas todas, a procria√ß√£o diminui, a velhice aumenta; a receita dos impostos diminui, porque h√° menos jovens no trabalho e h√° mais velhos a ser remunerados. √Č preciso que a popula√ß√£o aumente sempre e que n√£o se fa√ßa a desertifica√ß√£o da prov√≠ncia, como est√° a acontecer. Tiram escolas, hospitais e as pessoas desertificam essas cidades. Porque √© da prov√≠ncia, da cultura da terra, que n√≥s vivemos, e ela est√° desertificada.

[Mas eu referia-me mesmo à sobrevivência do planeta Terra. Acha que ele está em perigo?]

Está em perigo, claro. De tal modo que a gente pergunta: onde está a inteligência do homem? Há um progresso, é certo, mas esse progresso encaminha-se para a morte.

Poema Final

√ď cores virtuais que jazeis subterr√Ęneas,
_ Fulgura√ß√Ķes azuis, vermelhos de hemoptise,
Represados clar√Ķes, crom√°ticas ves√Ęnias,
No limbo onde esperais a luz que vos batize,

As p√°lpebras cerrai, ansiosas n√£o veleis.
Abortos que pendeis as frontes cor de cidra,
T√£o graves de cismar, nos bocais dos museus,
E escutando o correr da √°gua na clepsidra,

Vagamente sorris, resignados e ateus,
Cessai de cogitar, o abismo n√£o sondeis.
Gemebundo arrulhar dos sonhos n√£o sonhados,

Que toda a noite errais, doces almas penando,
E as asas lacerais na aresta dos telhados,
E no vento expirais em um queixume brando,
Adormecei. N√£o suspireis. N√£o respireis.

A Senhora de Brabante

Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua m√£o macia e cintilante,
de anéis de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.

Numa cadeira de espaldar dourado,
Escuta os galanteios dos bar√Ķes.
‚ÄĒ √Č noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os cora√ß√Ķes.

Recorda o senhor Bispo ac√ß√Ķes passadas.
Falam damas de jóias e cetins.
Tratam bar√Ķes de festas e ca√ßadas
√† moda goda: ‚ÄĒ aos toques dos clarins!

Mas a Duquesa √© triste. ‚ÄĒ Oculta m√°goa
vela seu rosto de um solene véu.
‚ÄĒ Ao luar, sobre os tanques chora a √°gua…
‚ÄĒ Cantando, os rouxin√≥is lembram o c√©u…

Dizem as lendas que Sat√£ vestido
de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
à Senhora Duquesa de Brabante.

Dizem que o ouviram ao luar nas √°guas,
mais louro do que o sol, marmóreo, e lindo,
tirar de uma viola estranhas m√°goas,
pelas noites que os cravos v√™m abrindo…

Dizem mais que na seda das varetas
do seu leque ducal de mil matizes…

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