Passagens sobre Amor

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Tudo O Que É Puro, Santo E Resplendente

Tudo o que é puro, santo e resplendente,
N’este mundo cruel de desenganos,
Toda a ventura dos primeiros anos
N’um’alma que desabrocha sorridente;

Tudo o que ainda vemos de potente
Na vastidão sem fim dos oceanos,
E da terra nos prantos soberanos
Trazidos pela aurora refulgente;

Tudo o que desce do infinito ousado:
O sol, a brisa, o orvalho prateado,
A luz do amor, do bem, das esperanças;

Tudo, afinal, que vem do Céu dourado
A despertar o coração magoado,
– Deus encerrou nos olhos das crianças!

O Amor entre o Trigo

Cheguei ao acampamento dos Hernández antes do meio-dia, fresco e alegre. A minha cavalgada solitária pelos caminhos desertos, o repouso do sono, tudo isso refulgia na minha taciturna juventude.
A debulha do trigo, da aveia, da cevada, fazia-se ainda com éguas. Nada no mundo é mais alegre que ver rodopiar as éguas, trotando à volta do calcadouro do cereal, sob o grito espicaçante dos cavaleiros. Brilhava um sol esplêndido e o ar era um diamante silvestre que fazia brilhar as montanhas. A debulha é uma festa de ouro. A palha amarela acumula-se em montanhas douradas. Tudo é actividade e bulício, sacos que correm e se enchem, mulheres que cozinham, cavalos que tomam o freio nos dentes, cães que ladram, crianças que a cada momento é preciso livrar, como se fossem frutos da palha, das patas dos cavalos.

Oe Hernández eram uma tribo singular. Os homens, despenteados e por barbear, em mangas de camisa e com revólver à cinta, andavam quase sempre besuntados de óleo, de poeiras, de lama, ou molhados até aos ossos pela chuva. Pais, filhos, sobrinhos, primos, eram todos da mesma catadura. Estavam horas inteiras ocupados debaixo de um motor, em cima de um tecto,

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Sem a mulher, o homem seria rude, grosseiro, solitário, e ignoraria a graça, que não é senão o sorriso do amor. A mulher suspende em torno dela as flores da vida, como as lianas das florestas, que adornam os troncos dos carvalhos com as suas grinaldas afortunadas.

Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do Seu amor, nem pulsa o entusiasmo de fazer o bem.

Se o teu coração não é justo, se não fazes justiça, se não amas aqueles que precisam de amor, se não vives segundo o espírito das Bem-Aventuranças, não és católico. És hipócrita.

Quando se fala de ciência, o pensamento vai imediatamente para a capacidade do homem de conhecer sempre melhor a realidade que o circunda e de descobrir as leis da natureza e do Universo. A ciência que vem do Espírito, porém, não se limita ao conhecimento humano; é um dom especial, que nos leva a discernir, através da Criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua relação profunda com todas as criaturas.

Não devemos deixar que a esperança nos abandone, porque Deus, com o Seu amor, caminha connosco. «Eu espero, porque Deus está a meu lado»: é uma coisa que todos nós podemos dizer. Caminha e leva-me pela mão. O Senhor Jesus venceu o mal e abriu-nos o sendeiro da vida.

A mais bela das experiências é descobrir de quantos carismas diferentes e de quantos dons do seu Espírito o Pai colma a Sua Igreja! Isto não deve ser visto como um motivo de confusão, de mal-estar; são tudo dádivas que Deus concede à comunidade cristã, para que possa crescer em harmonia, na fé e no Seu amor, como um só corpo, o corpo de Cristo.

O dom do temor de Deus conclui a série dos sete dons do Espírito Santo. Não significa ter medo de Deus: saibamos bem que Deus é Pai e que nos ama e quer a nossa salvação e perdoa sempre, sempre; por isso não há razões para ter medo d’Ele! O temor de Deus é o dom que nos recorda de como somos pequenos diante de Deus e do Seu amor e que o nosso bem está em abandonar-nos a Ele com humildade.

Porque o amor de Cristo está em mim, posso dar-me plenamente ao outro, na certeza interior de que, mesmo que o outro haja de ferir-me, eu não morrerei; de contrário, deveria defender-me. Os mártires deram a própria vida devido exatamente a esta certeza da vitória de Cristo sobre a morte.

Os jovens e os velhos: Jesus é Aquele que aproxima as gerações. É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo todas as desconfianças, todos os isolamentos, todas as distâncias.

Ao longo dos tempos, o Pastor Ressuscitado não se cansa de nos procurar, os seus irmãos perdidos nos desertos do mundo. E com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso – atrai-nos para o seu caminho da vida.

Só o amor preenche os vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história. Só o amor pode fazer isto, e é esta a glória de Deus!

Deus Pai cria por meio da Sua palavra, e o Seu Filho é a palavra feita carne. O amor nutre-se de palavras, como também a educação e a colaboração.

Se é necessária uma salutar atenção à salvaguarda da Criação, da pureza do ar, da água e dos alimentos, tanto mais devemos salvaguardar a pureza daquilo que temos de mais precioso: os nossos corações e as nossas relações. Esta «ecologia humana» ajudar-nos-á a respirar o ar puro que provém das coisas belas, do amor, da santidade.

Agrada-me ver a santidade no paciente povo de Deus: nos pais que criam com tanto amor os filhos, nos homens e nas mulheres que trabalham para levar o pão para casa, nos doentes, nas religiosas idosas que continuam a sorrir. Nessa constância para andar em frente dia após dia vejo a santidade da Igreja. Esta é tantas vezes a santidade «da porta ao lado», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus.

A felicidade não se compra. E quando compras uma felicidade, depois vês que se desvanece rapidamente…

A felicidade que se compra não dura. Só dura a felicidade do amor!

Jesus convida-nos a construirmos juntos a civilização do amor nas situações que nos cabe viver hoje em dia.

O acaso não existe na perspetiva do Amor: aquilo que não estava nos nossos planos estava nos planos de Deus. Diante d’Ele, toda a tapeçaria da nossa vida apresenta um entretecimento de fios perfeitamente acabado. Talvez não o compreendamos, porque não podemos distanciar-nos do nosso Destino e ver do alto o acabamento da tapeçaria. Um dia, vê-lo-emos e compreendermos.