Cita√ß√Ķes sobre Aud√°cia

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Frases sobre aud√°cia, poemas sobre aud√°cia e outras cita√ß√Ķes sobre aud√°cia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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O sufr√°gio universal, a mais monstruosa e a mais in√≠qua das tiranias, pois a for√ßa do n√ļmero √© a mais brutal das for√ßas, n√£o tendo ao seu lado nem a aud√°cia, nem o talento.

O pensador √© bom na medida em que a aud√°cia das suas explora√ß√Ķes o leva a cada passo √† beira da heterodoxia.

Escrever √© isto: comover para desconvocar a ang√ļstia e aligeirar o medo, que √© sempre experimentado nos povos como uma infus√£o de laborat√≥rio, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso √© aquele que protege os homens do medo: por aud√°cia, del√≠rio, fantasia, piedade ou desfigura√ß√£o.

Poeminha de Louvor ao Strip-tease Secular

Eu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!

Depois, j√° rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!

A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando j√° joelhos
lupercais!

As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.

E a mania do sport
trouxe o short.

O short amigo,
que trouxe consigo,
o mai√ī de duas pe√ßas.

E logo, de aud√°cia em aud√°cia,
a natureza, ganhando terreno,
sugeriu o biquini,
o mai√ī, de pequeno, ficando mais pequeno
n√£o se sabendo mais,
até onde um corpo branco,
pode ficar moreno.

Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

Todos grandes avanços da Ciência nasceram de uma nova audácia da imaginação.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Tempo e Idade

A jovialidade e a coragem da vida, características da juventude, devem-se em parte ao facto de estarmos a subir a colina, sem ver a morte situada no sopé do outro lado. Porém, ao transpormos o cume, avistamos de facto a morte, até então conhecida só de ouvir dizer. Ora, como ao mesmo tempo a força vital começa a diminuir, a coragem também decresce, de modo que, nesse momento, uma seriedade sombria reprime a audácia juvenil e estampa-se no nosso rosto. Enquanto somos jovens, digam o que quiserem, consideramos a vida como sem fim e usamos o nosso tempo com prodigalidade. Contudo, quanto mais velhos ficamos, mais o economizamos. Na velhice, cada dia vivido desperta uma sensação semelhante à do delinquente ao dirigir-se ao julgamento.
Do ponto de vista da juventude, a vida √© um futuro infinitamente longo; do da velhice, √© um passado bastante breve. Desse modo, o come√ßo apresenta-se-nos como as coisas ao serem vistas pela lente objectiva do bin√≥culo de opera; o fim, entretanto, como se vistas pela ocular. √Č preciso ter envelhecido, portanto ter vivido muito, para reconhecer como a vida √© breve. O pr√≥prio tempo, na juventude, d√° passos bem mais lentos. Por conseguinte, o primeiro quartel da vida √© n√£o s√≥ o mais feliz,

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Hino à Beleza

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,
‚ÄĒ Obra de g√©nio, flor de hero√≠smo ou santidade, ‚ÄĒ
Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,
Num acto de grandeza augusta ou de bondade,

‚ÄĒ Como um pag√£o subindo √† Acr√≥pole sagrada,
Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso,
Ou seja o Herói que leva uma aurora na Espada,
Ou o Santo beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre iluminas
Tudo o que existe em nós de grande e puro, veio
Do mesmo foco em mil par√°bolas divinas:
‚ÄĒ Raios do mesmo olhar, √Ęnsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo,
O prisma humano quebra em √Ęngulos dispersos,
Como a √°gua a cair de rochedo em rochedo
Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

√Č aud√°cia no Her√≥i; resigna√ß√£o no Santo;
Som e Cor, ondulando em formas imortais;
No m√°rmore rebelde abre em folhas de acanto,
E esmalta de candura a flora dos vitrais.

√ď Beleza! √ď Beleza! as Horas fugitivas
Passam diante de ti, aladas como sonhos…

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A Mente Precisa de Ser Desafiada Todos os Dias

A mente, muito mais do que o corpo, precisa de ser desafiada todos os dias. Se poss√≠vel com treinos bi ou tridi√°rios. Sair da cama sem identificar a raz√£o pela qual acordamos maldispostos, passar horas a julgar este e aquele sem conhecer verdadeiramente ningu√©m ou a contestar o emprego que n√≥s pr√≥prios escolhemos e ir para a cama enjoados com o dia que tivemos, s√£o raz√Ķes mais do que suficientes para nos questionarmos. A soma de n√£o sei quantos dias assim, e acredita que se n√£o for o teu caso √© a situa√ß√£o da maioria das pessoas, resultar√° indubitavelmente em estados depressivos e de enfermidade precoce. N√£o podes continuar a aceitar a dor sem que fa√ßas nada para a curar e √© por isso, por desejar profundamente o teu reencontro contigo e com a tua verdadeira realidade, que te grito: ¬ęH√Ā SOLU√á√ÉO!!!¬Ľ E a solu√ß√£o passa por identificares o artista que h√° em ti, pois treinar a mente √© meramente uma arte. At√© se atingir o estatuto de comandante da nossa vida e a t√£o pretendida velocidade cruzeiro naquele que √© o oceano da nossa mente √© necess√°rio um alt√≠ssimo n√≠vel de concentra√ß√£o e criatividade. Precisas de estar sempre alerta e altamente focado no que a tua mente te sugere para depois,

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As riquezas do mundo pertencem efetivamente aos que têm a audácia de se declarar seus possuidores.

Os V√°rios Tipos de Coragem

A verdadeira coragem √© uma das qualidades que su¬≠p√Ķem a maior grandeza de alma. Observo v√°rias esp√©cies dela: uma coragem contra a fortuna, que √© filosofia; uma coragem contra as mis√©rias, que √© paci√™ncia; uma cora¬≠gem na guerra, que √© bravura; uma coragem nos em¬≠preendimentos, que √© arrojo; uma coragem altiva e teme¬≠r√°ria, que √© aud√°cia; uma coragem contra a injusti√ßa, que √© firmeza; uma coragem contra o v√≠cio, que √© severidade; uma coragem de reflex√£o, de temperamento, etc. N√£o √© comum que um mesmo homem re√ļna tantas qualidades.
Oct√°vio, no pleno da sua fortuna, elevado so¬≠bre precip√≠cios, enfrentava perigos eminentes; mas a morte, presente na guerra, abalava sua alma. Um n√ļme¬≠ro incalcul√°vel de romanos que nunca tinham temido a morte nas batalhas n√£o possu√≠a essa outra coragem que submeteu a terra a Augusto.
N√£o apenas se encontram muitas esp√©cies de cora¬≠gem, mas na mesma coragem muitas desigualdades. Bru¬≠to, que teve a ousadia de atacar a fortuna de C√©sar, n√£o teve a for√ßa de seguir a sua pr√≥pria: havia alcan√ßado o projec¬≠to de destruir a tirania apenas com os recursos da sua co¬≠ragem, e teve a fraqueza de o abandonar com todas as for√ßas do povo romano, por falta desse equil√≠brio de for¬≠√ßa e de sentimento que sobrep√Ķe os obst√°culos e a len¬≠tid√£o dos sucessos.

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Em Defesa da Língua Portuguesa

Desta aud√°cia, Senhor, deste desc√īco
Que entre nós, sem limite, vai lavrando,
Quem mais sente as terr√≠veis conseq√ľ√™ncias
√Č a nossa portugu√™s, casta linguagem,
Que em tantas tradu√ß√Ķes anda envasada
(Tradu√ß√Ķes que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! se, as marmóreas campas levantando,
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos var√Ķes, que, com a pena

Ou com a espada e lança, a Pátria ornaram;
Os novos idiotismos escutando,
A mesclada dição, bastardos termos
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos, ridículos autores;

(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogênita filha da Latina,
Precisasse de estranhos atavios)
S√ļbito, certamente pensariam
Que nos sert√Ķes estavam de Caconda,
Quilimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já, por fim, desenganados

Que eram em Portugal, que os Portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por t√£o estranhos modos afrontaram,
Segunda vez, de pejo, morreriam.

O Que é Escrever?

Escrever √© isto: comover para desconvocar a ang√ļstia e aligeirar o medo, que √© sempre experimentado nos povos como uma infus√£o de laborat√≥rio, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (n√£o de livraria, mas de indigna√ß√£o social profunda) √© aquele que protege os homens do medo: por aud√°cia, del√≠rio, fantasia, piedade ou desfigura√ß√£o. Mas porque a po√©tica precis√£o de dum acto humano n√£o corresponde totalmente √† sua evid√™ncia. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do sil√™ncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever √© um pouco corrigir a fortuna, que √© cega, com um j√ļbilo da Natureza, que √© precavida.

O Sonho Do Astrólogo

As fulgurosas, r√ļtilas estrelas
Como mundos de mundos seculares,
Formando uns arquipélagos, uns mares
De luz — como eu deslumbro o olhar ao v√™-las.

Ah! se como eu sei compreendê-las,
Sentir-lhes os seus filtros salutares,
Pudesse, da amplid√£o fria dos ares
Arrancá-las, na mão sempre trazê-las;

Que vagalh√Ķes de assombros palpitantes
N√£o me viriam perpassar, faiscantes,
Dentro do ser, nuns doutros mur√ļrios.

Eu saberia muito mais a causa
Da evolução que nunca teve pausa,
Que é uma audácia transbordando em rios.