Cita√ß√Ķes sobre Catorze

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Frases sobre catorze, poemas sobre catorze e outras cita√ß√Ķes sobre catorze para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Poema do Homem Novo

Niels Armstrong p√īs os p√©s na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.

A cobrir tudo, enfim, como um bal√£o ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas m√£os penduradas, tent√°culos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
C√° de longe, na Terra, num borborinho ansioso,

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Soneto 573 Barbarizado

Já se disse: sete é conta de mentira e lenda.
Também dizem que de azar o treze é cifra certa.
Isso explica a redondilha como porta aberta
no cantar dos repentistas, na feroz contenda,

à bazófia descarada, onde é melhor a emenda
que o soneto decassílabo, no qual se enxerta
entre termos eruditos a fal√°cia esperta,
lei de todo bom poeta que seu peixe venda.

Outrossim, também se explica por que nunca é visto
um soneto alexandrino, mas de pé quebrado:
este, a cuja tentação do treze não resisto.

Vou cham√°-lo “aleijadinho”, pois, em vez de errado,
tem car√°ter de obra-prima, pelo menos nisto:
completar catorze versos sem ficar quadrado!

Quantas Loucuras h√° num Homem!

H√° tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco.; aos treze, ama-se uma mulher de colo t√ļrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente √© um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:

Tetin refaict plus blanc qu’un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seis desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que √© um pouco mais que uma irm√£, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, at√© aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dan√ßarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputa√ß√£o, a especula√ß√£o, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da c√Ęmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama atrav√©s dos vidros e a quem se lan√ßa um olhar de impot√™ncia,

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Não Tenho Ninguém em Quem Confiar

Estou cansado de confiar em mim pr√≥prio, de me lamentar a mim mesmo, de me apiedar, com l√°grimas, sobre o meu pr√≥prio eu. Acabo de ter uma esp√©cie de cena com a tia Rita acerca de F. Coelho. No fim dela senti de novo um desses sintomas que cada vez se tornam mais claros e sempre mais horr√≠veis em mim: uma vertigem moral. Na vertigem f√≠sica h√° um rodopiar do mundo externo em rela√ß√£o a n√≥s: na vertigem moral, um rodopiar do mundo interior. Parece-me perder, por momentos, o sentido da verdadeira rela√ß√£o das coisas, perder a compreens√£o, cair num abismo de suspens√£o mental. √Č uma pavorosa sensa√ß√£o esta de uma pessoa se sentir abalada por um medo desordenado.
Estes sentimentos v√£o-se tornando comuns, parecem abrir-me o caminho para uma nova vida mental, que acabar√° na loucura. Na minha fam√≠lia n√£o h√° compreens√£o do meu estado mental ‚ÄĒ n√£o, nenhuma. Riem-se de mim, escarnecem-me, n√£o me acreditam. Dizem que o que eu pretendo √© mostrar-me uma pessoa extraordin√°ria. Nada fazem para analisar o desejo que leva uma pessoa a querer ser extraordin√°ria. N√£o podem compreender que entre ser-se e desejar-se ser extraordin√°rio n√£o h√° sen√£o a diferen√ßa da consci√™ncia que √© acrescentada ao facto de se querer ser extraordin√°rio.

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Canção da Inocência Perdida

1

O que a minha m√£e dizia
N√£o pode ser bem verdade:
Que uma vez emporcalhada
Nunca passa a sujidade.
Se isto n√£o vale pra a roupa
Também não vale pra mim.
Que o rio lhe passe por cima
Breve fica branca, assim.

2

Como qualquer pataqueira
Aos onze anos j√° pecava.
Mas só ao fazer catorze
O meu corpo castigava.
A roupa j√° estava parda,
No rio a fui mergulhar.
No cesto est√° virginal
C’mo sem ningu√©m lhe tocar.

3

Sem ter conhecido algum
J√° eu tinha escorregado.
Fedia aos Céus, como uma
Babilónia de pecado.
A roupa branca no rio
Enxaguada à roda, à roda,
Sente que as ondas a beijam:
¬ęVolta-me a brancura toda¬Ľ.

4

Quando o primeiro me amou
Abracei-o eu também.
Senti no ventre e no peito
Ir-se a maldade pra além.
Assim acontece à roupa
E a mim acontecer√°.
A √°gua corre depressa,
Sujidade diz: Vem c√°!

5

Mas quando os outros vieram
Um ano mau começou.

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H√° tantos mundos quantas as maneiras de o olhar e, por consequ√™ncia, de o entender. Isto √© muito evidente quando regresso ao meu quarto de inf√Ęncia e adolesc√™ncia, aquele onde, com catorze anos, me deitava a pensar, a imaginar. Hoje, se me deito nessa cama, n√£o tenho o mesmo tempo. Se me aproximo da janela e olho a paisagem, aquilo que vejo mudou, mudei eu.

Dói-me a Vida aos Poucos

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. H√° s√≥ um presente im√≥vel com um muro de ang√ļstia em torno. A margem de l√° do rio nunca, enquanto √© a de l√°, √© a de c√°, e √© esta a raz√£o intima de todo o meu sofrimento. H√° barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida n√£o doer, nem h√° desembarque onde se esque√ßa. Tudo isto aconteceu h√° muito tempo, mas a minha m√°goa √© mais antiga.
Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.
No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto, e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.
Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo,

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