Sorria sempre. Seus lábios não precisam traduzir o que acontece no seu coração.
Passagens de Clarice Lispector
1250 resultadosNo âmago onde estou, no âmago do É, não faço perguntas. Porque quando é – é. Sou limitada apenas pela minha identidade. Eu, entidade elástica e separada de outros corpos.
Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é o desconhecido.
Vivemos exclusivamente no presente, pois sempre e eternamente é o dia de hoje, e o dia de amanhã será um hoje, a eternidade é o estado das coisas nesse momento.
O que sinto não é traduzível. Eu me expresso melhor pelo silêncio.
Pela primeira vez eu sinto que me esquecimento está enfim ao nível do mundo.
Minha bondade tem limites: não posso proteger quem me ofende.
Sou inquieta e áspera e desesperançada. Estou cansada. Meu cansaço vem muito porque sou pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo. Meu esforço: trazer agora o futuro para já.
Eu tenho medo do ótimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás.
Inútil querer me classificar, eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me pega mais.
A pior cegueira é a dos que não sabem que estão cegos.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.
Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam. Palavras até me conquistam temporariamente. Mas atitudes me ganham para sempre.
Depois que vivo é que sei que vivi. Na hora o viver me escapa. Sou uma lembrança de mim mesma. Só depois de «morrer» é que vejo que vivi. Eu me escapo de mim mesma. Às vezes eu me apresso em acabar um episódio íntimo de vida, para poder captá-lo em recordações, e para, mais do que ter vivido, viver. Um viver que já foi. Deglutido por mim e fazendo agora parte do meu sangue.
Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la (Perto do Coração Selvagem)
Estou Sofrendo de Amor Feliz
Estou sofrendo de amor feliz. Só aparentemente é que isso é contraditório. Quando se sente amor, tem-se uma funda ansiedade. É como se eu risse e chorasse ao mesmo tempo. Sem falar no medo que essa felicidade não dure. Preciso ser livre — não aguento a escravidão do amor grande, o amor não me prende tanto. Não posso me submeter à pressão do mais forte.
Onde está minha corrente de energia? meu sentido de descoberta, embora esta assuma forma obscura? Eu sempre espero alguma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera — algo está sempre vindo de mim ou de fora de mim.
Pensando bem: quem não é um acaso na vida?
Tania, por favor, ensine a Marcia aquela frase assim: o… não vale nada.
O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu. in A Paixão Segundo GH. 176