Minha consciência é inconsciente de si mesma, por isso eu me obedeço cegamente.
Passagens de Clarice Lispector
1250 resultadosA Imaginação é a Base do Homem
De tal modo a imaginação é a base do homem — Joana de novo — que todo o mundo que ele tem construído encontra sua justificativa na beleza da criação e não na sua utilidade, não em ser o resultado de um plano de fins adequados às necessidades. Por isso é que vemos multiplicarem-se os remédios destinados a unir o homem às ideias e instituições existentes — a educação, por exemplo, tão difícil — e vemo-lo continuar sempre fora do mundo que ele construiu. O homem levanta casas para olhar e não para nelas morar. Porque tudo segue o caminho da inspiração. O determinismo não é um determinismo de fins, mas um estreito determinismo de causas. Brincar, inventar, seguir a formiga até seu formigueiro, misturar água com cal para ver o resultado, eis o que se faz quando se é pequeno e quando se é grande. É erro considerar que chegamos a um alto grau de pragmatismo e materialismo. Na verdade o pragmatismo — o plano orientado para um dado fim real — seria a compreensão, a estabilidade, a felicidade, a maior vitória de adaptação que o homem conseguisse. No entanto fazer as coisas «para quê» parece-me, perante a realidade,
Chore, grite, ame e diga que valeu, que doeu, que daqui pra frente só vai melhorar. Perdoe, insista, respeite, ame novamente.
Aquilo que Eu não sei, é a minha melhor parte!
Não tenho nenhuma saudade de mim – o que já fui não mais me interessa.
Por enquanto há diálogo contigo. Depois será monólogo. Depois o silêncio. Sei que haverá uma ordem.
Numa experiência pela qual peço perdão a mim mesma, eu estava saindo do meu mundo e entrando no mundo.
A desistência é uma revelação.
Sem uma palavra, mas teu prazer entende o meu.
Só me interessa escrever quando eu me surpreendo com o que escrevo. Eu prescindo da realidade porque posso ter tudo através do pensamento.
Oh Deus, como estou sendo feliz. O que estraga a felicidade é o medo.
E solidão é não precisar. Não precisar deixa um homem muito só, todo só.
Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir é tão bom.
Minha orgia na verdade vinha de meu puritanismo: o prazer me ofendia, e da ofensa eu fazia prazer maior.
Ela preferia mil vezes que estivesse chovendo, porque seria muito mais fácil dormir sem medo do escuro.
Uma das coisas mais solitárias que eu conheço é não ter a premonição.
Nosso inconsciente é infinito.
Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada.
Não gosto de dar entrevistas: as perguntas me constrangem, custo a responder, e, ainda por cima, sei que o entrevistador vai deformar fatalmente minhas palavras.
Há certo instante na alegria de poder que ultrapassa o próprio medo da morte. Duas pessoas que vivem juntas procuram talvez atingir esse instante.