Cita√ß√Ķes sobre Copos

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Frases sobre copos, poemas sobre copos e outras cita√ß√Ķes sobre copos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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√Č assim t√£o long√≠nqua a felicidade? No tempo, refiro-me √† sua dist√Ęncia no tempo; em termos de perspetiva, n√£o est√° longe nem perto, a felicidade √© algo por que se espera, que se procura, e quando come√ßas a cansar-te de esperar, o dono do local onde marcaste encontro com ela tem pressa em fechar o estabelecimento (espere, espere, n√£o me empurre, por favor, deixe-me acabar esse copo). √Ä tua frente, a porta em dire√ß√£o √† qual ele te empurra, e l√° fora estende-se a noite que ter√°s de enfrentar sozinho, a escurid√£o que assusta a crian√ßa, e n√£o queres mergulhar nesse negrume.

Influenciar o Estado de Espírito

Nunca √© poss√≠vel anotar e avaliar todas as circunst√Ęncias que influenciam o estado de esp√≠rito do momento, que at√© est√£o activas dentro dele, e que finalmente est√£o activas na pr√≥pria avalia√ß√£o, por isso √© falso dizer que ontem me senti decidido, que hoje estou desesperado. Estas diferen√ßas apenas provam que a pessoa deseja influenciar-se a si pr√≥pria, e t√£o longe de si pr√≥pria quanto poss√≠vel, escondida por detr√°s de preconceitos e fantasias, criar temporariamente uma vida artificial, tal como algu√©m, por vezes, a um canto da taberna, suficientemente escondido por detr√°s de um pequeno copo de u√≠sque, inteiramente s√≥ consigo pr√≥prio, se entret√©m com imagina√ß√Ķes e sonhos improv√°veis e falsos.

A energia do amor é algo que não é comparável a mais nada e, por mais que dividisse a água que tinha no copo e a partilhasse com mais e mais pessoas, sentia-o sempre cheio. A fonte divina, desde que estejas em contacto com ela, é inesgotável.

Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei l√° o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opini√£o tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E n√£o pensar. √Č correr as cortinas
Da minha janela (mas ela n√£o tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O √ļnico mist√©rio √© haver quem pense no mist√©rio.
Quem est√° ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E j√° n√£o pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol n√£o sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

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Para um Amigo Tenho Sempre

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse rel√≥gio n√£o marca o tempo in√ļtil.
S√£o restos de tabaco e de ternura r√°pida.
√Č um arco-√≠ris de sombra, quente e tr√©mulo.
√Č um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

Maes, Vinde Ouvir!

Longe de ti, na cella do meu quarto,
Meu copo cheio de agoirentas fezes,
Sinto que rezas do Outro-mundo, harto,
Pelo teu filho. Minha M√£e, n√£o rezes!

Para fallar, assim, ve tu! j√° farto,
Para me ouvires blasphemar, √°s vezes,
Soffres por mim as dores crueis do parto
E trazes-me no ventre nove mezes!

Nunca me houvesses dado √° luz, Senhora!
Nunca eu mamasse o leite aureolado
Que me fez homem, magica bebida!

F√īra melhor n√£o ter nascido, f√īra,
Do que andar, como eu ando, degredado
Por esta Costa d’Africa da Vida…

O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos    quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

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O Vinho De Hebe

Quando do Olimpo nos festins surgia
Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia…

A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e pródiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa ta√ßa estendemos-lhe, vazia…

E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa…
Passa, e n√£o torna atr√°s o seu caminho.

Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tímidos ressábios,
Como recorda√ß√Ķes daquele vinho.

Envolvê-la nos Meus Braços

Tr√™s minutos depois de voc√™ ter partido. N√£o, n√£o consigo reprimi-lo. Digo-lhe o que j√° sabe: amo-a. √Č isto que destru√≠ vezes sem conta. Em Dijon, escrevi-lhe cartas longas e apaixonadas (se voc√™ tivesse permanecido na Su√≠√ßa ter-lhas-ia enviado), mas como posso eu envi√°-las para Louveciennes?

Anais, n√£o posso dizer muito agora – encontro-me demasiado alterado. Quase n√£o consegui conversar consigo, porque estava continuamente prestes a levantar-me e a envolv√™-la nos meus bra√ßos. Tinha esperan√ßas de que voc√™ n√£o tivesse de ir jantar a casa… De que pud√©ssemos ir a algum lado jantar e dan√ßar. Voc√™ dan√ßa… J√° sonhei com isso vezes sem conta… Eu a dan√ßar consigo, ou voc√™ a dan√ßar sozinha com a cabe√ßa inclinada para tr√°s e os olhos semicerrados. Algum dia tem de dan√ßar para mim dessa maneira. Esse √© o seu Eu espanhol, o tal sangue andaluz destilado.

Estou sentado no seu lugar e j√° levei aos l√°bios o copo onde voc√™ bebeu. Mas n√£o sei o que dizer. O que voc√™ me leu p√īs-me a cabe√ßa √†s voltas. A sua linguagem √© ainda mais avassaladora do que a minha. Comparado consigo, n√£o passo de um petiz… porque, quando o √ļtero que h√° em si fala,

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Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Amo-te como o vinho e como o sono, Tu √©s meu copo e amoroso leito… Mas teu n√©ctar de amor jamais se esgota, Travesseiro n√£o h√° como teu peito.

Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
s√£o estes cacos, que nos cortam as m√£os, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Funchal

O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca, construída por náufragos.

Muitos, chegados √† porta, voltam para tr√°s, mas n√£o assim as rajadas de vento do mar. Uma sombra encontra-se num cub√≠culo fumarento e assa dois peixes, segundo uma antiga receita da Atl√Ęntida, pequenas explos√Ķes de alho.

O óleo flui sobre as rodelas do tomate. Cada dentada diz que o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas.

Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trep√°ssemos as agrestes colinas floridas, sem qualquer cansa√ßo. Encontramo-nos do lado dos animais, bem-vindos, n√£o envelhecemos. Mas j√° suport√°mos tantas coisas juntos, lembramo-nos disso, horas em que tamb√©m de pouco ou nada serv√≠amos ( por exemplo, quando esper√°vamos na bicha para doar o sangue saud√°vel ‚Äď ele tinha prescrito uma transfus√£o). Acontecimentos, que nos podiam ter separado, se n√£o nos tiv√©ssemos unido, e acontecimentos que, lado a lado, esquecemos ‚Äď mas eles n√£o nos esqueceram!

Eles tornaram-se pedras, pedras claras e escuras, pedras de um mosaico desordenado.

E agora aconteceu: os cacos voam todos na mesma direcção, o mosaico nasce.

Ele espera por nós. Do cimo da parede,

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A Raiz do Vício

Um v√≠cio, apesar de ser uma terr√≠vel depend√™ncia e um p√©ssimo h√°bito, √© um escape maravilhoso e uma profunda ilus√£o acerca do ¬ęsentir bem¬Ľ. Quando n√£o tens nada para fazer ou n√£o sabes como te acalmar fumas uns cigarros ou coisas do g√©nero, entopes-te de comida, bebes uns copos e assim andas sempre ocupado e falsamente tranquilo, pois ap√≥s o efeito seja do que for voltas ao mesmo estado em que te encontravas. Perd√£o, n√£o me fiz entender bem: fumas sem vontade de fumar, comes sem vontade de comer e bebes sem vontade de beber. Isto √© ser viciado, √© pura polui√ß√£o, sobretudo quando n√£o existe um desejo natural de faz√™-lo. Esclarecido? √ďtimo. J√° percebeste o teu desafio? N√£o, n√£o √© deixares de ser um viciado, isso n√£o √© um problema porque tens consci√™ncia que o √©s, logo, podes mudar quando entenderes apaixonar-te por ti, o problema √© outro e, se queres saber, bem mais s√©rio. Consegues descobri-lo? Era excelente se o dissesses antes de me leres: significaria que tamb√©m j√° estarias consciente disso e, nesse sentido, deixaria de ser mais um problema na tua vida. Os problemas s√£o, √ļnica e exclusivamente, fruto da inconsci√™ncia, pois quando se tem consci√™ncia do que se passa j√° n√£o √© um problema,

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O Poema em que te Busco é a Minha Rede

O poema em que te busco é a minha rede,
Bem mais de borboletas que de peixes,
E é o copo em que te bebo: morro à sede
Mas ainda és margarida e não-me-deixes
E muito mais, no enumerar das coisas:
Cordão de laço e corda de violino,
Saliva de verdade nalgum beijo,
E poisas
Como ave de aço em pão se não te vejo.
Mas onde mais real do céu me avisas
√Č nas tuas camisas,
Calças de cor no catre bem dobradas.
E és os meus pensamentos, se te ausentas,
Meu ci√ļme escuro como vinho em toalha;
E o branco circular das horas lentas
Que um perfurante amor lembrado espalha.
P√Ķe o penso no velo intercrural
Com um atilho vertical:
Rosa coberta esquiva
Quer a m√£o do desejo, quer
O conhecido cravo da agress√£o
Que estendo às tuas formas de mulher,
Com esta soma e verbal percaução
De um fónico doutor de Mompilher.

A Portugalite

Entre as afec√ß√Ķes de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma h√° t√£o generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite √© uma inflama√ß√£o nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. √Č altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e at√© hoje n√£o se descobriu cura.

A Portugalite √© contra√≠da por cada portugu√™s logo que entra em contacto com Portugal. √Č uma doen√ßa n√£o tanto ven√©rea como venal. Para compreend√™-la √© necess√°rio estudar a rela√ß√£o de cada portugu√™s com Portugal. Esta rela√ß√£o √© semelhante a uma outra que j√° √© cl√°ssica na literatura. Suponhamos ent√£o que Portugal √© fundamentalmente uma meretriz, mas que cada portugu√™s est√° apaixonado por ela. Est√° sempre a dizer mal dela, o que √© compreens√≠vel porque ela trata-o extremamente mal. Chega at√© a julgar que a odeia, porque n√£o acha uma √ļnica raz√£o para am√°-la. Contudo, existem cinco sinais ‚ÄĒ t√≠picos de qualquer grande e arrastada paix√£o ‚ÄĒ que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a l√≥gica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as ¬ębocas¬Ľ que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher,

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A Adoração dos Magos

Aquela noite a três
foi como desenhar a maçarico
numa chapa de ferro
um vento fóssil, um vítreo monograma,
o rasto ao exceder o voo de uma carriça
cativo flutua no vidro de uma jarra.
Suspensos percorriam na polpa da vertigem
léguas sobre o abismo.
Pendentes do zinco da manh√£
à espera do início
do seguinte espect√°culo
dispersaram o sémen
nas chaminés da noite leprosa.
Nos terraços da luta percorreram
as danças mais funestas da ternura.
Num combinar astuto de referências
abriram-se os portais
e despediram galopes penitentes
os animais libertos
das tecidas mans√Ķes.
O unic√≥rnio branco dep√īs sua cabe√ßa
nos braços da senhora,
compadecida dama,
e lhe tocou fiando suas l√£s
entre as unhas crivadas por metralha.
Sinto-lhes o assédio,
em cada joelho poisam
um queixo armadilhado,
a barba j√° cresceu desde o jantar.
¬ę√Č a adora√ß√£o dos magos¬Ľ – murmuras tu ‚Äď
fincando na ravina os dedos imanados
enquanto o tronco investe
a pele percorrida por venosas nascentes.
Olho por sobre um ombro
e surpreendo a treva
ofendida esgueirar-se
entre os dedos da porta.

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