Passagens sobre Copos

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Frases sobre copos, poemas sobre copos e outras passagens sobre copos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Anivers√°rio

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religi√£o qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande sa√ļde de n√£o perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de ser√Ķes de meia-prov√≠ncia,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui ‚ÄĒ ai, meu Deus!, o que s√≥ hoje sei que fui…
A que dist√Ęncia!…
(Nem o acho… )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

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Há uma espécie de reciprocidade entre a necessidade e o objecto que a satisfará. Não penso em beber; mas este copo ao meu alcance dá-me sede. Tenho sede e imagino o copo de água delicioso.

Pecador

Este é o altivo pecador sereno,
Que os soluços afoga na garganta,
E, calmamente, o copo de veneno
Aos l√°bios frios sem tremer levanta.

Tonto, no escuro pantanal terreno
Rolou. E, ao cabo de torpeza tanta,
Nem assim, miser√°vel e pequeno,
Com t√£o grandes remorsos se quebranta.

Fecha a vergonha e as l√°grimas consigo…
E, o coração mordendo impenitente,
E, o coração rasgando castigado,

Aceita a enormidade do castigo,
Com a mesma face com que antigamente
Aceitava a delícia do pecado.

N√£o h√° Dicas para Namorar e Casar

Nunca me ensinaram as coisas realmente √ļteis: como √© que um rapaz arranja uma noiva, que tipo de anel deve comprar, se pode continuar a sair para os copos com os amigos, se √© preciso pedir primeiro aos pais, se tem de usar anel tamb√©m. Palavra que fui um rapaz que estudou muito e nunca me souberam ensinar isto. Ensinaram-me tudo e mais alguma coisa sobre o sexo e a reprodu√ß√£o, sobre o prazer e a sedu√ß√£o, mas quanto ao namorar e casar, nada. E agora, como √© que eu fa√ßo?

Passei a pente fino as melhores livrarias de Lisboa e n√£o encontrei uma √ļnica obra que me elucidasse. Se quisesse fazer cozinha macrobi√≥tica, descobrir o ¬ęponto G¬Ľ da minha companheira para ajud√°-la a atingir um orgasmo mais recompensador, montar um aqu√°rio, criar m√≠scaros ou construir um tanque Sherman em casa, sim, existe toda uma vasta bibliografia. Para casar, nem um folheto. Nem um ¬ęd√©pliant¬Ľ. Nada. Nem um autocolante. Para apanhar SIDA sei exactamente o que devo fazer. Para apanhar a minha noiva n√£o fa√ßo a mais pequena ideia.

Porque √© que o Minist√©rio da Juventude, em vez de esbanjar fortunas com iniciativas patetas (como aquela piroseira fascist√≥ide dos Descobrimentos) e an√ļncios rid√≠culos (como aqueles ¬ęYa meu,

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Aquella Orgia

Nós eramos uns dez ou onze convidados,
– Todos buscando o gozo e achando o abatimento,
E todos afinal vencidos e quebrados
No combate da Vida inutil e incruento.

Tocava o termo a ceia – e ia surgindo o alvor
Da madrugada vaga, etherea e crystallina,
A alguns trazendo a vida, e enchendo outros de horor,
Branca como uma flor de prata florentina.

Todos riam sem causa. – A estolida batalha
Da Materia e da Luz travara-se afinal,
E eram j√° c√īr de vinho os risos e a toalha,
– E arrojavam-se ao ar os copos de crystal.

Crusavam-se no ar ditos como facadas;
Escandalos de amor, historias sensuaes…
– Rolavam nos divans caindo, √°s gargalhadas,
Sujos como tru√Ķes, torpes como animaes.

Um agitando o ar com risos desmanchados,
Recitava can√ß√Ķes, far√ßas, Hamlet e Ophelia;
РOutro perdido o olhar, e os braços encruzados,
De bru√ßos, n’um divan, roia uma camelia!

Outros fingindo a d√īr, fallavam dos ausentes,
Das amantes, dos paes, com gritos d’afflic√ß√£o,
– Um brandia um punhal, com ditos incoherentes;

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Desde a juventude que sou um apoiante da União Europeia. Acredito na unidade fundamental da cultura europeia, aquém das diferenças linguísticas. Percebemos que somos europeus quando estamos na América ou na China, vamos tomar um copo com os colegas e inconscientemente preferimos falar com o sueco do que com o norte-americano. Somos similares. Cultura não quer dizer economia, e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural.

Sou a Tua Casa

Sou a tua casa, a tua rua, a tua seguran√ßa, o teu destino. Sou a ma√ß√£ que comes e a roupa que vestes. Sou o degrau por onde sobes, o copo por onde bebes, o teu riso e o teu choro, o teu frio e a tua lareira. O pedinte que ajudas, o asilo que te quer acolher. Sou o teu pensamento, a tua recorda√ß√£o, a tua vontade. E tamb√©m o artes√£o que para ti trabalha, o medo que te perturba e o c√£o que te guia quando entras pela noite. Sou o s√≠tio onde descansas, a √°rvore que te d√° sombra, o vento que contigo se comove. Sou o teu corpo, o teu esp√≠rito, o teu brilho, a tua d√ļvida. Sou a tua m√£e, o teu amante, o marfim dos teus dentes. E sou, na luz do outono, o teu olhar. Sou a tua parteira e a tua l√°pide. Os teus vinte anos. O cora√ß√£o sepultado em ti. Sou as tuas asas, a tua liberdade, e tudo o que se move no teu interior. Sou a tua ressaca, o teu transtorno, o rel√≥gio que mede o tempo que te resta. Sou a tua mem√≥ria, a mem√≥ria da tua mem√≥ria,

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Como Escrever

Minhas intui√ß√Ķes se tornam mais claras ao esfor√ßo de transp√ī-las em palavras. √Č neste sentido, pois, que escrever me √© uma necessidade. De um lado, porque escrever √© um modo de n√£o mentir o sentimento (a transfigura√ß√£o involunt√°ria da imagina√ß√£o √© apenas um modo de chegar); de outro lado, escrevo pela incapacidade de entender, sem ser atrav√©s do processo de escrever. Se tomo um ar herm√©tico, √© que n√£o s√≥ o principal √© n√£o mentir o sentimento como porque tenho incapacidade de transp√ī-lo de um modo claro sem que o minta ‚ÄĒ mentir o pensamento seria tirar a √ļnica alegria de escrever. Assim, tantas vezes tomo um ar involuntariamente herm√©tico, o que acho bem chato nos outros. Depois da coisa escrita, eu poderia friamente torn√°-la mais clara? Mas √© que sou obstinada. E por outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mist√©rio natural, n√£o substitu√≠vel por clareza outra nenhuma. E tamb√©m porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo de √°gua, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a √°gua fica clara. Se jamais a √°gua ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco. Aceitei risco bem maior, como todo o mundo que vive.

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Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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√Č assim t√£o long√≠nqua a felicidade? No tempo, refiro-me √† sua dist√Ęncia no tempo; em termos de perspetiva, n√£o est√° longe nem perto, a felicidade √© algo por que se espera, que se procura, e quando come√ßas a cansar-te de esperar, o dono do local onde marcaste encontro com ela tem pressa em fechar o estabelecimento (espere, espere, n√£o me empurre, por favor, deixe-me acabar esse copo). √Ä tua frente, a porta em dire√ß√£o √† qual ele te empurra, e l√° fora estende-se a noite que ter√°s de enfrentar sozinho, a escurid√£o que assusta a crian√ßa, e n√£o queres mergulhar nesse negrume.

Influenciar o Estado de Espírito

Nunca √© poss√≠vel anotar e avaliar todas as circunst√Ęncias que influenciam o estado de esp√≠rito do momento, que at√© est√£o activas dentro dele, e que finalmente est√£o activas na pr√≥pria avalia√ß√£o, por isso √© falso dizer que ontem me senti decidido, que hoje estou desesperado. Estas diferen√ßas apenas provam que a pessoa deseja influenciar-se a si pr√≥pria, e t√£o longe de si pr√≥pria quanto poss√≠vel, escondida por detr√°s de preconceitos e fantasias, criar temporariamente uma vida artificial, tal como algu√©m, por vezes, a um canto da taberna, suficientemente escondido por detr√°s de um pequeno copo de u√≠sque, inteiramente s√≥ consigo pr√≥prio, se entret√©m com imagina√ß√Ķes e sonhos improv√°veis e falsos.

A energia do amor é algo que não é comparável a mais nada e, por mais que dividisse a água que tinha no copo e a partilhasse com mais e mais pessoas, sentia-o sempre cheio. A fonte divina, desde que estejas em contacto com ela, é inesgotável.

Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei l√° o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opini√£o tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E n√£o pensar. √Č correr as cortinas
Da minha janela (mas ela n√£o tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O √ļnico mist√©rio √© haver quem pense no mist√©rio.
Quem est√° ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E j√° n√£o pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol n√£o sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

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Para um Amigo Tenho Sempre

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse rel√≥gio n√£o marca o tempo in√ļtil.
S√£o restos de tabaco e de ternura r√°pida.
√Č um arco-√≠ris de sombra, quente e tr√©mulo.
√Č um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

Maes, Vinde Ouvir!

Longe de ti, na cella do meu quarto,
Meu copo cheio de agoirentas fezes,
Sinto que rezas do Outro-mundo, harto,
Pelo teu filho. Minha M√£e, n√£o rezes!

Para fallar, assim, ve tu! j√° farto,
Para me ouvires blasphemar, √°s vezes,
Soffres por mim as dores crueis do parto
E trazes-me no ventre nove mezes!

Nunca me houvesses dado √° luz, Senhora!
Nunca eu mamasse o leite aureolado
Que me fez homem, magica bebida!

F√īra melhor n√£o ter nascido, f√īra,
Do que andar, como eu ando, degredado
Por esta Costa d’Africa da Vida…

O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos    quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

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O Vinho De Hebe

Quando do Olimpo nos festins surgia
Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia…

A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e pródiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa ta√ßa estendemos-lhe, vazia…

E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa…
Passa, e n√£o torna atr√°s o seu caminho.

Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tímidos ressábios,
Como recorda√ß√Ķes daquele vinho.

Envolvê-la nos Meus Braços

Tr√™s minutos depois de voc√™ ter partido. N√£o, n√£o consigo reprimi-lo. Digo-lhe o que j√° sabe: amo-a. √Č isto que destru√≠ vezes sem conta. Em Dijon, escrevi-lhe cartas longas e apaixonadas (se voc√™ tivesse permanecido na Su√≠√ßa ter-lhas-ia enviado), mas como posso eu envi√°-las para Louveciennes?

Anais, n√£o posso dizer muito agora – encontro-me demasiado alterado. Quase n√£o consegui conversar consigo, porque estava continuamente prestes a levantar-me e a envolv√™-la nos meus bra√ßos. Tinha esperan√ßas de que voc√™ n√£o tivesse de ir jantar a casa… De que pud√©ssemos ir a algum lado jantar e dan√ßar. Voc√™ dan√ßa… J√° sonhei com isso vezes sem conta… Eu a dan√ßar consigo, ou voc√™ a dan√ßar sozinha com a cabe√ßa inclinada para tr√°s e os olhos semicerrados. Algum dia tem de dan√ßar para mim dessa maneira. Esse √© o seu Eu espanhol, o tal sangue andaluz destilado.

Estou sentado no seu lugar e j√° levei aos l√°bios o copo onde voc√™ bebeu. Mas n√£o sei o que dizer. O que voc√™ me leu p√īs-me a cabe√ßa √†s voltas. A sua linguagem √© ainda mais avassaladora do que a minha. Comparado consigo, n√£o passo de um petiz… porque, quando o √ļtero que h√° em si fala,

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