Cita√ß√Ķes sobre Cozinheiros

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Frases sobre cozinheiros, poemas sobre cozinheiros e outras cita√ß√Ķes sobre cozinheiros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A felicidade consiste num bom saldo banc√°rio, numa boa cozinheira e numa boa digest√£o.

O Nosso C√≥digo √Čtico e Moral Desculpabiliza-nos Perante a Recusa de Aliviarmos o Sofrimento Alheio

Eu não desviava os olhos de minha mãe, sabia que, quando estivessem à mesa, não me seria permitido ficar até ao fim da refeição, e que, para não contrariar meu pai, a mamã não me deixaria beijá-la várias vezes diante dos outros, como se fosse no meu quarto.
(…) antes de tocarem a sineta para o jantar, meu av√ī teve a ferocidade inconsciente de dizer: ¬ęO pequeno parece cansado; deveria ir deitar-se. E depois, jantamos tarde hoje.¬Ľ E meu pai,(…) disse: ¬ęSim. Anda, vai deitar-te.¬Ľ Eu quis beijar a mam√£; nesse instante ouviu-se a sineta do jantar. ¬ęN√£o, n√£o, deixa a tua m√£e em paz, voc√™s j√° se despediram bastante, essas demonstra√ß√Ķes s√£o rid√≠culas. Anda, sobe!¬Ľ E eu tive de partir sem vi√°tico; tive de subir cada degrau ¬ęcontra o cora√ß√£o¬Ľ, subindo contra o meu cora√ß√£o, que desejava voltar para junto de minha m√£e porque ela n√£o lhe havia dado, com um beijo, licen√ßa de me acompanhar.
(…) J√° no meu quarto, tive de (…) cerrar os postigos, cavar o meu pr√≥prio t√ļmulo enquanto virava as cobertas, vestir o sud√°rio da minha camisa de dormir. Mas antes de sepultar-me no leito de ferro (…), veio-me um impulso de revolta e resolvi tentar um ardil de condenado.

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A Minha Educação Prejudicou-me em Vários Aspectos

Dormi, acordei, dormi, acordei, vida miser√°vel. (…) Quando penso nisso, tenho de dizer que a minha educa√ß√£o me prejudicou muito em v√°rios aspectos. N√£o fui, de facto, educado num lugar longe de tudo, como por exemplo entre ru√≠nas, nas montanhas; contra esse facto eu n√£o poderia realmente exprimir a minha censura. Apesar de correr o risco de n√£o poder ser compreendido por todos os meus antigos professores, eu bem preferiria ter sido um habitante dessas pequenas ru√≠nas, queimado pelo sol que por entre os destro√ßos me apareceria de todos os lados sobre a t√©pida hera, mesmo que eu a princ√≠pio houvesse sido fraco sob a press√£o das minhas boas qualidades, que com a for√ßa da erva teriam crescido dentro de mim.

Quando penso nisso, tenho de dizer que a minha educa√ß√£o me prejudicou muito em v√°rios aspectos. Esta censura aplica-se a uma quantidade de pessoas, ou seja, aos meus pais, a algumas pessoas de fam√≠lia, a alguns amigos da casa, a v√°rios escritores, a uma certa cozinheira, que durante todo um ano me levou √† escola, a um monte de professores (que nas minhas recorda√ß√Ķes tenho de comprimir num grupo estreito, que doutra maneira me falha um aqui e outro ali ‚ÄĒ mas,

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Família

Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.

Os Amantes

Amor, é falso o que dizes;
Teu bom rosto é contrafeito;
Busca novos infelizes
Que eu inda trago no peito
Mui frescas as cicatrizes;

O teu meu é mel azedo,
N√£o creio em teu gasalhado,
Mostras-me em v√£o rosto ledo;
J√° estou muito escaldado,
J√° d’√°guas frias hei medo.

Teus prémios são pranto e dor;
Choro os mal gastados anos
Em que servi tal senhor,
Mas tirei dos teus enganos
O sair bom pregador.

Fartei-te assaz a vontade;
Em v√£os suspiros e queixas
Me levaste a mocidade,
E nem ao menos me deixas
Os restos da curta idade?

√Čs como os c√£es esfaimados
Que, comendo os troncos quentes
Por destro negro esfolados,
Levam nos √°vidos dentes
Os ossos ensanguentados.

Bem vejo a aljava dourada
Os ombros nus adornar-te;
Amigo, muda de estrada,
P√Ķe a mira em outra parte
Que daqui n√£o tiras nada.

Busca algum fofo morgado
Que, solto j√° dos tutores,
Ao domingo penteado,
Vá dizendo à toa amores
Pelas pias encostado;

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Um bom cozinheiro pode dar gosto até a uma velha sola de sapato; da mesma maneira, um bom escritor pode tornar interessante mesmo o assunto mais árido.

Hai-Kai da Cozinheira
A cozinheira preta preta
Preta e gorda
Com seu frescor sorriso de lua…

Se não sois capaz de um pouco de feitiçaria, não vale a pena meter-vos a cozinheiro.

A Dependência é a Raiz de Todos os Males

O que deve um c√£o a um c√£o, um cavalo a um cavalo? Nada. Nenhum animal depende do seu semelhante. Tendo por√©m o homem recebido o raio da Divindade a que se chama raz√£o, qual foi o resultado? Ser escravo em quase toda a terra. Se o mundo fosse o que parece dever ser, isto √©, se em toda parte os homens encontrassem subsist√™ncia f√°cil e certa e clima apropriado √† sua natureza, imposs√≠vel teria sido a um homem servir-se de outro. Cobrisse-se o mundo de frutos salutares. N√£o fosse ve√≠culo de doen√ßas e morte o ar que contribui para a exist√™ncia humana. Prescindisse o homem de outra morada e de outro leito al√©m do dos gansos e cabras monteses, n√£o teriam os Gengis C√£s e Tamerl√Ķes vassalos sen√£o os pr√≥prios filhos, os quais seriam bastante virtuosos para auxili√°-los na velhice.
No estado natural de que gozam os quadr√ļpedes, aves e r√©pteis, t√£o feliz como eles seria o homem, e a domina√ß√£o, quimera, absurdo em que ningu√©m pensaria: para qu√™ servidores se n√£o tiv√©sseis necessidade de nenhum servi√ßo? Ainda que passasse pelo esp√≠rito de algum indiv√≠duo de bofes tir√Ęnicos e bra√ßos impacientes por submeter o seu vizinho menos forte que ele,

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As Canseiras Destinam-se a Satisfazer os Luxos

Nos dias de hoje, quem consideras tu como s√°bio? O t√©cnico que sabe montar repuxos de √°gua perfumada atrav√©s de canaliza√ß√Ķes invis√≠veis, o que √© capaz de encher ou esvaziar num instante os canais artificiais, o que sabe dar diversas disposi√ß√Ķes aos caixot√Ķes m√≥veis do tecto de modo a que o sal√£o de banquetes v√° mudando de decora√ß√£o √† medida que v√£o surgindo os v√°rios pratos? Ou antes aquele que demonstra, a si mesmo e aos outros, que a natureza nos n√£o imp√Ķe nada que seja duro e dif√≠cil, que para termos uma casa n√£o carecemos de marmoristas ou de marceneiros, que para nos vestirmos n√£o dependemos do com√©rcio da seda, em suma, que para dispormos do essencial √† vida quotidiana nos basta aquilo que a terra nos apresenta √† superf√≠cie? Se a humanidade se dispusesse a seguir os conselhos de um tal homem imediatamente perceberia que t√£o in√ļtil √© o cozinheiro como o soldado!
Os antigos, esses homens que satisfaziam sem quaisquer excessos as suas necessidades físicas, eram de facto sábios, ou pelo menos muito próximo de o serem. Para se obter o indispensável não é preciso muito esforço; as canseiras destinam-se a satisfazer os luxos. Tu podes dispensar todos os técnicos: basta que sigas a natureza!

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Os Homens não Sabem o que é o Amor

De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos; e depois, muito mais tarde, já casados, chegam, chegavam antigamente, a sentir um certo reconhecimento pela companheira quando ela lhes tinha dado filhos, tinha mantido bem a casa e era boa cozinheira e boa amante Рentão chegavam a ter prazer por dormirem na mesma cama. Não era talvez o que as mulheres desejavam, talvez houvesse aí um mal-entendido, mas era um sentimento que podia ser muito forte Рe mesmo quando eles sentiam uma excitação, aliás cada vez mais fraca, por esta ou aquela mulher, já não conseguiam literalmente viver sem a mulher e, se acontecia ela morrer, eles desatavam a beber e acabavam rapidamente, em geral uns meses bastavam. Os filhos, esses, representavam a transmissão de uma condição, de regras e de um património. Era evidentemente o que acontecia nas classes feudais, mas igualmente com os comerciantes, camponeses, artesãos, de forma geral com todos os grupos da sociedade. Hoje, nada disso existe.
As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos.

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S√°bio √© quem monotoniza a exist√™ncia, pois ent√£o cada pequeno incidente tem um privil√©gio de maravilha. O ca√ßador de le√Ķes n√£o tem aventura para al√©m do terceiro le√£o. Para o meu cozinheiro mon√≥tono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro at√© Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou at√© Marte. O viajante que percorreu toda a terra n√£o encontra de cinco mil milhas em diante novidade, porque encontra s√≥ coisas novas; outra vez a novidade, a velhice do eterno novo, mas o conceito abstracto de novidade ficou no mar com a segunda delas.

Vede quanto a glutonaria, sujeitando a contribui√ß√£o a terra e o mar, faz passar pela garganta quantos cozinheiros, pasteleiros e criados se aprestam para preparar e dispor um banquete. Deuses, quantos homens um s√≥ est√īmago p√Ķe em movimento.