Cita√ß√Ķes sobre Discursos

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Frases sobre discursos, poemas sobre discursos e outras cita√ß√Ķes sobre discursos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Č um absurdo afirmar que um homem deve ter vergonha de ser incapaz de defender-se com seus membros, mas n√£o de ser incapaz de defender-se com o discurso e raz√£o, quando o uso da raz√£o √© mais caracter√≠stico de um ser humano do que o uso de seus membros.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Oratória: uma conspiração entre o discurso e a acção para enganar a inteligência. Uma tirania atenuada pela estenografia.

A Maior Parte do que Sabemos é a Menor do que Ignoramos

A maior parte do que sabemos, √© a menor do que ignoramos. N√£o se achou var√£o t√£o perfeito no Mundo, que conhecesse o que tinha de s√°bio, sen√£o sabendo o que lhe faltava para perfeito. N√£o se viu ningu√©m tanto nos √ļltimos remates da perfei√ß√£o, em quem n√£o bruxoleassem sempre alguns desaires de humano. (…) N√£o necessitando de nada os grandes, s√≥ de verdades necessitam; porque, como custam caro, todo o cabedal da fortuna √© pre√ßo limitado para elas; por isso nos grandes s√£o mais avultados os erros, porque erram com grandeza e ignoram com presun√ß√£o. Mais gravemente enferma o que logra melhor disposi√ß√£o, que o que nunca deixou de ter achaques: e a raz√£o √© porque a enfermidade que p√īde vencer disposi√ß√£o t√£o boa, teve muito de poderosa; ignor√Ęncia a que n√£o alumiou o discurso mais desperto, tirou as esperan√ßas ao rem√©dio.

Todo o discurso deve ser construído como uma criatura viva, dotado por assim dizer do seu próprio corpo; não lhe podem faltar nem pés nem cabeça; tem de dispor de um meio e de extremidades compostas de modo tal que sejam compatíveis uns com os outros e com a obra como um todo.

Como Manipular um P√ļblico

Segundo uma lei conhecida, os homens, considerados colectivamente, s√£o mais est√ļpidos do que tomados individualmente. Numa conversa a dois, conv√©m que respeitemos o parceiro, mas essa regra de conduta j√° n√£o √© t√£o indispens√°vel num debate p√ļblico em que se trata de dispor as massas a nosso favor.

H√° uns anos, um pol√≠tico pagou a figurantes para o aplaudirem numa concentra√ß√£o. Como bom profissional, compreendera que uma claque, embora n√£o melhore o discurso, predisp√Ķe melhor os espectadores a descobrirem os seus m√©ritos. O mimetismo √© a mola principal para mover as massas no sentido do entusiasmo, do respeito ou do √≥dio. Mesmo perante um pequeno p√ļblico de trinta pessoas, h√° sempre algo de religioso que prov√©m da coagula√ß√£o dos sentimentos individuais em express√£o colectiva. No meio de um grupo, √© necess√°ria uma certa energia para pensar contra a maioria e coragem para exprimir abertamente essa opini√£o.
Os manipuladores de opinião ou, para utilizar uma palavra mais delicada, os comunicadores, sabem que, para conduzir mentalmente uma assembleia numa determinada direcção, é necessário começar por agir sobre os seus líderes. A primeira tarefa consiste em determinar quem são, apesar de eles próprios não o saberem. Um manipulador não tarda a distinguir o punhado de indivíduos em que pode apoiar-se para influenciar os outros.

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Ornitologia

Chegado o Outono, o conhecimento concentra-se nas asas
dos p√°ssaros que pousam lentos sobre as cores dos frutos.
Sem sentimentos, as aves entregam-se ao sabor do vento
e deixam que no cérebro cresça a febre negra das urzes.
Aquieta-os a experiência que conservam do espaço
e que todas as tardes os inibe de partir para continentes
mais prósperos e seguros. Sustém-os um atavismo
apenas explic√°vel pelo saber dos signos e o seu desejo
colectivo de suicídio. Porque não escolhem antes
perder-se na tempestade? Talvez visto do ar,
aos seus olhos o mundo se torne mais pesado
e o pensamento se confunda, na memória,
com uma paisagem festiva de piras f√ļnebres.
E contudo, apesar do car√°cter cerrado da atmosfera,
o seu peso parece ter-se j√° deixado de sentir
sobre o discurso. Virados para dentro,
as imagens em que se reflectem s√£o
as de um mundo banhado pela pen√ļmbra.
Afogado na sua raz√£o de ser. Medi√ļnico.
Imagine-se agora o caçador a entrar
paisagem dentro para abater as peças
de que se comp√Ķe o cen√°rio uma a uma:
vista de dentro,

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Saber Falar √†s Multid√Ķes

Longos discursos, agitar de punhos, socos na mesa, e resolu√ß√Ķes expressas com emo√ß√£o mas desligadas das condi√ß√Ķes objectivas, n√£o produzem ac√ß√£o de massas e podem provocar grande dano √† organiza√ß√£o e √† luta que servimos.
(…) H√° uma fase na vida de todo o reformador social em que ele troveja nas tribunas, principalmente para se livrar de informa√ß√£o mal digerida que se lhe acumulou na cabe√ßa, uma tentativa para impressionar as multid√Ķes, em vez de iniciar uma exposi√ß√£o calma e simples de princ√≠pios e ideias, cuja verdade universal se evidencia pela experi√™ncia pessoal e estudo mais aprofundado.

E poder-se-ia num longo discurso mostrar como são melhores os frutos da pobreza que os da riqueza e como uma tem trazido honra às cidades, às províncias e aos partidos, enquanto a outra os tem arruinado, se este assunto já não tivesse sido tratado muitas vezes por outras pessoas.

Sobre a Reforma

Lan√ßar-me-ia num discurso demasiado longo se referisse aqui em particular todas as raz√Ķes naturais que levam os velhos a retirarem-se dos neg√≥cios do mundo: as mudan√ßas de humor, de condi√ß√Ķes f√≠sicas e o enfraquecimento org√Ęnico levam as pessoas e a maior parte dos animais, a afastarem-se pouco a pouco dos seus semelhantes. O orgulho, que √© insepar√°vel do amor-pt√≥prio, substitui-se-lhes √† raz√£o: j√° n√£o pode ser lisonjeado pela maior parle das coisas que lisonjeiam os outros, porque a experi√™ncia lhe fez conhecer o valor do que todos os homens desejam na juventude e a impossibilidade de o continuar a disfrutar; as diversas vias que parecem abertas aos jovens para alcan√ßar grandeza, prazeres, reputa√ß√£o e tudo o mais que eleva os homens, est√£o-lhes vedadas, quer pela fortuna ou pela sua conduta, quer pela inveja ou pela injusti√ßa dos outros; o caminho de reingresso nessas vias √© demasiado longo e demasiado √°rduo para quem j√° se perdeu nelas; as dificuldades parecem-lhes imposs√≠veis de ultrapassar e a idade j√° lhes n√£o permite tais pretens√Ķes. Tornam-se insens√≠veis √† amizade, n√£o s√≥ porque talvez nunca tenham encontrado nenhuma verdadeira, mas tamb√©m porque viram morrer grande n√ļmero de amigos que ainda n√£o tinham tido tempo nem ocasi√£o de desiludir a sua amizade e,

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O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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Aquilo em que se Tem Mais Vaidade é o Corpo

Aquilo em que se tem mais vaidade √© o corpo. Mesmo que aleijado, h√° sempre um pormenor que nos envaidece. Comp√ī-lo. Arranj√°-lo. O careca puxa o cabelo desde o cacha√ßo ou do olho do c√ļ para tapar a degrada√ß√£o. O marreco faz peito. O espelho √© para todos o grande dialogante. Passa-se a uma vitrina e olha-se de soslaio a ver como se vai. Uma mulher perfeita (e um homem) n√£o inveja o intelectual, o artista. O inverso √© que √©. Muitas mulheres (e homens) cultivam a excepcionalidade do seu esp√≠rito ou engenho por complexo ou vingan√ßa. Quando se n√£o tem j√° vaidade no corpo, est√°-se no fim. Mas mesmo num leito de morte nos queremos ¬ęcompostos¬Ľ. ¬ęN√£o me descomponhas¬Ľ ‚ÄĒ disse a marquesa de T√°vora ao carrasco, uns momentos antes de ser decapitada. Tomam-se provid√™ncias para como se h√°-de ir no caix√£o. A degrada√ß√£o do corpo √© a √ļltima coisa que se aceita. Hoje lavei o carro e vesti um cal√ß√£o para me n√£o molhar. Dei uma vista de olhos ao espelho. Grumos, tumefac√ß√Ķes pelas pernas. N√£o gostei. N√£o muito tempo. Lembrou-me um certo professor. Tinha a bossa da orat√≥ria. E ent√£o contava: escrevia um discurso e lia. Parecia-lhe p√©ssimo.

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Da Conversa

H√° quem, na conversa, prefira mostrar esp√≠rito brilhante, e ser capaz de sustentar todos os argumentos, a exercer o ju√≠zo no discernimento da verdade, como se houvesse maior m√©rito em saber o que pode ser dito, do que em conhecer o que deve ser pensado, alguns t√™m certos lugares comuns e certos temas em que se mostram bons conversadores, mas s√£o falhos na variedade; esta esp√©cie de indig√™ncia √© quase sempre aborrecida, e de vez em quando rid√≠cula; a parte mais honrosa do col√≥quio consiste em dar ocasi√£o a novo tema, e tamb√©m em moderar ou acelerar a transi√ß√£o para assunto diferente; √© bom variar, mesclando o assunto de que se est√° a conversar com argumentos, narrativas com discuss√Ķes, perguntas com respostas, jocosidades com seriedades; h√°, por√©m, assuntos que n√£o permitem brincadeira, nomeadamente a religi√£o, os neg√≥cios do Estado, as altas personalidades, todas as quest√Ķes de import√Ęncia para as pessoas presentes, enfim, todos os casos dignos de d√≥.
Aquele que muito interrogar muito aprenderá também, muito contentará também, especialmente se adaptar as suas perguntas aos conhecimentos daqueles que lhe podem responder, pois assim lhes dará ocasião de se comprazerem a falar, e ele próprio continuará a ganhar conhecimentos; se por vezes fingirdes ignorar o que consta que sabeis,

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