Cita√ß√Ķes sobre Eunucos

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O humor ilude-nos como uma faísca num campo escuro. A verve um tanto imoderada, uma corrupção do sentimento que se faz galhofa, um medo de ganhar nome de suspeita virilidade. Quem não troça é beato ou é eunuco.

Afra

Ressurges dos mist√©rios da lux√ļria,
Afra, tentada pelos verdes pomos,
Entre os silfos magnéticos e os gnomos
Maravilhosos da paix√£o purp√ļrea.

Carne explosiva em p√≥lvoras e f√ļria
De desejos pag√£os, por entre assomos
Da virgindade–casquinantes momos
Rindo da carne j√° votada a inc√ļria.

Votada cedo ao l√Ęnguido abandono,
Aos mórbidos delíquios como ao sono,
Do gozo haurindo os venenosos sucos.

Sonho-te a deusa das lascivas pompas,
A proclamar, imp√°vida, por trompas,
Amores mais estéreis que os eunucos!

Filosofia e Amor são completamente Antagónicos

Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos.
A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
São antes sodomitas, como Séneca e Bacon, ou onanistas, como Rousseau, Kierkegaard e Leopardi Рem todos os casos, antifemininos. A mulher é a vida e a filosofia uma espécie de morte; a dona é o primado do sentimento e a filosofia quer ser racionalismo puro; a mulher é capricho e novidade e a filosofia ordem e sistema.
No entanto, a filosofia n√£o se pode vangloriar de vencer, com a sua for√ßa, a tenta√ß√£o de Eros – √© verdade, ao inv√©s, que a frigidez e a impot√™ncia predisp√Ķem para a filosofia. Se virem um fil√≥sofo marido e pai feliz,

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Do Tempo ao Coração

E volto a murmurar¬†¬†¬† Do c√Ęntico de amor
gerado na Suméria      às novas europutas
Do muito que me d√°s ao muito que n√£o dou
mas que sempre conservo entre as coisas mais puras

De uma genebra a mais num bar de Amsterd√£o
a não perder o pé numa praia da Grécia
De tantas       tantas mãos          que nos passam pelas mãos
a t√£o poucas que s√£o as que nunca se esquecem

De ter visto o come√ßo e o fim da Via √Āpia
De ter atravessado o muro de Berlim
De outros muros que n√£o aparecem no mapa
De outros muros que só aparecem aqui

ao barro deste céu que te modela os ombros
ao sopro deste céu que te solta o cabelo
ao riso deste céu que vem ao nosso encontro
quando sabe que nós não precisamos dele

Da pertinaz presença          E da longevidade
do corvo         do chacal            do louco          do eunuco
ao rouxinol que morre em plena madrugada
à rosa que adormece em caules de um minuto

Do que foi noutro tempo a sa√ļde no campo
à lepra que nos rói a paisagem bucólica
Do tempo          ao coração minado pelo cancro
Dos rins             ao infinito incubado na cólera

Do tempo ao coração            mas com pausa na pele
como ¬ęRoma by night¬Ľ entre dois avi√Ķes
como passar o Ver√£o numa vogal aberta
como dizer que não         que já não somos dois

Dos rins ao infinito       A este       que não outro
Ao que rola dos rins    Ao que vai rebentar-te
na c√Ęmara blindada e nocturna do √ļtero
E nos transfere o fim para um pouco mais tarde

Da curva de entretanto       à entrada do poço
De soletrar em mim       a ler       nas tuas mãos
como é rápido       e lento      e recto       e sinuoso
o percurso que vai do tempo ao coração.

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Os Castrados

H√° muitos tipos de castrados.
H√° os da casta de cantores
que se afinam na voz mais fina
aleij√Ķes de seus dissabores.

H√° os de vida feminina
de tarefas vis sem pudores
aios de haréns de concubinas
os assexuados sem rumores.

São todos eunucos forçados
vítimas do mando de autores:
os sult√Ķes de sanha assassina
que gozam no estertor das dores.

Castrados morais têm escrotos,
mas gozam com sexo dos outros.

Ante a Paisagem

Eu fujo da Paisagem. Tenho medo.
Os pinheirais s√£o em marfim bordados.
Sou paisagem-cetim num olhar quedo,
Oiro louco sonhando cortinados.

Fujo de mim porque j√° sou Paisagem.
Procura-me Sat√£ no meu chorar…
Seus passos, o ruído da folhagem.
Cimos de lírios velhos de luar.

As tuas m√£os fechadas e desertas,
Janelas pra o jardim, jamais abertas,
Fiam de m√°rmore um correr de rios…

E os teus olhos cansados de saudades.
Eunucos possuindo divindades…
Hora-luar a de teus olhos frios…

A Janela E O Sol

“Deixa-me entrar, – dizia o sol – suspende
A cortina, soabre-te! Preciso
O íris trêmulo ver que o sonho acende
Em seu sereno virginal sorriso.

Dá-me uma fresta só do paraíso
Vedado, se o ser nele inteiro ofende…
E eu, como o eunuco, est√ļpido, indeciso,
Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende.”

E, fechando mais, zelosa e firme,
Respondia a janela: “Tem-te, ousado!
Não te deixo passar! Eu, néscia, abri-me!

E esta que dorme, sol, que n√£o diria
Ao ver-te o olhar por tr√°s do cortinado,
E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?!”