A vida obriga-nos incessantemente a chorar, quer por antecipação, quer por recordação.
Passagens de François-René de Chateaubriand
71 resultadosDa Natureza do Mistério
As coisas misteriosas são o que há de mais belo, grandioso, e doce na existência. Os mais maravilhosos sentimentos são os que nos agitam com certa confusão: pudor, amor casto, amizade virtuosa, rescendem misterioso perfume. Dirieis que os corações amantes com meias palavras se compreendem e se franqueiam. A inocência, santa ignorância, não é per si o mais inefável dos mistérios? Exulta a infância porque tudo ignora; amisera-se a velhice porque tudo sabe: felizmente para ela, principiam os mistérios da morte onde fenecem os da vida. Dá-se nos afectos o que se dá nas virtudes: as mais angélicas são as que, derivadas imediatamente de Deus, à maneira da caridade, folgam de esconder-se à vista, como a origem delas.
Estamos convencidos de que os grandes escritores colocaram a sua própria história nas suas obras. Pinta-se bem apenas o próprio coração, atribuindo-o a um outro.
A alma da mocidade, arrancando voo, liba em todas as flores, experimenta todas as sensações, saboreia de todas as taças, quer doces quer amargas, e, só à custa de experimentar, saberá o que é a vida.
Reconciliamo-nos com um inimigo que nos é inferior pelas qualidades de coração ou de espírito, não perdoamos nunca àquele que nos sobrepuja no ânimo e no génio.
O homem que compreendesse Deus seria outro Deus.
A memória é muitas vezes a qualidade da estupidez; ela caracteriza geralmente os espíritos pesados, os quais torna ainda mais pesados, mercê da bagagem com que os sobrecarrega.
O homem não é grande pelo que empreende, mas pelo que executa.
Toda a instituição passa por três estágios – utilidade, privilégio, e abuso.
Os cães, como os homens, são muitas vezes punidos pela sua fidelidade.
A amizade? Desaparece quando o que é amado cai na desgraça ou quando o que ama se torna poderoso.