Passagens sobre Estupidez

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Frases sobre estupidez, poemas sobre estupidez e outras passagens sobre estupidez para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Em Busca Da Beleza III

Só que puder obter a estupidez
Ou a loucura pode ser feliz.
Buscar, querer, amar… tudo isto diz
Perder, chorar, sofrer, vez após vez.

A estupidez achou sempre o que quis
Do círculo banal da sua avidez;
Nunca aos loucos o engano se desfez
Com quem um falso mundo seu condiz.

Há dois males: verdade e aspiração,
E há uma forma só de os saber males:
√Č conhec√™-los bem, saber que s√£o

Um o horror real, o outro o vazio –
Horror n√£o menos – dois como que vales
Duma montanha que ninguém subiu.

O efeito mais determinado, e quase a soma dos efeitos que produz num homem de raro e elevado esp√≠rito o conhecimento e a experi√™ncia dos homens, √© o acto de torn√°-lo muito indulgente em rela√ß√£o a qualquer fraqueza maior e excessiva, qualquer pequenez, tolice, ignor√Ęncia, estupidez, maldade, v√≠cio e defeito alheio, natural ou adquirido…

A loucura é uma força da natureza para o bem ou para o mal, ao passo que a estupidez é uma debilidade da natureza sem contrapartidas.

Como é Difícil Ser Natural

√Č curioso como √© dif√≠cil ser natural. Como a gente est√° sempre pronta a vestir a casaca das ideias, sem a humildade de se mostrar em camisa, na intimidade simples e humana da estupidez ou mesmo da indiferen√ßa. Fiz agora um grande esfor√ßo para dizer coisas brilhantes da guerra futura, da harmonia dos povos, da pr√≥xima crise. E, afinal de contas, era em camisa que eu devia continuar quando a visita chegou. No fundo, n√£o disse nada de novo, n√£o fiquei mais do que sou, n√£o mudei o curso da vida. Fui apenas rid√≠culo. Se n√£o aos olhos do interlocutor, que disse no fim que gostou muito de me ouvir, pelo menos aos meus, o que ainda √© mais penoso e mais tr√°gico.

A Destruição de Tudo

√Č a palavra de ordem para o homem de hoje. Destruir. Tudo. Os deuses, as artes, diferen√ßas culturais, ou a s√≥ cultura, diferen√ßas sexuais, diferen√ßas liter√°rias ou a s√≥ literatura que leva hoje tudo, valores de qualquer esp√©cie, filosofias, o simples pensamento, a simples palavra – tudo alegremente ao caixote. Entretanto, ou por isso, prolifera√ß√£o das gentes com a forma que lhes pertence, devasta√ß√£o da sida, que foi o que de melhor a natureza arranjou para equilibrar a demografia, droga dura para se avan√ßar na vida mais depressa, criminalidade para esse avan√ßo, juventude de esgotos nocturnos, velhos em excesso e que n√£o h√° maneira de se despacharem e atulham os chamados lares de idosos ou simplesmente os dep√≥sitos em que s√£o largados at√© mudarem de cemit√©rio, politiqueiros que t√™m a verdade do erro que se segue e o mais e o mais. √Č tempo de cair um pedregulho como o que acabou com os dinossauros h√° sessenta milh√Ķes de anos e de poder dar-se a hip√≥tese de a vida recome√ßar. At√© que venha outra vez a destrui√ß√£o e Deus definitivamente se farte do brinquedo. Entretanto v√™ se v√™s ainda alguma flor ao natural e demora-te um pouco a admirar-lhe a beleza e estupidez.

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Mostrar espírito e entendimento é uma maneira indirecta de repreender nos outros a sua incapacidade e estupidez. Ademais, o indivíduo comum revolta-se ao avistar o seu oposto, sendo a inveja o seu instigador secreto.

Nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circula√ß√£o se n√£o agregando a si qualquer elemento de estupidez. O pensamento colectivo √© est√ļpido porque √© colectivo: nada passa as barreiras do colectivo sem deixar nelas, como real de √°gua, a maior parte da intelig√™ncia que traga consigo.

Vive o Instante que Passa

Vive o instante que passa. Vive-o intensamente at√© √† √ļltima gota de sangue. √Č um instante banal, nada h√° nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele √© o √ļnico por ser irrepet√≠vel e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele ser√° o mesmo nem tu que o est√°s vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele n√£o seja pois em v√£o no dar-se-te todo a ti. Olha o sol dif√≠cil entre as nuvens, respira √† profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes long√≠nquas de crian√ßas, o ru√≠do de um motor que passa na estrada, o sil√™ncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, s√™ vivo a√≠, pensa-te vivo a√≠, sente-te a√≠. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que √©s. Assim o dom est√ļpido e miraculoso da vida n√£o ser√° a estupidez maior de o n√£o teres cumprido integralmente, de o teres desperdi√ßado numa vida que ter√° fim.

A Escola Portuguesa

Eis as crianças vermelhas
Na sua hedionda pris√£o:
Doirado enxame de abelhas!
O mestre-escola é o zangão.

Em duros bancos de pinho
Senta-se a turba sonora
Dos corpos feitos de arminho,
Das almas feitas d’aurora.

Soletram versos e prosas
Horríveis; contudo, ao lê-las
Daquelas bocas de rosas
Saem murm√ļrios de estrela.

Contemplam de quando em quando,
E com inveja, Senhor!
As andorinhas passando
Do azul no livre esplendor.

Oh, que existência doirada
Lá cima, no azul, na glória,
Sem cartilhas, sem tabuada,
Sem mestre e sem palmatória!

E como os dias s√£o longos
Nestas pris√Ķes sepulcrais!
Abrem a boca os ditongos,
E as cifras tristes d√£o ais!

Desgraçadas toutinegras,
Que insuportáveis martírios!
Jo√£o F√©lix co’as unhas negras,
Mostrando as vogais aos lírios!

Como querem que despontem
Os frutos na escola alde√£,
Se o nome do mestre √© ‚ÄĒ Ontem
E o do disc√≠p’lo ‚ÄĒ Amanh√£!

Como é que há-de na campina
Surgir o trigal maduro,
Se é o Passado quem ensina
O b a ba ao Futuro!

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Pensais honestamente, e por isso odiais o mundo todo. Detestais os crentes porque a f√© √© um indicador de estupidez e de ignor√Ęncia; e detestais os descrentes porque n√£o t√™m f√© nem ideal. Odiais os velhos pelas suas mentalidades ultrapassadas, e os novos pelo seu liberalismo.

A Beleza ou a Excitação Aparecem no Mundo por Omissão

O que faz quando l√™? Vou dar-lhe j√° a resposta: a sua leitura deixa de lado aquilo que n√£o lhe conv√©m. O mesmo fez j√° o autor antes. Omitem-se tamb√©m coisas nos sonhos e na imagina√ß√£o. Daqui concluo: a beleza ou a excita√ß√£o aparecem no mundo por omiss√£o. Parece evidente que o modo como nos situamos na realidade corresponde a um compromisso, um estado interm√©dio em que os sentimentos se impedem mutuamente de chegar a paix√Ķes e se misturam em tons de cinzento. As crian√ßas que desconhecem este modo de estar no mundo s√£o, por isso, mais e menos felizes do que os adultos. E acrescento j√°: tamb√©m as pessoas est√ļpidas omitem; como se sabe, a estupidez faz-nos felizes.

A Vida

√ď grandes olhos outomnaes! mysticas luzes!
Mais tristes do que o amor, solemnes como as cruzes!
√ď olhos pretos! olhos pretos! olhos cor
Da capa d’Hamlet, das gangrenas do Senhor!
√ď olhos negros como noites, como po√ßos!
√ď fontes de luar, n’um corpo todo ossos!
√ď puros como o c√©u! √≥ tristes como levas
De degredados!

√ď Quarta-feira de Trevas!

Vossa luz é maior, que a de trez luas-cheias:
Sois vós que allumiaes os prezos, nas cadeias,
√ď velas do perd√£o! candeias da desgra√ßa!
√ď grandes olhos outomnaes, cheios de Gra√ßa!
Olhos accezos como altares de novena!
Olhos de genio, aonde o Bardo molha a penna!
√ď carv√Ķes que accendeis o lume das velhinhas,
Lume dos que no mar andam botando as linhas…
√ď pharolim da barra a guiar os navegantes!
√ď pyrilampos a allumiar os caminhantes,
Mais os que v√£o na diligencia pela serra!
√ď Extrema-Unc√ß√£o final dos que se v√£o da Terra!
√ď janellas de treva, abertas no teu rosto!
Thuribulos de luar! Luas-cheias d’Agosto!
Luas d’Estio! Luas negras de velludo!
√ď luas negras,

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Dizem que a vida se ganha assim, a fazer coisas pelas quais somos pagos mesmo quando isso implica abandonar uma cama com a mulher da nossa vida dentro, que estupidez.

O Amor √© um Acidente, uma Ren√ļncia, um H√°bito, uma Maldi√ß√£o

O amor é um acidente.
Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.
O amor √© uma ren√ļncia. Amar algu√©m √© desistir de amar outros, √© desistir por esse amor do amor de outros. Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convic√ß√Ķes mais profundas. N√£o me queixo!
N√£o sou ing√©nua nem est√ļpida. Quando digo que o amor √© uma ren√ļncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele. Um homem feio, com poder, √© quase bonito. Um homem bonito,

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