A sabedoria nos chega quando já não serve para nada.
Passagens de Gabriel García Márquez
189 resultadosDescobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza.
Pôs o cestinho no lugar e amarrou-o na perna de uma mesa, convencido de que o acontecimento esperado era iminente. Foi esta a ocasião em que Aureliano ouviu-o dizer:
Na hora, pensei que um dos encantos da velhice são as provocações que as amigas jovens se permitem, achando que a gente está fora do jogo.
Aproveite agora que você é jovem para sofrer o mais que puder ? lhe dizia ? que estas coisas não duram toda a vida.
A censura não presta para nada, já se sabe. Mas o bom escritor deve convencer até os censores.
A sabedoria nos chega quando já é tarde demais.
Assim como os eventos reais são esquecidos, alguns que nunca existiram podem estar nas nossas memórias como se tivessem acontecido.
Aureliano o reconheceu, perseguiu os caminhos ocultos da sua descendência e encontrou o instante da sua própria concepção entre os escorpiões e as borboletas amarelas de um banheiro crepuscular, onde um operário saciava a sua luxúria com uma mulher que se entregava a ele por rebeldia.
Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra.
Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados…
Não é verdade que as pessoas param de perseguir os sonhos porque estão a ficar velhas, elas estão a ficar velhas porque pararam de perseguir os sonhos.
Distraidamente, a mulher olhou para José Arcadio e examinou com uma espécie de fervor patético o seu magnífico animal em repouso.
Para escrever, temos de estar convencidos de que somos melhores do que Cervantes; caso contrário, acabamos por ser piores do que na realidade somos.
Nas tardes de chuva, bordando com um grupo de amigas na varanda das begônias, perdia o fio da conversa e uma lágrima de saudade lhe salgava o céu da boca quando via as faixas de terra úmida e os montículos de barro construídos pelas minhocas no jardim.
Uma noite voltou do passeio diário aturdida pela revelação de que não só se podia ser feliz sem amor como também contra o amor.
Aquele que não tem memória arranja uma de papel.
Respondiam-lhe que durante muitos anos tinham ficado sem padre, arranjando os negócios da alma diretamente com Deus, e haviam perdido a malícia do pecado mortal.
Tudo é questão de despertar sua alma.
Entretanto, por mais que se matassem de trabalho, por mais dinheiro que surrupiassem e por mais truques que imaginassem, os seus anjos da guarda dormiam de cansaço enquanto eles punham e tiravam moedas tentando apenas que desse para viver.