Cita√ß√Ķes sobre Rebeldia

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Civilização Racional

O nosso conhecimento do valor hist√≥rico de certas doutrinas religiosas aumenta o nosso respeito por elas, mas n√£o invalida a nossa posi√ß√£o, segundo a qual devem deixar de ser apresentadas como os motivos para os preceitos da civiliza√ß√£o. Pelo contr√°rio! Esses res√≠duos hist√≥ricos auxiliaram-nos a encarar os ensinamentos religiosos como rel√≠quias neur√≥ticas, por assim dizer, e agora podemos arguir que provavelmente chegou a hora, tal como acontece num tratamento anal√≠tico, de substituir os efeitos da repress√£o pelos resultados da opera√ß√£o racional do intelecto. Podemos prever, mas dificilmente lamentar, que tal processo de remodela√ß√£o n√£o se deter√° na ren√ļncia √† transfigura√ß√£o solene dos preceitos culturais, mas que a sua revis√£o geral resultar√° em que muitos deles sejam eliminados. Desse modo, a nossa tarefa de reconciliar os homens com a civiliza√ß√£o estar√°, at√© um grande ponto, realizada. N√£o precisamos de deplorar a ren√ļncia √† verdade hist√≥rica quando apresentamos fundamentos racionais para os preceitos da civiliza√ß√£o. As verdades contidas nas doutrinas religiosas s√£o, afinal de contas, t√£o deformadas e sistematicamente disfar√ßadas, que a massa da humanidade n√£o pode identific√°-las como verdade. O caso √© semelhante ao que acontece quando dizemos a uma crian√ßa que os rec√©m-nascidos s√£o trazidos pela cegonha. Aqui, tamb√©m estamos a contar a verdade sob uma roupagem simb√≥lica,

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O pensamento, porém, poderoso como é, nada pode contra a rebeldia da emoção. Não podemos não sentir, como podemos não andar.

Não te Arruínes, Alma, Enriquece

Centro da minha terra pecadora,
alma gasta da própria rebeldia,
porque tremes l√° dentro se por fora
vais caiando as paredes de alegria?

Para quê tanto luxo na morada
arruinada, arrendada a curto prazo?
Herdam de ti os vermes? Na jornada
do corpo te consomes ao acaso?

Não te arruínes, alma, enriquece:
vende as horas de escória e desperdício
e compra a eternidade que mereces,

sem piedade do servo ao teu serviço.
Devora a Morte e o que de nós terá,
que morta a Morte nada morrer√°.

Tradução de Carlos de Oliveira

Sendo que a vida humana é dominação organizada, e o princípio da realidade é adaptação a essa mesma dominação Рhá a rebeldia como actividade nobre.

Ode ao Gato

Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois n√≥s temos f√īlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.

A rebeldia aos olhos de qualquer pessoa que tenha estudado um pouco de História, é a virtude original do ser humano.

A lealdade é representar; você foi educado para isso. O amor é rebelde; toda a sua beleza reside na sua rebeldia.

Do Sentimento Tr√°gico da Vida

N√£o h√° revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.

Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede n√£o lhe alivia.

Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos h√°-de matar.

Rebeldia √© o que p√Ķe
na nossa m√£o um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.

E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e n√£o se pode contar.

H√° gente, em todo o lado, em todos os lados que est√£o ao teu lado, a precisar da tua rebeldia. A precisar do teu grito, da tua for√ßa, da tua coragem, da tua inspira√ß√£o. Troca o medo pelo cedo. Cedo. √Č cedo que tens de agir, √© cedo que tens de estar, de fazer, de guinchar se for preciso.

Alucinação

√ď solid√£o do Mar, √≥ amargor das vagas,
Ondas em convuls√Ķes, ondas em rebeldia,
Desespero do Mar, furiosa ventania,
Boca em fel dos trit√Ķes engasgada de pragas.

Velhas chagas do sol, ensang√ľentadas chagas
De ocasos purpurais de atroz melancolia,
Luas tristes, fatais, da atra mudez sombria
Da tr√°gica ru√≠na em vastid√Ķes pressagas.

Para onde tudo vai, para onde tudo voa,
Sumido, confundido, esboroado, à-toa,
No caos tremendo e nu dos tempo a rolar?

Que Nirvana genial h√° de engolir tudo isto –
РMundos de Inferno e Céu, de Judas e de cristo,
Luas, chagas do sol e turbilh√Ķes do Mar?!

XLVII

Que inflexível se mostra, que constante
Se vê este penhasco! já ferido
Do proceloso vento, e j√° batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!

N√£o vi; nem hei de ver mais semelhante
Retrato dessa ingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer, que enternecido
Seu peito atenda às queixas de um amante.

Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
H√° de ceder aos golpes algum dia:

Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.

Lidar com Jovens

Os jovens legalmente maiores t√™m tend√™ncia para a rebeldia e a libertinagem. Se os censuras num tom grave e sentencioso, mais n√£o far√°s do que agravar as suas inclina√ß√Ķes. De modo que, em geral, mais vale armar-se de paci√™ncia e esperar que se emendem sozinhos ou que se fartem dos seus erros. Mas, se souberes servir-te da tua autoridade t√£o habilmente que os devolvas ao bom caminho, evita passar bruscamente do rigor √† indulg√™ncia. Com os temperamentos pl√°cidos, mostra-te directo e, se for preciso, bate com o punho namesa, pois isso impressiona-os. Pelo contr√°rio, com √≠ndoles ardentes, mostra-te meigo e delicado.

Aureliano o reconheceu, perseguiu os caminhos ocultos da sua descend√™ncia e encontrou o instante da sua pr√≥pria concep√ß√£o entre os escorpi√Ķes e as borboletas amarelas de um banheiro crepuscular, onde um oper√°rio saciava a sua lux√ļria com uma mulher que se entregava a ele por rebeldia.