Cita√ß√Ķes sobre Imortais

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Frases sobre imortais, poemas sobre imortais e outras cita√ß√Ķes sobre imortais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Vida Grata

Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tribut√°ria
Transpor seu √°trio por que a Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prémio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor
Aos mais antigos Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno ‚ÄĒ
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expia√ß√£o ‚ÄĒ at√© que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem ‚ÄĒ
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a vi√ļva lhe p√Ķe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
N√£o deita terra o viandante.

LIX

Lembrado estou, ó penhas, que algum dia,
Na muda solid√£o deste arvoredo,
Comuniquei convosco o meu segredo,
E apenas brando o zéfiro me ouvia.

Com l√°grimas meu peito enternecia
A dureza fatal deste rochedo,
E sobre ele uma tarde triste, e quêdo
A causa de meu mal eu escrevia.

Agora torno a ver, se a pedra dura
Conserva ainda intacta essa memória,
Que debuxou ent√£o minha escultura.

Que vejo! esta é a cifra: triste glória!
Para ser mais cruel a desventura,
Se fará imortal a minha história.

LXXV

Clara fonte, teu passo lisonjeiro
P√°ra, e ouve-me agora um breve instante;
Que em paga da piedade o peito amante
Te ser√° no teu curso companheiro.

Eu o primeiro fui, fui o primeiro,
Que nos braços da ninfa mais constante
Pude ver da fortuna a face errante
Jazer por glória de um triunfo inteiro.

Dura mão, inflexível crueldade
Divide o laço, com que a glória, a dita
Atara o gosto ao carro da vaidade:

E para sempre a dor ter n’alma escrita,
De um breve bem nasce imortal saudade,
De um caduco prazer m√°goa infinita.

O Deus P√£ n√£o Morreu

O Deus P√£ n√£o morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres ‚ÄĒ
Cedo ou tarde vereis
Por l√° aparecer
O deus P√£, o imortal.

N√£o matou outros deuses
O triste deus crist√£o.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
P√£ continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses s√£o os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.

As almas de todos os homens s√£o imortais, mas as almas dos homens justos s√£o imortais e divinas.

L√°grimas de Honesta Piedade e Imortal Contentamento

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas a alva neve.

A vista, que em si mesma n√£o se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor, que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoidece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, em um momento,
De l√°grimas de honesta piedade
L√°grimas de imortal contentamento.

Flores Velhas

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um v√īo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.

Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibra√ß√Ķes, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.

Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados…

Eu, por n√£o ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decep√ß√Ķes e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

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Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Vinho Negro

O vinho negro do imortal pecado
Envenenou nossas humanas veias
Como fascina√ß√Ķes de atras sereias
E um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado
Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias.
como que quer rasgar essas cadeias
Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama o vinho negro e quente
Do pecado letal, impenitente,
O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura,
Ganha outra graça, forma e formosura,
Grave beleza d’esplendor secreto.

A Vaidade Acompanha-nos Até na Morte

Sendo o termo da vida limitado, n√£o tem limite a nossa vaidade; porque dura mais, do que n√≥s mesmos, e se introduz nos aparatos √ļltimos da morte. Que maior prova, do que a f√°brica de um elevado mausol√©u? No sil√™ncio de uma urna depositam os homens as suas mem√≥rias, para com a f√© dos m√°rmores fazerem seus nomes imortais: querem que a sumptuosidade do t√ļmulo sirva de inspirar venera√ß√£o, como se fossem rel√≠quias as suas cinzas, e que corra por conta dos jaspes a continua√ß√£o do respeito. Que fr√≠volo cuidado! Esse triste resto daquilo, que foi homem, j√° parece um √≠dolo colocado em um breve, mas soberbo domic√≠lio, que a vaidade edificou para habita√ß√£o de uma cinza fria, e desta declara a inscri√ß√£o o nome, e a grandeza. A vaidade at√© se estende a enriquecer de adornos o mesmo pobre horror da sepultura.

Vivemos com vaidade, e com vaidade morremos; arrancando os √ļltimos suspiros, estamos dispondo a nossa pompa f√ļnebre, como se em hora t√£o fatal o morrer n√£o bastasse para ocupa√ß√£o; nessa hora, em que estamos para deixar o mundo, ou em que o mundo est√° para nos deixar, entramos a compor, e a ordenar o nosso acompanhamento,

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M√£os

V

√ď M√£os eb√ļrneas, M√£os de claros veios,
Esquisitas tulipas delicadas,
L√Ęnguidas M√£os sutis e abandonadas,
Finas e brancas, no esplendor dos seios.

Mãos etéricas, diáfanas, de enleios,
De efl√ļvios e de gra√ßas perfumadas,
Relíquias imortais de eras sagradas
De amigos templos de relíquias cheios.
M√£os onde vagam todos os segredos,
Onde dos ci√ļmes tenebrosos, tredos,
Circula o sangue apaixonado e forte.

Mãos que eu amei, no féretro medonho
Frias, j√° murchas, na fluidez do Sonho,
Nos mistérios simbólicos da Morte!

Incensos

Dentre o chorar dos trêmulos violinos,
Por entre os sons dos órgãos soluçantes
Sobem nas catedrais os neblinantes
Incensos vagos, que recordam hinos…

Rolos d’incensos alvadios, finos
E transparentes, fulgidos, radiantes,
Que elevam-se aos espaços, ondulantes,
Em Quimeras e Sonhos diamantinos.

Relembrando turíbulos de prata
Incensos arom√°ticos desata
Teu corpo eb√ļrneo, de sedosos flancos.

Claros incensos imortais que exalam,
Que l√Ęnguidas e l√≠mpidas trescalam
As luas virgens dos teus seios brancos.

Eu não quero alcançar a imortalidade por meio da minha obra. Eu quero me tornar imortal não morrendo.

Desafogo

Onde estás, oh Filósofo indefesso
Pio sequaz da rígida Virtude,
T√£o terna a alheios, quanto a si severa?
Com que m√°goa, com que ira olharas hoje
Desprezada dos homens, e esquecida
Aquela √Ęnsia, que em n√≥s pousou Natura
No √Ęmago do peito, ‚ÄĒ de acudir-nos
Co’as for√ßas, c’o talento, co’as riquezas
À pena, ao desamparo do homem justo!
Que (baldão da fortuna iníqua) os Deuses
Puseram para símbolo do esforço,
Lutando a bra√ßos c’o √°spero infort√ļnio?
Pedra de toque em que luzisse o ouro
De sua alma viril, onde encravassem
Seus farp√Ķes mais agudos as Desgra√ßas,
E os peitos de virtude generosa
Desferissem poderes de árduo auxílio?
Que nunca os homens s√£o mais sobre-humanos
Mais comparados c’os sublimes Numes,
Que quando acodem com socorro activo,
Não manchado de sórdido interesse,
Nem do fumo de frívola ufania;
Ou cheios de valor e de const√Ęncia
Arrostam co’a medonha catadura
Da Desgraça, que apura iradas mágoas
Na casa nua do var√£o honesto.
Mas Grécia e Roma há muito que acabaram;
E as cinzas dos Heróis fortes e humanos,

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Apenas há princípios imortais, visto que, no dia em que um princípio morre, apercebemo-nos de que se tratava simplesmente dum paradoxo.

O Segredo de Salvar-me Pelo Amor

Quem há aí que possa o cálix
De meus l√°bios apartar?
Quem, nesta vida de penas,
Poder√° mudar as cenas
Que ningu√©m p√īde mudar ?

Quem possui na alma o segredo
De salvar-me pelo amor?
Quem me dar√° gota de √°gua
Nesta angustiosa fr√°gua
De um deserto abrasador?

Se alguém existe na terra
Que tanto possa, és tu só!
Tu só, mulher, que eu adoro,
Quando a Deus piedade imploro,
E a ti peço amor e dó.

Se soubesses que tristeza
Enluta meu coração,
Terias nobre vaidade
Em me dar felicidade,
Que eu busquei no mundo em v√£o.

Busquei-a em tudo na terra,
Tudo na terra mentiu!
Essa estrela carinhosa
Que luz √† inf√Ęncia ditosa
Para mim nunca luziu.

Infeliz desde criança
Nem me foi risonha a fé;
Quando a terra nos maltrata,
Caprichosa, acerba e ingrata,
Céu e esperança nada é.

Pois a ventura busquei-a
No vivo anseio do amor,
Era ardente a minha alma;
Conquistei mais de uma palma
À custa de muita dor.

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Mensagem a Alunos e Professores

A arte mais importante do professor é a de despertar a alegria pelo trabalho e pelo conhecimento.
¬ęQueridos estudantes!
Regozijo-me por vos ver hoje diante de mim, alegre juventude de um país abençoado.
Lembrai-vos de que as coisas maravilhosas que ireis aprender nas vossas escolas s√£o a obra de muitas gera√ß√Ķes, levada a cabo por todos os pa√≠ses do mundo, √† custa de muito entusiasmo, muito esfor√ßo e muita dor. Tudo √© depositado nas vossas m√£os, como uma heran√ßa, para que a aceitem, honrem, desenvolvam e a transmitam fielmente um dia aos vossos filhos. Assim n√≥s, embora mortais, somos imortais nas obras duradouras que criamos em comum.
Se tiverem esta ideia sempre em mente, encontrar√£o algum sentido na vida e no trabalho e poder√£o formar uma opini√£o justa em rela√ß√£o aos outros povos e aos outros tempos.¬Ľ