Cita√ß√Ķes sobre Merc√ļrio

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Frases sobre merc√ļrio, poemas sobre merc√ļrio e outras cita√ß√Ķes sobre merc√ļrio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O cora√ß√£o do homem √© como o merc√ļrio, tanto est√° aqui agora, como logo a seguir est√° noutro lugar, hoje assim, amanh√£ a pensar de outra forma.

Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

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O Sentido do Espírito

Para conhecer bem os factos e enxerg√°-los no seu verdadeiro lugar, deve-se estar no cume – n√£o os considerar de baixo pelo buraco da fechadura da moralidade ou de alguma outra sabedoria.
(…) O ponto de vista geral da hist√≥ria filos√≥fica n√£o √© abstractamente geral, mas concreto e eminentemente actual, porque √© o Esp√≠rito que permanece eternamente junto de si mesmo e ignora o passado. √Ä semelhan√ßa de Merc√ļrio, o condutor das almas, a Ideia √© na verdade o que conduz os povos e o mundo, e √© o Esp√≠rito, a sua vontade razo√°vel e necess√°ria, que orientou e continua a orientar os acontecimentos do mundo.

A Lusit√Ęnia

A terra mais ocidental de todas √© a Lusit√Ęnia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? N√£o; sen√£o porque ali v√£o morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento. Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz: sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas, sobem por sua ordem ao Z√©nite, d√£o volta ao globo do mundo resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusit√Ęnia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes.
E se isto sucede aos lumes celestes e imortais; que nos lastimamos, Senhores, de ler os mesmos exemplos nas nossas Histórias? Que foi um Afonso de Albuquerque no Oriente? Que foi um Duarte Pacheco? Que foi um D. João de Castro? Que foi um Nuno da Cunha, e tantos outros Heróis famosos, senão uns Astros e Planetas lucidíssimos, que assim como alumiaram com estupendo resplendor aquele glorioso século, assim escurecerão todos os passados?

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A Bicicleta pela Lua Dentro – M√£e, M√£e

A bicicleta pela lua dentro – m√£e, m√£e –
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer sen√£o sonhar
ao contr√°rio quando novembro empunha –
m√£e, m√£e – as tellhas dos seus frutos?
As nuvens, avi√Ķes, merc√ļrio.
Novembro Рmãe Рcom as suas praças
descascadas.

A neve sobre os frutos – filho, filho.
Janeiro com outono sonha ent√£o.
Canta nesse espanto Рmeu filho Рos satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Avi√Ķes passam no teu nome –
minha m√£e, minha m√°quina –
merc√ļrio (ouvi dizer) est√° cheio de neve.

Avança, memória, com a tua bicicleta.
Sonhando, as √°rvores crescem ao contr√°rio.
Apresento-te novembro: avi√£o
limpo como um alfabeto. E as praças
d√£o a sua neve descascada.
M√£e, m√£e ‚ÄĒ como janeiro resplende
nos sat√©lites. Filho ‚ÄĒ √© a tua mem√≥ria.

E as letras est√£o em ti, abertas
pela neve dentro. Como √°rvores, avi√Ķes
sonham ao contr√°rio.

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Usos Deste Mundo

Nas praças uns perguntam novidades;
Outros dão volta às ruas, ao namoro;
Este usuras cobrar, esse as demandas
Lembrar corre ao Juiz que se diverte.
Ir de Jano aprender a ser bifronte,
De Merc√ļrio, no trato, a ser bilingue,
Franco no prometer, no dar escasso.
C’os olhos fitos no √°vido interesse
Ser consigo leal, com todos falso
√Č ser homem capaz, home’ entendido.
Assim, que vemos nós por este esconso
Mundo? Vemos logr√Ķes, vemos logrados;
Ningu√©m v√™s ir com c√Ęndido desejo
Aos Sénecas, aos Sócrates de agora
Perguntar as li√ß√Ķes t√£o necess√°rias
De ser honrado, ser com todos justo.
Tão sobejos se crêem de honra e virtude,
Que cuida cada um poder de sobra
Mostrar na Ocasi√£o virtude a rodo,
E chega a Ocasi√£o, falha a virtude.

As Amadas Passam como o Vento

Um dia percebemos que as amadas se evaporam
no ar como se nunca tivessem existido.
Sombras de p√°ssaros na √°gua

elas emigram para lugares distantes
ou talvez para alguma estrela
dessas que flamejam nos trapézios do céu.

As amadas passam como o vento
s√£o inconstantes como as brisas que derrubam
as folhas mortas de um pomar.

Semelhantes a esses gatos de pel√ļcia
que nos arranham com seus bigodes de merc√ļrio
e v√£o-se lambuzar no pires de leite.

As amadas, quando v√£o embora,
deixam apenas a memória do perfume
como um punhal cravado em nosso peito.

[Argila Erótica: 8]

Todas as Ideologias Profissionais S√£o Nobres

Todas as ideologias profissionais s√£o nobres: os ca√ßadores, por exemplo, nunca sonhariam em se denominar carniceiros da floresta, afirmando, pelo contr√°rio, a sua condi√ß√£o de leg√≠timos amigos dos animais e da natureza; do mesmo modo, os comerciantes defendem o princ√≠pio do lucro honesto e os ladr√Ķes, por sua vez, adoptaram como seu o deus dos comerciantes, o distinto promotor das rela√ß√Ķes internacionais, Merc√ļrio. N√£o adianta muito, por isso, acreditar na imagem que uma determinada actividade assume na consci√™ncia daqueles que a exercem.