Cita√ß√Ķes sobre Nost√°lgicos

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Frases sobre nost√°lgicos, poemas sobre nost√°lgicos e outras cita√ß√Ķes sobre nost√°lgicos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Poetas

Nunca os vistes
Sentados nos cafés que há na cidade,
Um livro aberto sobre a mesa e tristes,
Incógnitos, sem oiro e sem idade?

Com magros dedos, coroando a fronte,
Sugerem o nost√°lgico sentido
De quem rasgasse um pouco de horizonte
Proibido…

Fingem de reis da Terra e do Oceano
(E filhos são legítimos do vício!)
Tudo o que neles nos pareça humano
√Č fogo de artif√≠cio.

Por vezes, fecham-lhes as portas
‚ÄĒ √ďdio que a nada se resume ‚ÄĒ
Voltam, depois, a horas mortas,
Sem um queixume.

E mostram sempre novos laivos
De poesia em seu olhar…

Adolescentes! Afastai-vos
Quando algum deles vos fitar!

Bailados do Luar

Pétalas de rosas
tombam lentamente, silenciosas…
E de vagar
vem entrando
a far√Ęndola r√≠tmica
e silente
dos g√≥ticos bailados do luar!…

Sobre as dobras macias
e assediantes
da seda do meu leito desmanchado,
esguias sombras
adelgaçando afagos,
poisam no meu peito desvestido…
E a boca hipnótica e algente
do meu luarento amante,
vai esculpindo o meu corpo
p√°lido e vencido!…

No espaço azul e vago,
esvoaça subtiltmente
a cálida lembrança
da tua voz!

Busco a verdade viva do teu beijo
e encontro apenas
esta estranha heresia,
crispando o alvo recorte
do meu corpo magoado!…

Estilhaçam-se, vibrando
numa √Ęnsia doentia,
os meus nervos nost√°lgicos,
irreverentes
empalidecendo
em dolências inocentes
o rubor do meu desejo
insaciado…

As rosas v√£o tombando lentamente,
devagar,
sobre a carícia dormente
e embruxada…
dos esp√°smicos beijos do luar…
Oiço a tua voz
em toda a parte!

E perco-me dentro dos meus próprios braços,
tumultuosos e exigentes,

a procurar-te!

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Solit√°rio

Longe de ti, do mundo – solit√°rio.
sem o riso das falsas alegrias
vou desfiando, um a um, todos os dias,
como contas de dor, no meu ros√°rio…

E assim Рsem Ter ninguém Рoh, quantas vezes!
– no amor que j√° deixei fico a pensar…
E as semanas se escoam sem parar:
a primeira… outra mais… mais outra… e os meses…

O outono j√° chegou, e as folhas solta…
E eu, sem querer, nost√°lgico, me ponho
a pensar que esse amor aos poucos volta…

Mentira!… V√£ mentira que me ilude!…
Como é triste a ilusão mesmo num sonho,
Eu que na vida me iludir n√£o pude!…

Eu Sou Nost√°lgica Demais

De s√ļbito a estranheza. Estranho-me como se uma c√Ęmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de s√ļbito, deixando-me im√≥vel no meio de um gesto: presa em flagrante. Eu? Eu sou aquela que sou eu? Mas isto √© um doido faltar de sentido! Parte de mim √© mec√Ęnica e autom√°tica ‚ÄĒ √© neurovegetativa, √© o equil√≠brio entre n√£o querer e o querer, do n√£o poder e de poder, tudo isso deslizando em plena rotina do mecanicismo. A c√Ęmera fotogr√°fica singularizou o instante. E eis que automaticamente sa√≠ de mim para me captar tonta de meu enigma, diante de mim, que √© ins√≥lito e estarrecedor por ser extremamente verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. E esse encontro da vida com a minha identidade forma um min√ļsculo diamante inquebr√°vel e radioso indivis√≠vel, um √ļnico √°tomo e eu toda sinto o corpo dormente como quando se fica muito tempo na mesma posi√ß√£o e a perna de repente fica ¬ęesquecida¬Ľ.
Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando.

Fragmento do Homem

Que tempo √© o nosso? H√° quem diga que √© um tempo a que falta amor. Convenhamos que √©, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsess√£o do lucro foi transformando o homem num objecto com pre√ßo marcado. Estrangeiro a si pr√≥prio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem √† tona √© o mais abomin√°vel dos simulacros. Toda a arte moderna nos d√° conta dessa cat√°strofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa den√ļncia; a sua dignidade, em n√£o pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar m√°scaras e m√°scaras.
E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogm√°tico √© mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias √† ¬ęsabedoria¬Ľ do corpo, em que o privil√©gio de uns poucos √© utilizado implacavelmente para transformar o indiv√≠duo em ¬ęcad√°ver adiado que procria¬Ľ, como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situa√ß√£o, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde esp√≠rito e sangue ardem no mesmo fogo, est√£o arraigados no pr√≥prio cerne da vida?

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Judia

Ah! Judia! Judia impenitente!
De erma e de turva regi√£o sombria
De areia fulva, b√°rbara, inclemente,
Numa desola√ß√£o, chegaste um dia…

Través o céu mais tórrido, mais quente,
Onde a luz mais flamívoma radia,
A voz dos teus, nost√°lgica, plangente,
Vibrou, chorou, clamou por ti, Judia!

Ave de melancólicos mistérios,
Ruflaste as asas por Azuis sidérios,
√Čbria dos v√≠cios c√©lebres que salvam…

Para alguns cora√ß√Ķes que ainda te buscam
√Čs como os s√≥is que r√ļtilos coruscam
E a torva terra do deserto escalvam!

O Cego Do Harmonium

Esse cego do harmonium me atormenta
E atormentando me seduz, fascina.
A minh’alma para ele vai sedenta
Por falar com a sua alma peregrina.

O seu cantar nost√°lgico adormenta
Como um luar de mórbida neblina.
O harmonium geme certa queixa lenta,
Certa esquisita e l√Ęnguida surdina.

Os seus olhos parecem dois desejos
Mortos em flor, dois luminosos beijos
Fanados, apagados, esquecidos…

Ah! eu n√£o sei o sentimento v√°rio
Que prende-me a esse cego solit√°rio,
De olhos aflitos como v√£os gemidos!

N√£o Ser

Quem me dera voltar à inocência
Das coisas brutas, s√£s, inanimadas,
Despir o vão orgulho, a incoerência:
– Mantos rotos de est√°tuas mutiladas!

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nost√°lgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, pl√°cidos, absortos
Na m√°gica tarefa de viver!

Ser haste, seiva, ramaria inquieta,
Erguer ao sol o coração dos mortos
Na urna de oiro duma flor aberta!…

Solid√£o

Vago aroma de esteva, ao mesmo tempo ardente e virgem,
E este murm√ļrio doce da folhagem,
S√£o o falar do mato, na estiagem,
Segredando os mistérios da origem.

Calma profunda, doce, resignada…
A vida não é mais do que o viver
Da paisagem nost√°lgica e pasmada.

A solid√£o tem dedos de veludo,
De frementes afagos delicados.
‚ÄĒ Bendita solid√£o, que beijas tudo,
Onde andar√£o meus sonhos desvairados?!…

Nestes montados, Que purificação me invade a alma!
Como entra, em mim, toda a serenidade
Dos ermit√Ķes, orando na paisagem!

Nesta paisagem,
Calma, calma, calma,
Como a Eternidade.

A Minha Saudade Tem o Mar Aprisionado

A minha saudade tem o mar aprisionado
na sua teia de datas e lugares.
√Č uma mat√©ria vibr√°til e nost√°lgica
que n√£o consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os l√°bios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque n√£o posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que n√£o prendem p√°ssaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.
Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um dist√ļrbio da paix√£o.

Memento por um coração que ladra

O
c√£o
que
mais
ganir
é
francês,
eco
nost√°lgico
de
uma
Bretanha
em f√ļria,
uvas
sangrentas,
espelho
ratado
pelo
sítio
do umbigo.
Um
bicho
que
gane
merece
os
ardis
todos
e
sulf√ļricas
desgraças.
D√°-se
ao
animal
o
que
vier
do
medo
(rebuçado
com
buço
de
sapo)
e
as
m√°scaras
do
L√°cio
passam.
Ent√£o
ser
voada
flor
em chaga
ou
simples
c√£o
j√°
n√£o
atrapalha
nem
é trapaça.
Um
coração
que
ladra
tem
sempre
boa
raça.

Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo

Para o Meu Cora√ß√£o…

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

√Čs em ti a ilus√£o de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nost√°lgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
p√°ssaros que dormiam na tua alma.

O Acto de Criação é de Natureza Obscura

O acto de cria√ß√£o √© de natureza obscura; nele √© imposs√≠vel destrin√ßar o que √© da raz√£o e o que √© do instinto, o que √© do mundo e o que √© da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse ¬ępastor do Ser¬Ľ, na t√£o bela express√£o de Heidegger, √©, como nenhum outro homem, nost√°lgico de uma antiga unidade. As mil e uma antinomias, t√£o escolarmente elaboradas, quando n√£o pervertem a primordial fonte do desejo, pecam sempre por cindir a inteireza que √© todo um homem. N√£o h√° vit√≥ria definitiva sem a reconcilia√ß√£o dos contr√°rios. √Č no mar crepuscular e materno da mem√≥ria, onde as √°guas ¬ęsuperiores¬Ľ n√£o foram ainda separadas das ¬ęinferiores¬Ľ, que as imagens do poeta sonham pela primeira vez com a prec√°ria e fugidia luz da terra.
Diante do papel, que ¬ęla blancheur d√©fend¬Ľ, o poeta √© uma longa e s√≥ hesita√ß√£o. Que Ifig√©nia ter√° de sacrificar para que o vento prop√≠cio se levante e as suas naves possam avistar os muros de Tr√≥ia? Que aug√ļrios escuta, que enigmas decifra naquele rumor de sangue em que se debru√ßa cheio de afli√ß√£o? Porque ao princ√≠pio √© o ritmo; um ritmo surdo, espesso, do cora√ß√£o ou do cosmos ‚ÄĒ quem sabe onde um come√ßa e o outro acaba?

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As Tuas M√£os

P√°lido, ext√°tico,
olhavas para mim.
E as tuas m√£os raras,
de linhas estilizadas,
poisavam abandonadas
sobre os tons liriais do meu coxim…

Os meus olhos de sonho
ficaram presos tristemente
√†s tuas m√£os!…
– M√£os de doente,
mãos de asceta…
E eu que amo e quero a rubra cor dos s√£os,
tombei-me a contempl√°-las
numa atitude cismadora e quieta…

Depois aqueles beijos que lhe dei,
unindo-as, ansiosa, à minha boca
torturada e aflita,
tiveram a amargura
suavemente doce
duma dor bendita!

M√£os de ren√ļncia! M√£os de amargor!
… E as tuas lindas mãos, nostálgicas e frias,
tristes cad√°veres
de ilus√£o e dor,
n√£o puderam entender
a febre exaltada
e torturante
que abrasava
as minhas m√£os
delicadas,
– as minhas m√£os de mulher!

Soneto Ao Falso Fingidor

H√° poeta que se ampara na velhice
como um cego que se apóia na bengala
tateando tristes trilhas da sandice
na claudicante fala que se entala.

Empalado nos versos da mesmice
seus poemas-burocratas cospem l√°grimas
num choror√ī nost√°lgico em pieguice
à procura de glória em ante-salas.

Colhe, assim, as benesses oficiais,
prebendas, sinecuras, doutorados,
honoríficas causas e que tais.

Em vala rasa cala desolado
despindo-se do linho das vestais
para juntar-se ao sono de olvidados.

Partida

Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas √°guas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
N√£o h√° muitos que a saibam reflectir.

A minh’alma nost√°lgica de al√©m,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a f√īr√ßa de sumir tamb√©m.

Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que s√£o para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul √° busca da beleza.

√Č subir, √© subir √†lem dos c√©us
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

√Č partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d’irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

√Č suscitar c√īres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-un√ß√£o d’alma ampliada,

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