Passagens sobre Noventa

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Frases sobre noventa, poemas sobre noventa e outras passagens sobre noventa para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Dant√£o

Parece-me que o vejo iluminado.
Erguendo delirante a grande fronte
– De um povo inteiro o f√ļlgido horizonte
Cheio de luz, de idéias constelado!

De seu cr√Ęnio vulc√£o – a rubra lava
Foi que gerou essa sublime aurora
РNoventa e três Рe a levantou sonora
Na fronte audaz da populaça brava!

Olhando para a história Рum século e a lente
Que mostra-me o seu cr√Ęnio resplandente
Do passado atrav√©s o v√©u profundo…

H√° muito que tombou, mas inquebr√°vel
De sua voz o eco formid√°vel
Estruge ainda na raz√£o do mundo!

Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio Рe eis que a verdade se me revela.

Escolha a cara metade da sua vida com cuidado. A partir desta decis√£o vir√° noventa por cento de toda a sua felicidade ou tormento.

A Desordem da Minha Natureza

(…) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsess√£o de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, n√£o era o pr√©mio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contr√°rio, um sistema completo de simula√ß√£o inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que n√£o sou disciplinado por virtude, mas como reac√ß√£o contra a minha neglig√™ncia; que pare√ßo generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para n√£o sucumbir √†s minhas c√≥leras reprimidas, que s√≥ sou pontual para que n√£o se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor n√£o √© um estado de alma mas um signo do Zod√≠aco.

Dizer Mal dos Outros, Ouvir Falar Mal de Nós

Uma das formas mais universais de irracionalidade é a atitude tomada por quase toda a gente em relação às conversas maldizentes. Muito poucas pessoas sabem resistir à tentação de dizer mal dos seus conhecimentos e mesmo, se a ocasião se proporciona, dos seus amigos; no entanto, quando sabem que alguma coisa foi dita em seu desabono, enchem-se de espanto e indignação. Certamente nunca lhes ocorreu ao espírito que da mesma forma que dizem mal de não importa quem, alguém possa dizer mal deles. Esta é uma forma atenuada da atitude que, quando exagerada, conduz à mania da perseguição.
Exigimos de toda a gente o mesmo sentimento de amor e de profundo respeito que sentimos por nós próprios. Nunca nos ocorre que não devemos exigir que os outros pensem melhor de nós do que nós pensamos a respeito deles e não nos ocorre porque aos nossos olhos os méritos são grandes e evidentes ao passo que os dos outros, se na realidade existem, só são reconhecidos com certa benevolência. Quando o leitor ouve dizer que alguém disse qualquer coisa desprimorosa a seu respeito, lembra-se logo das noventa e nove vezes que reprimiu o desejo de exprimir, sobre esse alguém, a crítica que considerava justa e merecida,

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Se est√°s no um por cento da humanidade mais sortudo, deves ao resto da humanidade preocupares-te com os outros noventa e nove por cento.

Opini√Ķes Discordantes

. √Č preciso repetir de vez em quando a nossa pro¬≠fiss√£o de f√© e exprimir em voz alta aquilo que valori¬≠zamos e aquilo que condenamos. Os nossos advers√°¬≠rios tamb√©m n√£o deixam de o fazer.
. Os advers√°rios acreditam que nos refutam ao repetir as suas opini√Ķes sem dar aten√ß√£o √† nossa. . Os que contradizem e entram em disputa de¬≠viam pensar de vez em quando que nem todas as linguagens s√£o entend√≠veis por toda a gente.
. Quando alguém afirma que conseguiu contra­dizer-me não pensa que se limitou a contrapor uma visão das coisas à minha, e que, portanto, com isso nada conseguiu de facto. Um terceiro tem o direito de lhe fazer o mesmo, e assim por diante, até ao in­finito.
. Em Nova Iorque h√° noventa confiss√Ķes crist√£s diferentes e cada uma delas tem a sua maneira pr√≥¬≠pria de adorar a Deus e ao Senhor Jesus, sem por isso se confundirem umas com as outras. Dev√≠amos levar a cabo qualquer coisa de semelhante na inves¬≠tiga√ß√£o relativa √† Natureza – e, ali√°s, em toda a in¬≠vestiga√ß√£o. Pois, que significado tem toda a gente falar de liberalidade e cada um pretender limitar os outros segundo a sua pr√≥pria maneira de pensar e de se exprimir?

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As Modas e os Ideais

As ideias gerais de qualquer período são, como coisa em si, em tudo respeitáveis e legítimas. São as ideias de então, e nada autoriza a dizer em absoluto que o pensamento do século XVII superava o do século XVIII, ou vice-versa. Como já se usaram saias de balão, usam-se agora outras modas. Ora as saias de balão, em relação ao tempo respectivo, eram perfeitamente correctas e de bom gosto. Mas basta a gente não ver cada coisa integrada no clima que a motivou, para que a sua aparência se torne ridícula e detestável. E por isso tão horrível é para uma senhora que usa saia rodada uma saia travadinha, como o contrário. E evidente que semelhantes bizantinices nada dizem a uma dama da renascença, imunizada como está do contingente pela consumação dos anos. Mas poderá quem respira ainda sublimar-se a ponto de perder o pé na vida? Certo que não. Todos nós temos visto homens de noventa anos morrer aos vivas a determinada Patuleia que os fez vibrar.

Em Todas as Sociedades Existe um Impulso Para a Conformidade

A imposi√ß√£o de padr√Ķes pelas sociedades aos seus extremamente diversificados indiv√≠duos tem variado muito em diferentes per√≠odos hist√≥ricos e diferentes n√≠veis de cultura. Nas culturas mais primitivas, onde as sociedades eram pequenas e ligadas a tradi√ß√Ķes muito estreitas, a press√£o para o conformismo era naturalmente muito intensa. Quem ler literatura de antropologia ficar√° espantado com a natureza fant√°stica de algumas das tradi√ß√Ķes √†s quais os homens tiveram de se adaptar. A vantagem de uma sociedade grande e complexa como a nossa √© permitir √† variedade de seres humanos expressar-se de muitas maneiras; n√£o precisa de haver uma adapta√ß√£o intensa, como a que encontramos em pequenas sociedades primitivas. Mesmo assim, em toda a sociedade h√° sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora pela lei e pela tradi√ß√£o, e que os indiv√≠duos imp√Ķem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal.
A esse respeito, recomendo um livro muito importante do fil√≥sofo franc√™s Jules de Gaultier, publicado h√° cerca de cinquenta anos, chamado “Bovarismo”. O nome vem da hero√≠na do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary, no qual essa jovem mulher infeliz sempre tentava ser o que n√£o era. Gaultier generaliza isso e diz que todos temos tend√™ncia a tentar ser o que n√£o somos,

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O Novo Homem

O homem ser√° feito
em laboratório.
Será tão perfeito como no antigório.
Rir√° como gente,
beber√° cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogar√° no bicho,
tirar√° retrato
com o maior capricho.
Usar√° bermuda
e gola roulée.
Queimar√° arruda
indo ao canjerê,
e do n√£o-objecto
far√° escultura.
Ser√° neoconcreto
se houver censura.
Ganhar√° dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegar√° a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem ser√° feito
em laboratório
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
¬ęNove meses, eu?
Nem nove minutos.¬Ľ
Quem j√° concebeu
melhores produtos?
A dor n√£o preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascer√° bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.

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Robespierre

Alma inquebrável Рbravo sonhador
De um fim brilhante, de um poder ingente,
De seu cérebro audaz, a luz ardente
√Č que gerava a treva do Terror!

Embuçado num lívido fulgor
Su’alma colossal, cruel, potente,
Rompe as idades, l√ļgubre, tremente,
Cheia de gl√≥rias, maldi√ß√Ķes e dor!

H√° muito que, soberba, ess’alma ardida
Afogou-se cruenta e destemida
– Num dil√ļvio de luz: Noventa e tr√™s…

Há muito já que emudeceu na história
Mas ainda hoje a sua atroz memória
√Č o pesadelo mais cruel dos reis!…

√Č para a ingenuidade que me levanto todos os dias. E noventa por cento da felicidade √© ingenuidade e os outros dez s√£o ignor√Ęncia.

A ideia complacente de que a vida n√£o fosse algo que transcorre como o rio revolto de Her√°clito, mas uma ocasi√£o √ļnica de dar a volta na grelha e continuar assando-se do outro lado por noventa anos a mais.