Cita√ß√Ķes sobre Pagamento

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Frases sobre pagamento, poemas sobre pagamento e outras cita√ß√Ķes sobre pagamento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A primeira ação de despejo foi a expulsão de Adão e Eva do Paraíso por falta de pagamento de aluguel e comportamento irregular.

Revolução

Pena que as revolu√ß√Ķes
não as façam os tiranos
se fariam bem em ordem
durariam menos anos

liberdade sairia
como verba de orçamento
e se houvesse qualquer saldo
se inventava suplemento

pagamento em dia certo
daria para isto aquilo
o que sobrasse guardado
de todo o assalto a silo

mas o que falta aos tiranos
é só imaginação
e o jeito na circunst√Ęncia
é mesmo a revolução.

O Engodo da Felicidade como Recompensa

Toda essa ideia de uma felicidade como recompensa Рque outra coisa seria, portanto, senão uma ilusão moral: um título de crédito com o qual se compra de ti, homem empírico, os teus prazeres sensíveis de agora, mas que só é pagável quando tu mesmo não precisas mais do pagamento. Pensa sempre nessa felicidade como um todo de prazeres que são análogos aos prazeres sacrificados agora. Ousa, apenas, dominar-te agora; ousa o primeiro passo de criança em direcção à virtude: o segundo já se tornará mais fácil para ti. Se continuares a progredir, notarás com espanto que aquela felicidade que esperavas como recompensa do teu sacrifício, mesmo para ti não tem mais nenhum valor. Foi intencionalmente que se colocou a felicidade num ponto do tempo em que tens de ser suficientemente homem para te envergonhares dela. Envergonhar, digo eu, pois, se nunca chegas a sentir-te mais sublime do que aquele ideal sensível de felicidade, seria melhor que a razão jamais te tivesse falado.
√Č exig√™ncia da raz√£o n√£o precisar mais de nenhuma felicidade como recompensa, t√£o certo quanto √© exig√™ncia tornar-se mais conforme √† raz√£o, mais aut√≥nomo, mais livre. Pois, se a felicidade ainda pode recompensar-nos – a n√£o ser que se interprete o conceito de felicidade contrariamente a todo o uso da linguagem -,

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Remunera√ß√£o n√£o √© apenas pagamento que se recebe de outra pessoa. Existe tamb√©m remunera√ß√£o que se recebe de Deus. √Č preciso saber que o desenvolvimento da pr√≥pria capacidade √© uma grande remunera√ß√£o concedida por Deus. A remunera√ß√£o material n√£o √© principal, mas a suplementar.

O Desespero do Homem de Acção

Há uma ligação muito estreita entre a adoração da acção e o uso do homem como meio de atingir fins que não são o homem. Como há uma ligação aproximada entre este desespero e a acção, entre a razão e a acção. A proeminência dos valores da acção sobre os da contemplação indica, sobretudo, que o homem abandonou totalmente a busca duma ideia aprazível do homem e o desejo de o colocar como fim. E que na impossibilidade de agir segundo um fim, ou de agir para ser homem, ele decide agir de qualquer maneira, apenas para agir.
O homem de ac√ß√£o √© um desesperado que procura preencher o vazio do seu pr√≥prio desespero com actos ligados mecanicamente uns aos outros e compreendidos entre um ponto de in√≠cio e um ponto de conclus√£o, ambos gratuitos e convencionais. Por exemplo, entre o ponto de in√≠cio da fabrica√ß√£o dum autom√≥vel e o ponto de conclus√£o dessa fabrica√ß√£o. O homem de ac√ß√£o suspender√° o seu desespero enquanto durar a fabrica√ß√£o do ve√≠culo; suspend√™-lo-√° precisamente porque no seu esp√≠rito fica suspensa qualquer finalidade verdadeiramente humana: sente-se meio entre os outros homens, meios como ele. Conclu√≠da a m√°quina ele encontrar-se-√°, √© verdade, mais inerte e ex√Ęnime que a pr√≥pria m√°quina,

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Falta Pouco

Falta pouco para acabar
o uso desta mesa pela manh√£
o hábito de chegar à janela da esquerda
aberta sobre enxugadores de roupa.
Falta pouco para acabar
a própria obrigação de roupa
a obrigação de fazer barba
a consulta a dicion√°rios
a conversa com amigos pelo telefone.

Falta pouco
para acabar o recebimento de cartas
as sempre adiadas respostas
o pagamento de impostos ao país, à cidade
as novidades sangrentas do mundo
a m√ļsica dos intervalos.

Falta pouco para o mundo acabar
sem explos√£o
sem outro ruído
além do que escapa da garganta com falta de ar.

Agora que ele estava principiando
a confessar
na bruma seu semblante e melodia.

Só de Restos se Consagra o Tempo

Só de restos se consagra o tempo, força
cerrada na inutilidade destas
cores campestres, quando o sol em Novembro
escurece os sobreiros. Só de restos me
espera a cerimónia de viver,
tr√Ęnsito e transig√™ncia do sil√™ncio,
ocultado no meu corpo. Só de restos
o trespassa o tempo, m√°scara e manto. Morro
muito antes da morte, sem saber se os anjos
foram gaivotas hirtas no piedoso
musgos dos rios ou se hão-de ser maçãs
ou ciência, loendros ou lembrança,
inocentes, l√ļcidos sonos ou oblata
de seda, a deus cedida, em pagamento
da paz. Só do que chega ao fim, se corrompe
e apodrece, se imagina o princípio,
a majestade das coisas, o silêncio
irrevelado que o corpo desconhece.

O Preço da Independência

Por outro foste preterido num banquete, num elogio, na audição de um conselho. Caso se trate de provas de consideração, que o teu coração se alegre por esse outro com tais provas ter sido distinguido. Se coisas más são, não te lamentes por não teres sido convidado para o banquete, não teres merecido o elogio, não terem recorrido ao teu conselho. Que não te esqueças nunca do seguinte: se nada fazes para obteres o que não depende de nós (ao contrário dos outros que assim procedem) de maneira nenhuma podes aspirar às mesmas vantagens.
Na verdade, como se pode reconhecer os mesmos direitos àquele que se atreve às coisas do mundo e àquele que as menospreza? Àquele que integra um séquito e àquele que o não integra? Àquele que elogia e louva e àquele que não louva nem elogia? Insaciável e injusto tu serás, se, não sendo pródigo no preço pelo qual tais coisas se vendem, essas mesmas coisas, que regalias são, pretendas receber graciosamente.

Sabes tu por quanto se vendem as alfaces? Sup√Ķe que por um √≥bolo, a mais pequena das moedas gregas. Qualquer um, ent√£o, √© pr√≥digo com o seu √≥bolo e sem mais adquire as alfaces.

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Para Que Serve A Poesia?

De servir-se utensílio dia a dia
utilidade pr√°tica aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.

O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camel√īs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.

De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho e o fugaz fulgor de astro arisco.
Serena sentença em sina servida,

seu valor se aquilata e se esparrama
na livre chama acesa de quem ama.