A Desventura Máxima é a Solidão

A desventura m√°xima √© a solid√£o. √Č t√£o verdade que o reconforto supremo – a religi√£o – consiste em encontrar uma companhia que nunca falhe – Deus. A ora√ß√£o √© um desabafo, como com um amigo. A obra equivale √† ora√ß√£o, porque nos p√Ķe em contacto com os que dela tirar√£o proveito. O problema da vida √©, portanto, o seguinte: como romper a nossa solid√£o, como comunicar com os outros. Assim se explica a exist√™ncia do matrim√≥nio, da paternidade, das amizades. Mas que a felicidade resida nisto, balelas! Porque se deva estar melhor comunicando com os outros do que s√≥, √© estranho. √Č talvez apenas uma ilus√£o: a maior parte do tempo, estamos muit√≠ssimo bem s√≥s. √Č agrad√°vel ter, de tempos a tempos, um odre em que nos possamos despejar e, em seguida, bebermo-nos a n√≥s pr√≥prios: dado que pedimos aos outros apenas aquilo que j√° temos em n√≥s. √Č um mist√©rio o motivo por que n√£o basta perscrutar e beber em n√≥s pr√≥prios e seja preciso reavermo-nos por interm√©dio dos outros. (O sexo √© um incidente: o que recebemos √© moment√Ęneo e casual; pretendemos algo de mais secreto e misterioso de que o sexo √© apenas um sinal, um s√≠mbolo).

Continue lendo…