Cita√ß√Ķes sobre Pingos

11 resultados
Frases sobre pingos, poemas sobre pingos e outras cita√ß√Ķes sobre pingos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

N√£o Fora o Mar!

N√£o fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

N√£o fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena ang√ļstia, pequeno prazer.

N√£o fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sab√£o,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto ‚ÄĒ pingos de √°gua em minha m√£o.

N√£o fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga m√ļsica ao sol p√īr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

N√£o fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilus√£o, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

N√£o fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Continue lendo…

Meados de Maio

Chuvoso maio!

Deste lado oiço gotejar
sobre as pedras.
Som da cidade …
Do outro via a chuva no ar.
Perpendicular, fina,
Tomava cor,
distinguia-se
contra o fundo das trepadeiras
do jardim.
No chão, quando caía,
abria círculos
nas pocinhas brilhantes,
j√° formadas?
H√° l√° coisa mais linda

que este bater de √°gua
na outra √°gua?
Um pingo cai
E forma uma rosa…
um movimento circular,
que se espraia.
Vem outro pingo
E nasce outra rosa…
e sempre assim!

Os nossos olhos desconsolados,
sem alegria nem tristeza,
tranquilamente
v√£o vendo formar-se as rosas,
brilhar
e mover-se a √°gua…

SMS

Ela caminha já a tarde vai alta pelo passeio que segue paralelo ao mar, por cima das praias. Em baixo, a areia estende-se vazia até à água, acabando numa espuma branca, das ondas que rebentam com o fragor dos dias de Inverno. Vai sozinha. Cruza-se com jovens a passo de corrida, outros que deslizam em patins, um casal com o filho pequeno feliz na sua bicicleta de rodinhas, acompanhado por um cãozinho saltitante que corre para a frente e para trás em redor dele.
Leva na m√£o o telem√≥vel e nos olhos castanhos brilhantes uma esperan√ßa. Vai pensativa e sem horas, caminhando sem pressa, reparando nas pessoas, no mar desabrido que se atira √† praia, no ar fresco que respira, no vento que se levanta com uma promessa de tempestade. Cruza o casaco grosso, azul-escuro, √† frente do peito, sem apertar os bot√Ķes. Cruza os bra√ßos. Uma folha de jornal passa por ela a esvoa√ßar, not√≠cias antigas, pensa divertida, logo se concentrando no navio de carga iluminado que vem de Lisboa e ruma ao mar aberto com o vagar de quem tem um destino certo num dia certo.

Acaba por apertar os bot√Ķes do casaco e levantar a gola para se sentir mais protegida do vento,

Continue lendo…

Acordar na Rua do Mundo

madrugada, passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas. os pombos
alisam as penas, no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal j√° lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas, ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu, estragou-se o alarme
da joalharia, os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam

o azul dos azulejos, assoma à janela
quem acordou. o alarme n√£o p√°ra o sangue
desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
n√£o gravou

e duma varanda um pingo cai
de um vaso salpicando o fato do banc√°rio

Inverno

Amanheceu – no topo da colina
Um céu de madrepérola se arqueia
Limpo, lavado, reluzindo – ondeia
O perfume da selva esmeraldina.

Uma luz virginal e cristalina,
Como de um rio a transbordante cheia,
Alaga as terras culturais e arreia
De pingos d’ouro os verdes da campina.

Um sol pag√£o, de um louro gema d’ovo,
J√° t√£o antigo e quase sempre novo
Surge na frígida estação do inverno.

– Chilreiam muito em √°rvores frondosas
P√°ssaros – fulge o orvalho pelas rosas
Como o vigor no espírito moderno.

O Deus Dar√°

ao deus-dar√°
vou como vou

tudo que sou
foi ou ser√°

n√£o sei se o tempo
trar√° ou n√£o
de supet√£o
um contratempo

quando galopa
age sem jeito
torna imperfeito
tudo que topa

o que est√° morto
morto ficou
quem o enterrou
lhe deu um porto

mas na memória
de cada tarde
ainda que tarde
se conte a história

cada domingo
tem sua tarde
que sem alarde
cai como um pingo

mas há uma só
pra cada cum
e n√£o nenhum
que a atire ao pó

h√° uma apenas
que me recorda
em dose gorda
coisas amenas

que a tarde fique
como um menino
atento ao sino
e a se repique

Que a tarde guarde sempre o som de um sino
Ecoando alegrias de menino.

Gemeu baixinho cansada e depois pensou: o que vai acontecer agora agora agora? E sempre no pingo de tempo que vinha nada acontecia se ela continuava a esperar o que ia acontecer, compreende?

N√°ufragos que Navegam Tempestades

As tempestades são sempre períodos longos. Poucas pessoas gostam de falar destes momentos em que a vida se faz fria e anoitece, preferem histórias de praias divertidas às das profundas tragédias de tantos naufrágios que são, afinal, os verdadeiros pilares da nossa existência.

Gente vazia tende a pensar em quem sofre como fraco… quando fracos s√£o os que evitam a qualquer custo mares revoltos, tempestades em que qualquer um se sente min√ļsculo, mas s√≥ os que n√£o prestam o s√£o verdadeiramente. Para a gente de cora√ß√£o pequeno, qualquer dor √© grande. Os homens e mulheres que assumem o seu destino sabem que, mais cedo ou mais tarde, morrer√£o, mas h√° ainda uma decis√£o que lhes cabe: desviver a fugir ou morrer sofrendo para diante.
Da morte saímos, para a morte caminhamos. O que por aqui sofremos pode bem ser a forma que temos de nos aproximarmos do coração da verdade.

Haverá sempre quem seja mestre de conversas e valente piloto de naus alheias, os que sabem sempre tudo, principalmente o que é (d)a vida do outro, e mais especificamente se estiver a passar um mau bocado. Logo se apressam a dizer que depois da tempestade vem a bonança,

Continue lendo…

Quem faz pouco caso de um instante desperdi√ßa a vida toda. Se as abelhas menosprezassem um pingo de n√©ctar que fosse, jamais poderiam produzir mel suficiente para preencher os favos. Elas conseguem armazenar grande quantidade de mel, porque colhem em todas as oportunidades as min√ļsculas por√ß√Ķes de n√©ctar das flores.