Cita√ß√Ķes sobre Ponteiros

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Frases sobre ponteiros, poemas sobre ponteiros e outras cita√ß√Ķes sobre ponteiros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Por Todos os Caminhos do Mundo

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia
pelo mundo,

por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
num jardim nocturno,

ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do o√°sis,
ora os pés cansados, sem forças para além.

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na m√£o o profetizado
de que a tempestade n√£o lhe abalar√° o pal√°cio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

Na minha vida nem sempre a b√ļssola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.

N√£o sei caminhos de cor.

Vagueio Além de Seu Sono

Vagueio além de seu sono
com alma de marinheiro
feliz de chegar a um ponto
sem previs√£o de roteiro,
mais tonto de o descobrir
que de lhe ser estrangeiro.
Teu continente a dormir
‚ÄĒ pouso de barco ligeiro ‚ÄĒ
pára os relógios num tempo
avesso a qualquer ponteiro:
nem sei se o fico vivendo
ou se te acordo primeiro.

you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de n√≥s o mais √ļtil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
h√° palavras de vida h√° palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, fr√°geis, que deixaram de esperar
h√° palavras acesas como barcos
e h√° palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as m√£os e as paredes de Elsenor
E h√° palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por n√£o termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras,

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Elegia

Vae em seis mezes que deixei a minha terra
E tu ficaste l√°, mettida n’uma serra,
Boa velhinha! que eras mais uma crian√ßa…
Mas, t√£o longe de ti, n’este Payz de Fran√ßa,
Onde mal viste, ent√£o, que eu viesse parar,
Vejo-te, quanta vez! por esta sala a andar…
Bates. Entreabres de mansinho a minha porta.
Vir√°s tratar de mim, ainda depois de morta?
Vens de tão longe! E fazes, só, essa jornada!
Ajuda-te o bord√£o que te empresta uma fada.
Altas horas, emquanto o bom coveiro dorme,
Escapas-te√£da cova e vens, Bondade enorme!
Atravez do Mar√£o que a lua-cheia banha,
Atravessas, sorrindo, a mysteriosa Hespanha,
Perguntas ao pastor que anda guardando o gado,
(E as fontes cantam e o c√©u √© todo estrellado…)
Para que banda fica a França, e elle, a apontar,
Diz: ¬ęV√° seguindo sempre a minha estrella, no Ar!¬Ľ
E ha-de ficar scismando, ao ver-te assim, velhinha,
Que √©s tu a Virgem disfar√ßada em probrezinha…
Mas tu, sorrindo sempre, olhando sempre os céus,
Deixando atraz de ti, os negros Pyrineus,
Sob os quaes rola a humanidade,

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Natal à Beira-Rio

√Č o bra√ßo do abeto a bater na vidra√ßa?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! √Č o Natal que passa,
A trazer-me da √°gua a inf√Ęncia ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
T√£o novos os meus Pais, t√£o novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, √† noite iluminado…
√Č noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui n√£o sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
√† beira desse cais onde Jesus nascia…
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

O ponteiro que avan√ßa no mostrador avan√ßa tamb√©m nas almas. As opini√Ķes atravessam suas fases.

Um Pouco Mais de Nós

Podes dar uma centelha de lua,
um colar de pétalas breves
ou um farrapo de nuvem;
podes dar mais uma asa
a quem tem sede de voar
ou apenas o tesouro sem preço
do teu tempo em qualquer lugar;
podes dar o que és e o que sentes
sem que te perguntem
nome, sexo ou endereço;
podes dar em suma, com emoção,
tudo aquilo que, em silêncio,
te segreda o coração;
podes dar a rima sem rima
de uma m√ļsica s√≥ tua
a quem sofre a miséria dos dias
na noite sem tecto de uma rua;
podes juntar o diamante da d√°diva
ao h√ļmus de uma cren√ßa forte e antiga,
sob a forma de poema ou de cantiga;
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
do relógio da vida sem atraso,
e sendo tudo isso ser√°s ainda mais,
anónimo, pleno e livre,
nau sempre aparelhada para deixar o cais,
porque o que conta, vendo bem,
é dar sempre um pouco mais,
sem factura, sem fama, sem hor√°rio,
que a m√°xima recompensa de quem d√°
√© o j√ļbilo de um gesto volunt√°rio.

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Dia de Descanso

Hoje reservo o dia inteiro para chorar
√Č o domingo decadente¬†¬†¬† em que muitos
esperam pela morte de pé
√Č o dia do sarro que vem √† boca da mediocridade
circular    dos gestos que andam disfarçados de gestos
dos amores que deram em estribilhos
das correrias peder√°sticas para o futebol em cal√ß√Ķes
mais o melhor fato    e a mesquinhez nacional dos 10%
de desconto em todo o vestu√°rio

E choro   choro   porque a coragem
n√£o me falta para tudo isto e assisto
na nega de me ceder ao braço dado

Precisarei de um cansaço mas
l√° estavam espertas
as mil e n√£o sei quantas lojas abertas
para mo vender!

Mas hoje é domingo
Lá está o chão reluzente de martírio
e nem já o sonho me dá de graça o ter por não ter
j√° nem o amor que suponho me d√° o sonho de ser

E choro de coragem    isto é
as lágrimas hão-de cair sêcas nas minhas mãos
Falo cristalinamente sozinho
procurando entre as paredes e as varandas que v√£o cair
algum acaso    isto é
o eco,

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Jornais e Jornalistas

Os jornais são o ponteiro dos segundos no relógio da história. Na maioria das vezes, porém, além de ser fabricado com metais menos nobres do que o dos outros dois ponteiros, raramente funciona de modo correcto.
Uma grande quantidade de maus escritores vive unicamente da estultice do p√ļblico, que s√≥ quer ler o que foi impresso no mesmo dia: os jornalistas. A sua designa√ß√£o vem mesmo a calhar, no entanto deveriam chamar-se ‘diaristas’. O exagero de toda a esp√©cie √© para eles t√£o essencial quanto para a arte dram√°tica: com efeito, trata-se de extrair o m√°ximo poss√≠vel de todo o incidente. Devido √† profiss√£o, todos os jornalistas s√£o tamb√©m alarmistas: este √© o seu modo de se tornarem interessantes. No entanto, mediante tal expediente acabam por se igualar aos c√£ezinhos que, t√£o logo percebem algum movimento, p√Ķem-se a latir fortemente. Sendo assim, √© preciso dar aos seus sinais de alerta apenas a aten√ß√£o necess√°ria para n√£o prejudicar a pr√≥pria digest√£o.

N√£o H√° Tempo

N√£o h√° tempo
h√° horas
Não há um relógio
h√°
h√°bitos que
me habitam

O poema dói
o ponteiro corta
a hora que queima
a morte simula

respira
para n√£o me distrair

M√ļsica Da Hora

Habito a pausa no h√°bito da pauta
m√ļsica de sil√™ncios e solu√ßos
a refrear desmandos dos impulsos
que se querem agudos sons de flauta.

A vida √© toda m√ļsica em seu curso
do grito original em rima incauta
ao sussurro que se ouve em cama infausta
nesse fim dissonante do percurso.

O tempo se encarrega do metr√īnomo
unido a dois ponteiros de um cron√īmetro
em que o delgado veste-se de momo

para alegrar as horas do pequeno
que dança a marcha gris em chão sereno
fugindo ao dois por quatro do abandono.

O Relógio

Eb√ļrneo √© o mostrador: as horas s√£o de prata
Lê-se a firma Breguet por baixo do gracioso
Rendilhado ponteiro; a tampa é enorme e chata:
Nela o esmalte produz um quadro delicioso.

Repara: eis um sal√£o: casquilho malicioso
Das festas cortes√£s o mimo, a flor, a nata,
Junto a um cravo sonoro a alegre voz desata.
Uma fidalga o escuta ébria de amor e gozo.

Rasga-se ampla a janela; ao longe o olhar descobre
O correto jardim e o parque extenso e nobre.
As nuvens no alto céu flutuam como espumas.

Da paisagem no fundo, em lago transparente,
Onde se espelha o azul e o laranjal frondente,
Um cisne à luz do sol estende as níveas plumas.

A Causa da Vontade

A nossa vida n√£o passaria de uma s√©rie de caprichos, se a nossa vontade se determinasse por si mesma e sem motivos. N√£o temos vontade que n√£o seja produzida por alguma reflex√£o ou por alguma paix√£o. Quando levanto a m√£o, √© para fazer uma experi√™ncia com a minha liberdade ou por alguma outra raz√£o. Quando me prop√Ķem um jogo de escolha entre par ou √≠mpar, durante o tempo em que as ideias de um e de outro se sucedem no meu esp√≠rito com rapidez, mescladas de esperan√ßa e temor, se escolho par, √© porque a necessidade de fazer uma escolha se apresenta ao meu pensamento no momento em que par est√° a√≠ presente. Proponha-se o exemplo que se quiser, demonstrarei a qualquer homem de boa-f√© que n√£o temos nenhuma vontade que n√£o seja precedida por algum sentimento ou por algum arrazoado que a faz nascer. √Č verdade que a vontade tem tamb√©m o poder de excitar as nossas ideias; mas √© necess√°rio que ela pr√≥pria seja antes determinada por alguma causa.
A vontade n√£o √© nunca o primeiro princ√≠pio das nossas ac√ß√Ķes, ela √© o seu √ļltimo m√≥bil; √© o ponteiro que marca as horas num rel√≥gio e que o leva a dar as pancadas sonoras.

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A Essência das Coisas

Nunca me conformei com um conceito puramente científico da Existência, ou aritmético-geométrico, quantitativo-extensivo. A existência não cabe numa balança ou entre os ponteiros dum compasso. Pesar e medir é muito pouco; e esse pouco é ainda uma ilusão. O pesado é feito de imponderáveis, e a extensão de pontos inextensos, como a vida é feita de mortes.
A realidade n√£o est√° nas apar√™ncias transit√≥rias, reflexos palpitantes, simulacros luminosos, um aflorar de quimeras materiais. Nem √© s√≥lida, nem l√≠quida, nem gasosa, nem electromagn√©tica, palavras com o mesmo significado nulo. Foge a todos os c√°lculos e a todos os olhos de vidro, por mais longe que eles vejam, ou se trate dum n√ļcleo at√≥mico perdido no infinitamente pequeno, ou da nebulosa Andr√≥meda, a seiscentos mil anos de luz da minha aldeia!
A essência das coisas, essa verdade oculta na mentira, é de natureza poética e não científica. Aparece ao luar da inspiração e não à claridade fria da razão. Esta apenas descobre um simples jogo de forças repetido ou modificado lentamente, gestos insubstanciais, formas ocas, a casca de um fruto proibido.
Mas o miolo é do poeta. Só ele saboreia a vida até ao mais íntimo do seu gosto amargoso,

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Presença

Só saberei de ti pelos teus olhos,
que falam mais que a tua fala pouca.
Doce memória (irei buscar-te sempre)
encilhada a essa égua dos minutos,

onde os ponteiros trotam meus desejos,
avivando a paisagem na lembrança
vinda de ti, e em mim reconstruída.
Essa presença, em passos e pegadas,

passeia no meu corpo, agora estrada,
caminho teu; submisso, eis meu segredo.
Que abrigar teus pés, possa, novamente,

o meu sereno peito fatigado.
Este que anseia teu corpo presente
olho no olho na véspera do gozo.

Soneto Para Eugênia

O tempo que te alonga todo dia
é duração que colhes na paisagem,
t√£o distante e t√£o perto em ventania,
sitiando limites na viagem.

Desse mar que se afasta em maresia
o vago em teu olhar se faz aragem
nas vagas que se v√£o em vaga via
vigia de teus pés no vão das margens.

E o fio da teia vai fugindo fosco,
irreparável névoa pressentida
nos livros que n√£o leste, nesses poucos

momentos que sobravam da medida.
Ang√ļstia de ponteiros, sol deposto,
no tédio das desoras foge a vida.

Vida que bem mereces por inteiro,
e é pouca a que te dou de companheiro.

Soneto Da Sentida Solid√£o

A falta é complemento da saudade,
servida em larga ausência nos ponteiros,
bandeja dos segundos que se evade,
em pasto das desoras, sorrateira.

Estar é seduzir sem muito alarde,
no avaro aqui agora companheiro,
o porto da atenção que se me guarde
o ser presente da sanha viageira.

Partir é sentimento de voltar,
liberta, eu sei, no vento e seu afoite,
navega a sina em rasa preamar;

ela, essa ausente, é dona e meu açoite,
no seu impulso presto em navegar,
vai se enfunando em névoa pela noite.