Cita√ß√Ķes sobre Prepot√™ncia

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Frases sobre prepot√™ncia, poemas sobre prepot√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre prepot√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Fim do Amor Tr√°gico e Rom√Ęntico?

Vivemos, de facto, numa √©poca em que a no√ß√£o de amor tr√°gico e rom√Ęntico, que herd√°mos do s√©culo dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos – e at√© com o car√°cter de constru√ß√£o moral e est√©tica – essa rela√ß√£o extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclama√ß√£o da liberdade er√≥tica n√£o me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimiz√°-la e do mesmo passo desmistific√°-la, precisamente no prop√≥sito de a tornar mais l√ļcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contesta√ß√£o de todas as prepot√™ncias firmadas em preconceitos, em princ√≠pios estabelecidos aprior√≠sticamente, h√° sempre um nexo muito √≠ntimo entre a reinvindica√ß√£o da liberdade er√≥tica, da liberdade no trabalho e da liberdade pol√≠tica. E, naturalmente, quando se d√° uma explos√£o desta esp√©cie, √© como uma pedra que rola e que vai agregando uma s√©rie de materiais e descobrindo a sua pr√≥pria composi√ß√£o at√© √†s zonas mais profundas da sua estrutura.

Sanhudo, Inexor√°vel Despotismo

Sanhudo, inexor√°vel Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a f√ļria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:

Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a Raz√£o num denso abismo.

Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas,

Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas s√≥ no ext’rior, n√£o tiranizas
Do livre coração a independência.

A Irresponsabilidade da Multid√£o

A multid√£o que se chama parlamento nunca se sente t√£o feliz como quando pode calar com gritos um orador e derrubar um ministro; a multid√£o que se chama com√≠cio agita-se e exalta-se, mal um grito a incita a bradar ¬ęAbaixo!¬Ľ sob as janelas de um inimigo ou a reclamar a cabe√ßa de um indiv√≠duo odiado ou ainda a queimar qualquer s√≠mbolo do poder, quer se trate de um panfleto, quer de um pal√°cio de justi√ßa; a multid√£o reunida num teatro que d√° pelo nome de p√ļblico pode aplaudir uma pe√ßa nova, mas, quando estimulada, n√£o hesita em condenar e precipitar √† for√ßa de uivos e assobios quem supunha t√™-lo conquistado e ser-lhe, pelo engenho, superior.
No fundo, toda a multid√£o √© um p√ļblico, que n√£o quer dispersar sem ter assistido a um espect√°culo. No entanto, selvagem como √©, prefere os espect√°culos tr√°gicos; sente o circo dos gladiadores ou o torneio, mais do que a f√°bula pastoral. Quando se animaliza, quer sangue – pelo menos, v√™-lo.
Estar entre muito incute a sensação de força, ou seja, da prepotência e, ao mesmo tempo, a certeza da irresponsabilidade e da absolvição.

Os Herdeiros da Humanidade

As gera√ß√Ķes passadas puderam acreditar que o progresso intelectual e o da civiliza√ß√£o n√£o eram sen√£o frutos do trabalho dos seus antepassados, frutos esses que herdavam e lhes permitiam uma vida mais f√°cil e mais bela. Mas as experi√™ncias mais duras dos nossos tempos mostram que isso era uma ilus√£o nefasta.
Vemos que é preciso fazer os maiores esforços para que essa herança não se transforme em maldição, mas sim em bênção para a Humanidade. Se outrora um homem já tinha valor, do ponto de vista social, quando se libertava, em certa medida, do egoísmo pessoal, exige-se-lhe hoje que vença também o egoísmo nacional e de classe. Pois só então, quando se tiver elevado a esse ponto, poderá contribuir para a melhoria do destino da comunidade humana.
No que respeita a essa exig√™ncia primordial do nosso tempo, os habitantes dos Estados mais pequenos est√£o numa situa√ß√£o relativamente mais favor√°vel do que os cidad√£os dos grandes Estados, por se encontrarem estes √ļltimos pol√≠tica e economicamente expostos √†s tenta√ß√Ķes de prepot√™ncia bruta. O acordo entre a Holanda e a B√©lgica, √ļnico ponto luminoso na evolu√ß√£o europeia nos √ļltimos tempos, faz esperar que caber√° √†s na√ß√Ķes pequenas um papel preponderante na liberta√ß√£o do jugo degradante do militarismo,

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Nesse mundo, vive-se apenas de prepotência. Se não quiseres ou não a souberes aplicar, os outros hão-de aplicá-la sobre ti. Sede, portanto, prepotentes. O mesmo digo da impostura.

Para a Salvação da Democracia

Ora a democracia cometeu, a meu ver, o erro de se inclinar algum tanto para Maquiavel, de ter apenas pluralizado os pr√≠ncipes e ter constitu√≠do em cada um dos cidad√£os um aspirante a opressor dos que ao mesmo tempo declarava seus iguais. Ser esmagada pelos condottieri que disp√Ķem das lan√ßas mercen√°rias ou pela coaliz√£o dos que manejam o boletim de voto √© para a consci√™ncia o mesmo choque violento e o mesmo intoler√°vel abuso; um tirano das ilhas vale os trinta de Atenas e os milhares de espartanos. Pode ser esta a origem de muita reac√ß√£o que parece incompreens√≠vel; h√° almas que se entregaram a outros campos porque se sentiam feridas pela prepot√™ncia de indiv√≠duos que defendiam atitudes morais s√≥ fundadas na utilidade social, na combina√ß√£o pol√≠tica. E de facto, o que se tem realizado √©, quase sempre, um arremedo de democracia sem verdadeira liberdade e sem verdadeira igualdade, exactamente porque se tomou como base do sistema uma rela√ß√£o do homem com o homem e n√£o uma rela√ß√£o do homem com o esp√≠rito de Deus. Por outras palavras: para que a democracia se salve e regenere √© urgente que se busque assent√°-la em fundamentos metaf√≠sicos e se procure a origem do poder n√£o nos caprichos e disposi√ß√Ķes individuais,

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