Cita√ß√Ķes sobre Sauda√ß√£o

10 resultados
Frases sobre sauda√ß√£o, poemas sobre sauda√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre sauda√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ergue, Criança, A Fronte Condorina

Ergue, criança, a fronte condorina
Que é tua fronte, oh!, genial criança,
√Č como a estrela-d’alva da esperan√ßa,
Do talento sagrado que a ilumina!

Ergue-a, pois, e que, à auréola purpurina
Do Sol da Ci√™ncia, o r√ļtilo tesouro
Do Estudo – o Grande Mestre – que te ensina,
Chova sobre ela suas gemas d’ouro!

E hoje que colhes um laurel bendito,
Aceita a saudação que num contrito
Fervor, eleva, qual penhor sincero

Um peito amigo a outro peito amigo,
A um gênio que desponta e que eu bendigo,
A um coração de irmão que tanto quero!

O Futuro é dos Virtuosos e dos Capazes

√Č preciso confessar, o presente √© dos ricos, e o futuro √© dos virtuosos e dos capazes. Homero ainda vive, e viver√° sempre; os recebedores de direitos, os publicanos, n√£o existem mais: existiram algum dia? A sua p√°tria, os seus nomes, s√£o conhecidos? Houve arrecadores de impostos na Gr√©cia? Que fim levaram essas personagens que desprezavam Homero, que s√≥ pensavam, na rua, em evit√°-lo, n√£o correspondiam √† sua sauda√ß√£o, ou o saudavam pelo nome, desdenhavam associ√°-lo √† sua mesa, olhavam-no como um home que n√£o era rico e fazia um livro?
O mesmo orgulho que faz elevar-se altivamente acima dos seus inferiores, faz rastejar vilmente diante dos que est√£o acima de si. √Č pr√≥prio deste v√≠cio, que n√£o se funda sobre o m√©rito pessoal nem sobre a virtude, e sim sobre as riquezas, cargos, cr√©dito, e sobre ci√™ncias v√£s, levar-nos igualmente a desprezar os que t√™m menos essa esp√©cie de bens do que n√≥s e a apreciar demais aqueles que t√™m uma medida que excede a nossa.

H√° almas sujas, amassadas com lama e sujidade, tomadas pelo desejo de ganho e interesse, como as belas almas o s√£o pelo da gl√≥ria e da virtude: capazes de uma √ļnica vol√ļpia,

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Evocação

Levanta-te Romeu do t√ļmulo em que dormes
E vem sorrir de novo à boa, à eterna luz!
De noite, ouço dizer que há sombras desconformes
E as noites do passado, oh, devem ser enormes
Na atonia fatal das larvas e da cruz!

Conchega gentilmente ao peito carcomido
Os restos do teu manto: ‚ÄĒ assim, que bem que est√°s!

Na terra h√£o de julgar-te um grande Aborrecido
Que busca desdenhoso o centro do ruído
Nas horas vis do tedio e das insonias m√°s.

O mundo transformou-se; aquele fundo abismo
Do antigo amor fatal, fechou-se d’uma vez,
E tu filho gentil do velho romantismo,
Tu vens achar dormindo o rude prozaismo
No berço onde sonhava a doce candidez!

No entanto pódes crer; faz muito menos frio
√Ā luz do novo sol; do gaz provocador;
E o século apesar de gasto e doentio,
N√£o pode j√° escutar o c√Ęntico sombrio
Que fala de edeaes e cousas sem valor!

Em paz deixa dormir a terna Julieta
Que aos céus ainda por ti levanta as brancas mãos;
E enquanto por mim corre a tétrica ampulheta,

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O Homem é um Deus que se Ignora

Dentro do homem existe um Deus desconhecido: n√£o sei qual, mas existe – dizia S√≥crates soletrando com os olhos da raz√£o, √† luz serena do c√©u da Gr√©cia, o problema do destino humano. E Cristo com os olhos da f√© lia no horizonte anuveado das vis√Ķes do profeta esta outra palavra de consola√ß√£o – dentro do homem est√° o reino dos c√©us. Profundo, alt√≠ssimo, acordo de dois g√©nios t√£o distantes pela p√°tria, pela ra√ßa, pela tradi√ß√£o, por todos os abismos que uma fatalidade misteriosa cavou entre os irm√£os infelizes, violentamente separados, duma mesma fam√≠lia! Dos dois p√≥los extremos da hist√≥ria antiga, atrav√©s dos mares insond√°veis, atrav√©s dos tempos tenebrosos, o g√©nio luminoso e humano das ra√ßas √≠ndicas e o g√©nio sombrio, mas profundo, dos povos sem√≠ticos se enviam, como primeiro mas firme penhor da futura unidade, esta sauda√ß√£o fraternal, palavra de vida que o mundo esperava na ang√ļstia do seu caos – o homem √© um Deus que se ignora.
Grande, soberana consolação de ver essa luz de concórdia raiar do ponto do horizonte aonde menos se esperava, de ver uma vez unidos, conciliados esses dois extremos inimigos, esses dois espíritos rivais cuja luta entristecia o mundo, ecoava como um tremendo dobre funeral no coração retalhado da humanidade antiga!

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A Riqueza de Espírito no Estado de Doença

Considerando como a doen√ßa √© comum, como √© tremenda a mudan√ßa espiritual que traz, como √© espantoso quando as luzes da sa√ļde se apagam, as regi√Ķes por descobrir que se revelam, que extens√Ķes desoladas e desertos da alma uma ligeira gripe nos faz ver, que precip√≠cios e relvados pontilhados de flores brilhantes uma pequena subida de temperatura exp√Ķe, que antigos e rijos carvalhos s√£o desenraizados em n√≥s pela ac√ß√£o da doen√ßa, como nos afundamos no po√ßo da morte e sentimos as √°guas da aniquila√ß√£o fecharem-se acima da cabe√ßa e acordamos julgando estar na presen√ßa de anjos e harpas quando tiramos um dente, vimos √† superf√≠cie na cadeira do dentista e confundimos o seu ¬ębocheche… bocheche¬Ľ com sauda√ß√£o da divindade debru√ßada no ch√£o do c√©u para nos dar as boas-vindas – quando pensamos nisto, como tantas vezes somos for√ßados a pensar, torna-se realmente estranho que a doen√ßa n√£o tenha arranjado um lugar, juntamente com o amor, as batalhas e o ci√ļme, por entre os principais temas da literatura.

Os Palhaços

Heróis da gargalhada, ó nobres saltimbancos,
eu gosto de vocês,
porque amo as expans√Ķes dos grandes risos francos
e os gestos de entremez,

e prezo, sobretudo, as grandes ironias
das farsas joviais.
que em visagens cruéis, imperturbáveis, frias.
à turba arremessais!

Alegres histri√Ķes dos circos e das pra√ßas,
ah, sim, gosto de vos ver
nas grandes contor√ß√Ķes, a rir, a dizer gra√ßas
de o povo enlouquecer,

ungidos pela luta heróica, descambada,
de giz e de carmim,
nas mímicas sem par, heróis da bofetada,
tit√£s do trampolim!

Correi, subi, voai num turbilh√£o fant√°stico
por entre as sauda√ß√Ķes
da turba que festeja o semideus el√°stico
nas grandes ascens√Ķes,

e no curso veloz, vertiginoso, aéreo,
fazei por disparar
na face trivial do mundo egoísta e sério
a gargalhada alvar!

Depois, mais perto ainda, a voltear no espaço,
pregai-lhe, se podeis,
um pontapé furtivo, ó lívidos palhaços,
luzentes como reis!

Eu rio sempre, ao ver aquela majestade,
os trágicos desdéns
com que nos divertis, cobertos de alvaiade,

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A Nossa Personalidade Deve Ser Indevass√°vel

A nossa personalidade deve ser indevass√°vel, mesmo por n√≥s pr√≥prios: da√≠ o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos n√£o seja poss√≠vel ter opini√Ķes a nosso respeito.
E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadez ímpar. O que desloca a vulgar saudação Рcomo está? Рde ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.

O que desloca a vulgar sauda√ß√£o – “como est√°?” – de ser uma indesculp√°vel grosseria √© o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.

C√Ęntico da Noite

Sumiu-se o sol esplêndido
Nas vagas rumorosas!
Em trevas o crep√ļsculo
Foi desfolhando as rosas!
Pela ampla terra alargar-se
Calada solid√£o!
Parece o mundo um t√ļmulo
Sob estrelado manto!
Alabastrina l√Ęmpada,
L√° sobe a lua! Entanto
Gemidos d‚Äôaves l√ļgubres
Soando a espaços vão!
Hora dos melancólicos,
Saudosos devaneios!
Hora que aos gostos íntimos
Abres os castos seios!
Infunde em nossos √Ęnimos
Inspiração da fé!
De noite, se um revérbero
De Deus nos alumia,
Destila-se de l√°grimas
A prece, a profecia!
A alma elevada em êxtase
Terrena já não é!
Antes que o sono t√°cito
Olhos nos cerre, e os sonhos
Nos tomem no seu vórtice,
J√° rindo, e j√° medonhos,
Hora dos céus, conserva-me
No extinto e no porvir.
Onde os que amei? sumiram-se.
Onde o que eu fui? deixou-me.
Deles, só vãs memórias;
De mim, só resta um nome:
No abismo do pretérito
Desfez-se choro e r√ļy
Desfez-se! e quantas l√°grimas
Brotaram de alegrias! Desfez-se!
e quantos j√ļbilos
Nasceram de agonias!

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Símios Aperfeiçoados II

A trag√©dia √© a cristaliza√ß√£o da massa humana, t√£o perigosa como a estagna√ß√£o do esp√≠rito do homem que se torna acad√©mico ou fenece por falta de entusiasmo. Gostava de saber quantas pessoas pensam em macacos durante o correr de um dia? Quantas? O homem-massa, num futuro pr√≥ximo – em rela√ß√Ķes antropol√≥gicas o pr√≥ximo leva geralmente centenas de anos – transformar-se-√° num novo espect√°culo de jardim zool√≥gico. Em vez de jaula e aldeias de s√≠mios, ele ter√° balne√°rios p√ļblicos e campos para habilidades desportivas, com ocasionais jogos nocturnos. Dar√° palmas em del√≠rio ouvindo ainda o som distante da sineta tocada pelo elefante num acto m√°ximo de intelig√™ncia paquid√©rmica. Ter√° circuitos fechados, com pistas perfeitamente cimentadas, para passear o t√©dio da fam√≠lia aos domingos, circular√° repetidamente em metropolitanos convencido de que cada nova paragem √© diferente da anterior.
E estou absolutamente crente que do naufrágio calamitoso apenas se hão-de salvar os que pela porta do cavalo fugirem ao triturar das grandes colectividades humanas, ou os que por força invencível e instintiva se libertarem para uma nova categoria de homem, ou, melhor dizendo, para a sua verdadeira categoria de homem, de homem-pensamento, na linha directa de um Platão, de um Homero, de um Aristófanes,

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