Textos sobre Povos

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Textos de povos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Estado e Cultura

A cultura é uma das formas de libertação do homem. Por isso, perante a política, a cultura deve sempre ter a possibilidade de funcionar como antipoder. E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura para que nunca a acção do Estado se transforme em dirigismo.

O Egoísta Homem Moderno

Um dos problemas mais complicados e mais dif√≠ceis dos nossos dias, o de encaminhar para um fim ben√©fico e utilit√°rio, para o bem real da nossa sociedade, essa exuber√Ęncia espantosa de prosperidade material, que muito √© de temer n√£o materialize excessivamente o esp√≠rito popular e n√£o o lance na via de uma ambi√ß√£o desenfreada e subversiva. Esta quest√£o considero-a como a √ļnica s√©ria e vital que hoje resta resolver satisfatoriamente, porque a sua resolu√ß√£o √© que h√°-de dizer a raz√£o por que n√≥s gozamos dos incalcul√°veis benef√≠cios do vapor e das suas aplica√ß√Ķes e do tel√©grafo el√©ctrico; porque √© dela que depende a sorte futura da nossa sociedade, e essa resolu√ß√£o √© tanto mais dif√≠cil que ela n√£o pode ser a obra da viol√™ncia, por isso que a viol√™ncia apressaria o termo fatal do desengano sem que a sociedade estivesse suficientemente preparada para um choque t√£o violento, e tornaria sang√ľin√°ria uma revolu√ß√£o que, longe de dever ser um cataclismo para a sociedade, dever√° executar-se brandamente. O governo, que deve saber dirigir a verdadeira opini√£o p√ļblica, pode pela sua ac√ß√£o sobre a instru√ß√£o das classes laboriosas ensinar-lhes a sua posi√ß√£o futura na sociedade e destruir as ambi√ß√Ķes desenfreadas dos pretendidos amigos do povo…

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As Bases da Sociedade

Pode dizer-se que h√° quatro coisas b√°sicas e essenciais que a esmagadora maioria do povo de uma sociedade deseja: viver num ambiente seguro, conseguir trabalhar e sustentar-se, ter acesso a boa sa√ļde p√ļblica e s√≥lidas oportunidades educacionais para os filhos. Actualmente, enquanto sociedade, podemos estar a batalhar nestas quatro √°reas, mas temos de permanecer confiantes de que, com o compromisso pessoal de cada um de n√≥s, poderemos e iremos ultrapassar os obst√°culos na via para o desenvolvimento.

H√° Que Instruir o Povo, mas…

Há que instruir o povo. Afigura-se-nos, porém, que é presunção demasiada, em nosso parecer, pelo menos, pensar que o povo sem mais nem para quê vai ouvir-nos de boca aberta. Porque o povo não é um rebanho de carneiros! Mais ainda: estamos convencidos de que compreende, ou pelo menos pressente, que nós, os senhores, tão-pouco sabemos nada, ainda que nos apresentemos como mestres, e que precisamos que alguém nos ensine primeiro; eis por que efectivamente não respeita a nossa ciência, ou pelo menos não a ama.
Quem tiver tido algum com√©rcio com o povo poder√° verificar por si pr√≥prio esta impress√£o. Para que o povo nos ou√ßa, efectivamente, de boca aberta, h√° que come√ßar por merec√™-lo, isto √©, por ganhar a sua confian√ßa, o seu respeito e essa nossa ideia de que basta usarmos da palavra para ele nos ouvir boquiaberto… n√£o √© a mais indicada para granjearmos a sua confian√ßa e muito menos a sua estima. Mas o povo compreende-o. N√£o h√° nada que o homem entenda melhor que o tom com que nos dirigimos a ele, o sentimento que ele nos inspira. A ing√©nua cren√ßa na nossa incomensur√°vel sabedoria relativamente ao povo antolha-se-lhe grotesca e em muitas ocasi√Ķes considera-a mesmo ofensiva.

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Os Sábios Célebres

Todos vós, os sábios célebres, nunca fostes mais do que os servidores do povo e da superstição popular, e não os servidores da verdade. E é precisamente por isso que vos têm honrado.
E por isso também foi tolerada a vossa incredulidade, porque parecia uma brincadeira, um rodeio engenhoso que vos levava ao povo. Assim o amo dá maior liberdade aos seus escravos e regozija-se até com a sua presunção.
Mas aquele que o povo odeia, com o ódio do lobo pelos cães, é o espírito livre, inimigo das algemas, aquele que não adora, aquele que habita as florestas.
Persegui-lo at√© ao seu esconderijo, √© aquilo a que o povo, sempre chamou ter o ¬ęsentido de justi√ßa¬Ľ; e ainda por cima d√£o ca√ßa ao solit√°rio com os seus ferozes mastins.
‘Porque a verdade est√° onde o povo est√°! Ai daqueles que a procuram!’ – √© isto o que ecoa atrav√©s dos tempos.
Quer√≠eis assentar na raz√£o a piedade tradicional do vosso povo e √© a isso que chamais ¬ęa vontade de verdade¬Ľ, √≥ s√°bios c√©lebres!
E o vosso cora√ß√£o insiste em dizer para si pr√≥prio: ‘Eu vim do povo, foi tamb√©m do povo que me veio a voz de Deus.’

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A Melhoria dos Povos Melhora os seus Deuses

À medida que os povos se tornam melhores, os Deuses melhoram também. Mas como não se lhes pode eliminar, imediatamente, as particularidades humanas que tempos mais grosseiros lhes atribuiram, as pessoas sensatas têm durante um certo tempo ainda, muitas coisas como incompreensíveis ou explicam-nas por meio de símbolos.

Um Sério Pensamento de Governo

Para n√≥s n√£o h√° acusa√ß√Ķes falsas como arma pol√≠tica, nem factos que n√£o sejam os verificados, nem promessas que n√£o sejam a antecipa√ß√£o de prop√≥sito amadurecido e de plano seguramente realizado.
Se somos contra os abusos, as injusti√ßas, as irregularidades da administra√ß√£o, o favoritismo, a desordem, a imoralidade, isto corresponde a um s√©rio pensamento de governo e n√£o a uma atitude pol√≠tica √† sombra da qual cometamos os mesmos abusos e as mesmas injusti√ßas. Ai dos que fingem abra√ßar estes princ√≠pios de salva√ß√£o nacional, e dizem acompanhar-nos na obra revolucion√°ria, e sabem que queremos ir ousadamente pelas reformas sociais elevando o n√≠vel econ√≥mico e moral do povo, e no fundo pretendem apenas adormecer na esperan√ßa as reivindica√ß√Ķes mais vivas e aproveitar a paz que lhes conquist√°mos para esquecer as exig√™ncias da justi√ßa. Esses n√£o s√£o nossos, nem est√£o connosco.

Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, √ļnico fim s√©rio da ci√™ncia, √© preciso entrar no combate da vida como entravam na li√ßa os paladinos bastardos – sem pai e sem padrinho. Os pr√≠ncipes n√£o constituem excep√ß√£o a esta lei geral da forma√ß√£o dos homens. Da educa√ß√£o de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam sen√£o doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que s√≥ aos quarenta anos √© que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educa√ß√£o de c√Ęmara come√ßou por fazer um poltr√£o. Aos quinze anos n√£o se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua √ļnica for√ßa pessoal.

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A Adulação na Amizade

Pois que √© pr√≥prio da verdadeira amizade dar e receber conselhos, d√°-los com franqueza e sem azedume, receb√™-los com paci√™ncia e sem repugn√Ęncia, persuadamo-nos bem de que n√£o ha defeito maior na amizade que a lisonja, a adula√ß√£o, as baixas complac√™ncias. Com efeito, n√£o se poderia dar bastantes nomes ao v√≠cio desses homens fr√≠volos e enganadores, que falam sempre para agradar, e jamais para dizer a verdade.
A dissimula√ß√£o √© funesta em todas as coisas (pois corrompe e altera em n√≥s o sentimento da verdade) mas √©, sobretudo, contr√°ria √† amizade. Destr√≥i a sinceridade, sem a qual n√£o subsiste mesmo o pr√≥prio nome da amizade. Se a for√ßa da amizade consiste em fazer de v√°rias almas uma s√≥, como seria assim, se em cada homem a alma n√£o √© a mesma, n√£o √© constante, mas vari√°vel, mut√°vel, tomando mil formas? De facto, que h√° de mais mut√°vel, de mais vers√°til que a alma daquele que se transforma n√£o apenas segundo o sentimento e a vontade dum outro, mas a um pequeno sinal deste, a um m√≠nimo gesto seu? ¬ęEle diz n√£o? Eu digo n√£o; ele diz sim? eu digo sim: numa palavra, eu me impus a obriga√ß√£o de tudo aplaudir¬Ľ,

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O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

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A Democracia Política Conduz à Ineficiência e Fraqueza de Direcção

Os defeitos da democracia pol√≠tica como sistema de governo s√£o t√£o √≥bvios, e t√™m sido tantas vezes catalogados, que n√£o preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia pol√≠tica foi criticada porque conduz √† inefici√™ncia e fraqueza de direc√ß√£o, porque permite aos homens menos desej√°veis obter o poder, porque fomenta a corrup√ß√£o. A inefici√™ncia e fraqueza da democracia pol√≠tica tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando √© preciso tomar e cumprir decis√Ķes rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milh√Ķes de eleitores em poucas horas √© uma impossibilidade f√≠sica. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decis√£o aos eleitores – em cujo caso todo o princ√≠pio da democracia pol√≠tica ter√° sido tratado com o desprezo que em circunst√Ęncias cr√≠ticas ela merece; ou ent√£o o povo √© consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequ√™ncias fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia pol√≠tica foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.

As Três Espécies de Portugueses

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro √© o portugu√™s que o n√£o √©. Come√ßou com a invas√£o mental estrangeira, que data, com verdade poss√≠vel, do tempo do Marqu√™s de Pombal. Esta invas√£o agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a Rep√ļblica. Este portugu√™s (que √© o que forma grande parte das classes m√©dias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) √© o que governa o pa√≠s. Est√° completamente divorciado do pa√≠s que governa. √Č, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, √© est√ļpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas,

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Como é Difícil Ser Natural

√Č curioso como √© dif√≠cil ser natural. Como a gente est√° sempre pronta a vestir a casaca das ideias, sem a humildade de se mostrar em camisa, na intimidade simples e humana da estupidez ou mesmo da indiferen√ßa. Fiz agora um grande esfor√ßo para dizer coisas brilhantes da guerra futura, da harmonia dos povos, da pr√≥xima crise. E, afinal de contas, era em camisa que eu devia continuar quando a visita chegou. No fundo, n√£o disse nada de novo, n√£o fiquei mais do que sou, n√£o mudei o curso da vida. Fui apenas rid√≠culo. Se n√£o aos olhos do interlocutor, que disse no fim que gostou muito de me ouvir, pelo menos aos meus, o que ainda √© mais penoso e mais tr√°gico.

As Entranhas da Terra na Vida de um Homem

Ao fim dos primeiros dias de trabalho, deu por si de p√© no centro do corredor, percorrendo as divis√Ķes com o olhar, e julgou perceber melhor a massa de que era feito o seu povo. Tudo oxidava. Os metais oxidavam, as madeiras oxidavam, as paredes e os tecidos e os objectos oxidavam ‚ÄĒ e o que n√£o oxidava enchia-se de salitre, ressequia ao sol ou, sobrevivendo aos abalos de terra, tombava √† f√ļria do vento. E, no entanto, havia algo de belo nisso tamb√©m, como se ao cabo de uma s√≥ vida um homem pudesse dizer, sem grande esfor√ßo meton√≠mico, que as entranhas da Terra se revolviam no interior do seu pr√≥prio est√īmago.

História não é só Cronologia

Um dos principais defeitos dos trabalhos históricos no nosso país parece-me ser a insulação de cada um dos aspectos sociais de qualquer época, que nunca se conhecerá, nem entenderá, enquanto a sociedade se não estudar em todas as suas formas de existir, enquanto se não contemplar em todos os seus caracteres.
Estas cartas, se merecerem a aprovação de V. Exas., poderão algum dia servir, no que tiverem de bom, se o tiverem, de esclarecimento e notas a uma parte da História Portuguesa, como eu concebo que ela se deveria escrever: história não tanto dos indivíduos como da Nação; história que não ponha à luz do presente o que se deve ver à luz do passado; história, enfim, que ligue os elementos diversos que constituem a existência de um povo em qualquer época, em vez de ligar um ou dois desses elementos, não com os outros que com ele coexistem, mas com os seus afins na sucessão dos tempos.
A hist√≥ria pode comparar-se a uma coluna pol√≠gona de m√°rmore. Quem quiser examin√°-la deve andar ao redor dela, contempl√°-la em todas as suas faces. O que entre n√≥s se tem feito, com honrosas excep√ß√Ķes, √© olhar para um dos lados,

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Fartos da Demagogia e do Sectarismo

E os Portugueses? Fartos dos malabarismos que os partidos do poder fizeram para a ele se manterem agarrados, fartos da demagogia e do sectarismo, correspondem a esta crise pol√≠tica com uma atitude de profunda indiferen√ßa, que √© altamente preocupante em democracia. (…) Face a esta crise nacional, face a um pa√≠s angustiado, desagregado e √† deriva, em que se fracionaram os sentidos de solidariedade e de interesse nacional para serem substitu√≠dos por uma pol√≠tica do salve-se quem puder, o Povo Portugu√™s esperava que este debate lhe trouxesse finalmente uma esperan√ßa nova de ver os partidos discutirem aqui os verdadeiros problemas nacionais, de ver os partidos reconsiderarem aqui as suas posi√ß√Ķes, reconhecerem os seus erros, disporem-se a encetar vida nova.

O Desejo como Consequência do Prazer e da Dor

O prazer e a dor suscitam o desejo. Desejo de alcançar o prazer e de evitar a dor. O desejo é o móbil principal da nossa vontade e, portanto, dos nossos atos. Do pólipo aos homens, todos os seres são movidos pelo desejo. Inspira a vontade, que não pode existir sem ele, e depende da sua intensidade. O desejo fraco suscita, naturalmente, uma vontade fraca.
Cumpre, no entanto, não confundir vontade e desejo, como fizeram muitos filósofos, tais como Condillac e Schopenhauer. Tudo quanto é querido é, evidentemente, desejado; mas desejamos muitas coisas que, sabemos, não podíamos querer. A vontade traduz deliberação, determinação e execução, estados de consciência que não se observam no desejo.
O desejo estabelece a escala dos nossos valores, variável, aliás, com o tempo e as raças. O ideal de cada povo é a fórmula do seu desejo.
Um desejo que invade todo o entendimento, transforma a nossa concep√ß√£o das coisas, as nossas opini√Ķes e as nossas cren√ßas. Spinoza muito bem disse julgamos uma coisa boa, n√£o por julgamento, mas porque a desejamos.

Não existindo em si mesmo o valor das coisas, ele é apenas determinado pelo desejo e proporcionalmente à intensidade desse desejo.A variável apreciação dos objetos de arte fornece desse fato uma prova diária.

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Ganham-se melhor as guerras pelo estratagema; mas ao povo governa-se melhor pela franqueza

Ganham-se melhor as guerras pelo estratagema; mas ao povo governa-se melhor pela franqueza.

O Orgulho de Ser Português

Aquelas qualidades que se revelaram e fixaram e fazem de n√≥s o que somos e n√£o outros; aquela do√ßura de sentimentos, aquela mod√©stia, aquele esp√≠rito de humanidade, t√£o raro hoje no mundo; aquela parte de espiritualidade que, mau grado tudo que a combate inspira ainda a vida portuguesa; o √Ęnimo sofredor; a valentia sem alardes; a facilidade de adapta√ß√£o e ao mesmo tempo a capacidade de imprimir no meio exterior os tra√ßos do modo de ser pr√≥prio; o apre√ßo dos valores morais; a f√© no direito, na justi√ßa, na igualdade dos homens e dos povos; tudo isso, que n√£o √© material nem lucrativo, constitui tra√ßos do car√°cter nacional. Se por outro lado contemplamos a Hist√≥ria maravilhosa deste pequeno povo, quase t√£o pobre hoje como antes de descobrir o mundo; as pegadas que deixou pela terra de novo conquistada ou descoberta; a beleza dos monumentos que ergueu; a l√≠ngua e literatura que criou; a vastid√£o dos dom√≠nios onde continua, com exemplar fidelidade √† sua Hist√≥ria e car√°cter, alta miss√£o civilizadora – concluiremos que Portugal vale bem o orgulho de se ser portugu√™s.

Todos Nós Hoje Nos Desabituamos do Trabalho de Verificar

Todos n√≥s hoje nos desabituamos, ou antes nos desembara√ßamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. √Č com impress√Ķes flu√≠das que formamos as nossas maci√ßas conclus√Ķes. Para julgar em Pol√≠tica o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manh√£ de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou‚ÄĒapenas nos basta folhear aqui e al√©m uma p√°gina, atrav√©s do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza √© fulminante. Com que soberana facilidade declaramos‚ÄĒ¬ęEste √© uma besta! Aquele √© um maroto!¬Ľ Para proclamar‚ÄĒ¬ę√Č um g√©nio!¬Ľ ou ¬ę√Č um santo!¬Ľ of erecemos uma resist√™ncia mais considerada. Mas ainda assim, quando uma boa digest√£o ou a macia luz dum c√©u de Maio nos inclinam √† benevol√™ncia, tamb√©m concedemos bizarramente, e s√≥ com lan√ßar um olhar distra√≠do sobre o eleito, a coroa ou a aur√©ola, e a√≠ empurramos para a popularidade um magan√£o enfeitado de louros ou nimbado de raios. Assim passamos o nosso bendito dia a estampar r√≥tulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. N√£o h√° ac√ß√£o individual ou colectiva, personalidade ou obra humana, sobre que n√£o estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opini√£o bojuda E a opini√£o tem sempre,

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