Textos sobre Povos

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Textos de povos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Reinstalar a Solidariedade Humana

Os valores da solidariedade humana que outrora estimularam a nossa demanda de uma sociedade humana parecem ter sido substitu√≠dos, ou estar amea√ßados, por um materialismo grosseiro e a procura de fins sociais de gratifica√ß√£o instant√Ęnea. Um dos desafios do nosso tempo, sem ser beato ou moralista, √© reinstalar na consci√™ncia do nosso povo esse sentido de solidariedade humana, de estarmos no mundo uns para os outros, e por causa e por meio dos outros.

Virtude Representa Muito Mais que Bondade

Parece-me que a virtude √© coisa diferente e mais nobre do que as inclina√ß√Ķes para a bondade que nascem em n√≥s. As almas bem ajustadas por si mesmas e bem nascidas seguem o mesmo andamento e apresentam nas suas a√ß√Ķes a mesma apar√™ncia que as virtuosas. Por√©m a virtude significa n√£o sei qu√™ de maior e mais activo do que, por uma √≠ndole favorecida, deixar-se conduzir docemente e tranquilamente na esteira da raz√£o. Aquele que com uma do√ßura e complac√™ncia naturais menosprezasse as ofensas recebidas faria coisa mui bela e digna de louvor; mas aquele que, espica√ßado e ultrajado at√© o √Ęmago por uma ofensa, se armasse com as armas da raz√£o contra o furio¬≠so apetite de vingan√ßa e ap√≥s um grande conflito finalmen¬≠te o dominasse, sem a menor d√ļvida seria muito mais. Aquele agiria bem, e este virtuosamente: uma ac√ß√£o poder-¬≠se-ia dizer bondade; a outra, virtude, pois parece que o nome de virtude pressup√Ķe dificuldade e oposi√ß√£o, e que ela n√£o pode se exercer sem combate. Talvez seja por isso que chamamos Deus de bom, forte e liberal, e justo; mas n√£o O chamamos de virtuoso: Os Seus actos s√£o todos natu¬≠rais e sem esfor√ßo.
Metelo, o √ļnico de todos os senadores romanos a se ter proposto,

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Compreender e Unir

J√° s√£o em n√ļmero demasiado os que vieram ao mundo para combater e separar; o progresso e valor de cada seita e de cada grupo dependeram talvez desta atitude descriminadora e intransigente; aceitemos como o melhor que foi poss√≠vel tudo o que nos apresenta o passado; mas procuremos que seja outra a atitude que tomarmos; lancemos sobre a terra uma semente de renova√ß√£o e de √≠ntimo aperfei√ßoamento.
Reservemos para n√≥s a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada cren√ßa n√£o o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abord√°vel, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um m√ļtuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia.
Reflitamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. Surja à luz a íntima corrente tanta vez soterrada e nela nos banhemos. Aprendamos a chamar irmão ao nosso irmão e façamos apelo ao nosso maior esforço para que se não quebre a atitude fraternal,

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Evitar a Sabedoria de Umbigo

Se algu√©m se inebria com o seu saber ao olhar para baixo de si, que volte o olhar para cima, rumo aos s√©culos passados, e abaixar√° os cornos ao encontrar a√≠ tantos milhares de esp√≠ritos que o calcam aos p√©s. Se ele forma alguma ligeira presun√ß√£o do seu valor, que se recorde das vidas dos dois Cipi√Ķes e dos incont√°veis ex√©rcitos e povos que o deixam muito para tr√°s. Nenhuma particular qualidade dar√° motivo de orgulho aquele que, ao mesmo tempo, tiver em conta os muitos tra√ßos de imperfei√ß√£o e debilidade que em si h√° e, enfim, a nulidade da condi√ß√£o humana.
Porque S√≥crates foi o √ļnico a compreender acertadamente o preceito do seu Deus, o de conhecer-se a si mesmo, e atrav√©s de tal estudo, ter chegado a desprezar-se, s√≥ ele foi julgado digno de sobrenome de ¬ęs√°bio¬Ľ. Quem assim se conhecer, que tenha a aud√°cia de, pela sua pr√≥pria boca, o dar a conhecer.

Em Portugal, Ter Amor às Nossas Coisas Implica Dizer Mal Delas

Em Portugal, ter amor às nossas coisas implica dizer mal delas, já que a maior parte delas não anda bem. Nem uma coisa nem outra constitui novidade. Nem dizer mal delas, nem o facto de elas não andarem bem. Será que se diz mal na esperança de que elas se ponham boas? Também não. As nossas causas são quase sempre perdidas. Porquê então?

Porque o nosso maior bem, como António Vieira contradizia, é nunca estarmos satisfeitos. Nas nossas cabeças perversas e almas amarguradas, onde se acham todas as coisas portuguesas tal e qual achamos que deviam ser, Portugal é o país mais perfeito do mundo. Já isso é uma espécie de país, melhor do que os países reais onde as pessoas estão realmente convencidas que as coisas correm muito bem. Aprendemos a viver com esse país. E alguns conseguiram mesmo viver nele.

Desdenhar o que se tem e elogiar o que têm os outros, mas sem querer trocar, é a principal característica do aristocrático feitio do povo português. Às vezes penso que dizemos tanto mal de Portugal e dos portugueses para que não sejam os estrangeiros a fazê-lo. Monopolizamos a maledicência para nos defendermos; para evitar a concorrência.

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A Mentira é a Base da Civilização Moderna

√Č na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civiliza√ß√£o moderna. Ela firma-se, como t√£o claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira pol√≠tica, na mentira econ√≥mica, na mentira matrimonial, etc… A mentira formou este ser, √ļnico em todo o Universo: o homem antip√°tico.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens s√£o s√ļbditos desta omnipotente Majestade. Derrub√°-la do trono; arrancar-lhe das m√£os o ceptro ensaguentado, √© a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direc√ß√£o dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc. …
E os oper√°rios que t√™m trabalhado na obra da Justi√ßa e do Bem, foram os p√°rias da √ćndia, os escravos de Roma, os miser√°veis do bairro de Santo Ant√≥nio,

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A Mudança só se Dá na Continuidade

Dirigirmo-nos a algu√©m com a miss√£o de que se transforme noutro, √© irmos com a embaixada de que ele deixe de ser ele. Cada qual defende a sua personalidade, e s√≥ aceita uma mudan√ßa na sua maneira de pensar ou de sentir, na medida em que esta altera√ß√£o possa entrar na unidade do seu esp√≠rito e enredar-se na sua continuidade; na medida em que essa mudan√ßa se puder harmonizar e se conseguir integrar com tudo o resto da sua maneira de ser, pensar e sentir, e possa, por outro lado, enla√ßar-se nas suas recorda√ß√Ķes. Nem a um homem, nem a um povo – que, em certo sentido, tamb√©m √© um homem – se pode exigir uma mudan√ßa, que desfa√ßa a unidade e a continuidade da sua pessoa. Pode-se mud√°-lo muito, quase at√© por completo; mas sempre, dentro da continuidade.
√Č certo que, em certos indiv√≠duos, acontece aquilo a que se chama mudan√ßa de personalidade; mas isso √© um caso patol√≥gico, e √© como tal que os psiquiatras o estudam. Nessas altera√ß√Ķes de personalidade, a mem√≥ria, base da consci√™ncia, arruina-se por completo e, ao pobre paciente, s√≥ resta, como substracto de continuidade individual – j√° que n√£o pessoal -, o organismo f√≠sico.

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Memória Curta

A vida dos povos prova a necessidade de repeti√ß√Ķes que impressionem. Acumula√ß√Ķes de ru√≠nas e torrentes de sangue s√£o, por vezes, necess√°rias para que a alma de uma ra√ßa assimile certas verdades experimentais.
Muitas vezes ela n√£o se aproveita disso durante muito tempo porquanto, em virtude da diminuta dura√ß√£o da mem√≥ria afectiva, as aquisi√ß√Ķes experimentais de uma gera√ß√£o servem pouco para outra.
Todas as na√ß√Ķes verificam, desde as origens do mundo, que a anarquia termina pela ditadura. Mas dessa eterna li√ß√£o elas n√£o tiram qualquer proveito. Repetidos factos mostram que as precau√ß√Ķes s√£o o melhor meio de favorecer a extens√£o de uma cren√ßa religiosa, mas isso n√£o impede que, sem tr√©guas, essas persegui√ß√Ķes continuem. A experi√™ncia ensina ainda que ceder perpetuamente a amea√ßas populares √© condenar-se a tornar imposs√≠vel qualquer governo. Vemos, no entanto, que os pol√≠ticos diariamente olvidam essa evid√™ncia.

Duas Espécies de Génio

H√° duas esp√©cies de g√©nio: um que, antes de mais, fecunda e quer fecundar outros, e outro que prefere ser fecundado e parir. E da mesma maneira h√° entre os povos geniais aqueles a quem coube o problema feminino da gravidez e a miss√£o secreta de formar, amadurecer e aperfei√ßoar – os gregos, por exemplo, foram um povo desta esp√©cie, assim como os franceses – ; e outros que t√™m de fecundar e ser a causa de novas ordens de vida, – como os judeus, os romanos e talvez, perguntando-se com toda a mod√©stia, os alem√£es? – povos atormentados e extasiados com febres desconhecidas e irresistivelmente impelidos para fora de si pr√≥prios, apaixonados e √°vidos de ra√ßas estranhas (aqueles que se ¬ędeixam fecundar¬Ľ -) e, com tudo isso, √°vidos de dom√≠nio, como tudo o que se sabe cheio de for√ßa geradora e, por conseguinte, escolhido ¬ępela gra√ßa de Deus¬Ľ. Estas duas esp√©cies procuram-se como o homem e a mulher; mas tamb√©m se d√£o mal mutuamente, – como o homem e a mulher.

O Centro do Universo

Se todo o indivíduo pudesse escolher entre o seu próprio aniquilamento e o do resto do mundo, não preciso dizer para que lado, na maioria dos casos, penderia a balança. Conforme essa escolha, cada um faz de si o centro do universo, refere tudo a si mesmo e considera primeiramente tudo o que acontece Рpor exemplo, as maiores mudanças no destino dos povos Рdo ponto de vista do seu interesse. Ainda que este seja muito pequeno e remoto, é nele que pensa acima de tudo. Não existe contraste maior do que aquele entre a alta e exclusiva divisão, que cada um faz dentro do seu próprio eu, e a indiferença com a qual, em geral, todos os outros consideram aquele eu, bem como o primeiro faz com o deles.
Chega a ter o seu lado c√≥mico ver os in√ļmeros indiv√≠duos que, pelo menos no aspecto pr√°tico, consideram-se exclusivamente reais e aos outros, de certo modo, como meros fantasmas.
[…] O √ļnico universo que todos realmente conhecem e do qual t√™m consci√™ncia √© aquele que carregam consigo como sua representa√ß√£o e que, portanto, constitui o seu centro. √Č justamente por isso que cada um √© em si mesmo tudo em tudo.

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O Poder que Alterna entre o Dinheiro e o Sangue

Um poder s√≥ pode ser derrubado por outro poder, e n√£o por um princ√≠pio, e nenhum poder capaz de defrontar o dinheiro resta, a n√£o ser este.O dinheiro s√≥ √© derrubado e abolido pelo sangue. A vida √© alfa e √≥mega, o cont√≠nuo fluxo c√≥smico em forma microc√≥smica. √Č o facto de factos no mundo-como-hist√≥ria… Na Hist√≥ria √© a vida e s√≥ a vida – qualidade r√°cica, o triunfo da vontade-de-poder – e n√£o a vit√≥ria de verdades, descobertas ou dinheiro que importa. A hist√≥ria do mundo √© o tribunal do mundo, e decidiu sempre a favor da vida mais forte, mais completa e mais confiante em si – decretou-lhe, nomeadamente, o direito de existir, sem querer saber se os seus direitos resistiriam perante um tribunal de consci√™ncia despertada. Sacrificou sempre a vontade e a justi√ßa ao poder e √† ra√ßa e lavrou senten√ßa de morte a homens e povos para os quais a verdade valia, mais do que os feitos e a justi√ßa, mais que a for√ßa. E assim o drama de uma alta Cultura – esse maravilhoso mundo de divindades, artes, pensamentos, batalhas e cidades – termina com o regresso dos factos pr√≠stinos do eterno sangue que √© uma e a mesma coisa que o sempre-envolvente fluxo c√≥smico…

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O Nobre Patriotismo dos Patriotas

H√° em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a p√°tria, n√£o dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos cora√ß√Ķes fortes. Respeitam a tradi√ß√£o, mas o seu esfor√ßo vai todo para a na√ß√£o viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para tr√°s as gl√≥rias que ganh√°mos nas Molucas, ocupam-se da p√°tria contempor√Ęnea, cujo cora√ß√£o bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspira√ß√Ķes, dirigir-lhe as for√ßas, torn√°-la mais livre, mais forte, mais culta, mais s√°bia, mais pr√≥spera, e por todas estas nobres qualidades elev√°-la entre as na√ß√Ķes. Nada do que pertence √† p√°tria lhes √© estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas n√£o ficam para todo o sempre petrificados nessa admira√ß√£o: v√£o por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instru√ß√£o, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ci√™ncia e justi√ßa.
P√Ķem a p√°tria acima do interesse, da ambi√ß√£o, da glor√≠ola; e se t√™m por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paix√£o diviniza-os. Tudo o que √© seu o d√£o √† p√°tria: sacrificam-lhe vida, trabalho, sa√ļde, for√ßa, o melhor de si mesmo. D√£o-lhe sobretudo o que as na√ß√Ķes necessitam mais,

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O Ponto mais Alto da Moral Consiste na Gratid√£o

O ponto mais alto da moral consiste na gratid√£o. E esta verdade proclam√°-la-√£o todas as cidades, todos os povos, mesmo os oriundos das regi√Ķes b√°rbaras, neste ponto est√£o de acordo os bons e os maus. Haver√° quem aprecie sobre¬≠tudo o prazer, outros haver√° que julguem prefer√≠vel o esfor√ßo activo; uns consideram a dor como o sumo mal, para outros a dor n√£o ser√° sequer um mal; alguns inclui¬≠r√£o a riqueza no sumo bem, outros dir√£o que a riqueza foi inventada para o mal da humanidade e que o homem mais rico √© aquele a quem a fortuna nada encontra para dar; no meio desta diversidade de posi√ß√Ķes uma coisa h√° que todos afirmar√£o, como soe dizer-se, a uma s√≥ voz: que devemos gratid√£o √†queles que nos favorecem. Neste ponto toda esta multid√£o de opini√Ķes se mostra de acordo, mesmo quando por vezes pagamos favores com inj√ļrias; e a pri¬≠meira causa de ingratid√£o √© n√£o podermos ser suficiente¬≠mente gratos. A insensatez chegou ao ponto de se tornar perigos√≠ssimo fazer um grande benef√≠cio a algu√©m; como se considera uma vergonha n√£o pagar o benef√≠cio, julga-se prefer√≠vel n√£o existir ningu√©m que no-lo fa√ßa! Goza em paz o que de mim recebeste; n√£o to reclamo,

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Estado e Cultura

A cultura é uma das formas de libertação do homem. Por isso, perante a política, a cultura deve sempre ter a possibilidade de funcionar como antipoder. E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura para que nunca a acção do Estado se transforme em dirigismo.

O Egoísta Homem Moderno

Um dos problemas mais complicados e mais dif√≠ceis dos nossos dias, o de encaminhar para um fim ben√©fico e utilit√°rio, para o bem real da nossa sociedade, essa exuber√Ęncia espantosa de prosperidade material, que muito √© de temer n√£o materialize excessivamente o esp√≠rito popular e n√£o o lance na via de uma ambi√ß√£o desenfreada e subversiva. Esta quest√£o considero-a como a √ļnica s√©ria e vital que hoje resta resolver satisfatoriamente, porque a sua resolu√ß√£o √© que h√°-de dizer a raz√£o por que n√≥s gozamos dos incalcul√°veis benef√≠cios do vapor e das suas aplica√ß√Ķes e do tel√©grafo el√©ctrico; porque √© dela que depende a sorte futura da nossa sociedade, e essa resolu√ß√£o √© tanto mais dif√≠cil que ela n√£o pode ser a obra da viol√™ncia, por isso que a viol√™ncia apressaria o termo fatal do desengano sem que a sociedade estivesse suficientemente preparada para um choque t√£o violento, e tornaria sang√ľin√°ria uma revolu√ß√£o que, longe de dever ser um cataclismo para a sociedade, dever√° executar-se brandamente. O governo, que deve saber dirigir a verdadeira opini√£o p√ļblica, pode pela sua ac√ß√£o sobre a instru√ß√£o das classes laboriosas ensinar-lhes a sua posi√ß√£o futura na sociedade e destruir as ambi√ß√Ķes desenfreadas dos pretendidos amigos do povo…

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As Bases da Sociedade

Pode dizer-se que h√° quatro coisas b√°sicas e essenciais que a esmagadora maioria do povo de uma sociedade deseja: viver num ambiente seguro, conseguir trabalhar e sustentar-se, ter acesso a boa sa√ļde p√ļblica e s√≥lidas oportunidades educacionais para os filhos. Actualmente, enquanto sociedade, podemos estar a batalhar nestas quatro √°reas, mas temos de permanecer confiantes de que, com o compromisso pessoal de cada um de n√≥s, poderemos e iremos ultrapassar os obst√°culos na via para o desenvolvimento.

H√° Que Instruir o Povo, mas…

Há que instruir o povo. Afigura-se-nos, porém, que é presunção demasiada, em nosso parecer, pelo menos, pensar que o povo sem mais nem para quê vai ouvir-nos de boca aberta. Porque o povo não é um rebanho de carneiros! Mais ainda: estamos convencidos de que compreende, ou pelo menos pressente, que nós, os senhores, tão-pouco sabemos nada, ainda que nos apresentemos como mestres, e que precisamos que alguém nos ensine primeiro; eis por que efectivamente não respeita a nossa ciência, ou pelo menos não a ama.
Quem tiver tido algum com√©rcio com o povo poder√° verificar por si pr√≥prio esta impress√£o. Para que o povo nos ou√ßa, efectivamente, de boca aberta, h√° que come√ßar por merec√™-lo, isto √©, por ganhar a sua confian√ßa, o seu respeito e essa nossa ideia de que basta usarmos da palavra para ele nos ouvir boquiaberto… n√£o √© a mais indicada para granjearmos a sua confian√ßa e muito menos a sua estima. Mas o povo compreende-o. N√£o h√° nada que o homem entenda melhor que o tom com que nos dirigimos a ele, o sentimento que ele nos inspira. A ing√©nua cren√ßa na nossa incomensur√°vel sabedoria relativamente ao povo antolha-se-lhe grotesca e em muitas ocasi√Ķes considera-a mesmo ofensiva.

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Os Sábios Célebres

Todos vós, os sábios célebres, nunca fostes mais do que os servidores do povo e da superstição popular, e não os servidores da verdade. E é precisamente por isso que vos têm honrado.
E por isso também foi tolerada a vossa incredulidade, porque parecia uma brincadeira, um rodeio engenhoso que vos levava ao povo. Assim o amo dá maior liberdade aos seus escravos e regozija-se até com a sua presunção.
Mas aquele que o povo odeia, com o ódio do lobo pelos cães, é o espírito livre, inimigo das algemas, aquele que não adora, aquele que habita as florestas.
Persegui-lo at√© ao seu esconderijo, √© aquilo a que o povo, sempre chamou ter o ¬ęsentido de justi√ßa¬Ľ; e ainda por cima d√£o ca√ßa ao solit√°rio com os seus ferozes mastins.
‘Porque a verdade est√° onde o povo est√°! Ai daqueles que a procuram!’ – √© isto o que ecoa atrav√©s dos tempos.
Quer√≠eis assentar na raz√£o a piedade tradicional do vosso povo e √© a isso que chamais ¬ęa vontade de verdade¬Ľ, √≥ s√°bios c√©lebres!
E o vosso cora√ß√£o insiste em dizer para si pr√≥prio: ‘Eu vim do povo, foi tamb√©m do povo que me veio a voz de Deus.’

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A Melhoria dos Povos Melhora os seus Deuses

À medida que os povos se tornam melhores, os Deuses melhoram também. Mas como não se lhes pode eliminar, imediatamente, as particularidades humanas que tempos mais grosseiros lhes atribuiram, as pessoas sensatas têm durante um certo tempo ainda, muitas coisas como incompreensíveis ou explicam-nas por meio de símbolos.

Um Sério Pensamento de Governo

Para n√≥s n√£o h√° acusa√ß√Ķes falsas como arma pol√≠tica, nem factos que n√£o sejam os verificados, nem promessas que n√£o sejam a antecipa√ß√£o de prop√≥sito amadurecido e de plano seguramente realizado.
Se somos contra os abusos, as injusti√ßas, as irregularidades da administra√ß√£o, o favoritismo, a desordem, a imoralidade, isto corresponde a um s√©rio pensamento de governo e n√£o a uma atitude pol√≠tica √† sombra da qual cometamos os mesmos abusos e as mesmas injusti√ßas. Ai dos que fingem abra√ßar estes princ√≠pios de salva√ß√£o nacional, e dizem acompanhar-nos na obra revolucion√°ria, e sabem que queremos ir ousadamente pelas reformas sociais elevando o n√≠vel econ√≥mico e moral do povo, e no fundo pretendem apenas adormecer na esperan√ßa as reivindica√ß√Ķes mais vivas e aproveitar a paz que lhes conquist√°mos para esquecer as exig√™ncias da justi√ßa. Esses n√£o s√£o nossos, nem est√£o connosco.