Passagens sobre Serenos

244 resultados
Frases sobre serenos, poemas sobre serenos e outras passagens sobre serenos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Vozinha

Velha, velhinha, da doçura boa
De uma pomba nevada, etérea, mansa.
Alma que se ilumina e se balança
Dentre as redes da Fé que nos perdoa.

Cabeça branca de serena leoa,
Carinho, amor, meiguice que n√£o cansa,
Coração nobre sempre como a lança
Que n√£o vergue, n√£o fira e que n√£o doa.

Olhos e voz de castidades vivas,
P√£o √°zimo das P√°scoas afetivas,
Simples, tranq√ľila, dadivosa, franca.

Morreu tal qual vivera, mansamente,
Na alvura doce de uma luz algente,
Como que morta de uma morte branca.

Retrato da Beleza Nova e Pura

Retrato da beleza nova e pura
Que com divina m√£o, divino engenho,
Amor retratou na alma, onde vos tenho
Das inj√ļrias do tempo mais segura,

N√£o mostreis aspereza em tal brandura,
Por vos vingar de mim, vendo que venho
a tanta confiança, que detenho
Os olhos em tamanha formosura.

O resplendor do Céu, sem dar mais pena
A quem olha seus raios em direito,
A vista só por breve espaço assombra,

Mas vossa luz mais clara, mais serena,
Juntamente me cega, e abrasa o peito:
Vede o Sol que far√°, de que sois sombra!

Manh√£

A manh√£ nasce das muitas janelas
deste sereno corpo fatigado,
sede dos meus caminhos sem cancelas,
na luz de muitos astros albergados.

Casa em que me recolho das mazelas,
dos louros, derroteiros, lado a lado,
para de mim ouvir franca seq√ľela:
Ecce Homo! Eis o triste camuflado.

Essa tristeza antiga em residência,
às vezes se constrói em face alegre,
máscara sem eu mesmo em aparência

num carnaval insólito em seu frege.
O que me salva a cor nessa vivência
é saber que a poesia é quem me rege.

Para Que Serve A Poesia?

De servir-se utensílio dia a dia
utilidade pr√°tica aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.

O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camel√īs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.

De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho e o fugaz fulgor de astro arisco.
Serena sentença em sina servida,

seu valor se aquilata e se esparrama
na livre chama acesa de quem ama.

Quando em Meu Desvelado Pensamento

Quando em meu desvelado pensamento
O teu formoso gesto se afigura,
N√£o sei que afecto sinto, ou que ternura,
Que a toda esta alma d√° contentamento.

Ali fico num largo esquecimento,
Contemplando na minha conjectura
De teu sereno rosto a graça pura,
De teus olhos o doce movimento.

Porém logo a inconstante fantasia
Me acorda o entendimento arrebatado,
E desfaz todo o bem que me fingia,

Sendo tal este gosto imaginado,
Que de Amor outra glória eu não queria
Mais que trazer-te sempre em meu cuidado.

Deslumbramentos

Milady, é perigoso contemplá-la,
Quando passa arom√°tica e normal,
Com seu tipo t√£o nobre e t√£o de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!…

Em si tudo me atrai como um tesouro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de ouro
E o seu nevado e l√ļcido perfil!

Ah! Como me estonteia e me fascina…
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E t√£o alta e serena como a Morte!…

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Brit√Ęnica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e m√ļsica no andar!

O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um dem√īnio a ilumin√°-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas m√£os,
O modo diplom√°tico e orgulhoso
Que Ana de √Āustria mostrava aos cortes√£os.

Continue lendo…

O Final Do Guarani

(Santos, 15 jul. 1883)

Ceci — √© a virgem loira das brancas harmonias,
A doce-flor-azul dos sonhos cor de rosa,
Peri — o √≠ndio ousado das bruscas fantasias,
O tigre dos sert√Ķes — de alma luminosa.

Amam-se com o amor ind√īmito e latente
Que nunca foi traçado nem pode ser descrito.
Com esse amor selvagem que anda no infinito.
E brinca nos juncais, — ao lado da serpente.

Por√©m… no lance extremo, o lance pavoroso,
Assim por entre a morte e os tons de um puro gozo,
Dos leques da palmeira a note musical…

Vão ambos a sorrir, às águas arrojados,
Mansos como a luz, tranq√ľilos, enla√ßados
E perdem-se na noite serena do ideal!…

O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentindo menos dor, perdeu a vantagem da dor como aviso e sintoma. Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno, porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio.

Luar

Pelas esferas, nuvens peregrinas,
Brandas de toques, encaracoladas,
Passam de longe, tímidas, nevadas,
Cruzando o azul sereno das colinas.

Sombras da tarde, sombras vespertinas
Como escumilhas leves, delicadas,
Caem da serra oblonga nas quebradas,
V√£o penumbrando as coisas cristalinas.

Rasga o silêncio a nota chã, plangente,
Da Ave-Maria, — e ent√£o, nervosamente,
Nuns inef√°veis, espont√Ęneos jorros

Esbate o luar, de forma admir√°vel,
Claro, bondoso, elétrico, saudável,
Na curvilínea compridão dos mortos.

Presença

Só saberei de ti pelos teus olhos,
que falam mais que a tua fala pouca.
Doce memória (irei buscar-te sempre)
encilhada a essa égua dos minutos,

onde os ponteiros trotam meus desejos,
avivando a paisagem na lembrança
vinda de ti, e em mim reconstruída.
Essa presença, em passos e pegadas,

passeia no meu corpo, agora estrada,
caminho teu; submisso, eis meu segredo.
Que abrigar teus pés, possa, novamente,

o meu sereno peito fatigado.
Este que anseia teu corpo presente
olho no olho na véspera do gozo.

Doente

A lua veio… foi-se… e em breve ainda,
H√° de voltar, a doce lua amada,
Sem que eu a veja, a minha fada linda,
Sem que eu a veja, a minha boa fada.

Ela há de vir, Ofélia desmaiada,
Sob as nuvens do céu na alvura infinda
Do seu branco roup√£o, noiva gelada,
Boiando à flor de um rio que não finda.

Ela h√° de vir, sem que eu a veja… Entanto,
Com que tristezas e saudoso encanto
Choro estas noites que passando v√£o…

√ď lua! mostra-me o teu rosto ameno:
Olha que murcha à falta de sereno
O lírio roxo do meu coração!

Poema Quase Apostólico

Est√° sereno o poeta
Desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manh√£
N√£o pertencem ao dia os gestos que ele tem
n√£o morrer√£o na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a p√īr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favor√°vel ao senhor
E p√Ķe o rosto do senhor por tr√°s das suas palavras
Elas decerto o h√£o-de dar a quem as demandar

YANG

Minha m√ļsica se mostra, avan√ßa
serena feito vaca mansa.

Este som, rock’n roll
estandarte que tremula ao sol.

Este som, escarlate
pedra que brilha, quilate.

Mas é só uma canção
para aquecer seu coração.

Já conheço essa minha guitarra
arma, bomba, cimitarra.

Me conheço, sem eira nem beira.
Poesia, √ļltima trincheira.

Minha m√ļsica, cor quente
eu quero é pratear sua mente.

Novamente.

Eu quero é pratear sua mente.

O Desejo como Consequência do Prazer e da Dor

O prazer e a dor suscitam o desejo. Desejo de alcançar o prazer e de evitar a dor. O desejo é o móbil principal da nossa vontade e, portanto, dos nossos atos. Do pólipo aos homens, todos os seres são movidos pelo desejo. Inspira a vontade, que não pode existir sem ele, e depende da sua intensidade. O desejo fraco suscita, naturalmente, uma vontade fraca.
Cumpre, no entanto, não confundir vontade e desejo, como fizeram muitos filósofos, tais como Condillac e Schopenhauer. Tudo quanto é querido é, evidentemente, desejado; mas desejamos muitas coisas que, sabemos, não podíamos querer. A vontade traduz deliberação, determinação e execução, estados de consciência que não se observam no desejo.
O desejo estabelece a escala dos nossos valores, variável, aliás, com o tempo e as raças. O ideal de cada povo é a fórmula do seu desejo.
Um desejo que invade todo o entendimento, transforma a nossa concep√ß√£o das coisas, as nossas opini√Ķes e as nossas cren√ßas. Spinoza muito bem disse julgamos uma coisa boa, n√£o por julgamento, mas porque a desejamos.

Não existindo em si mesmo o valor das coisas, ele é apenas determinado pelo desejo e proporcionalmente à intensidade desse desejo.A variável apreciação dos objetos de arte fornece desse fato uma prova diária.

Continue lendo…

Os Hiperbóreos

Cabeça erguida, o céu no olhar, que o céu procura,
Baixa o humano caudal, dos desertos de gelo…
Em farrapos, ao sol, derrete-se a brancura
Da neve boreal sobre o ouro do cabelo.

Ulula, e desce; e tudo invade: a atra espessura
Dos bosques entra, a urrar e a uivar. E, uivando, pelo
Continente, a descer, ganha a √ļmida planura,
E a brenha secular, em sonoro atropelo.

Assustam-se os chacais pelas selvas serenas.
A turba ulula, o druida canta, enchendo os ares.
Entre os uivos dos c√£es e o grunhido das renas…

Escutando o tropel, rincha o poldro, e galopa.
Derrama-se, a rugir, das geleiras polares,
A semente feraz dos B√°rbaros, na Europa…

Sabedoria

Nos dias em que nada vale a pena,
E em que as √°rvores amigas
S√£o iguais e est√£o vistas,
A vida é tão parada e tão serena
Que afinal j√° n√£o h√° que contar mais,
E prevejo, com olhos anormais,
As coisas imprevistas…
Nos dias em que são cinzentos os meus céus
‚ÄĒ O de dentro e o de fora ‚ÄĒ
E é vaga esta noção de um velho Deus,
Que me n√£o manda embora
Deste espect√°culo estafado
Em que de cor sei dizer
O que me foi ensaiado
E o que todos v√£o fazer,
Tenho inveja dos homens convencidos
Que nem sequer sonharam
Que poderia haver paraísos perdidos,
Ainda n√£o decifraram
Esta charada em que andam envolvidos,
E pensam que, vivendo, triunfaram
Da Vida em que os que sonham s√£o vencidos.

Aceno

Longe,
Seu coração bate por mim;
E a sua m√£o desenha aquele afago
Que me sossega inteiro…

Longe,
A verdade serena do seu rosto
√Č que faz este dia verdadeiro…

Flor da Mocidade

Eu conheço a mais bela flor;
√Čs tu, rosa da mocidade,
Nascida, aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
√Čs tu, rosa da mocidade.

Vive às vezes na solidão,
Coma * filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta m√£o;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furac√£o
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.

Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta j√° nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno.

Variação Sobre Um Soneto De Shakespeare

√Čs como um dia c√°lido de estio…
Azul? Não, és mais linda e mais amena
O ver√£o como tudo traz o frio
E o verão é inconstante, e tu serena.

Tu n√£o trazes o frio, nem a pena
Da luz foste – tu vives, como um rio
Que cantasse uma mesma cantilena
Num sempre novo manso desvario.

N√£o morre o estio em ti – e no teu rosto
Ele deixou as cores da manh√£
E as tristezas suaves do sol-posto.

Sem as marcas cruéis da noite vã.
E a morte que em ser também se deita
Em tua alma descansa satisfeita.

O sábio teme o céu sereno; em compensação, quando vem a tempestade ele caminha sobre as ondas e desafia o vento.