Cita√ß√Ķes sobre Ternos

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Frases sobre ternos, poemas sobre ternos e outras cita√ß√Ķes sobre ternos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Espera

Ela tarda… E eu me sinto inquieto, quando
julgo vê-la surgir, num vulto, adiante,
Рos lábios frios, trêmula e ofegante,
os seus olhos nos meus, linda, fitando…

O c√©u desfaz-se em luar… Um vento brando
nas folhagens cicia, acariciante,
enquanto com o olhar terno de amante
fico √† sombra da noite perscrutando…

E ela n√£o vem…Aumenta-me a ansiedade:
– o segundo que passa e me tortura,
√© o segundo sem fim da eternidade…

Mas eis que ela aparece de repente!…
– E eu feliz, chego a crer que igual ventura
bem valia esperar-se eternamente!…

√ď Trevas, que Enlutais a Natureza

√ď trevas, que enlutais a Natureza,
Longos ciprestes desta selva anosa,
Mochos de voz sinistra e lamentosa,
Que dissolveis dos fados a incerteza;

Manes, surgidos da morada acesa
Onde de horror sem fim Plut√£o se goza,
N√£o aterreis esta alma dolorosa,
Que é mais triste que voz minha tristeza.

Perdi o galardão da fé mais pura,
Esperanças frustrei do amor mais terno,
A posse de celeste formosura.

Volvei, pois, sombras v√£s, ao fogo eterno;
E, lamentando a minha desventura,
Movereis à piedade o mesmo Inferno.

Hino de Amor

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O bom Jesus,
O Deus Menino.

Eis sen√£o quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do Sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.
Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto,
Foge a serpente,
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
T√£o requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
T√£o repassado
De gratid√£o,
De uma alegria,
Uma expans√£o,
Uma veemência,
Uma express√£o,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!
Jesus caminha
No seu passeio,
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio
Enquanto o via;
De vez em quando
L√° lhe passava
A dianteira
E mal poisava,
N√£o afroixava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

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LXXXII

Piedosos troncos, que a meu terno pranto
Comovidos estais, uma inimiga
E quem fere o meu peito, é quem me obriga
A tanto suspirar, a gemer tanto.

Amei a Lise; é Lise o doce encanto,
A bela ocasi√£o desta fadiga;
Deixou-me; que quereis, troncos, que eu diga
Em um tormento, em um fatal quebranto?

Deixou-me a ingrata Lise: se alguma hora
Vós a vêdes talvez, dizei, que eu cego
Vos contei… mas calai, calai embora.

Se tanto a minha dor a elevar chego,
Em fé de um peito, que tão fino adora,
Ao meu silêncio o meu martírio entrego.

Regras Básicas de Avaliação do Amante

Para avaliar o amor da vossa amante, lembrai-vos:
1¬ļ – De que, quanto mais prazer f√≠sico entrou na base do vosso amor, no que noutros tempos determinou a intimidade, tanto mais ele est√° sujeito √† infidelidade. Isto aplica-se sobretudo aos amores cuja cristaliza√ß√£o foi favorecida pelo fogo da juventude, aos dezasseis anos.
2¬ļ – De que o amor de duas pessoas que amam n√£o √© quase nunca o mesmo. O amor-paix√£o tem as suas fases durante as quais, e sucessivamente, um dos dois ama mais que o outro. Muitas vezes a simples galanteria ou o amor de vaidade responde ao amor-paix√£o, e √© sobretudo a mulher que ama com exalta√ß√£o. Qualquer que seja o amor sentido por um dos dois amantes, a partir do momento em que sente c√≠umes, exige do outro que preencha as condi√ß√Ķes do amor-paix√£o; a vaidade simula nele todas as necessidades de um cora√ß√£o terno.
Finalmente, nada aborrece tanto o amor-gosto como a existência do amor-paixão no outro ou outra.
Muitas vezes um homem de espírito, ao fazer a corte a uma mulher, não consegue senão fazê-la pensar no amor e enternecer-lhe a alma. Ela recebe bem este homem que lhe dá um tal prazer.

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A Rosa

Tu, flor de Vénus,
Corada Rosa,
Leda, fragrante,
Pura, mimosa,

Tu, que envergonhas
As outras flores,
Tens menos graça
Que os meus amores.

Tanto ao diurno
Sol coruscante
Cede a nocturna
Lua inconstante,

Quanto a Marília
Té na pureza
Tu, que és o mimo
Da Natureza.

O buliçoso,
C√Ęndido Amor
P√īs-lhe nas faces
Mais viva cor;

Tu tens agudos
Cruéis espinhos,
Ela suaves
Brandos carinhos;

Tu n√£o percebes
Ternos desejos,
Em vão Favónio
Te d√° mil beijos.

Marília bela
Sente, respira,
Meus doces versos
Ouve, e suspira.

A m√£e das flores,
A Primavera,
Fica vaidosa
Quando te gera;

Porém Marília
No mago riso
Traz as delícias
Do Paraíso.

Amor que diga
Qual é mais bela,
Qual é mais pura,
Se tu, ou ela;

Que diga V√©nus…
Ela a√≠ vem…
Ai! Enganei-me,
Que é o meu bem.

Marília De Dirceu

Soneto 6

Quantas vezes Lidora me dizia,
Ao terno peito minha m√£o levando:
– Conjurem-se em meu mal os astros, quando
Achares no meu peito aleivosia!

Ent√£o que n√£o chorasse lhe pedia,
Por firme seu amor acreditando.
Ah! que em movendo os olhos, suspirando,
Ao mais acautelado enganaria!

Um ano assim viveu. Oh! céus, agora
Mostrou que era mulher: a natureza,
Só por não se mudar, a fez traidora.

Não, não darei mais cultos à beleza,
Que depois de faltar à fé Lidora,
Nem creio que nas deusas h√° firmeza.

Existência, Corpo e Costumes, Como Eixos do Gosto

Na nossa actual maneira de ser, a nossa alma aprecia tr√™s tipos de prazer: aqueles que ela retira do pr√≥prio fundo da sua exist√™ncia; outros que resultam da sua uni√£o com o corpo; e por fim, outros que radicam nos costumes e preconceitos que certas institui√ß√Ķes, certos usos e certos h√°bitos lhe levam a apreciar.
S√£o esses diferentes prazeres da nossa alma que constituem os objectos do gosto, como o belo, o bom, o agrad√°vel, o c√Ęndido, o delicado, o terno, o gracioso, o n√£o sei o qu√™, o nobre, o grande, o sublime, o majestoso, etc. Por exemplo, quando sentimos prazer ao ver uma coisa que possui uma utilidade para n√≥s, dizemos que ela √© boa; quando sentimos prazer ao v√™-la, sem dela abstrairmos uma utilidade manifesta, chamamo-la bela.

N√£o tinha exactamente saudades deles: tinha talvez saudades do que eu pr√≥prio era na presen√ßa deles, desse mi√ļdo rebelde e terno que o tempo e a Am√©rica e a morte e a perda da inoc√™ncia e o t√©dio, no seu sempre infernal encolher de ombros, se haviam encarregado de adestrar.

Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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Genérico

E tu, meu pai? Adivinho esses vidrilhos
das l√°grimas quebrando
um a um na boca triste mas
por dentro, para que digamos
mais tarde, sem invenção escusada:
o pai n√£o chorou.

Eu soube das tuas f√ļrias
mordendo-se em silêncio,
ou de como te p√Ķes
às vezes tão de cinza.
O barco, o barco. Ficaremos
ainda estes minutos quantos.
Do que quiseres. E como quiseres.
Fala. Mas nada de telegramas
para depois da barra
– posso n√£o os abrir,
juro que posso.
Se eu fosse um amigo, se estivesses
em frente dum copo.
Custava menos. Assim
deslizas a unha
pelo tecido da farda, in√ļtil
dedo terno com os olhos longe.
O pai, que n√£o chorou, tremia
de modo imperceptível.

Lembro-me da bebedeira
em Alpedrinha, na estalagem,
com o Luís Melo
subitamente velho.
¬ęTramados, p√°, tramados.¬Ľ
O carro falha, s√£o as velas
os platinados sujos
¬ęa puta que os pariu¬Ľ (Lu√≠s).

Um √ļltimo aceno s√≥ vinho
para estas adolescentes
ao balc√£o do bar e depois e depois?

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V

Se sou pobre pastor, se n√£o governo
Reinos, na√ß√Ķes, prov√≠ncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o ver√£o, outono, estio, inverno;

Nem por isso trocara o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, coas enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paix√Ķes desse tormento eterno.

Adorar as trai√ß√Ķes, amar o engano,
Ouvir dos lastimosos o gemido,
Passar aflito o dia, o mês, e o ano;

Seja embora prazer; que a meu ouvido
Soa melhor a voz do desengano,
Que da torpe lisonja o infame ruído.

A Amizade é Indispensável ao Nosso Ser

A amizade √© a unica coisa cuja utilidade √© unanimemente reconhecida. A pr√≥pria virtude tem muitos detratores, que a acusam de ostenta√ß√£o e charlatanismo. Muitos desprezam as riquezas e, contentes de pouco, agradam-se da mediocridade. As honras, √† procura da qual se matam tanto as pessoas, quantos outros as desdenham at√© olh√°-las como o que h√° de mais f√ļtil e de mais fr√≠volo? E, assim, quanto ao mais! O que a uns parece admir√°vel, ao ju√≠zo doutros nada √©. Mas quanto √† amizade, toda a gente est√° de acordo: os que se ocupam dos neg√≥cios p√ļblicos, os que se apaixonaram pelo estudo e pelas indaga√ß√Ķes sapientes, e os que, longe do bul√≠cio, limitam os seus cuidados aos seus interesses privados: todos enfim, aqueles mesmos que se entregaram todos inteiros aos prazeres, declaram que a vida nada √© sem a amizade, por pouco que queiram reservar a sua para algum sentimento honor√°vel.
Ela se insinua, com efeito, não sei como, no coração de todos os homens e não se admite que, sem ela, possa passar nenhuma condição da vida. Bem mais, se é um homem de natureza selvagem, muito feroz para odiar seus semelhantes e fugir do seu contacto, como fazia,

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Os Amantes

Amor, é falso o que dizes;
Teu bom rosto é contrafeito;
Busca novos infelizes
Que eu inda trago no peito
Mui frescas as cicatrizes;

O teu meu é mel azedo,
N√£o creio em teu gasalhado,
Mostras-me em v√£o rosto ledo;
J√° estou muito escaldado,
J√° d’√°guas frias hei medo.

Teus prémios são pranto e dor;
Choro os mal gastados anos
Em que servi tal senhor,
Mas tirei dos teus enganos
O sair bom pregador.

Fartei-te assaz a vontade;
Em v√£os suspiros e queixas
Me levaste a mocidade,
E nem ao menos me deixas
Os restos da curta idade?

√Čs como os c√£es esfaimados
Que, comendo os troncos quentes
Por destro negro esfolados,
Levam nos √°vidos dentes
Os ossos ensanguentados.

Bem vejo a aljava dourada
Os ombros nus adornar-te;
Amigo, muda de estrada,
P√Ķe a mira em outra parte
Que daqui n√£o tiras nada.

Busca algum fofo morgado
Que, solto j√° dos tutores,
Ao domingo penteado,
Vá dizendo à toa amores
Pelas pias encostado;

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H

Sei que dez anos nos separam de pedras
e raízes nos ouvidos

e ver-te, ó menina do quarto vermelho,
era ver a tua bondade, o teu olhar terno
de Borboleta no Infinito

e toda essa sucessão de pontos vermelhos no espaço
em que tu eras uma estrela que caiu
e incendiou a terra

l√° longe numa fonte cheia de fogos-f√°tuos.

À Musa

À luz das noites serenas
A capela de açucenas
Te envolve em l√ļcido v√©u!
Ao meigo clar√£o da lua
√Čs a imagem que flutua
No puro ambiente do céu!

E os ternos suspiros soltos,
E os teus cabelos revoltos
Ao sabor da viração,
Perpassam brandos na mente
Como as brisas do poente
Na cratera do vulc√£o!

√ď santa imagem querida,
Como és bela adormecida!
Que mistério em teu palor!
Que doçura no teu canto,
E que perfume t√£o santo
Nas tuas cismas d’amor!

Deixa cair uma rosa
Da tua fronte mimosa,
Da vida no turvo mar!
Descerra-me o paraíso
Que no teu fugaz sorriso
Nos faz viver e sonhar!

O Paradoxo da Afectividade

O erro dos sentimentais n√£o est√° em crer que existem ¬ęternos afectos¬Ľ, mas em se considerarem com direito a esses afectos, em nome da sua pr√≥pria natureza. Enquanto apenas as naturezas duras e resolutas sabem criar √† sua volta um c√≠rculo de ternas afei√ß√Ķes. E √© evidente – trag√©dia – que essas o gozam menos. Quem tem dentes, etc.

XLI

Cantem outros a clara cor virente
Do bosque em flor e a luz do dia eterno…
Envoltos nos clar√Ķes fulvos do oriente,
Cantem a primavera: eu canto o inverno.

Para muitos o imoto céu clemente
√Č um manto de carinho suave e terno:
Cantam a vida, e nenhum deles sente
Que decantando vai o próprio inferno.

Cantam esta mans√£o, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De √ļmido p√≥ que h√° de abafar-lhe os cantos…

Cada um de n√≥s √© a b√ļssola sem norte.
Sempre o presente pior do que o passado.
Cantem outros a vida: eu canto a morte…

O sofrimento físico não é nada comparado com o espezinhar desses ternos laços de afeição que formam a base da instituição do matrimónio e da família que une homem e mulher.

Tremo Quando te Escrevo

Meu amor adorado: a tua querida cartinha ao chegar-me hoje √†s m√£os veio dar-me o primeiro momento de alegria desde que partiste. O que eu sinto corresponde exactamente – ai de mim – aos sentimentos que expressas, mas √©-me muito dif√≠cil responder na tua bela l√≠ngua a essas doces express√Ķes, que merecem uma resposta mais em actos do que em palavras. Espero, no entanto, que o teu cora√ß√£o seja capaz de sugerir tudo o que o meu gostaria de te dizer. Talvez que se te amasse menos n√£o me custasse tanto exprimir o meu pensamento, pois tenho de vencer a dupla dificuldade de expor um sofrimento insuport√°vel numa l√≠ngua estranha. Desculpa os meus erros. Quanto mais b√°rbaro for o meu estilo, mais se assemelhar√° ao meu Destino longe de ti. Tu, o meu √ļnico e derradeiro amor – tu, minha √ļnica esperan√ßa – tu, que j√° me habituara a considerar s√≥ minha – partiste e eu fiquei sozinho e desesperado. Eis a nossa hist√≥ria em poucas palavras. √Č esta uma prova√ß√£o que suportaremos como outras suport√°mos, porque o amor nunca √© feliz, mas devemos, tu e eu, sofrer mais ainda, pois tanto a tua situa√ß√£o como a minha s√£o igualmente extraordin√°rias.

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