Textos sobre Inteligentes

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Textos de inteligentes escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

As Janelas da Memória

A mem√≥ria humana n√£o √© lida globalmente, como a mem√≥ria dos computadores, mas por √°reas espec√≠ficas a que chamo de janelas. Atrav√©s das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que n√£o nos vem √† ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacess√≠vel.

A janela da mem√≥ria √©, portanto, um territ√≥rio de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informa√ß√Ķes e experi√™ncias. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, √© abrir o m√°ximo de janelas em cada situa√ß√£o. Se ela abre diversas janelas, poder√° dar respostas inteligentes. Se as fecha, poder√° dar respostas inseguras, med√≠ocres, est√ļpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tens√£o, a ang√ļstia, o p√Ęnico, a raiva e a inveja podem fech√°-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emo√ß√£o pode fazer os intelectuais reagirem como crian√ßas agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tens√£o, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhec√≠vel.

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O Nosso Infinito

H√° ou n√£o um infinito fora de n√≥s? √Č ou n√£o √ļnico, imanente, permanente, esse infinito; necessariamente substancial pois que √© infinito, e que, se lhe faltasse a mat√©ria, limitar-se-ia √†quilo; necess√°riamente inteligente, pois que √© infinito, e que, se lhe faltasse a intelig√™ncia, acabaria ali? Desperta ou n√£o em n√≥s esse infinito a ideia de ess√™ncia, ao passo que n√≥s n√£o podemos atribuir a n√≥s mesmos sen√£o a ideia de exist√™ncia? Por outras palavras, n√£o √© ele o Absoluto, cujo relativo somos n√≥s?
Ao mesmo tempo que fora de n√≥s h√° um infinito n√£o h√° outro dentro de n√≥s? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) n√£o se sobrep√Ķem um ao outro? N√£o √© o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? N√£o √© o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo conc√™ntrico a outro abismo? Este segundo infinito n√£o √© tamb√©m inteligente? N√£o pensa? N√£o ama? N√£o tem vontade? Se os dois infinitos s√£o inteligentes, cada um deles tem um princ√≠pio volante, h√° um eu no infinito de cima, do mesmo modo que o h√° no infinito de baixo. O eu de baixo √© a alma; o eu de cima √© Deus.
P√īr o infinito de baixo em contacto com o infinito de cima,

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O Homem não é Sempre Igual

Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que h√° homens bons ou maus, inteligentes ou est√ļpidos, en√©rgicos ou ap√°ticos, e assim por diante. Os homens n√£o s√£o feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que est√ļpido, mais frequentemente en√©rgico do que ap√°tico, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que √© bom ou inteligente, e de outro que √© mau ou est√ļpido. No entanto, √© assim que os julgamos. Pois isso √© falso. Os homens parecem-se com os rios: todos s√£o feitos dos mesmos elementos, mas ora s√£o estreitos, ora r√°pidos, ora largos, ora pl√°cidos, claros ou frios, turvos ou t√©pidos.

A Fraqueza Infantil do Orgulho

Todos querem a paz, mas h√° muita gente que n√£o se disp√Ķe a fazer as pazes. Parece que n√£o acreditam que duas pessoas zangadas ou um casal desavindo se possam reconciliar. Preferem afirmar posi√ß√Ķes. De facto, o orgulhoso n√£o √© inteligente! Se fosse inteligente, j√° teria percebido que a coisa mais humana √© levantar-se dos seus erros e recome√ßar cada dia. N√£o o tentar e agarrar-se aos seus direitos parece for√ßa, mas √© fraqueza infantil.

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Escrita e Interpretação

Sócrates: Você sabe, Fedro, esta é a singularidade do escrever, que o torna verdadeiramente análogo ao pintar. As obras de um pintor mostram-se a nós como se estivessem vivas; mas, se as questionamos, elas mantêm o mais altivo silêncio. O mesmo se dá com as palavras escritas: parecem falar conosco como se fossem inteligentes, mas, se lhes perguntamos qualquer coisa com respeito ao que dizem, por desejarmos ser instruídos, elas continuam para sempre a nos dizer exactamente a mesma coisa. E, uma vez que algo foi escrito, a composição, seja qual for, espalha-se por toda a parte, caindo em mãos não só dos que a compreendem mas também dos que não têm relação alguma com ela; não sabe como se dirigir às pessoas certas e não se dirigir às erradas. E, quando é maltratada ou injustamente ultrajada, precisa sempre que o seu pai lhe venha em socorro, sendo incapaz de se defender ou de cuidar de si própria.

Livros sempre Presentes

N√£o viajo sem livros, nem na paz, nem na guerra… pois n√£o se pode dizer o quanto eu me repouso e demoro nessa considera√ß√£o de que eles est√£o ao meu lado para me darem prazer quando preciso e em reconhecer quanta ajuda eles me trazem √† vida. √Č a melhor provis√£o que tenho encontrado para esta viagem humana e sinto uma pena extrema das pessoas inteligentes que deles se privam.

O Homem não está à Altura da sua Obra

Dir-se-ia que a civiliza√ß√£o moderna √© incapaz de produzir uma elite dotada simultaneamente de imagina√ß√£o, de intelig√™ncia e de coragem. Em quase todos os pa√≠ses se verifica uma diminui√ß√£o do calibre intelectual e moral naqueles a quem cabe a responsabiliza√ß√£o da direc√ß√£o dos assuntos pol√≠ticos, econ√≥micos e sociais. As organiza√ß√Ķes financeiras, industriais e comerciais atingiram dimens√Ķes gigantescas. S√£o influenciadas n√£o s√≥ pelas condi√ß√Ķes do pa√≠s em que nasceram, mas tamb√©m pelo estado dos pa√≠ses vizinhos e de todo o mundo. Em todas as na√ß√Ķes produzem-se modifica√ß√Ķes sociais com grande rapidez. Em quase toda a parte se p√Ķe em causa o valor do regime pol√≠tico. As grandes democracias enfrentam problemas tem√≠veis que dizem respeito √† sua pr√≥pria exist√™ncia e cuja solu√ß√£o √© urgente. E apercebemo-nos de que, apesar das grandes esperan√ßas que a humanidade depositou na civiliza√ß√£o moderna, esta civiliza√ß√£o n√£o foi capaz de desenvolver homens suficientemente inteligentes e audaciosos para a dirigirem na via perigosa por que a enveredou. Os seres humanos n√£o cresceram tanto como as institui√ß√Ķes criadas pelo seu c√©rebro. S√£o sobretudo a fraqueza intelectual e moral dos chefes e a sua ignor√Ęncia que p√Ķem em perigo a nossa civiliza√ß√£o.

O Conceito de Nós Próprios

Cada homem, desde que sai da nebulose da inf√Ęncia e da adolesc√™ncia, √© em grande parte um produto do seu conceito de si mesmo. Pode dizer-se sem exagero mais que verbal, que temos duas esp√©cies de pais: os nossos pais, propriamente ditos, a quem devemos o ser f√≠sico e a base heredit√°ria do nosso temperamento; e, depois, o meio em que vivemos, e o conceito que formamos de n√≥s pr√≥prios – m√£e e pai, por assim dizer, do nosso ser mental definitivo.
Se um homem criar o h√°bito de se julgar inteligente, n√£o obter√° com isso, √© certo, um grau de intelig√™ncia que n√£o tem; mas far√° mais da intelig√™ncia que tem do que se julgar est√ļpido. E isto, que se d√° num caso intelectual, mais marcadamente se d√° num caso moral, pois a plasticidade das nossas qualidades morais √© muito mais acentuada que a das faculdades da nossa mente.
Ora, ordinariamente, o que é verdade da psicologia individual Рabstraindo daqueles fenómenos que são exclusivamente individuais Рé também verdade da psicologia colectiva. Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.
O primeiro passo passou para uma regeneração,

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O Amor é um Prémio sem Mérito

O amor √©, por defini√ß√£o, um pr√©mio sem m√©rito. Se uma mulher me diz: eu amo-te porque tu √©s inteligente, porque √©s uma pessoa decente, porque me d√°s presentes, porque n√£o andas atr√°s de outras mulheres, porque sabes cozinhar, ent√£o eu fico desapontado. √Č muito mehor ouvir: eu sou louca por ti embora nem sejas inteligente nem uma pessoa decente, embora sejas um mentiroso, um ego√≠sta e um canalha.

A Sociabilidade é Proporcional à Vulgaridade

O homem inteligente aspirar√°, antes de tudo, √† aus√™ncia de dor, √† serenidade, ao sossego e ao √≥cio, logo, procurar√° uma vida tranquila, modesta e o menos conflituosa poss√≠vel; por conseguinte, ap√≥s travar algum conhecimento com aqueles que chamamos de homens, escolher√° o reatraimento e, no caso de um grande esp√≠rito, at√© a solid√£o. Pois, quanto mais algu√©m tem em si mesmo, menos precisa do mundo exterior e menos tamb√©m os outros lhe podem ser √ļteis. Por isso, a emin√™ncia do esp√≠rito conduz √† insociabilidade. Sim, se a qualidade da sociedade pudesse ser substitu√≠da pela quantidade, valeria a pena viver at√© no grande mundo, mas infelizmente cem n√©scios empilhados n√£o d√£o um √ļnico homem razo√°vel. J√° aquele que est√° no outro extremo, assim que a necessidade lhe permitir recobrar o √Ęnimo, procurar√° passatempo e companhia a qualquer pre√ßo, e a tudo se acomodar√° facilmente, de nada fugindo a n√£o ser de si.
Pois √© na solid√£o, onde cada um est√° entregue a si mesmo, que se mostra o que ele tem em si mesmo. Nela, sob a p√ļrpura, o simpl√≥rio suspira, carregando o fardo irremov√≠vel da sua m√≠sera individualidade, enquanto o mais talentoso povoa e vivifica com os seus pensamentos o ambiente mais ermo.

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O Riso é o Melhor Indicador da Alma

Acho que, na maioria dos casos, quando uma pessoa se ri torna-se nojento olharmos para ela. Manifesta-se no riso das pessoas, na maioria das vezes, qualquer coisa de grosseiro que humilha a quem ri, embora essa pessoa quase nunca saiba que efeito o seu riso provoca. Tal como n√£o sabe (ningu√©m sabe, ali√°s) a cara que faz quando dorme. H√° quem mantenha no sono uma cara inteligente, mas outros h√° que, embora inteligentes, fazem uma cara t√£o est√ļpida a dormir que se torna rid√≠cula.
Não sei por que tal acontece, apenas quero salientar que a pessoa que ri, tal como a pessoa que dorme, não sabe a cara que faz. De uma maneira geral, há muitíssimas pessoas que não sabem rir. Aliás, isso não é coisa que se aprenda: é um dom, não se pode aperfeiçoar o riso. A não ser que nos reeduquemos interiormente, que nos desenvolvamos para melhor e que superemos os maus instintos do nosso carácter: então também o riso poderá possivelmente mudar para melhor. A pessoa manifesta no riso aquilo que é, é possível conhecermos num instante todos os seus segredos.
Mesmo o riso incontestavelmente inteligente é, às vezes, abominável. O riso exige em primeiro lugar sinceridade,

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A Universalidade de uma Opini√£o

A universalidade de uma opinião, tomada seriamente, não constitui nem uma prova, nem um fundamento provável, da sua exactidão. Aqueles que a afirmam devem considerar que: 1) o distanciamento no tempo rouba a força comprobatória dessa universalidade; caso contrário, precisariam de evocar todos os antigos equívocos que alguma vez foram universalmente considerados verdade: por exemplo, estabelecer o sistema ptolemaico ou o catolicismo em todos os países protestantes; 2) o distanciamento no espaço tem o mesmo efeito: caso contrário, a universalidade de opinião entre os que confessam o budismo, o cristianismo e o islamismo os constrangerá.
O que então se chama de opinião geral é, a bem da verdade, a opinião de duas ou três pessoas; e disso nos convenceríamos se pudéssemos testemunhar como se forma tal opinião universalmente válida.
Achar√≠amos ent√£o que foram duas ou tr√™s pessoas a supor ou apresentar e a afirmar num primeiro momento, e que algu√©m teve a bondade de julgar que elas teriam verificado realmente a fundo tais coloca√ß√Ķes: o preconceito de que estes seriam suficientemente capazes induziu, em princ√≠pio, alguns a aceitar a mesma opini√£o: nestes, por sua vez, acreditaram muitos outros, aos quais a pr√≥pria indol√™ncia aconselhou: melhor acreditar logo do que fazer controles trabalhosos.

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Uma Vida Calma e Tranquila

A primeira pergunta que Di√≥genes fez a Alexandre √© a primeira pergunta que qualquer pessoa inteligente deve fazer a si pr√≥pria. Di√≥genes n√£o desperdi√ßou um √ļnico momento.
РAlexandre, estás a tentar conquistar o mundo inteiro. Então e tu? Terás tempo suficiente, depois de conquistares o mundo, para te conheceres a ti próprio? Tens certezas sobre o amanhã ou sobre o próximo momento?
Alexandre nunca tinha conhecido um homem assim. Ele já tinha vencido grandes reis e imperadores, mas percebeu que Diógenes era um homem muito poderoso. Baixando os olhos, Alexandre respondeu:
– N√£o te posso dizer que esteja certo sobre o momento seguinte. Mas posso prometer-te uma coisa: quando tiver conquistado o mundo, vou desejar descansar e viver uma vida calma, tal como tu.
Di√≥genes estava a gozar um banho de sol matinal junto a um rio, rodeado por bonitas √°rvores. Ele riu-se… por vezes penso que o seu riso ainda deve continuar a ecoar.
Pessoas como Diógenes pertencem à eternidade. As suas assinaturas não são feitas na água.
Alexandre sentiu-se ofendido e perguntou-lhe porque se estava a rir.
– √Č muito simples! – respondeu Di√≥genes. – Se eu posso descansar e viver uma vida calma sem ter conquistado o mundo,

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Da Existência de Deus

Os argumentos relativos ao problema da exist√™ncia de Deus t√™m sido viciados, quando positivos, pela circunst√Ęncia de frequentemente se querer demonstrar, n√£o a simples exist√™ncia de Deus, sen√£o a exist√™ncia de determinado Deus, isto √©, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo √© efeito de uma causa √© uma coisa; demonstrar que o universo √© efeito de uma causa inteligente √© outra coisa; demonstrar que o universo √© efeito de uma causa inteligente e infinita √© outra coisa ainda; demonstrar que o universo √© efeito de uma causa inteligente, infinita e ben√©vola outra coisa mais. Importa, pois, ao discutirmos o problema da exist√™ncia de Deus, nos esclare√ßamos primeiro a n√≥s mesmos sobre, primeiro, o que entendemos por Deus; segundo, at√© onde √© poss√≠vel uma demonstra√ß√£o.
O conceito de Deus, reduzido √† sua abstra√ß√£o definidora, √© o conceito de um criador inteligente do mundo. O ser interior ou exterior a esse mundo, o ser infinitamente inteligente ou n√£o ‚ÄĒ s√£o conceitos atribut√°rios. Com maior for√ßa o s√£o os conceitos de bondade, e outros assim, que, como j√° notamos t√™m andado misturados com os fundamentais na discuss√£o deste problema.
Demonstrar a existência de Deus é, pois, demonstrar, (1) que o universo aparente tem uma causa que não está nesse universo aparente como aparente (2) que essa causa é inteligente,

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O Português

Prefere ser um rico desconhecido, a ser um her√≥i pobre. √Č melhor do que parece. O homem portugu√™s √© dissimulado, e fez da inveja um discurso do bom senso e dos direitos humanos.
Mas √© tamb√©m um homem de paix√Ķes moderadas pela sensibilidade, o que faz dele um grande civilizado.
Gosta das mulheres, o que explica o estado de dependência em que as pretende manter. A dependência é uma motivação erótica.
√Č inovador mas tem pouco car√°cter, como √© pr√≥prio dos superiormente inteligentes, tanto cientistas, como fil√≥sofos e criadores em geral.
Mente muito, e a verdade que se arroga √© uma culpa inibida. Vemos que ele se mant√©m num estado primitivo quando defende a sua √°rea de partido, de seita e de fam√≠lia, √† custa de corrup√ß√Ķes e de crimes, se for preciso.
Gosta do poder mas não da notoriedade. Não tem o sentido da eternidade, mas sim o prazer da liberdade imediata. Não é democrata; excepto se isso intimidar os seus adversários.
Não tem génio, tem habilidade.
√Č imaginativo mas n√£o pensador.
√Č culto mas n√£o experiente.
N√£o gosta da lei, porque ela desvaloriza a sua pr√≥pria iniciativa. √Č m√≠stico com a f√°bula e viril com a desgra√ßa.

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Sabedoria é não Entender

N√£o entendo. Isso √© t√£o vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender √© sempre limitado. Mas n√£o entender pode n√£o ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando n√£o entendo. N√£o entender, do modo como falo, √© um dom. N√£o entender, mas n√£o como um simples de esp√≠rito. O bom √© ser inteligente e n√£o entender. √Č uma ben√ß√£o estranha, como ter loucura sem ser doida. √Č um desinteresse manso, √© uma do√ßura de burrice. S√≥ que de vez em quando vem a inquieta√ß√£o: quero entender um pouco. N√£o demais: mas pelo menos entender que n√£o entendo.

A Fé Move Montanhas

O segredo de todo o esforço valioso reside na fé РBulwer Lytton

A lei da fé aplica-se a tudo, desde o jogo de bowling até ganhar dinheiro ou ser bem sucedido nos negócios. A fé permite fazer coisas aparentemente impossíveis. O facto de ter fé serve de força impulsionadora ou geradora que leva à realização. A sua fé é uma lei ou força que pode trabalhar a seu favor ou contra si. A fé positiva e inteligente contém os factores capazes de gerar um resultado bom ou benéfico. Por isso as pessoas optimistas curam-se mais depressa quando apanham alguma doença e continuam a viver contra todas as expectativas. Por outro lado, a fé negativa e sem inteligência contém os factores capazes de conduzir a resultados desagradáveis ou infelizes. A fé inteligente é firme; a que não é inteligente produz sempre instabilidade.
William James disse: A f√© com que iniciamos um trabalho de resultados duvidosos √© a √ļnica coisa que assegura um bom resultado. Todos os factos not√°veis em ci√™ncia, neg√≥cios, arquitectura, arte, educa√ß√£o ou religi√£o dependem muito da f√©, das convic√ß√Ķes e da coragem.

Somos Todos Casos Excepcionais

Somos todos casos excepcionais. Todos queremos apelar de qualquer coisa! Cada qual exige ser inocente, a todo o custo, mesmo que para isso seja preciso inculpar o g√©nero humano e o c√©u. Contentaremos mediocremente um homem, se lhe dermos parab√©ns pelos esfor√ßos gra√ßas aos quais se tornou inteligente ou generoso. Pelo contr√°rio, ele rejubilar√°, se se admirar a sua generosidade natural. Inversamente, se disssermos a um criminoso que o seu crime nada tem com a sua natureza, nem com o seu car√°cter, mas com infelizes circunst√Ęncias, ele ficar-nos-√° violentamente reconhecido. Durante a defesa, escolher√° mesmo este momento para chorar. No entanto, n√£o h√° m√©rito nenhum em ser-se honesto, nem inteligente, de nascen√ßa! Como se n√£o √© certamente mais respons√°vel em ser-se criminoso por natureza que em s√™-lo devido √†s circunst√Ęncias. Mas estes patifes querem a absolvi√ß√£o, isto √©, a irresponsabilidade, e tiram, sem vergonha, justifica√ß√Ķes da natureza ou desculpas das circunst√Ęncias, mesmo que sejam contradit√≥rias. O essencial √© que sejam inocentes, que as suas virtudes, pela gra√ßa do nascimento, n√£o possam ser postas em d√ļvida, e que os seus crimes, nascidos de uma infelicidade passageria, nunca sejam sen√£o provis√≥rios. J√° lhe disse, trata-se de escapar ao julgamento. Como √© dif√≠cil escapar e melindroso fazer,

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A Inteligência não é o Fundo do nosso Ser

A intelig√™ncia n√£o √© o fundo do nosso ser. Pelo contr√°rio. √Č como uma pele sens√≠vel, tentacular que cobre o resto do nosso volume √≠ntimo, o qual por si √© sensu stricto ininteligente, irracional. Barr√®s dizia isto muito bem: L’intelligence, quelle petite chose √† la surface de nous. A√≠ est√° ela, estendida como um dintorno sobre o nosso ser mais interior, dando uma face √†s coisas, ao ser – porque o seu papel n√£o √© outro sen√£o pensar as coisas, pensar o ser, o seu papel n√£o √© ser o ser, mas reflecti-lo, espelh√°-lo. Tanto n√£o somos ela que a intelig√™ncia √© uma mesma em todos, embora uns dela tenham maior por√ß√£o que outros. Mas a que tiverem √© igual em todos: 2 e 2 s√£o para todos 4. Por isso Arist√≥teles e o averro√≠smo acreditaram que havia um √ļnico no√Ľs ou intelecto no Universo, que todos √©ramos, enquanto inteligentes, uma s√≥ intelig√™ncia. O que nos individualiza est√° por tr√°s dela.
Mas não vamos agora espicaçar uma tão difícil questão. Baste o que foi dito para sugerir que em vão pretenderá a inteligência lutar num match de convicção com as crenças irracionais, habituais. Quando um cientista sustém as suas ideias com uma fé semelhante à fé vital,

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