Cita√ß√Ķes sobre Alucina√ß√Ķes

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Frases sobre alucina√ß√Ķes, poemas sobre alucina√ß√Ķes e outras cita√ß√Ķes sobre alucina√ß√Ķes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Chicote e a Preguiça

Há loucuras matemáticas e loucos que pensam que dois e dois são três? Noutros termos, Рa alucinação pode, se estas palavras não uivam [serem acasaladas juntas], invadir as coisas de puro raciocínio? Se, quando um homem adquire o hábito da preguiça, do devaneio, da mandriice, ao ponto de deixar incessantemente para o dia seguinte as coisas importantes, um outro homem o acorda uma manhã com grandes chicotadas e o chicoteia sem piedade até que, não podendo trabalhar por prazer, trabalha por medo, este homem Рo chicoteador -, não seria realmente amigo dele, seu benfeitor? Aliás, pode afirmar-se que o prazer chegaria depois, com muito mais justo título do que se diz: o amor chega depois do casamento.
Do mesmo modo, em política, o verdadeiro santo é aquele que chicoteia e mata o povo, para bem do povo.

O Abraço

O abra√ßo. O abra√ßo que parece estar a acabar. O abra√ßo raro, o abra√ßo verdadeiro. Da m√£e que recebe o filho, da mulher que recebe o marido, do amigo que recebe o amigo. O abra√ßo que n√£o se pensa, que n√£o se imagina. O abra√ßo que n√£o √©; o abra√ßo que tem de ser. O abra√ßo que serve para viver. O abra√ßo que acontece ‚Äď e que n√£o se esquece. Um dia hei-de passar todo o dia a ensinar o abra√ßo. A visitar as escolas e a explicar que abra√ßar n√£o √© dois corpos unidos e apertados pelos bra√ßos. Abra√ßar √© dois instantes que se fundem por dentro do que une dois corpos. Abra√ßar √© um orgasmo de vida, um cl√≠max de partilha ‚Äď uma orgia de gente. Abra√ßar √© fechar os olhos e abrir a alma, apertar os m√ļsculos e libertar o sonho. Abra√ßar √© fazer de conta que se √© her√≥i ‚Äď e s√™-lo mesmo. Porque nada √© mais her√≥ico do que um abra√ßo que se deixa ser. Porque nada √© mais her√≥ico do que ter a coragem de abra√ßar, em frente do mundo, em frente da dor, em frente do fim, em frente da derrota. Abra√ßar √© a vit√≥ria do homem sobre o homem,

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Prometi-me Possuí-la

Prometi-me possuí-la muito embora
ela me redimisse ou me cegasse.
Busquei-a na cat√°strofe da aurora,
e na fonte e no muro onde sua face,

entre a alucinação e a paz sonora
da √°gua e do musgo, solit√°ria nasce.
Mas sempre que me acerco vai-se embora
como se temesse ou me odiasse.

Assim persigo-a, l√ļcido e demente.
Se por detr√°s da tarde transparente
seus pés vislumbro, logo nos desvãos

das nuvens fogem, luminosos e √°geis!
Vocabul√°rio e corpo ‚ÄĒ deuses fr√°geis ‚ÄĒ
eu colho a ausência que me queima as mãos.

[Poemas Portugueses]

Vida

Vida:
sensualíssima mulher de carnes maravilhosas
cujos passos s√£o horas
cadenciadas
rítmicas
fatais.
A cada movimento do teu corpo
dispersam asas de desejos
que me roçam a pele
e encrespam os nervos na alucina√ß√£o do ¬ęnunca mais¬Ľ.
Vou seguindo teus passos
lutando e sofrendo
cantando e chorando
e ficam abertos meus braços:
nunca te alcanço!
Meu supl√≠cio de T√Ęntalo.
Envelhe√ßo…
E tu, Vida, cada vez mais viçosa
na oscilação nervosa
das tuas ancas fecundas e sempre virgens!
À punhalada dilacero a folhagem
e abro clareiras
na floresta milen√°ria do meu caminho.
Humildemente se rasga e avilta
no roçar dos espinhos
minha carne dorida.
E quando julgo chegada a hora
meu abraço de posse fica escancarado no ar!
Olímpica
firme
gloriosa
tu passas e não te alcanço, Vida.
Caio suado de borco
no lodo…
O vento da noite badala nos ramos
sarcasmos canalhas.
N√£o avisto a vida!
Tenho medo, grito.
Creio em Deus e nos fant√°sticos ecos
do meu grito
que vêm de longe e de perto
do sul e do norte
que me envolvem
e esmagam:
‚ÄĒ maldita selva,

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Damo-nos Valor por o que Pensamos, em vez de que por o que Fazemos

N√£o √© no individualismo que reside o nosso mal, mas na qualidade desse individualismo. E essa qualidade √© ele ser est√°tico em vez de din√Ęmico. Damo-nos valor por o que pensamos, em vez de que por o que fazemos. Esquecemos que o n√£o fizemos, n√£o o fomos; que a primeira fun√ß√£o da vida √© a ac√ß√£o, como o primeiro aspecto das coisas √© o movimento.

Dando ao que pensamos a import√Ęncia de o termos pensado, tomando-nos, cada um de n√≥s a si mesmo, n√£o, como dizia o grego, por medida de todas as coisas, sen√£o por norma ou bitola delas, criamos em n√≥s n√£o uma interpreta√ß√£o do universo mas uma cr√≠tica do universo – que, como o n√£o conhecemos, n√£o podemos criticar – e os mais d√©beis e mais desvairados de n√≥s elevam essa cr√≠tica a uma interpreta√ß√£o – mas uma interpreta√ß√£o imposta como uma alucina√ß√£o; n√£o deduzida, mas uma indu√ß√£o simples. √Č a alucina√ß√£o propriamente dita, pois a alucina√ß√£o √© a ilus√£o prendendo num facto mal visto.

O Significado dos Sonhos

Os meu sonhos eram de muitas esp√©cies mas representavam manifesta√ß√Ķes de um √ļnico estado de alma. Ora sonhava ser um Cristo, a sacrificar-me para redimir a humanidade, ora um Lutero, a quebrar com todas as conven√ß√Ķes estabelecidas, ora um Nero, mergulhado em sangue e na lux√ļria da carne. Ora me via numa alucina√ß√£o o amado das multid√Ķes, aplaudido, desfilando ao longo (…), ora o amado das mulheres, atraindo-as arrebatadoramente para fora das suas casas, dos seus lares, ora o desprezado por todos embora o eleito do bem, por todos a sacrificar-me. Tudo o que lia, tudo o que ouvia, tudo o que via ‚ÄĒ cada ideia vinda de fora, cada (…), cada acontecimento era o ponto de partida de um sonho. Vinha de um circo e ficava em casa ousando imaginar-me um palha√ßo, com luzes em arco √† minha volta. Via soldados passarem na minha mente a falarem com uma vis√£o de mim pr√≥prio, tratando-me por capit√£o, chefiando, ordenando, vitorioso. Quando lia algo acerca de aventureiros imediatamente me convertia neles, por completo. Quando lia algo acerca de criminosos, morria por cometer crimes at√© me apavorar com o meu desarranjo mental. Conforme as coisas que via, ou ouvia, ou lia, vivia em todas as classes sociais,

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O Amor Indómito

H√° casos de alucina√ß√£o, extasis incendiados de fantasia, em que o homem subjuga ao seu transporte as f√©rreas considera√ß√Ķes sociais, fazendo-as reflexivas de todo o brilho da sua alegria. √Č por isso que as grandes paix√Ķes est√£o em div√≥rcio com o ju√≠zo prudencial. No mar da vida o fanal do amor √© o que mais resplende. Cegam-se os olhos e entendimento ao que mais ansiosamente o fita. Com a mente fixa nesse clar√£o esperan√ßoso, que t√£o frouxas r√©steas de luz nos d√° em paga de tremendos trabalhos, transcuram-se vagas e baixios que nos assaltam o pobre baixel. O amor ind√≥mito, fremente e tempestuoso √© um naufr√°gio que se ama, uma dor com que se brinca, e, enfim, um del√≠rio honroso em qualquer criatura.

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas s√£o, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a f√ļria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que s√£o as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como v√°rias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais an√°logo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d’Ele h√° s√≥ Ele, e Tudo para Ele √© pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

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Exilada

Bela viajante dos países frios
N√£o te seduzam nunca estes aspectos
Destas paisagens tropicais — secretos,
— Os teus receios devem ser sombrios.

√Čs branca e √©s loura e tens os amavios
Os incógnitos filtros prediletos
Que podem produzir ondas de afetos
Nos mais sens√≠veis cora√ß√Ķes doentios.

Loura Visão, Ofélia desmaiada,
Deixa esta febre de ouro, a febre ansiada
Que nos venenos deste sol consiste.

Emigra destes cálidos países,
Foge de amargas, fundas cicatrizes,
Das alucina√ß√Ķes de um vinho triste…

A Minha Luta

A minha luta √© para encontrar o centro, o n√ļcleo de toda uma infinidade de justifica√ß√Ķes, que superficialmente parecem satisfazer-me e s√£o, afinal, folhas caducas do meu tronco. Determinar, numa palavra, que causa √ļltima me conduz, que for√ßa polariza os meus actos. Mas estou longe dessa descoberta. Eliminei o divino, porque era divino e eu sou humano; superei o pecado, porque viver sem pecado era um absurdo moral; e consegui perceber que a vida n√£o √© tr√°gica por estar balizada pelo nascimento e pela morte, que s√£o condi√ß√Ķes de exist√™ncia e n√£o condena√ß√Ķes dela. Contudo, nada resolvi. Continua a escapar-me das m√£os a sombra de um fantasma paradoxal. Uma sombra que √© uma pura alucina√ß√£o dos sentidos, que sabem que apenas o real lhes merece cr√©dito, e, sobretudo, da raz√£o, que sabe que a √ļnica consci√™ncia do mundo √© ela pr√≥pria, princ√≠pio e fim de si mesma.

Trago-te ao Espaço da Janela

Trago-te ao espaço da janela.
De novo surgiram deste lado da rua.
Em voz baixa disse ¬ęuma alucina√ß√£o¬Ľ. A
√ļnica resposta foi entrar em casa
subir ao quarto mudar de roupa
ser jovem com quem soube bem ser jovem
s√°bio com quem quiseste ser s√°bio
velho com os velhos.
Trago-te para perto da janela
o rio vê-se daqui.
A cor da terra circula.

¬ęTalvez seja a morte¬Ľ ¬ęn√£o¬Ľ
¬ęse for a morte o cora√ß√£o bater√° mais ou menos forte¬Ľ.
O corpo
n√£o tem grande lugar.

Mais dif√≠cil √© quebrar a dificuldade de mostrar a realidade ao povo: tirando-o da alucina√ß√£o em que vive, cercado por informa√ß√Ķes que n√£o refletem a realidade. E, para consolidar a democracia, a maior dificuldade est√° em aproximar eleitores e eleitos, separados pela brecha entre a realidade e as informa√ß√Ķes produzidas pela m√≠dia.