CitaçÔes sobre AnÔes

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Todos os jardins da nossa infùncia são o jardim do paraíso. A pele suave desses tempos em que se corria com as pernas arqueadas soltando uma espécie de luz pela respiração. Ríamos a correr para os braços dos adultos numa entrega absoluta. Eles, os adultos, atiravam-nos ao ar e apanhavam-nos com mãos åsperas, e, talvez por isso, quando crescemos nunca mais deixamos de, esporadicamente, sonhar que voamos. E de sonhar com gigantes e anÔes, pois eram essas as nossas proporçÔes.

O EdifĂ­cio MetafĂ­sico da Sociedade

Pode-se considerar o edifĂ­cio metafĂ­sico da sociedade como um edifĂ­cio material que seria composto de diferentes nichos ou compartimentos de grandeza mais ou menos considerĂĄvel. Os lugares com as suas prerrogativas, os seus direitos, etc. formam esses diversos compartimentos, esses diferentes nichos. Eles sĂŁo durĂĄveis, e os homens passam. Aqueles que os ocupam sĂŁo ora grandes, ora pequenos, e nenhum ou quase nenhum Ă© feito para o seu lugar. Ali vemos um gigante, curvado ou agachado no seu nicho; lĂĄ vemos um anĂŁo sob uma arcada: raramente o nicho Ă© feito para a estatura; em torno do edifĂ­cio circula uma multidĂŁo de homens de diversos tamanhos. Todos esperam que haja um nicho vazio para ali se colocarem, qualquer que seja o nicho.

DemĂŽnios

A lĂ­ngua vil, ignĂ­voma, purpĂșrea
Dos pecados mortais bava e braveja,
Com os seres impoluĂ­dos mercadeja,
Mordendo-os fundo injĂșria por injĂșria.

É um grito infernal de atroz luxĂșria,
Dor de danados, dor do Caos que almeja
A toda alma serena que viceja,
SĂł fĂșria, fĂșria, fĂșria, fĂșria, fĂșria!

SĂŁo pecados mortais feitos hirsutos
DemĂŽnios maus que os venenosos frutos
Morderam com volĂșpia de quem ama…

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,
AnÔes da Dor torcida e cancerosa,
Abortos de almas a sangrar na lama!

Quando o sol da cultura estå baixo, também os anÔes lançam longas sombras

Portugal

Maior do que nĂłs, simples mortais, este gigante
foi da glĂłria dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrĂŁo dilatou, inĂłspito montado,
numa pĂĄtria… E que pĂĄtria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinĂłis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados pĂ­ncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abundĂąncia, amor, concĂłrdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhĂȘs e herĂłico Ă  beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
PĂĄtria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torreĂŁo de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, bastiÔes, barbacãs, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor,

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Satisfazer-se mais com Intensidade do que com Quantidade

A perfeição nĂŁo consiste na quantidade, mas na qualidade. Tudo o que Ă© muito bom sempre foi pouco e raro: o muito Ă© descrĂ©dito. Mesmo entre os homens, os gigantes costumam ser os verdadeiros anĂ”es. Alguns avaliam os livros pela corpulĂȘncia, como se escritos para exercitar mais os braços do que os engenhos. A extensĂŁo sozinha nunca pĂŽde exceder a mediocridade, e essa Ă© a praga dos homens universais: por quererem estar em tudo, estĂŁo em nada. A intensidade dĂĄ eminĂȘncia, e Ă© herĂłica se em matĂ©ria sublime.

Desigualdade Natural e Desigualdade Institucional

É fĂĄcil de ver que, entre as diferenças que distinguem os homens, muitas passam por naturais, quando sĂŁo unicamente a obra do hĂĄbito e dos diversos gĂ©neros de vida adoptados pelos homens na sociedade. Assim, num temperamento robusto ou delicado, a força ou a fraqueza que disso dependem, vĂȘm muitas vezes mais da maneira dura ou efeminada pela qual foi educado do que da constituição primitiva dos corpos. Acontece o mesmo com as forças do espĂ­rito, e a educação nĂŁo sĂł estabelece a diferença entre os espĂ­ritos cultivados e os que nĂŁo o sĂŁo, como aumenta a que se acha entre os primeiros Ă  proporção da cultura; com efeito, quando um gigante e um anĂŁo marcham na mesma estrada, cada passo representa uma nova vantagem para o gigante. Ora, se se comparar a diversidade prodigiosa do estado civil com a simplicidade e a uniformidade da vida animal e selvagem, em que todos se nutrem dos mesmos alimentos, vivem da mesma maneira e fazem exactamente as mesmas coisas, compreender-se-ĂĄ quanto a diferença de homem para homem deve ser menor no estado de natureza do que no de sociedade; e quanto a desigualdade natural deve aumentar na espĂ©cie humana pela desigualdade de instituição.

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A Segurança Destas Paralelas

A segurança destas paralelas
— a beira da varanda e o horizonte;
assim me pacifico, e Ă© por elas
que subo lentamente cada monte.

O tempo arrefecido, e sĂł soprado
por uma brisa tarda que do mar
torna este minuto leve aconchegado,
traz mansas as certezas de se estar.

E vĂȘm novos nomes: sĂŁo as fadas,
gigantes e anÔes, que são assim
alegres de o serem — parcos nadas

que enchendo de silĂȘncios este sim
dele fazem brinquedos, madrugadas…
Agora eu estou em ti e tu em mim.

A inveja vĂȘ sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anĂ”es em gigantes, indĂ­cios em certezas.

A Melhor Maneira de Viajar Ă© Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar Ă© sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas sĂŁo, em verdade, excessivas
E toda a realidade Ă© um excesso, uma violĂȘncia,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fĂșria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que sĂŁo as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como vĂĄrias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existĂȘncia total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais anĂĄlogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que Ă© Tudo,
E fora d’Ele hĂĄ sĂł Ele, e Tudo para Ele Ă© pouco.

Cada alma Ă© uma escada para Deus,
Cada alma Ă© um corredor-Universo para Deus,
Cada alma Ă© um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

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