Cita√ß√Ķes sobre Burguesia

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Frases sobre burguesia, poemas sobre burguesia e outras cita√ß√Ķes sobre burguesia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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O Amolecimento pela Sociedade de Consumo

Nos pa√≠ses subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder institu√≠do, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, origin√°rio por via de regra da m√©dia e da pequena burguesia ou mais raramente das classes prolet√°rias, contesta o statu quo, prop√Ķe solu√ß√Ķes revolucion√°rias ou, quando estas n√£o podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar faz√™-lo pela cr√≠tica, violenta ou ir√≥nica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os benefici√°rios do sistema de produ√ß√£o ergueram contra as aspira√ß√Ķes da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude id√™ntica de inconformismo; por√©m, os resultados da sua actividade de cria√ß√£o e reflex√£o tornam-se mat√©ria vend√°vel e, nalguns casos, mat√©ria integr√°vel.
O consumo do objecto art√≠stico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opini√£o, que os meios de comunica√ß√£o de massa, em escala largu√≠ssima , exercem, torna-se, sen√£o totalmente in√≥cuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conte√ļdo cr√≠tico. Despotencializa-se. Amolece. √Č o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve,

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A Paz Causa as Impaciências do Desejo

Jantar alegremente numa horta, debaixo das parreiras, vendo correr a √°gua das regas – chorar com os melodramas que rugiam entre os bastidores do Salitre, alumiados a cera, eram contentamentos que bastavam √† burguesia cautelosa. Al√©m disso, os tempos eram confusos e revolucion√°rios: e nada torna o homem recolhido, aconchegado √† lareira, simples e facilmente feliz – como a guerra. √Č a paz que, dando os vagares da imagina√ß√£o – causa as impaci√™ncias do desejo.

O desenvolvimento da ind√ļstria moderna, portanto, abala a pr√≥pria base sobre a qual a burguesia assentou seu regime de produ√ß√£o e de apropria√ß√£o. O que a burguesia

A Timidez

A verdade é que vivi muitos dos meus primeiros anos, e talvez os segundos e os terceiros, como uma espécie de surdo-mudo.
Ritualmente vestido de negro desde muito novinho, tal como se vestiam os verdadeiros poetas do s√©culo passado, tinha uma vaga impress√£o de n√£o me apresentar muito mal. Mas, em vez de me aproximar das raparigas, ciente de que gaguejaria ou coraria diante delas, preferia passar de lado e afastar-me, ostentando um desinteresse que estava longe de sentir. Todas eram, para mim, um grande mist√©rio. Preferiria morrer queimado naquela fogueira secreta, afogar-me naquele po√ßo de enigm√°tica profundidade, mas n√£o me atrevia a atirar-me ao fogo ou √† √°gua. Ora, como n√£o encontrava ningu√©m que me desse um empurr√£o, passava pelas margens dessas fascina√ß√Ķes sem olhar sequer e muito menos sorrir.

Acontecia outro tanto com os adultos, gente m√≠nima, funcion√°rios de caminho-de-ferro e de correios e suas ¬ęsenhoras esposas¬Ľ, assim intituladas porque a pequena burguesia se escandaliza, intimidada, diante da palavra mulher. Eu escutava as conversas √† mesa do meu pai. Mas, no dia seguinte, se esbarrava na rua com quem tinha comido na noite anterior em minha casa, n√£o me atrevia a cumprimentar e at√© mudava de rumo para evitar o mau bocado.

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Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macamb√ļzio, fatalista e son√Ęmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de mis√©rias, sem uma rebeli√£o, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem j√° com as orelhas √© capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, n√£o se lembrando nem donde vem, nem onde est√°, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e √© bom, e guarda ainda na noite da sua inconsci√™ncia como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em sil√™ncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, c√≠vica e politicamente corrupta at√© √† medula, n√£o descriminando j√° o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem car√°cter, havendo homens que, honrados na vida √≠ntima, descambam na vida p√ļblica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a inf√Ęmia, da mentira a falsifica√ß√£o, da viol√™ncia ao roubo, donde provem que na pol√≠tica portuguesa sucedam, entre a indiferen√ßa geral, esc√Ęndalos monstruosos, absolutamente inveros√≠meis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfreg√£o de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdica√ß√£o un√Ęnime do Pa√≠s.

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Cidad√£o do Mundo

De todas as grandes tiradas da Hist√≥ria, em boa verdade, aquela que eu mais depressa aprendera a detestar fora essa do ¬ęcidad√£o do mundo¬Ľ, com que a classe m√©dia de Lisboa tanto gostava de encher a boca at√© que algu√©m a reconhecesse globetrotter, portadora de cart√£o de cr√©dito e representante dessa nova burguesia do resort de quatro estrelas e da m√°quina fotogr√°fica digital. Porque ser de todo o lado, percebi-o eu assim que extravasei os limites da terra-m√£e, n√£o podia significar outra coisa sen√£o que n√£o se era de lado nenhum – e n√£o ser de lado nenhum, n√£o ter um lugar, um canto de mundo a que regressar, parecera-me sempre a mais triste de todas as condi√ß√Ķes. Para ser sincero, e apesar das j√° quase duas d√©cadas que levava de ex√≠lio, eu continuava a voltar √† terra como se realmente pudesse acordar ao contr√°rio, contorcendo-me e espregui√ßando-me e depois fechando-me em concha, at√©, enfim, adormecer. E, se de algu√©m ainda conseguia desdenhar com algum m√©todo, assim despertando da letargia que nos √ļltimos anos me deixara imp√°vido perante cada vez mais coisas, perante a dor e o pr√≥prio prazer, era daqueles que viviam longe h√° dez ou vinte ou trinta ou mesmo quarenta anos e,

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Quanto mais os fen√≥menos hist√≥ricos s√£o vistos de perto, mais se percebe que as revolu√ß√Ķes sempre foram feitas pela burguesia ou por parte dela. O povo √© bom apenas para fazer ‘jacqueries’ que n√£o concluem.

Meus pais n√£o eram muito ligados em literatura e n√£o se julgaram aptos a opinar; para eles, como para toda a burguesia vienense, era importante o que era elogiado na Neue Freie Presse e indiferente o que ela ignorava ou censurava.

O Governo do Estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a burguesia (veja: Manifesto do partido comunista)