Cita√ß√Ķes sobre Cautela

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Frases sobre cautela, poemas sobre cautela e outras cita√ß√Ķes sobre cautela para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Siga-se Amor

Ou fosse, Nize, em nós pouca cautela,
Ou que alguém pressentisse o nosso enleio,
Tudo se sabe já; tudo é já cheio,
Qu’algum cuidado há muito nos disvela.

Dizem, qu’eu sou feliz, que tu és bela;
E às vezes com satírico rodeio,
Um murmura, outro zomba, e sem receio
A fama cada qual nos atropela.

Mas se nunca se tapa a boca à gente,
E se amor sempre activo nos devora,
Porque aquela é mordaz, porque este ardente;

Adoremo-nos pois como até agora:
Siga-se amor; arraste-se a corrente;
E se o mundo falar, que fale embora.

As Amizades Comuns

O que habitualmente chamamos amigos e amizades n√£o s√£o sen√£o conhecimentos e familiaridades contra√≠dos quer por alguma circunst√Ęncia fortuita quer por um qualquer interesse, por meio dos quais as nossas almas se mant√™m em contacto. Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na noutra em uni√£o t√£o absoluta que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a n√£o mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que s√≥ o posso exprimir respondendo: ¬ęPorque era ele; porque era eu¬Ľ.
(…) N√£o me venham meter ao mesmo n√≠vel essoutras amizades comuns! Conhe√ßo-as t√£o bem como qualquer outro, e at√© algumas das mais perfeitas do g√©nero, mas n√£o aconselho ningu√©m a confundir as suas regras: laboraria num erro. Em tais amizades deve-se andar de r√©deas na m√£o, com prud√™ncia e cautela – o n√≥ n√£o est√° atado de maneira que, acerca dele, n√£o se tenha de nutrir alguma desconfian√ßa. ¬ęAmai o vosso amigo¬Ľ, dizia Qu√≠lon, ¬ęcomo se algum dia tiverdes que o odiar; odiai-o como se tiverdes que o amar.¬Ľ

Qual tem a borboleta por costume

Qual tem a borboleta por costume,
Que, enlevada na luz da acesa vela,
Dando vai voltas mil, até que nela
Se queima agora, agore se consume,

Tal eu correndo vou ao vivo lume
Desses olhos gentis, Aónia bela;
E abraso-me por mais que com cautela
Livrar-me a parte racional presume.

Conheço o muito a que se atreve a vista,
O quanto se levanta o pensamento,
O como vou morrendo claramente;

Porém, não quer Amor que lhe resista,
Nem a minha alma o quer; que em tal tormento,
Qual em glória maior, está contente.

Sê bom Mas ao coração Prudência e cautela ajuntam. Quem todo de mel se unta, Os ursos o lamberão.

A Tragédia e Comédia da Vida

A vida √© um mar repleto de rochedos e turbilh√Ķes, que o homem evita com a m√°xima precau√ß√£o e cautela, embora saiba que, quando consegue insinuar-se por eles como todo o esfor√ßo e arte, justamente por isso acaba por se aproximar e at√© mesmo se dirigir para o seu naufr√°gio maior, total, inevit√°vel e irremedi√°vel, a morte: esta √© o objectivo final da penosa viagem e, para ele, o pior de todos os rochedos dos quais se desviou.
A vida de todo o ser humano flui inteiramene entre o querer e o conseguir. O desejo, conforme a sua natureza, é dor: alcançá-lo significa gerar rapidamente a saciedade. O objectivo era apenas aparente; a posse tira o encanto; o desejo e a necessidade reapresentam-se com um novo aspecto. Quando isso não ocorre, seguem-se a solidão, o vazio e o tédio, contra os quais a luta atormenta tanto quanto contra a miséria.

Quando se observa a vida de cada indivíduo de modo geral, destacando apenas os seus traços mais significativos, percebe-se que ela não passa de uma tragédia; porém, se examinada nos seus detalhes, tem o carácter da comédia.

Poema da Auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva cal√ß√Ķes de pirata,
Vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na vol√ļpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como um rasg√£o na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.

Na confus√£o dos sentidos
j√° nem percebe, Leonor,
se o que lhe chega aos ouvidos
s√£o ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

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Doce Contentamento J√° Passado

Doce contentamento j√° passado,
em que todo meu bem j√° consistia,
quem vos levou de minha companhia
e me deixou de vós tão apartado?

Quem cuidou que se visse neste estado
naquelas breves horas de alegria,
quando minha ventura consentia
que de enganos vivesse meu cuidado?

Fortuna minha foi, cruel e dura,
aquela que causou meu perdimento,
com a qual ninguém pode ter cautela.

Nem se engane nenh√ľa criatura,
que n√£o pode nenhum impedimento
fugir do que [lhe] ordena sua estrela.

O Erro no Juízo

Porque √© que se erra tanto no ju√≠zo sobre n√≥s? Porque quando realizamos uma obra damos o m√°ximo que temos. Acima disso √© o invis√≠vel. E s√≥ quando isso se nos torna vis√≠vel poderemos medir a dist√Ęncia a que fica o que fizemos. Para ajuizar do que √© inferior √© preciso ser-se superior. √Č por isso que um imbecil facilmente se julga um g√©nio. √Ä cautela, portanto, o melhor √© n√£o nos julgarmos…

Anseios

Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!

Deixa-te estar quietinho! N√£o amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
N√£o valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra pris√£o!…
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
N√£o te deslumbre o brilho do luar!

N√£o estendas tuas asas para o longe…
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a solu√ßar!…

Civilização e Religião Condicionam-se Uma à Outra

Quando a civiliza√ß√£o formulou o mandamento de que o homem n√£o deve matar o pr√≥ximo a quem odeia, que se acha no seu caminho ou cuja propriedade cobi√ßa, isso foi claramente efetuado no interesse comunal do homem, que, de outro modo, n√£o seria pratic√°vel, pois o assassino atrairia para si a vingan√ßa dos parentes do morto e a inveja de outros, que, dentro de si mesmos, se sentem t√£o inclinados quanto ele a tais actos de viol√™ncia. Assim, n√£o desfrutaria da sua vingan√ßa ou do seu roubo por muito tempo, mas teria toda a possibilidade de ele pr√≥prio em breve ser morto. Mesmo que se protegesse contra os seus inimigos isolados atrav√©s de uma for√ßa ou cautela extraordin√°rias, estaria fadado a sucumbir a uma combina√ß√£o de homens mais fracos. Se uma combina√ß√£o desse tipo n√£o se efectuasse, o homic√≠dio continuaria a ser praticado de modo infind√°vel e o resultado final seria que os homens se exterminariam mutuamente. Chegar√≠amos, entre os indiv√≠duos, ao mesmo estado de coisas que ainda persiste entre fam√≠lias na C√≥rsega, embora, em outros lugares, apenas entre na√ß√Ķes. A inseguran√ßa da vida, que constitui um perigo igual para todos, une hoje os homens numa sociedade que pro√≠be ao indiv√≠duo matar,

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A Sésta

Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d’ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella n√£o dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o s√īno, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda mais o s√īno a mal-resonar.

Junto d’Ella, n√£o teve m√£o em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o p√© pequenino. Depois os joelhos redondos e lizos, e j√° se debru√ßava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ella acordou can√ßada de tanto s√īno fingir.

E Elle amea√ßa fugida, e Ella furta-lhe a fuga nos bra√ßos n√ļs estendidos.

E Ella, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perd√£o. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ella dormisse outra vez.

Meteu-me Amor em seu Trato

Meteu-me Amor em seu trato,
P√īs-me os seus gostos na pra√ßa,
Quanto quis me deu de graça.
Mas é caro o seu barato.

Amor, que quis que tivesse
Os males por seu querer,
Deu menos bem, que escolhesse,
Para que quando os perdesse
Tivesse mais que perder.
Depois que em minha esperança
Me viu contra o tempo ingrato
Viver livre da mudança
Por tão grande confiança
Meteu-me Amor em seu trato.

Vi eu logo que convinha
Dar melhor conta do seu
Do que dei da vida minha:
Deixei perder quanto tinha
Por guardar o que me deu.
O desejo e o temor,
A fé, a vontade, a graça,
Tudo pus na m√£o de Amor.
Ele que é mais mercador
P√īs-me seus gostos na pra√ßa.

Entendeu que n√£o sabia
A valia do interesse
Que eu dele ent√£o pretendia:
Perguntou-me o que queria
Antes que nada me desse.
Eu, que n√£o soube o que fiz,
Quis um desprezo e negaça,
Quis uns desdéns senhoris,
E por ser graça o que quis.

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O Poema Pouco Original do Medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambul√Ęncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
m√£ozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murm√ļrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sess√Ķes cont√≠nuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
oper√°rios
(assim assim)
escritur√°rios
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

Sete Anos A Nobreza Da Bahia

Ao casamento de Pedro √Ālvares de Neiva. Ana Maria era uma donzela nobre, e rica, que veio da √ćndia sendo solicitada pelos melhores da terra para despos√°rios, empreendeu frei Tom√°s cas√°-la com o dito e o conseguiu.

Sete anos a nobreza da Bahia
Servia a uma pastora indiana e bela,
Por√©m servia a √ćndia, e n√£o a ela,
Que a √ćndia s√≥ por pr√™mio pretendia.

Mil dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Mas frei Tom√°s, usando de cautela,
Deu-lhe o vil√£o, quitou-lhe a fidalguia.

Vendo o Brasil que por t√£o sujos modos
Se lhe usurpara a sua Dona Elvira
Quase a golpes de um maço e de uma goiva:

Logo se arrependeram de amar todos,
Mas qualquer mais amara se n√£o vira
Para t√£o limpo amor t√£o suja noiva.

Toda a cautela √© pouca com imagina√ß√Ķes sempre prontas a voar para a regi√£o dos sonhos dourados.