CitaçÔes sobre Chacais

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Frases sobre chacais, poemas sobre chacais e outras citaçÔes sobre chacais para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Spleen

Fora, na vasta noute, um vento de procela
Erra, aos saltos, uivando, em rajadas e em fĂșria;
E num rumor de choro, uma voz de lamĂșria,
Ouço a chuva a escorrer nos vidros da janela.

No desconforto do meu quarto de estudante,
Velo. Sinto-me como insulado da vida.
Eu imagino a morte assim, aborrecida
SolidĂŁo numa sombra infinita e constante…

Tu, que Ă©s forte, rebrame em fĂșria, natureza!
Eu, caĂ­do num fundo abismo de tristeza,
Invejo-te a expansĂŁo livre do temporal;

E, no tédio feroz que me assalta e me toma,
Sinto ansiarem-me n’alma instintos de chacal…
E compreendo Nero incendiando Roma.

Poema Cansado de Certos Momentos

Foi-se tudo
como areia fina escoada pelos dedos.
MĂŁe! aqui me tens,
metade de mim,
sem saber que metade me pertence.
Aqui me tens,
de gestos saqueados,
onde resta a saudade de ti
e do teu mundo de medos.
Meus braços, vĂȘ-os, estĂŁo gastos
de pedir luz
e de roubar distĂąncias.
Meus braços
cruzados
em cruz de calvĂĄrio dos meus degredos.
Ai que isto de correr pela vida,
dissipando a riqueza que me deste,
de levar em cada beijo
a pureza que pariste e embalaste,
ai, mĂŁe, sĂł um louco ou um Messias
estendendo a face de justo

para os homens cuspirem o fel das veias,
sĂł um louco, ou um poeta ou um Cristo
poderĂĄ beijar as rosas que os espinhos sangram
e, embora rasgado, beber o perfume
e continuar cantando.
MĂŁe! tu nunca previste
as geadas e os bichos
roendo os campos adubados
e o vizinho largando a fĂșria dos rebanhos
pela flor menina dos meus prados.
E assim, geraste-me despido
como as ervas,
e nĂŁo olhaste os pegos nem as cobras,

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Nirvana

Viver assim: sem ciĂșmes, sem saudades,
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,
Livre de angĂșstias e felicidades,
Deixando pelo chĂŁo rosas e espinhos;

Poder viver em todas as idades;
Poder andar por todos os caminhos;
Indiferente ao bem e Ă s falsidades,
Confundindo chacais e passarinhos;

Passear pela terra, e achar tristonho
Tudo que em torno se vĂȘ, nela espalhado;
A vida olhar como através de um sonho;

Chegar onde eu cheguei, subir Ă  altura
Onde agora me encontro – Ă© ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura!

Banzo

VisÔes que na alma o céu do exílio incuba,
Mortais visĂ”es! Fuzila o azul infando…
Coleia, basilisco de ouro, ondeando
O NĂ­ger… Bramem leĂ”es de fulva juba…

Uivam chacais… Ressoa a fera tuba
Dos cafres, pelas grotas retumbando,
E a estrelada das ĂĄrvores, que um bando
De paquidermes colossais derruba…

Como o guaraz nas rubras penhas dorme,
Dorme em nimbos de sangue o sol oculto…
Fuma o saibro africano incandescente…

Vai com a sombra crescendo o vulto enorme
Do baobĂĄ… E cresce na alma o vulto
De uma tristeza, imensa, imensamente…

Mendiga

Na vida nada tenho e nada sou;
Eu ando a mendigar pelas estradas…
No silĂȘncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou!

Tinha o manto do sol… quem mo roubou?!
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi que sobre as ondas revoltadas
A minha taça de oiro espedaçou?!

Agora vou andando e mendigando,
Sem que um olhar dos mundos infinitos
Veja passar o verme, rastejando…

Ah, quem me dera ser como os chacais
Uivando os brados, rouquejando os gritos
Na solidĂŁo dos ermos matagais!…

Os HiperbĂłreos

Cabeça erguida, o céu no olhar, que o céu procura,
Baixa o humano caudal, dos desertos de gelo…
Em farrapos, ao sol, derrete-se a brancura
Da neve boreal sobre o ouro do cabelo.

Ulula, e desce; e tudo invade: a atra espessura
Dos bosques entra, a urrar e a uivar. E, uivando, pelo
Continente, a descer, ganha a Ășmida planura,
E a brenha secular, em sonoro atropelo.

Assustam-se os chacais pelas selvas serenas.
A turba ulula, o druida canta, enchendo os ares.
Entre os uivos dos cĂŁes e o grunhido das renas…

Escutando o tropel, rincha o poldro, e galopa.
Derrama-se, a rugir, das geleiras polares,
A semente feraz dos BĂĄrbaros, na Europa…

A Rua Dos Cataventos – XVII

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadĂĄveres eu sou
O mais desnudo, o que nĂŁo tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como Ășnico bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrÔes de estrada!
Pois dessa mĂŁo avaramente adunca
NĂŁo haverĂŁo de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trĂȘmula e triste como um ai,
A luz de um morto nĂŁo se apaga nunca!