Cita√ß√Ķes sobre China

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O Valor da Crónica de Jornal

A cr√≥nica √© como que a conversa √≠ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o l√™em: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um ser√£o ao braseiro, ou como no Ver√£o, no campo, quando o ar est√° triste. Ela sabe anedotas, segredos, hist√≥rias de amor, crimes terr√≠veis; espreita, porque n√£o lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a cr√≥nica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e fac√©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o p√© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo esp√≠rito, pela beleza, pela mocidade; ela n√£o tem opini√Ķes, n√£o sabe do resto do jornal; est√° nas suas colunas contando, rindo, pairando; n√£o tem a voz grossa da pol√≠tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do cr√≠tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiu√ßando.

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Causas e Curas para o Fanatismo

O fanatismo √© para a supersti√ß√£o o que o del√≠rio √© para a febre, o que √© a raiva para a c√≥lera. Aquele que tem √™xtases, vis√Ķes, que considera os sonhos como realidades e as imagina√ß√Ķes como profecias √© um entusiasta; aquele que alimenta a sua loucura com a morte √© um fan√°tico. (…) O mais detest√°vel exemplo de fanatismo √© aquele dos burgueses de Paris que correram a assassinar, degolar, atirar pelas janelas, despeda√ßar, na noite de S√£o Bartolomeu, os seus concidad√£os que n√£o iam √† missa. H√° fan√°ticos de sangue frio: s√£o os juizes que condenam √† morte aqueles cujo √ļnico crime √© n√£o pensar como eles. Quando uma vez o fanatismo gangrenou um c√©rebro a doen√ßa √© quase incur√°vel. Eu vi convulsion√°rios que, falando dos milagres de S. P√°ris, sem querer se acaloravam cada vez mais; os seus olhos encarni√ßavam-se, os seus membros tremiam, o furor desfigurava os seus rostos e teriam morto quem quer que os houvesse contrariado.
Não há outro remédio contra essa doença epidémica senão o espírito filosófico que, progressivamente difundido, adoça enfim a índole dos homens, prevenindo os acessos do mal porque, desde que o mal fez alguns progressos, é preciso fugir e esperar que o ar seja purificado.

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N√£o sou a favor do separatismo. O Tibete √© parte da Rep√ļblica Popular da China.

Conta-se que havia na China uma mulher belíssima que enlouquecia de amor todos os homens. Mas certa vez caiu nas profundezas de um lago e assustou os peixes.

Soneto De Criação

Deus te fez numa f√īrma pequenina
De uma argila bem doce e bem morena
Deu-te uns olhos min√ļsculos de china
Que parecem ter sempre um olhar de pena.

Banhou-te o corpo numa fonte fina
Entre os rubores de uma aurora amena
E por criar-te assim, leve e pequena
Soprou-te uma alma calma, c√°lida e divina.

T√£o formosa te fez, t√£o soberana
Que dar-te aos anjos por irm√£ queria
Mas ao plasmar-te a carne predileta

Deus, comovido, te criara humana
E para tua justa moradia
Atirou-te nos braços do poeta.

Que no mundo seja poss√≠vel um homem fazer uma pintura na China e no tempo de qualquer Ming, e essa mesma pintura, mil anos depois, esteja no outro polo a comover os olhos de algu√©m ‚ÄĒ √© de a gente se ajoelhar e beijar de gratid√£o a terra que nos pariu.

Ler ou Copiar um Texto

O efeito de uma estrada campestre n√£o √© o mesmo quando se caminha por ela ou quando a sobrevoamos de avi√£o. De igual modo, o efeito de um texto n√£o √© o mesmo quando ele √© lido ou copiado. O passageiro do avi√£o v√™ apenas como a estrada abre caminho pela paisagem, como ela se desenrola de acordo com o padr√£o do terreno adjacente. Somente aquele que percorre a estrada a p√© se d√° conta dos efeitos que ela produz e de como daquela mesma paisagem, que aos olhos de quem a sobrevoa n√£o passa de um terreno indiferenciado, afloram dist√Ęncias, belvederes, clareiras, perspectivas a cada nova curva […]. Apenas o texto copiado produz esse poderoso efeito na alma daquele que dele se ocupa, ao passo que o mero leitor jamais descobre os novos aspectos do seu ser profundo que s√£o abertos pelo texto como uma estrada talhada na sua floresta interior, sempre a fechar-se atr√°s de si. Pois o leitor segue os movimentos de sua mente no v√īo livre do devaneio, ao passo que o copiador os submete ao seu comando. A pr√°tica chinesa de copiar livros era assim uma incompar√°vel garantia de cultura liter√°ria, e a arte de fazer transcri√ß√Ķes,

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O Casulo

No casulo:
uma mesa quatro cinco estantes
livros por centenas ou milhares
tijolos de papel onde as traças
acasalam e o caruncho espreita
sólidas muralhas de elvezires onde
a rua n√£o penetra
uma m√°quina de escrever olivetti
com a tinta acumulada nas letras mais redondas
cachimbos barros estanhos medalhas fotos
bonecos marafonas lembranças
retratos alguns gente ida ou vinda
gorros usbeques gorros bailundos leques
japoneses arp√Ķes a√ßorianos sinos de n√£o sei donde
ou sei esperem sinos da tróica em natais nocturnos
marfins africanos óleos desenhos calendários
feitiços da Baía a mão a fazer figas
tudo do melhor contra raios coriscos mau olhado
retratos dizia Jorge o de Salvador J√ļlio o da Morgadinha
Berglin o cientista Kostas o dramaturgo
e outros e outros
Afonso Duarte o das ossadas pórtico
destas lam√ļrias o sorriso sibilino e rugoso
que matou no Nemésio o bicho harmonioso
mais de agora o Umberto Eco barbudo
a filtrar-me com medievismo os gestos tontos
e outros e outros
suecos brasileiros romenos gregos
e ainda aqueles em que a Zita foi escrevendo
a minha sina de andarilho
Tolstoi patrono obcecante um pastor a tocar
pífaro algures nos Balcãs sinais da Bulgária da Polónia
da Finl√Ęndia sinais de tantas partes onde
fui um outro de biografia aberrante
sinais da minha terra também
a minha de verdade e n√£o as outras
a que chamam minhas por distraído palpite
o Lima de Freitas num candeeiro alumiando
a mulher verde-azul em casas assombrada
mestre Marques d’Oliveira num esquisso
de alto coturno a carta de Abel Salazar
que o sol foi comendo n√£o se lendo j√°
o que a censura omitiu
aqui a China também representada
um ícone de Sófia as plácidas cabras
do Calasans o tinteiro de quando
se usavam plumas roubaram-se o missal do Cicogna
um almofariz para esferogr√°ficas furta-cores
a caixa de madeira floreada veio da R√ļssia
deu-ma a Tatiana sob promessa (cumprida)
de a p√īr bem em frente das minhas divaga√ß√Ķes
anémonas nórdicas da Anne
mios√≥tis b√ļlgaros da Rumiana
o poster é alemão Friede den Kindern
nunca pedi a ninguém a decifração
dois horóscopos face a face
cangaceiros nordestinos
o menino ajoelhado do Tó Zé
num gesso já sem braços nem rosto
objectos objectos o pote tem as armas de n√£o lembro
[quem
embora o nome que venha por de cima
seja o meu e eu também no óleo carrancudo
do Zé Lima há um ror de anos
melhor n√£o saber quantos
o molde para o bronze é um perfil onde
desenganadamente me reconheço
tanta bugiganga tanto bazar tanto papel
branco ou impresso uma faca para
apunhalar alguém a cassete de poesias na voz
da Maria Vitorino as esculturas astecas
do Miguel medalhas medalhas outra vez lembranças
agendas sem préstimo canetas gastas mais papéis
letras mi√ļdas ou letras farfalhudas
depende da ocasi√£o
um livro de filigrana
as paredes mal se vêem estantes copiosas já disse
quadros em demasia e ainda
as rendas de minha m√£e em molduras destoadas
ela no retrato de cenho descontente
fitando-me até ao miolo dos desvairos
o bordão de régulo justiceiro
obliquando no trono de cactos
amuletos africanos o mata-borr√£o que foi
de um pide deu-mo o fuzileiro no pós-Abril
uma bela cabeça de mulher do João Fragoso
jarras de sacristia candeias de cobre
sem pavio um samovar de madeira um samurai de
[veludo
os painéis de São Vicente em miniatura
a áurea trombeta do troféu lusíada
de parceria com o Manuel Cargaleiro
áureos pesados troféus o marasmo branco
de Pavia na tela sem idade
livros livros os correios n√£o p√°ram
de mos trazer para maior sufocação
cartas a granel por responder relógio não há mas ouço-o
sem falhar um segundo h√° cordas cord√Ķes medalhas
[medalh√Ķes
armas laur√©is proibi√ß√Ķes
perfumes em minaretes levantinos.

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Não tem sentido que meu país faça comércio com a Coréia do Norte e a China e não com Cuba.

A n√≥s bastem nossos pr√≥prios ais, Que a ningu√©m sua cruz √© pequenina. Por pior que seja a situa√ß√£o da China, Os nossos calos doem muito mais…

Impossível

Nós podemos viver alegremente,
Sem que venham com fórmulas legais,
Unir as nossas m√£os, eternamente,
As m√£os sacerdotais.

Eu posso ver os ombros teus desnudos,
Palp√°-los, contemplar-lhes a brancura,
E até beijar teus olhos tão ramudos,
Cor de azeitona escura.

Eu posso, se quiser, cheio de manha,
Sondar, quando vestida, pra dar fé,
A tua camisinha de bretanha,
Ornada de crochet.

Posso sentir-te em fogo, escandescida,
De faces cor-de-rosa e vermelh√£o,
Junto a mim, com langor, entredormida,
Nas noites de ver√£o.

Eu posso, com valor que nada teme,
Contigo preparar lautos festins,
E ajudar-te a fazer o leite-creme,
E os mélicos pudins.

Eu tudo posso dar-te, tudo, tudo,
Dar-te a vida, o calor, dar-te cognac,
Hinos de amor, vestidos de veludo,
E botas de duraque

E até posso com ar de rei, que o sou!
Dar-te cautelas brancas, minha rola,
Da grande loteria que passou,
Da boa, da espanhola,

Já vês, pois, que podemos viver juntos,
Nos mesmos aposentos confort√°veis,
Comer dos mesmos bolos e presuntos,

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Esta Prosa Travada

P√Ķe-se a gente a ler estes Gides, estes Munthes, estes Malraux. E √© sempre a mesma sensa√ß√£o de plenitude. Sempre a mesma sensa√ß√£o de que, depois daquilo, n√£o vale a pena escrever uma palavra, de mais a mais nesta l√≠ngua de que o diabo ainda se serve para falar √† av√≥… Mas depois vem a revolta. Esta impotente revolta de todo o verdadeiro escritor portugu√™s que come√ßou por nascer atr√°s duma fraga e acaba por gastar a vida em Paio Pires, amanuense de secretaria. Metessem no bra√ßo dum Gide uma manga de alpaca, e eu queria ver… Ent√£o um homem nasce em Paris ou numa terra lavada da Su√©cia, tanto faz, mestres logo √† beira do ber√ßo, todas as civiliza√ß√Ķes na biblioteca do pai, uma vida inteira pelo mundo al√©m, e aqueles neur√≥nios, e aqueles sentidos n√£o h√£o-de reagir?! O mais bronco ser humano, quando fala com um Wilde, ouviu pelo menos falar o autor do De Profundis. Evidentemente √© preciso mais alguma coisa do que ir √† China e ter certa experi√™ncia para escrever A Condi√ß√£o Humana. Mas, sem um homem andar de avi√£o, como h√°-de um homem ganhar perspectivas de p√°ssaro e falar de po√ßos de ar?!
…E a gente n√£o tem outro rem√©dio sen√£o gastar as horas a fabricar esta prosa travada,

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Aproveitar o Tempo

Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha…
O trabalho honesto e superior…
O trabalho √† Virg√≠lio, √† M√≠lton…
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
√Č t√£o pouco prov√°vel ser Milton ou ser Virg√≠lio!

Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos – nem mais nem menos –
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E est√£o certas tamb√©m do lado de baixo que se n√£o v√™)…
P√īr as sensa√ß√Ķes em castelo de cartas, pobre China dos ser√Ķes,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paci√™ncias ou de passatempos –
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.

Verbalismo…
Sim, verbalismo…
Aproveitar o tempo!
N√£o ter um minuto que o exame de consci√™ncia desconhe√ßa…
N√£o ter um acto indefinido nem fact√≠cio…
N√£o ter um movimento desconforme com prop√≥sitos…
Boas maneiras da alma…
Eleg√Ęncia de persistir…

Aproveitar o tempo!

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Somos todos escravos da tecnologia. Lembro-me da sabedoria desses grandes homens que viajavam pelo mundo e passavam por terras diferentes, diferentes línguas. Não conheciam e acabavam por conhecer aquelas gentes e os seus modos de vida diferentes, de um lado para o outro, até à China e por aí fora. Era admirável, não era? Hoje não, vai-se de avião, não se sente nada.

Opi√°rio

Ao Senhor M√°rio de S√°-Carneiro

√Č antes do √≥pio que a minh’alma √© doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo h√°-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
j√° n√£o encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os pr√≥prios gozos g√Ęnglios do meu mal.

√Č por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre vis√Ķes de cadafalsos
Num jardim onde h√° flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impress√£o de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um av√ī meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

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Desde a juventude que sou um apoiante da União Europeia. Acredito na unidade fundamental da cultura europeia, aquém das diferenças linguísticas. Percebemos que somos europeus quando estamos na América ou na China, vamos tomar um copo com os colegas e inconscientemente preferimos falar com o sueco do que com o norte-americano. Somos similares. Cultura não quer dizer economia, e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural.

Nunca me pesou o que de tr√°gico se passasse na China. √Č decora√ß√£o long√≠nqua, ainda que a sangue e peste.