O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é
Passagens de Clarice Lispector
1250 resultadosRespeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse seu único meio de viver.
Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre.
Quando vejo num caminhão uma placa dizendo: Inflamável – me encho de glória.
Para não se traírem eles ignoravam que hoje era ontem e haveria amanhã.
Escrevo como se estivesse dormindo e sonhando: as frases desconexas como no sonho. É difícil, estando acordado, sonhar livremente nos meus remotos mistérios.
Talvez esse tenha sido o meu maior esforço de vida: para compreender a minha não-inteligência, o meu sentimento, fui obrigada a me tornar inteligente. (Usa-se a inteligência para entender a não-inteligência. Só que depois o instrumento – o intelecto – por vício de jogo continua a ser usado – e não podemos colher as coisas de mãos limpas, directamente na fonte).
Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.
Quero pegar, sentir, tocar. E tudo isso já faz parte de um mistério. Isso lhe assusta? Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo.
A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.
Esse primeiro calor ainda fresco traz: tudo. Apenas isso, e indiviso: tudo. E tudo é muito para um coração de repente enfraquecido que só suporta o menos, só pode querer o pouco e aos poucos.
Não telefono para mais ninguém. Quem quiser que me procure. E vou me fazer de rogada. Agora acabou-se a brincadeira.
Temos construído catedrais e ficado do lado de fora pois as catedrais que construímos tememos que sejam armadilhas.
A esperança é este instante
Nada impediria que essa mulher que andava rolando os quadris subisse mais um degrau misterioso nos seus dias.
É como se cada parte do meu corpo implorasse por você.
Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade.
A diferença entre o doido e o não-doido é que o não-doido não diz nem faz as coisas que pensa.
É preciso antes saber, depois esquecer. Só então se começa a respirar livremente.
Deitada em minha rede com o livro sobre meu colo em êxtase puríssimo… não sou mais aquela menina com seu livro, mas uma mulher com seu amante.