Cita√ß√Ķes sobre Cofre

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Frases sobre cofre, poemas sobre cofre e outras cita√ß√Ķes sobre cofre para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Avarento

No meio de seus cofres, desvelado,
Co’as tampas levantadas, rasas de ouro,
Cevando a vista est√° no metal louro
Dele o cioso Avarento namorado.

Temendo que lhe venha a ser roubado,
Emprega alma e vida em seu tesouro,
Girando com os olhos, qual besouro,
Zumbindo sem cessar, afervorado.

Fechado nele est√°, com sete portas,
Com temor de algum fero arrombamento
De astutas inven√ß√Ķes, de ideias tortas.

N√£o emprega em mais nada o pensamento.
Cega ambição de vãs riquezas mortas!
Quão infeliz não és, louco avarento!

Pequenina

À Maria Helena Falcão Risques

√Čs pequenina e ris…A boca breve
√Č um pequeno id√≠lio cor-de-rosa…
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
Que desta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem √† gente…
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores…
Quando o teu nome diz, suavemente…

Pequenina que a M√£e de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!…

A Soberania da Alma

A alma sabe que as verdadeiras riquezas não se encontram onde nós as amontoamos: é a alma que nós devemos encher, não o cofre! Àquela devemos nós conceder o domínio sobre tudo, atribuir a posse da natureza inteira de modo a que os seus limites coincidam com o oriente e o ocaso, a que a alma, identicamente aos deuses, tudo possua, olhando soberanamente do alto os ricos e as suas riquezas Рesses ricos a quem menos alegria proporciona o que têm do que tristeza lhes dá o que aos outros pertence! Quando se eleva a tais alturas, a alma passa a cuidar do corpo (esse mal necessário!), não como amigo fiel, mas apenas como tutor, sem se submeter à vontade de quem está sob sua tutela.
Ningu√©m pode simultaneamente ser livre e escravo do corpo: para j√° n√£o falar de outras tiranias que o excessivo cuidado com ele nos imp√Ķe, a soberania do corpo tem exig√™ncias que s√£o aut√™nticos caprichos. A alma desprende-se dele ora com serenidade, ora de firme prop√≥sito – busca a sua sa√≠da sem se importar com a sorte dessa pobre coisa que para a√≠ fica! N√≥s n√£o ligamos import√Ęncia aos p√™los da barba ou aos cabelos que acab√°mos de cortar;

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Doce Certeza

Por essa vida fora h√°s-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em √Ęnsia louca,
Em infinito anseio h√°s de beijar
Estrelas d¬īouro fulgindo em muita boca!

H√°s de guardar em cofre perfumado
Cabelos d¬īouro e risos de mulher,
Muito beijo d¬īamor apaixonado;
E n√£o te lembrar√°s de mim sequer…

H√°s de tecer uns sonhos delicados…
H√£o de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!…

Mas nunca encontrar√°s p¬īla vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d¬īamor que s√£o meus versos!…

O Maior Amor e as Coisas que Se Amam

Tomara poder desempenhar-me, sem hesita√ß√Ķes nem ansiedades, deste mandato subjectivo cuja execu√ß√£o por demorada ou imperfeita me tortura e dormir descansadamente, fosse onde fosse, pl√°tano ou cedro que me cobrisse, levando na alma como uma parcela do mundo, entre uma saudade e uma aspira√ß√£o, a consci√™ncia de um dever cumprido.

Mas dia a dia o que vejo em torno meu me aponta novos deveres, novas responsabilidades da minha intelig√™ncia para com o meu senso moral. Hora a hora a (…) que escreve as s√°tiras surge col√©rica em mim. Hora a hora a express√£o me falha. Hora a hora a vontade fraqueja. Hora a hora sinto avan√ßar sobre mim o tempo. Hora a hora me conhe√ßo, m√£os in√ļteis e olhar amargurado, levando para a terra fria uma alma que n√£o soube contar, um cora√ß√£o j√° apodrecido, morto j√° e na estagna√ß√£o da aspira√ß√£o indefinida, inutilizada.

Nem choro. Como chorar? Eu desejaria poder querer (desejar) trabalhar, febrilmente trabalhar para que esta p√°tria que v√≥s n√£o conheceis fosse grande como o sentimento que eu sinto quando n’ela penso. Nada fa√ßo. Nem a mim mesmo ouso dizer: amo a p√°tria, amo a humanidade. Parece um cinismo supremo. Para comigo mesmo tenho um pudor em diz√™-lo.

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A Moralidade dos Homens Exaustos

Parte do conservantismo da idade madura decorre da intelig√™ncia, que afinal percebe a complexidade das institui√ß√Ķes e as imperfei√ß√Ķes do desejo; e parte vem do enfraquecimento das energias, o que explica a imaculada moralidade dos homens exaustos. A princ√≠pio com incredulidade, depois com desepero, vamos percebendo que o nosso reservat√≥rio de energia j√° n√£o se enche com a facilidade antiga; ou, como disse Schopenhauer, come√ßamos a consumir o capital em vez da renda do capital. Essa descoberta anuvia por alguns anos o homem maduro e indu-lo a deblaterar contra a brevidade da vida e a impossibilidade de realiza√ß√£o de grandes obras. Est√° ele j√° no alto da colina, de onde v√™, l√° no fundo, o fim inevit√°vel – a morte. At√© aquele momento n√£o admitia a morte, s√≥ pensando nela como um tema acad√©mico, de desinteresse para os cofres. Subitamente tudo muda e come√ßa a v√™-la de perto, e por mais que se esforce para n√£o descer a colina, h√° que desc√™-la. Os seus olhos voltam-se para o passado, para os dias em que tudo era ascens√£o descuidosa; e compraz-se na companhia dos mo√ßos e crian√ßas porque deles haure, passageira e incompletamente embora, um pouco do divino esquecimento da morte.

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Obrei quanto o Discurso me Guiava

Obrei quanto o discurso me guiava,
Ouvi aos s√°bios quando errar temia;
Aos bons no gabinete o peito abria,
Na rua a todos como iguais tratava.

Julgando os crimes nunca os votos dava,
Mais duro, ou pio do que a lei pedia:
Mas devendo salvar ao justo ria,
E devendo punir aos réu chorava.

N√£o foram, Vila Rica, os meus projetos,
Meter em ferro cofre cópia de ouro,
Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

Outras s√£o as fortunas, que me agouro,
Ganhei saudades, adquiri afetos,
Vou fazer deste bens melhor tesouro.

Os Velhos

Todos nasceram velhos ‚ÄĒ desconfio.
Em casas mais velhas que a velhice,
em ruas que existiram sempre ‚ÄĒ sempre
assim como est√£o hoje
e n√£o deixar√£o nunca de estar:
soturnas e paradas e indeléveis
mesmo no desmoronar do Juízo Final.
Os mais velhos têm 100, 200 anos
e l√° se perde a conta.
Os mais novos dos novos,
n√£o menos de 50 ‚ÄĒ enorm’idade.
Nenhum olha para mim.
A velhice o proíbe. Quem autorizou
existirem meninos neste largo municipal?
Quem infrigiu a lei da eternidade
que não permite recomeçar a vida?
Ignoram-me. N√£o sou. Tenho vontade
de ser também um velho desde sempre.
Assim conversar√£o
comigo sobre coisas
seladas em cofre de subentendidos
a conversa infindável de monossílabos, resmungos,
tosse conclusiva.
Nem me vêem passar. Não me dão confiança.
Confiança! Confiança!
D√°diva impens√°vel
nos semblantes fechados,
nos felpudos redingotes,
nos chapéus autoritários,
nas barbas de milénios.
Sigo, seco e só, atravessando
a floresta de velhos.

Um Silêncio Cauto e Prudente é o Cofre da Sensatez

– (…) V√≥s quereis tentar a sorte na grande cidade, e sabeis bem que √© l√° que deveis gastar essa aura de valentia que a longa inac√ß√£o dentro destas muralhas vos houver concedido. Procurareis tamb√©m a fortuna, e devereis ser h√°bil a obt√™-la. Se aqui aprendeste a escapar √† bala de um mosquete, l√° deveis aprender a saber escapar √† inveja, ao ci√ļme, √† rapacidade, batendo-vos com armas iguais com os vossos advers√°rios, ou seja, com todos. E portanto escutai-me. H√° meia hora que me interrompeis dizendo o que pensais, e com o ar de interrogar quereis mostrar-me que me engano. Nunca mais o fa√ßais, especialmente com os poderosos. √Äs vezes a confian√ßa na vossa arg√ļcia e o sentimento de dever testemunhar a verdade poderiam impelir-vos a dar um bom conselho a quem √© mais do que v√≥s. Nunca o fa√ßais. Toda a vit√≥ria produz √≥dio no vencido, e se se obtiver sobre o nosso pr√≥prio senhor, ou √© est√ļpida ou √© prejudicial. Os pr√≠ncipes desejam ser ajudados mas n√£o superados.
Mas sede prudente também com os vossos iguais. Não humilheis com as vossas virtudes. Nunca falei de vós mesmos: ou vos gabaríeis, que é vaidade, ou vos vituperaríeis,

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Filosofar é como tentar descobrir o segredo de um cofre: cada pequeno ajuste no mecanismo parece levar a nada. Apenas quando tudo entra no lugar a porta se abre.

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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A Loucura do Dinheiro

O dinheiro suscita a maior parte das vocifera√ß√Ķes que ouvimos: √© o dinheiro que fatiga os tribunais, √© ele que coloca pais e filhos em desaven√ßa, √© ele que derrama venenos, √© ele que p√Ķe a espada nas m√£os dos assassinos e das legi√Ķes; ele est√° manchado de sangue nosso; √© por causa dele que as discuss√Ķes de marido e mulher ressoam na noite, √© por causa dele que a turba aflui aos tribunais; por causa dele, os reis massacram, saqueiam e arrasam cidades que demoraram s√©culos a construir, para procurarem ouro e prata entre as cinzas. V√™s os cofres arrumados a um canto? √Č por causa deles que se grita at√© os olhos sa√≠rem das suas √≥rbitas e que os brados ressoam nos tribunais; √© por causa deles que ju√≠zes vindo de regi√Ķes long√≠nquas se re√ļnem para decidir qual √© a avidez mais justa.
E quando, n√£o por um cofre, mas por um punhado de ouro ou por um den√°rio que se dispensaria a um escravo, se perfura o est√īmago de um velho que ia morrer sem herdeiros? E quando, possuindo v√°rios milhares, um usur√°rio de p√©s e m√£os deformados, incapaz sequer de mexer no dinheiro, reclama, furioso,

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Quando a Fortuna Encetou com Desgraças

Quando a Fortuna, de inconstante aviso,
Encetou com desgraças
O var√£o que n√£o veio humilde, abjecto
Adorar o seu Nume,
Na refalsada Corte, ou ante os cofres
Chapeados de Pluto;
Levando avante, o seu empenho, e acinte,
Maléfica lhe emborca
Sobre a cabeça a mágoas devotada,
Toda a Urna infelice,
Que Jove encheu col√©rico co’as penas
De atormentado inferno.
Dos ombros do Var√£o constante e justo
Resvalam debruçadas
Perdas de bens, desonras mal sofridas
A lhe aferrar o peito
Co’as garras afaimadas da pobreza;
Logo os tristes Pesares
Em torno ao coração serpeiam, mordem,
Trajando a rojo lutos.
Vem a m√° nova, de agouradas falas,
Que se comp√Ķe sequela
De tibiezas, sen√Ķes, desconfian√ßas,
Desamparo de amigos.
A Doença, com mão finada abrange
Os fatigados membros
E no √Ęmago do peito as amargaras
V√£o assentar morada.
Com índice maligno a Providência
Lhe aponta no futuro,
Em nebuloso quadro hórridas formas
De sinistros sucessos.
Quem n√£o quisera, com melhor semblante
Despedir-se do dia,
E fraudar, com as sombras do jazigo,

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Há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofre, trancados até o nosso fim. E por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira.

Luva Abandonada

Uma só vez calçar-vos me foi dado,
Dedos claros! A escura sorte minha,
O meu destino, como um vento irado,
Levou-vos longe e me deixou sozinha!

Sobre este cofre, desta cama ao lado,
Murcho, como uma flor, triste e mesquinha,
Bebendo √°vida o cheiro delicado
Que aquela m√£o de dedos claros tinha.

Cálix que a alma de um lírio teve um dia
Em si guardada, antes que ao ch√£o pendesse,
Breve me hei de esfazer em poeira, em nada…

Oh! em que chaga viva tocaria
Quem nesta vida compreender pudesse
A saudade da luva abandonada!

À força de fazermos novos contratos e de vermos o dinheiro crescer nos nossos cofres, acabamos por nos julgarmos inteligentes e quase capazes de governar.

Luar

Ao longo das louríssimas searas
Caiu a noite taciturna e fria…
Cessou no espaço a límpida harmonia
Das infinitas perspectivas claras.

As estrelas no céu, puras e raras,
Como um cristal que nítido radia,
Abrem da noite na mudez sombria
O cofre ideal de pedrarias caras.

Mas uma luz aos poucos vai subindo
Como do largo mar ao firmamento — abrindo
Largo clar√£o em flocos d’escomilha.

Vai subindo, subindo o firmamento!
E branca e doce e nívea, lento e lento,
A lua cheia pelos campos brilha…

Adeus Tranças Cor de Ouro

Adeus tranças cor de ouro,
Adeus peito cor de neve!
Adeus cofre onde estar deve
Escondido o meu tesouro!

Adeus bonina, adeus lírio
Do meu exílio de abrolhos!
Adeus, ó luz dos meus olhos
E meu tão doce martírio!

Adeus meu amor-perfeito,
Adeus tesouro escondido,
E de guardado, perdido
No mais íntimo do peito.

Desfeito sonho dourado,
Nuvem desfeita de incenso
Em quem dormindo só penso,
Em quem só penso acordado!

Vis√£o, sim, mas vis√£o linda,
Sonho meu desvanecido!
Meu paraíso perdido
Que de longe adoro ainda!

Nuvem que ao sopro da aragem
Voou nas asas de prata,
Mas no lago que a retrata
Deixou esculpida a imagem!

Rosa de amor desfolhada
Que n’alma deixou o aroma,
Como o deixa na redoma
Fina essência evaporada!

Gota de orvalho que o vento
Levou do c√°lix das flores,
Curto abril dos meus amores,
Primavera de um momento!

Adeus Sol, que me alumia
Pelas ondas do oceano
Desta vida, deste engano,

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Quantos amores a vida nos d√°? Amor √© como um sonho, √†s vezes √ļnico. Se nos descuidarmos ele se dissipa como a n√©voa da manh√£. O amor √© um bem t√£o valioso que somente o cofre do cora√ß√£o pode guard√°-lo em seguran√ßa!