Cita√ß√Ķes sobre Comida

96 resultados
Frases sobre comida, poemas sobre comida e outras cita√ß√Ķes sobre comida para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Homem Possui Tr√™s Est√īmagos

– H√° muitos tipos dc comida ‚ÄĒ disse o coronel M√Ķller enquanto abanava o filho.- Um homem possui tr√™s est√īmagos: um na barriga, outro no peito e outro na cabe√ßa. O da barriga, toda a gente sabe para que serve; o do peito mastiga a respira√ß√£o, que √© a nossa comida mais urgente. Uma pessoa morre sem ar muito mais depressa do que sem √°gua e p√£o. E por fim h√° o est√īmago da cabe√ßa, que se alimenta de palavras e de letras. Os primeiros dois est√īmagos do homem alimentam-se atrav√©s da boca c do nariz, ao passo que o terceiro est√īmago se alimenta principalmente atrav√©s dos olhos e dos ouvidos, apesar de usar tudo o resto dc um modo mais subtil.
‚ÄĒ Para mim ‚ÄĒ disse o mordomo ‚ÄĒ, as palavras s√£o uma grande palermice.

Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho, fica a alma muito mais male√°vel do que durante esses jejuns de padre.

Virtudes Ociosas e Bolorentas

Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa onde a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar.
O estilo, a casa com o terreno em volta e o ¬ęentretenimento¬Ľ n√£o representam nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me √† espera no vest√≠bulo, comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhan√ßa havia um homem que morava no oco de uma √°rvore e cujas maneiras eram r√©gias. Teria feito bem melhor visitando-o a ele.

Para quem tem uma boa posição social,
falar de comida é coisa baixa.
√Č compreens√≠vel: eles j√° comeram.

Mestre

Mestre, meu mestre querido,
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

N√£o cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma abstracta e visual até aos ossos.
Aten√ß√£o maravilhosa ao mundo exterior sempre m√ļltiplo,
Ref√ļgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dil√ļvio da intelig√™ncia subjectiva…

Mestre, meu mestre!
Na ang√ļstia sensacionalista de todos os dias sentidos,
Na m√°goa quotidiana das matem√°ticas de ser,
Eu, escrevo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as m√£os para ti, que est√°s longe, t√£o longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.

Continue lendo…

Os Supermercados

Os supermercados s√£o os pal√°cios dos pobres. N√£o s√£o s√≥ os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das gera√ß√Ķes foram reduzindo os gastos da imagina√ß√£o, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superf√≠cies. As grandes superf√≠cies com a sua √°rea iluminada e sempre em festa; a concentra√ß√£o dos prazeres correntes, como a alimenta√ß√£o e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambi√ß√Ķes do quotidiano. N√£o h√° euforia mas h√° um sentimento de parentesco face √†s limita√ß√Ķes de cada um. A chuva e o calor s√£o poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; h√° uma emo√ß√£o pr√≥pria que paira nas naves das grandes superf√≠cies. S√£o as catedrais da conveni√™ncia, d√£o a ilus√£o de que o sol quando nasce √© para todos e que a cultura e a seguran√ßa est√£o ao alcance das pequenas bolsas. N√£o h√° pol√≠cia, h√° uma paz de transeunte que a cidade j√° n√£o oferece.

√Č j√° mis√©ria doirada
Ver comida boa e farta
E pagar uma fortuna
Por um quilo de batata.

A Comunidade Europeia Vai Ser um Logro

As primeiras d√©cadas do pr√≥ximo mil√©nio ser√£o terr√≠veis. Mis√©ria, fome, corrup√ß√£o, desemprego, viol√™ncia, abater-se-√£o aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Servi√ßo Nacional de Sa√ļde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independ√™ncia nacional sofrer√£o grav√≠ssimas rupturas. Abandonados, os idosos v√£o definhar, morrer, por falta de assist√™ncia e de comida. Espoliada, a classe m√©dia declinar√°, s√≥ haver√° muito ricos e muito pobres. A indiferen√ßa que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o inc√™ndio das florestas √© uma antecipa√ß√£o disso, de outras derrocadas a vir.

A Memória é Como o Ventre da Alma

Encerro também na memória os afectos da minha alma, não da maneira como os sente a própria alma, quando os experimenta, mas de outra muito diferente, segundo o exige a força da memória.
N√£o √© isto para admirar, tratando-se do corpo: porque o esp√≠rito √© uma coisa e o corpo √© outra. Por isso, se recordo, cheio de gozo, as dores passadas do corpo, n√£o √© de admirar. Aqui, por√©m, o esp√≠rito √© a mem√≥ria. Efectivamente, quando confiamos a algu√©m qualquer neg√≥cio, para que se lhe grave na mem√≥ra, dizemos-lhe: ¬ęv√™ l√°, grava-o bem no teu esp√≠rito¬Ľ. E quando nos esquecemos, exclamamos: ¬ęn√£o o conservei no esp√≠rito¬Ľ, ou ent√£o: ¬ęescapou-se-me do esp√≠rito¬Ľ; portanto, chamamos esp√≠rito √† pr√≥pria mem√≥ria.
Sendo assim, porque será que, ao evocar com alegria as minhas tristezas passadas, a alma contém a alegria e a memória a tristeza, de modo que a minha alma se regozija com a alegria que em si tem e a memória se não entristece com a tristeza que em si possui? Será porque não faz parte da alma? Quem se atreverá a afirmá-lo?
N√£o h√° d√ļvida que a mem√≥ria √© como o ventre da alma. A alegria, por√©m, e a tristeza s√£o o seu alimento,

Continue lendo…

Te fiz comida, velei teu sono Fui teu amigo, te levei comigo E me diz: pra mim o que é que ficou?

Não há plantas boas para comida que não o sejam também para cura. O excesso é que causa problemas.

Os quadros que eles penduram nos restaurantes n√£o s√£o muito melhores do que a comida servida nos museus.

O Horror de ser Pobre

Risco c’um tra√ßo
(Um traço fino, sem azedume)
Todos os que conheço, eu mesmo incluído.
Para todos estes n√£o me ver√£o
Nunca mais
Olhar com azedume.

O horror de ser pobre!
Muitos gabavam-se que aguentariam, mas era ver-
-lhes as caras alguns anos depois!
Cheiros de latrina e papéis de parede podres
Atiravam abaixo homens de peitaça larga como toiros.
As couves aguadas
Destroem planos que fazem forte um povo.
Sem √°gua de banho, solid√£o e tabaco
Nada h√° que exigir.
O desprezo do p√ļblico
Arruina o espinhaço.
O pobre
Nunca est√° sozinho. Est√£o todos sempre
A espreitar-lhe pra o quarto. Abrem-lhe buracos
No prato da comida. N√£o sabe pra onde h√°-de ir.
O céu é o seu tecto, e chove-lhe lá pra dentro.
A Terra enxota-o. O vento
N√£o o conhece. A noite faz dele um aleijado. O dia
Deixa-o nu. Nada é o dinheiro que se tem. Não salva ninguém.
Mas nada ajuda
Quem dinheiro n√£o tem.

Tradução de Paulo Quintela

Do Fundo da Mesa

O jantar j√° tinha sido servido. No fundo da mesa,
os pratos amontoavam-se por entre restos ilesos
de comida. Era para ali que nos retir√°vamos, para
deixar de sentir por momentos, sobre os ombros,
o peso da literatura. A sua incomodidade. N√£o
seria possível dela extrair, agora, um novo uso?
Nessas alturas, a filosofia consolava-nos do ruído
das conversas, da própria ênfase a que recorríamos
para que, sobre a mesa, o poema ficasse escrito.
Porque o fazíamos? Tornar-se-ia o mundo
mais limpo depois de escrito? Como as m√£os
que no rebordo da toalha, enxug√°vamos?
E no entanto era esse o melhor argumento
de que disp√ļnhamos: o das mulheres-escritoras
que, noutro século, fiéis ao desvelo dos armários,
reinventavam o mundo no aconchego das cozinhas.