Cita√ß√Ķes sobre Compras

11 resultados
Frases sobre compras, poemas sobre compras e outras cita√ß√Ķes sobre compras para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Amor é de outro Reino

O amor √© de outro reino. (…) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas hist√≥rias c√≥digo de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em mi√ļdos ouvindo m√ļsica sem escutar m√ļsica que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir √†s cavalitas de andas de muita coisa simples amor √© um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor √© uma ocupa√ß√£o de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfian√ßas e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais √≠ntimo na beleza de um encanto escondido rec√īndito que todos no mundo fizeram pais de padres m√£es de bispos av√≥s de cardeais amor agarrado intrometido de falus com prazer de alegria amor que n√£o se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor t√£o amor.

Fim-de-Semana em Casa

√Č s√°bado. √Č Inverno. √Č dia de acastelar. Sa√≠mos com sacos, ¬ętupper-wares¬Ľ, rolos de notas e troco, listas.
Vamos aos mercados, às lojas, aos restaurantes. O objectivo é enchermo-nos de víveres, jornais e revistas, queijinhos frescos, nozes e avelãs, coentros e beringelas, feijoadas de chocos e caldeiradas, velharias, bolos e pilhas sobressalentes.
S√≥ o bastante para nos acastelarmos em casa, repimp√Ķes, com tudo ao nosso alcance, at√© √† long√≠nqua segunda-feira. Dia em que sa√≠remos – talvez – quando todos os forasteiros e fim-de-semaneiros tiverem voltado para casa deles.
Não temos um fosso ou sequer um ferrolho na porta Рmas corremo-lo à mesma, idealmente, tropeçando de verdade nas cabeças de alhos-porros e nas ramas das beterrabas, protuberando dos sacos de plástico deitados, mortos, no chão da cozinha.
Ser√° a mentalidade medieval do campismo ou o ideal ¬ęhippy¬Ľ da auto-sufici√™ncia? N√£o. Constitui a√ßambarcamento? √Č anti-social? Tamb√©m n√£o. √Č apenas o prazer do ninho. Com ameias.
Quanto pior o tempo, melhor sabe fecharmo-nos no nosso castelinho, seguros que estamos abastecidos, de tudo, para dois dias inteiros, prontos para sobrevivermos alegremente até ao fim do fim-de-semana. Cá nos acastelamos e cá nos vamos arranjando.
Noutra dimensão, graças a compras sabichonas,

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Com Quantos Tenho que Casar?

Querida íbis:

Desculpa o papel impr√≥prio em que te escrevo; √© o √ļnico que encontrei na pasta, e aqui no Caf√© Arcada n√£o t√™m papel. Mas n√£o te importas, n√£o?
Acabo de receber a tua carta com o postal, que acho muito engraçado.

Ontem foi ‚ÄĒ n√£o √© verdade? ‚ÄĒ uma coincid√™ncia engra√ßad√≠ssima o facto de eu e minha irm√£ virmos para a Baixa exactamente ao mesmo tempo que tu. O que n√£o teve gra√ßa foi tu desapareceres, apesar dos sinais que eu te fiz. Eu fui apenas deixar minha irm√£ ao Avda. Palace, para ela ir fazer umas compras e dar um passeio com a m√£e e a irm√£ do rapaz belga que a√≠ est√°. Eu sa√≠ quasi imediatamente, e esperava encontrar-te ali pr√≥ximo para falarmos. N√£o quiseste. Tanta pressa tiveste de ir para casa de tua irm√£!

E, ainda por cima, quando saí do hotel, vejo a janela de casa de tua irmã armada em camarote (com cadeiras suplementares) para o espectáculo de me ver passar! Claro está que, tendo visto isto, segui o meu caminho como se ali não estivesse ninguém. Quando eu pretendesse ser palhaço (para o que, aliás,

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Tudo Deve Ser Contado pelo Menos uma Vez

Tudo o que nos acontece, tudo o que falamos ou nos é narrado, tudo quanto vemos com os nossos próprios olhos ou sai da nossa língua ou entra pelos nossos ouvidos, tudo aquilo a que assistimos (e por que, portanto, somos de certo modo responsáveis), há-de ter um destinatário fora de nós, e esse destinatário vai sendo seleccionado por nós em função do que acontece ou nos dizem ou então dizemos nós. Cada coisa deverá ser contada a alguém Рnem sempre a mesma pessoa, não necessariamente -, e cada coisa vai-se colocando de parte como quem folheia e aparta e vai destinando prendas futuras numa tarde de compras.
Tudo deve ser contado pelo menos uma vez, ainda que, como havia determinado Rylands com a sua autoridade literária, deva ser contado segundo os tempos. Ou, o que vem a dar no mesmo, no momento justo e às vezes nunca mais se não se soube reconhecer ou se deixou passar deliberadamente esse momento preciso. Esse momento apresenta-se às vezes (a maioria das vezes) de maneira imediata, inequívoca e compulsiva, mas muitas outras vezes apresenta-se apenas confusamente e ao fim de lustros ou décadas, como acontece com os grandes segredos. Mas nenhum segredo pode ou deve ser guardado para sempre do conhecimento de toda a gente,

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A Luta de Classes Acabou

A luta de classes esfumou-se, dissolveu-se, a democracia tem funcionado como um diluente social: toda a gente vive, compra e acorre ao hipermercado, ao balc√£o do bar e aos concertos pagos pelo munic√≠pio na pra√ßa central, e todos falam ao mesmo tempo, vozes que se misturam como nas tumultuosas reuni√Ķes no cine Tivoli evocadas pelo meu pai, j√° n√£o se distingue o que est√° em cima do que est√° em baixo, est√° tudo enredado, confuso, e, por√©m, reina uma misteriosa ordem, eis a democracia. Mas, de s√ļbito, desde h√° um par de anos, parece desenhar-se uma ordem mais expl√≠cita, menos insidiosa. A nova ordem √© bem vis√≠vel, com os n√≠veis superior e inferior bem definidos: alguns transportam com orgulho sacos repletos de compras e cumprimentam sorridentes os vizinhos √† porta do centro comercial, outros remexem nos contentores onde os empregados do hipermercado lan√ßaram as embalagens de carne fora de prazo, a fruta e as verduras pisadas, os past√©is industriais caducados. Lutam entre si por esses alimentos.

(…) Trivial, a luta de classes? Ent√£o n√£o era isso que determinava, que impregnava e condicionava tudo? O grande motor da hist√≥ria universal? N√£o era nisso que acreditavam o meu pai e os seus camaradas,

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Estamos a Construir uma Sociedade de Egoístas

Estamos a construir uma sociedade de egoístas. Se a ti te dizem que o que importa é o que compras, e segundo o que compras têm mais ou menos consideração por ti, então convertes-te num ser que não pensa senão em satisfazer os seus gostos, os seus desejos e nada mais. Não existe em nenhuma faculdade uma disciplina do egoísmo, mas não é preciso, é a própria experiência social que nos vai fazendo assim. Ao longo da História as igrejas e as catedrais eram os lugares onde se procurava um valor espiritual determinado. Agora os valores adquirem-se nos centros comerciais. São as catedrais do nosso tempo.

Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao caf√©, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas desporto, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. ¬ę√Čs¬Ľ menos, mas ¬ętens¬Ľ mais. Assim todas as paix√Ķes e actividades s√£o tragadas pela cobi√ßa.

Aqui o c√©u √© a roupa que compras, os cremes de maquilhagem, o frigor√≠fico e as coisas que tem l√° dentro, o carro para ir para o trabalho ou para levar os mi√ļdos a passear ao domingo √† tarde.

S√°tira

Besta e mais besta! O positivo √© nada…
(Perdoa, se em gram√°tica te falo,
Arte que ignoras, como ignoras tudo.)
Besta e mais besta! Na palavra embirro;
Que a besta anexa ao mais teu ser define.

D√°s-me louvor servil na voz do prelo,
Grande me crês, proclamas-me famoso,
Excelso, transcendente, incompar√°vel,
Confessas que d’Elmano a f√ļria temes…
E, débil estorninho, águias provocas,
Aves de Jove, que o corisco empunham!

√Čs de r√°bula vil corrupta imagem;
Tu vendes o louvor, como ele as partes,
Mas ele na enxovia inf√Ęmias paga,
E tu, com t√ļstios, que aos caloiros pilhas,
Compras gravatas, em que a tromba enorme
Sumas ao dia, que de a ver se embrusca,
Qual em tenra m√£ozinha esconde a face
Mimoso infante de pap√Ķes vexado.
√ötil descuido aos c√°rceres te furta,
À digna habitação de ti saudosa
(Digo, o Castelo), est√Ęncia equivalente
Aos méritos morais, que em ti reluzem.

De saloios vinténs larápio sujo,
A glória do teu ódio restitui
A quem no teu louvor desacreditas.
Se honrada pelos s√°bios d’Ulisseia
(D’Ulisseia n√£o s√≥,

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